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domingo, 14 de fevereiro de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 1 – CAP 21


 (utilize o site ifevale.org.br) 
BERGSON – A INTUIÇÃO 

BIBLIOGRAFIA 
 A FILOSOFIA CONTEMPORANEA – Huberto Rodhen
50 GRANDES FILÓSOFOS – Diané Collinson – Edit Contexto 
BERGSON – Os Pensadores – Edit. Nova Cultural 
BERGSON – O Método Intuitivo – Astrid Sayegh – Edit. Cultvox
 HISTÓRIA DA FILOSOFIA – H Padovani / L Castagnola – Ed. Melhoramentos 
SITE  www.mundodosfilosofos.com.br/bergson.htm 

REFLEXÃO
CONHECIMENTO E INTUIÇÃO 
 O conhecimento se faz via intuição ou a intuição é provinda do conhecimento? Para respondermos a isso se faz necessário entender os dois conceitos. Bérgson afirma que não é através do empirismo que se obtém o conhecimento menos ainda através do intelectualismo com seus conceitos e partições cartesianas, mas que se faz através da intuição. A intuição bergsoniana é entendida como sendo a vivencia do objeto cognoscível, ou seja, a perfeita integração sujeito-objeto. Outra forma de entender intuição seria o puxar da memória instantaneamente uma vivencia já obtida. Portanto um conhecimento já gravado em nossa memória. De uma forma ou outra seria para nós a intuição uma via mais evoluída de conhecimento? 

TEMA
(Vida) “A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para frente” (Kierkegaard) 

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA 
 Esta aula tem por finalidade nos familiarizar com este filosofo que tratou de perto o assunto Intuição que vem a ser a capacidade psíquica que consideramos como sendo do homem num estado evolutivo além daquele que atualmente nos situamos.   Bérgson foi um filosofo de pensamentos espiritualistas, estando envolvido com varias correntes desse gênero. Existem especulações que ele esteve presente em algumas palestras na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.
 
2ª PARTE: VIDA E OBRAS ( 1859 – 1941 ) 
 Nasceu em Paris em 1859, sendo de família judaica, pais anglo-poloneses foi cristão por opção.  Tem simpatia pelo misticismo religioso e grande tolerância com todas as religiões. Com esta índole tolerante, Bérgson manteve relacionamento tanto com os praticantes dos fenômenos espíritas como também com o catolicismo o qual entendia como um aperfeiçoamento do judaísmo. Entretanto, manteve seus vínculos de nascença dentro de sua crença de origem.
 Luta fortemente contra o materialismo empírico e contra o formalismo intelectual. Sua doutrina libertava as almas dos entraves da ciência positiva que absorvia todo pensamento sobre o mundo exterior.  Nos primeiros anos do século XX, Bérgson conhece William James (1842-1919) célebre psicólogo e filósofo americano da Universidade de Harvard. Nasce entre os dois uma sólida amizade apesar das diferenças entre suas filosofias.  Bérgson foi um professor brilhante cuja dedicação ao magistério não impediu que construísse uma vasta obra cujos títulos seguem abaixo: - Ensaios Sobre os Dados Imediatos da Consciência (1889) que foi sua tese de doutorado - Matéria e Memória – um ensaio sobre a relação do Corpo e do Espírito (1897) – discute as localizações cerebrais em função de distúrbios - Introdução a Metafísica (1903) – um ensaio que foi publicado na Revista de Metafísica e Moral onde descreve o processo cognitivo - Evolução Criativa (1907) – desenvolve o antiintelectualismo e volta-se para a Metafísica - Espírito e Energia (L’Energie Spirituelle - 1919) é uma coletânea de escritos que focaliza, entre outros, os temas da consciência e da vida, a relação corpo e alma, o sonho e a relação entre cérebro e pensamento. - Duração e Simultaneidade (1922) – obra que revela a repercussão das teses de Einstein em seu pensamento - As Duas Fontes da Moral e da Religião (1932) - O Pensamento e o Movente (1934) Alguns de seus livros foram colocados no Index do Santo Ofício da Igreja de Roma.  Em 1898 torna-se “Mestre em Conferencias” da Escola Normal Superior e a partir de 1900 ocupa a cátedra de Filosofia no Colégio de França. Escreve artigos e trabalhos para periódicos famosos como: Revista Metafísica e Moral, para a Revista Filosófica e para o Vocabulário de Filosofia entre outros. Em 1919 foi admitido para a Academia Francesa.  Bérgson fez várias conferencias onde seus trabalhos foram apresentados com títulos diversos como: A Intuição Filosófica ( Bolonha, 1911 ), Corpo e Alma, A Consciência e a Vida ( Universidade de Birmingham ).  Em 1928 recebe o Premio Nobel de Literatura. Bérgson foi uma das figuras mais atraentes da filosofia contemporânea. Apresentava grande simpatia e fama sendo original em suas idéias. Faleceu de pneumonia aos 82 anos, em 1941. 

3ª PARTE: A INTUIÇÃO – O ELAN VITAL   A filosofia de Bérgson não era empirista sensitiva nem conceitualista intelectiva. No centro de sua filosofia esta a experiência vital ou o Élan Vital (Impulso Vital). Este Élan (do francês, tela) Vital seria uma força que produz por evolução sempre melhores formas. A filosofia de Bérgson é também conhecida por Intuicionismo. A Intuição é a faculdade suprema do Impulso Vital. Esse Impulso não é uma realidade substancial, imutável e sim uma força, um desejo obstinado e inextinguível de avançar. A certeza não provem daquilo que se percebe empiricamente nem daquilo que se concebe intelectualmente, mas daquilo que se vive intimamente. Quem percebe é um espectador que assiste passivamente a uma peça teatral e, quem vive o objeto é um ator intensamente ativo. Saber em ultima análise é viver. No caso de um acidente de carro um espectador pode descrever o acontecido, mas somente o acidentado tem noção do que realmente aconteceu e sentiu na hora do acidente.  A perfeição do homem é diretamente proporcional à clareza e facilidade da sua experiência intuitiva, do seu Élan Vital. O homem intuitivo é o rei dos realistas, ele é um essencialista integral. Ele essencializou a sua existência.  Para Bérgson a realidade do espírito é essencialmente memória e a intuição como “presença de espírito”.  A intuição percebe o todo antes de suas partes, pois estas são incompletas e sucessivas. O todo é completo e simultâneo não sujeito ao tempo e ao espaço. O homem a princípio, percebe as partes ainda desconexas, depois as partes com certo nexo, as relações entre as partes e finalmente a compreensão do todo. Só a luz do todo é que o Universo aparece como um verdadeiro cosmo. Antes disso o mundo tem algo de caótico, desordenado, absurdo e contraditório. A harmonia e beleza do universo só para quem conseguir ver o todo. Qualquer visão parcial distorce o entendimento do todo.
   
4ª PARTE: O PROCESSO COGNITIVO SEGUNDO BERGSON    Bérgson não reconhece diferença essencial entre o sujeito e o objeto (entre o Eu e o Não-Eu) embora admita sua diversidade existencial.   Conhecer é, portanto identificar-se com o objeto. O conhecimento pressupõe duas coisas: a identidade de essência e a diversidade de existência.  O sujeito cognoscente que não tivesse a menor consciência de um objeto cognoscível, diferente do eu, não teria conhecimento.  Como exemplo do processo cognitivo pode-se citar o caso de estarmos a beira mar pela primeira vez. Vamos pensar sobre a água. Primeiramente tentemos conhecer pelo processo intelectivo:
A) Ela é H2O        
B) Ela é salgada      
C) Ela esta a 19°C         
D) Ela é líquida Agora vamos viver a água do mar:
A) entrando nela e sentindo  
B) vamos colocá-la na boca e engolir e     
C) vamos nos derreter e passar a integrá-la. Assim conhecemos a água do mar, donde concluímos que: Saber é ser.
 
5ª PARTE: O TEMPO CIENTÍFICO E O TEMPO DA CONSCIÊNCIA 
Com respeito ao tempo, Bérgson classifica-o em tempo científico e tempo da consciência. O primeiro é medido pela sequência dos acontecimentos, do dia e da noite, dos ponteiros do relógio onde se estabelece uma unidade e a partir daí seus múltiplos e submúltiplos. O outro, conhecido como tempo da consciência por ele denominado, duração, é uma corrente de acontecimentos sem relação de tempo entre eles, onde o tempo não se multiplica nem se divide. Por isso a intuição é tratada como um flash. 
6ª PARTE: WILLIAM JAMES – O PRAGMATISMO AMERICANO    Um relacionamento muito amigável com William James produz cartas que são significativas em seu trabalho filosófico. As principais são datadas de 06 jan 1903, 25 mar 1903, 15 fev 1905, 27 jun 1907 e 31 mar 1910. William James é um célebre psicólogo e filósofo da Universidade de Harvard dos Estados Unidos. É um empirista que superou o positivismo mediante o seu pragmatismo, que dá ao pensamento, ao conhecimento, ao conceito, um valor apenas prático, econômico e útil.   Bérgson como um estudioso e pensador sobre a interface corpo e espírito, procura desvendar a lógica e a existência desse íntimo contato. Nesse aspecto, a sua relação com um psicólogo e filósofo no porte de James proporciona avanço em seus estudos.
 
7ª PARTE: O MÉTODO CIENTÍFICO ATUAL X O MÉTODO INTUITIVO 
 A superficialidade do utilitarismo, o imediatismo pragmático, desvia a sociedade do fim superior da vida. A maioria dos homens simplesmente reage as circunstancias naturais com respostas prontas de maneira padronizada, tendo como critério de comportamento uma acomodação mental aos hábitos contraídos na esfera da ação. Um grande pensador também reage as circunstancias, porém o faz acrescentando sempre algo de original a sua resposta. Enfrenta a força petrificadora dos lugares comuns, inovando, criando novos rumos, lançando novas perspectivas.  Somos, sem dúvidas, seres inseridos na corporeidade, porém, como seres oriundos de um princípio inteligente, devemos igualmente possuir como destino e fim o retorno as nossas fontes.  A fragmentação da realidade que operamos é devido à função separadora de nosso entendimento, que divide a matéria e o tempo no espaço. Faz-se necessário, não partir da realidade exterior para chegar à realidade interior, não ir dos conceitos ao pensamento, mas atingir a concepção legítima que se faz a partir do pensamento para as palavras que traduzem um movimento do interior ao exterior.  O verdadeiro conhecimento é aquele que busca a significação das coisas além do ponto em que o espírito encontra-se inserido na matéria, para captá-lo em sua realidade virtual movente e fluídica.
 
8ª PARTE:  A RELIGIÁO 
No caso de Deus a essência coincide com a existência. Para Ele não há polaridade entre o Eu e o Não-eu. Ele é ao mesmo tempo cognoscente e cognoscível. Sujeito e objeto do seu ato. Nele não vigora o princípio da contrariedade, só o da identidade. Há em cada movimento religioso duas tendências, segundo Bérgson:
1- A da tradição   
2- A da evolução
A tradição é conservadora, passadista. A evolução é progressista, futurista.  A perfeição consiste em harmonizar essas duas tendências.  O homem comum é mais tradicionalista que evolucionista, porque as conquistas do passado se lhe afiguram base mais sólida e segura que as visões do futuro. Para o vidente, místico as visões do futuro são mais sólidas e mais amplas que os fatos do passado.  Em tempos tranquilos o homem prefere ser tradicionalista, dogmático porquanto é mais cômodo aceitar uma religião estática, já devidamente cristalizada é menor o esforço de transformação moral. Mas em períodos de crise espiritual e calamidade o homem não se contenta com fórmulas feitas. Em tempo de crise todo homem se torna místico.  Assim se explica os primeiros três séculos do cristianismo onde os apóstolos morriam crucificados e os primeiros cristãos se entregavam aos leões nas arenas.
 
9ª PARTE: FILOSOFIA ÉTICA, SOCIAL E POLITICA DE BERGSON 
 Em contraposição a Hegel, Bérgson defende o valor supremo da individualidade humana. Qualquer espécie de sociedade é um meio, não um fim. Individualidade não é individualismo.  É lógico que a sociedade ou o Estado tem a função de promover a verdadeira prosperidade do Eu-humano e não devem servir-se dela como meio para seus fins egoísticos.  O comunismo, por exemplo, é filho do estatismo de Hegel assim como seu irmão gêmeo e arqui- rival, o nazismo. O estatismo hegeliano abole a individualidade.  Bérgson defende uma democracia cosmocrática e não autárquica. Segundo ele, a segurança material, alvo das ditaduras tem de ser fruto espontâneo da realização individual, ideal das democracias.
 
10ª PARTE: CONCLUSÃO 
 Bérgson é mais um filósofo que busca a essência do Ser, mostrando que a Intuição, como por ele entendida, é a forma mais adequada para o conhecimento e a compreensão do mundo metafísico.  É somente por métodos não analíticos e não fragmentados que o homem entenderá as coisas do espírito.  Importa nestes tempos de transição para a chamada civilização do espírito uma ciência nova e restaurada, não a ciência das praticas rotineiras, dos métodos acabados e envelhecidos, mas uma ciência aberta a todas as investigações, ‘a ciência do invisível, a fortalecer a consciência e vivificar o espírito.  O homem já esta vitorioso no mundo visível, é mister que a atividade humana se dirija para os caminhos do espírito no sentido de conhecer sua própria natureza e o segredo do seu esplendido porvir.  Se a Ciência nos promete o bem-estar, a Filosofia deve nos fornecer a alegria interior. 
Alan Krambeck 

11ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA 
Próxima aula:  
Livro 1 Capítulo 22 - A FILOSOFIA EVOLUCIONISTA                                                             (LAMARK – WALLACE – DARWIN – SPENCER) 
Leitura:  
 CONVITE A FILOSOFIA – Marilena Chauí   NOÇÕES DE HISTORIA DA FILOSOFIA – Manoel São Marcos Ed. FEESP   50 GRANDES FILÓSOFOS – Diané Collinson – Edit. Contexto  

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