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domingo, 14 de fevereiro de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 1 – CAP 22


(utilize o site ifevale.org.br)  
A FILOSOFIA EVOLUCIONISTA (LAMARCK – WALLACE - DARWIN – SPENCER) 

BIBLIOGRAFIA 
 A FILOSOFIA CONTEMPORANEA – Huberto Rohden – Edit Alvorada
 HISTÓRIA DA FILOSOFIA – Will Durant – Cia. Edit. Nacional 
DARWIN – A ORIGEM DAS ESPÉCIES – Clássicos Econômicos Newton
O MUNDO DE SOFIA – Jostein Gaarder – Cia das Letras 

REFLEXÃO
UMA ESCOLHA PARA DEUS 
   Sejamos ousados: Coloquemo-nos no lugar do Creador.   Estava lá com meus botões quando resolvi crear (sim, crear e não criar).   A dúvida era: como farei essa obra de arte?   Dentre as opções, eu tinha:  1 – Meus personagens terão uma vida efêmera de um século, depois serão julgados pelos seus atos e após isso irão habitar indefinidamente o Hades ou o Paraíso.  2 – Crearei leis que regerão minha obra. Meus personagens lá serão colocados simples e sem saber algum porém determinados a crescer sempre. O dinamismo fará com que retornem ao meu seio. É isso! E então acordei. Passei o dia pensando qual a opção que Deus escolheria para sua Obra-Viva. 

TEMA 
       (Vontade) “A força não é oriunda da capacidade física e sim de uma vontade indomável.” (Gandhi)  

1ª PARTE:  OBJETIVO DESTA AULA 
 Esta aula tem por objetivo despertar e entender o processo de como surgiu e se implantou o evolucionismo no contexto de conhecimento do homem. Ao ser lançada a obra “A Origem das Espécies” houve um impacto nas Ciências acadêmicas, mas muito maior no aspecto religioso que sentiu ofendido o criacionismo bíblico. 

2ª PARTE: INTRODUÇÃO 
 Até o final do século XVIII a ideia bíblica de que Deus havia criado todas as formas de vida existentes era uma verdade incontestável. A descoberta de ossos gigantescos nos Estados Unidos e Europa houve uma demonstração clara que aqueles fosseis eram de animais já existentes em períodos anteriores a Criação. 

3ª PARTE: JEAN BAPTISTE DE LAMARCK ( 1744 – 1829 )  
O zoólogo francês Jean Baptiste de Lamarck foi o porta-voz da ideia sobre a evolução biológica isso por volta de 1800. Antes dele, o avô de Darwin, Erasmus Darwin já participava dessas pesquisas. Nenhum deles, entretanto, tinha conseguido dar uma explicação aceitável para como essa evolução se processava. A Igreja não os considerava como rivais perigosos a sua doutrina teológica sobre a criação descrita na gênese bíblica.   A teoria de Lamarck era de que as espécies iam desenvolvendo pelos próprios esforços aptidões de adaptação ao meio de forma lenta e transmitindo aos seus descendentes essas novas qualidades. De acordo com essa teoria, a girafa teria desenvolvido um pescoço comprido devido ao hábito de se alimentar de folhas mais tenras nas partes altas das árvores. Essa teoria da “hereditariedade de características adquiridas” não era aceita por Darwin. Lamarck não havia conseguido provar a questão de caracteres pela hereditariedade.  Lamarck publicou a Filosofia Zoológica em 1809 e A História Natural dos Animais Vertebrados em 1815.
 
4ª PARTE:  CHARLES DARWIN – VIDA E OBRAS ( 1809 – 1882 )   Charles Robert Darwin nasceu em Shrewsbury em 1809 (foi contemporâneo de Kardec). Seu pai era médico. Ao terminar os estudos fundamentais, cursou Medicina em Edimburgo (1825-27) e Teologia em Cambridge (até 1831). Demonstrou, porém grande interesse pela Botânica e Geologia. Tanto que viajou ao norte do País de Gales para efetuar pesquisas geológicas em formações rochosas daquela região, pesquisou também fósseis.  Em dezembro de 1831 partiu para uma viagem ao redor do mundo como naturalista a bordo do navio Beagle para pesquisar espécies animais com previsão de 2 anos. A viagem acabou levando 5 anos. Esta viagem lhe proporcionou um grande número de observações referente à geologia a flora, a fauna e até das sociedades e caracteres humanos. Fez um trabalho metodológico e sistemático sobre os assuntos observados compilando e classificando todos os dados   Casou-se em 1839 e foi morar numa casa em Kent nos arrabaldes de Londres onde morou a vida toda. Teve uma saúde um tanto frágil o qual lhe rendeu muitos períodos de afastamentos dos seus trabalhos.  Darwin vem a falecer em 1882 com honras solenes depois de ter sido, por muitos anos, considerado o homem mais perigoso da Inglaterra.  Suas principais obras foram: - Monografia sobre as Cerripédias – Vol I (1851) e Vol II (1854) - A Origem das Espécies Através da Seleção Natural (1859) - A Fertilização das Orquídeas por Insetos  (1862) - A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo (1871) - A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais (1872) - Plantas Insetívoras (1875) - Cruzamento e Autofertilização (1876) - Diferentes Formas de Flores em Plantas de mesma Espécie (1877) 

5ª PARTE: A ORIGEM DAS ESPÉCIES (1859)–A DESCENDÊNCIA DO HOMEM (1871)   Após o retorno de sua viagem Darwin se põe a trabalhar sobre seus apontamentos sempre direcionados na evolução das espécies. Duas obras o influenciaram muito: Os Princípios de Geologia de Lyell (o qual levou em sua viagem) e Os Princípios da População de Malthus (que o levaram a fechar a teoria da evolução pela seleção natural). Outro cientista trabalhando paralela e independentemente desenvolve um trabalho semelhante ao de Darwin é Alfred Russel Wallace. Editam em conjunto A Evolução Pela Seleção Natural  Duas são as teses principais de Darwin na Origem das Espécies: 1) todas as espécies de plantas e animais que vivem hoje, descendem de formas mais primitivas que viveram em tempos passados e 2) a evolução se deve a uma seleção natural onde sobrevivem os mais adaptados  A seleção natural mostra que os organismos melhores adaptados teriam maior oportunidade de sobrevida. A sobrevivência do mais apto explicaria porque o número de ovos postos pela fêmea são sempre muito maior que o numero de adultos – a chamada mortalidade infantil.  Algumas são as evidencias da evolução: 1) A comparação entre embriões – peixes, anfíbios, répteis, aves, mamíferos e o homem. 2) O membro pentadáctilo – o morcego, a foca, o crocodilo, o cão e o homem.
3) O cóccix -  o indício de que o macaco e o humano tiveram ancestral comum – o osso localizado na base da coluna vertebral – o remanescente da cauda que no atual estágio não possui mais função.
 
6ª PARTE: HERBERT SPENCER (1820 – 1903) 
 O biólogo britânico Herbert Spencer, pragmático, oferece uma filosofia em cima das teorias evolucionistas de Lamarck e de Darwin. Este filósofo nunca pode se familiarizar com ideologias metafísicas, sobretudo as correntes kantianas. Spencer não admite outra faculdade cognoscitiva senão os sentidos e o intelecto. A intuição não é para ele uma faculdade cientificamente demonstrada, senão apenas uma suposição vaga, obscura e mística. Porem ele é antes de tudo um agnóstico que um ateu.  Spencer é na filosofia o grande enamorado da teoria da evolução. Vai adiante, estendendo a evolução para outros campos além do reino mineral, vegetal e animal, ele vai para o mundo humano e vê a evolução na intelectualidade, na mente humana, no psiquismo, na ética, e na atitude religiosa. O filósofo vê a evolução em todos esses campos. Spencer era todo síntese e coordenação (assim como Aristóteles ).  Spencer é o exemplo das naturais limitações de um filósofo que invade o campo do especialista, mas com os erros de detalhes desaparecem diante das luminosas generalizações que deram nova unidade e inteligibilidade a vastas áreas do fato biológico.  Na Biologia, ele vê a evolução da vida, na Psicologia, a evolução do espírito (psiquismo), na Sociologia, a evolução das sociedades, na Ética, a evolução moral.  São seguintes as suas obras:   Em 1852, edita A Teoria da População, sob a influência de Malthus.  Em 1855, publica Os Princípios de Psicologia onde empreendeu a evolução do espírito.  Em 1862, publica Os Primeiros Princípios onde evidencia o incognoscível gerando o Agnosticismo e a evolução gerando o Evolucionismo. 

7ª PARTE: O EMBATE CRIACIONISMO X EVOLUCIONISMO 
 Tanto os membros da Igreja quanto muitos cientistas eram partidários da teoria bíblica segundo a qual as diferentes espécies de plantas e animais eram imutáveis. Para eles cada espécie tinha sido criada. Além disto, a visão cristã estava de acordo com as concepções de Platão e Aristóteles. A religião explicava que os fósseis seriam marcas de animais que não haviam encontrado lugar na Arca de Noé.  O livro lançado em 1859 provocou um estardalhaço. A Igreja protestou veemente e a Ciência na Inglaterra se dividiu. Nesta data o velho Mundo veio abaixo, como os bispos já anteviam. Não era mais uma noção de evolução das mais altas espécies evolvendo das mais baixas e sim uma minuciosa e ricamente documentada teoria do processo da evolução por meio da seleção natural ou preservação das espécies mais favorecidas na luta pela existência. Numa década o mundo inteiro estava a falar em evolução. O livro A Origens das Espécies quando lançado teve um sucesso imediato e provocou grandes polêmicas que envolveram teorias biológicas e implicações teológicas facilitando assim sua imediata difusão em todo o mundo. Na Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e Itália teve Darwin fortes defensores. A França insistia com Lamarck. De uma hora para outra muitos se viram compelidos a rever suas concepções sobre a gênese do mundo e do homem até então descrita pela Bíblia e interpretada pela Igreja. Em 1871 quando publicou A Descendência do Homem onde afirma que macacos e homens haviam tido os mesmos ancestrais, descobria-se simultaneamente em Gibraltar e em Neandertal na Renania fósseis de cérebros de tipos humanos extintos.  Huxley é o generalíssimo das forças do darwinismo e do agnosticismo. Por uns tempos os evolucionistas foram denunciados como monstros da imoralidade (é o conservadorismo mostrando suas garras) e sendo de bom tom insultá-los em público.·.  Ainda hoje, 150 anos depois ainda existem focos de resistência a teoria da evolução principalmente entre os dogmáticos e fundamentalistas cristãos. Estes, por incrível que possa parecer se encontram na nação mais pragmática do planeta, os EUA. Nesse país alguns estados onde à assembleia legislativa é dominada politicamente por conservadores cristãos proíbem as escolas de ensinarem a teoria darwiniana por não estar segundo eles devidamente corroborada e por contrariar fortemente suas convicções religiosas.
   
8ª PARTE:   ALFRED RUSSEL WALLACE (1823 – 1913) 
            Muitos de nós creditamos a Darwin a exclusividade sobre a Evolução das Espécies, entretanto, muitos pesquisadores e pensadores se envolveram no sentido de impulsionar esse novo paradigma.  Entre estes se encontra Alfred Russel Wallace. Um naturalista, geógrafo, antropólogo e crítico social contemporaneo de Darwin. Nascido em Usk (Inglaterra) em janeiro de 1823 e falecido em Breadstone em novembro de 1913.  Wallace foi quem incentivou Darwin a publicar a imemorável obra “A Origem das Espécies”. Entre outras pesquisas, Alfred pesquisou a fauna e a flora da Amazônia e por seus trabalhos recebeu o título de “sir” e foi presidente da Sociedade Real de Antropologia.  Wallace se afasta de Darwin ao admitir causas não identificadas na evolução das espécies (teoria essa de profundo cunho espiritualista). Ele contestou as teorias darwinianas por crer que existiu uma interferência desconhecida na evolução do Homem, pelo fato de não  ter sido jamais encontrado algum fóssil humano ostentando estágios graduais de evolução e principalmente diante das dificuldades para justificar o hiato entre o ser Humano e os primatas. Que por sua vez deram causa a teoria do Elo Perdido.  Na obra “Le Moderne Spiritualisme”, Wallace fez sua declaração de fé espírita. Ele acreditava em uma dimensão espiritual da mente. Foi a partir de 1865 que ele participou de uma serie de fenômenos com a médium inglesa, Mary Marshal onde presenciou fenômenos de levitação e movimentação de objetos. Tomou contato também com “as mesas girantes”, “espíritos batedores” e tantos outros fenômenos de cunho espiritual.  Estas participações e declações, entretanto lhe rendeu uma advertência por parte de Darwin: “espero que o senhor não tenha assassinado de uma vez o meu filho e o seu” (se referia a obra A Origem das Espécies).
 
9ª PARTE: O NEODARWINISMO 
             As ideias de Darwin, embora experimentalmente comprovadas, ainda não haviam sido explicadas, faltava saber como é que ocorrem as alterações que levam à evolução, e qual o processo que as permite passar de geração em geração.  Um dos pontos fracos da teoria darwiniana era a questão da hereditariedade. Essa questão foi abordada recentemente com auxilio das novas descobertas da genética através dos estudos do DNA. No entanto, só se pôde explicar a seleção natural quando surgiu a genética. Assim, à junção das ideias de Darwin com os fatos descobertos através da genética chamamos Neodarwinismo ou teoria sintética da evolução.

10ª PARTE: CONCLUSÃO 
 O evolucionismo foi nova quebra de paradigma no conhecimento humano, talvez tão, ou mais impactante que o heliocentrismo copernicano que veio a lume 200 anos antes.  Estes avanços científicos contribuem significativamente no conhecimento humano e possibilitaram o surgimento da doutrina espírita que recém nascia e necessitava dessa nova ordem por se tratar de uma de suas colunas mestras, qual seja, a evolução. Esta é citada claramente no terceiro livro, As Leis Morais, do Livro dos Espíritos pelo titulo de A Lei do Progresso. 
                                                                                                                                        Alan Krambeck
 
11ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA 
Próxima aula: Livro 1 Capítulo 23 - A Filosofia da Vontade(Schopenhauer)                                                              
Filosofia do Poder (Nietzsche) – O Existencialismo(Sartre) 
Leitura:  
  CONVITE A FILOSOFIA – Marilena Chauí    NOÇÕES DE HISTORIA DA FILOSOFIA – Manoel São Marcos Ed. FEESP    50 GRANDES FILÓSOFOS – Diané Collinson – Edit. Contexto  

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