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domingo, 11 de junho de 2017

Mulher, a guardiã do lar e da família


- O homem e a mulher são iguais perante Deus e têm os mesmos direitos?
“Deus não deu a ambos o conhecimento do bem e do mal e a faculdade de progredir?” (O Livro dos Espíritos, questão 817)
- As funções a que a mulher é destinada pela Natureza terão importância tão grande quanto as conferidas ao homem?
“Sim, e até maiores. É ela quem lhe dá as primeiras noções da vida.” (O Livro dos Espíritos, questão 821)
- Sendo assim, uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade de direitos do homem e da mulher?
“De direitos, sim; de funções, não. (...)” (O Livro dos Espíritos, questão 822-a)

O livro de André Luiz intitulado Conduta Espírita, tão pouco compulsado, merece ser lido e relido de tempos em tempos devido à riqueza de conteúdo que não pode ser auferida numa única leitura. Essa riqueza conceitual, em sua linguagem simples, mas de uma profundidade notável e uma concisão surpreendente, merece meditada como toda a série romanceada desse autor. Destacamos as seguintes citações endereçadas às mulheres:
[A mulher precisa] “Compenetrar-se do apostolado de guardiã do instituto da família e da sua elevada tarefa na condução das almas trazidas ao renascimento físico.” (Conduta Espírita, cap. 1)
A mãe tem um apostolado. Como apóstolo, é uma enviada com uma missão: ser a guardiã da família; guardar, proteger o núcleo doméstico, garantindo à prole um desenvolvimento sadio. Deve conduzir, levar junto os filhos para que sigam seus passos, transmitindo, com seu exemplo, as primeiras noções da vida. O amor de mãe é um amor incondicional.
[A mulher precisa] “Afinar-se com os ensinamentos cristãos que lhe situam a alma nos serviços de maternidade e da educação, nos deveres da assistência e nas bênçãos da mediunidade santificante.” (Conduta Espírita, cap. 1)
Estamos falando de mulheres que professam o Cristianismo, daí o imperativo de caminhar em sintonia com os ensinamentos cristãos, de afinar-se com eles. A maternidade é um corolário da mulher, uma consequência natural e evidente de sua natureza de esposa. Mas os afazeres domésticos, mesmo para aquelas que trabalham fora, não podem ser um impeditivo do serviço de assistência e da mediunidade. Aliás, é mais do que evidente que, nos dias atuais, os serviços domésticos devem ser compartilhados com o marido, mesmo que haja funcionários a serviço do lar.
[A mulher precisa] “Opor-se a qualquer artificialismo que vise transformar o casamento numa simples ligação sexual, sem as belezas da maternidade.” (Conduta Espírita, cap. 1)
André Luiz considera a maternidade um celeiro de bênçãos, uma fonte do belo. Furtar-se à maternidade, ou evitá-la indefinidamente, é uma transgressão à Lei da Vida, que pede compromisso com a programação reencarnatória, com os espíritos destinados a encarnar na família. O culto da sensualidade é o culto do egoísmo e do materialismo. Nessa prática infeliz, ficamos jungidos aos planos mais baixos da espiritualidade, construindo um cárcere de difícil transposição. 

  
Extraído da revista O Consolador http://www.oconsolador.com.br/ano11/520/editorial.html


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Existência de Deus - DEUS - A GËNESE

Existência de Deus
Sendo Deus a causa primária de todas as coisas, a origem de tudo o que existe, a base sobre que repousa o edifício da criação, é também o ponto que importa consideremos antes de tudo.

Constitui princípio elementar que pelos seus efeitos é que se julga de uma causa, mesmo quando ela se conserve oculta.

Se, fendendo os ares, um pássaro é atingido por mortífero grão de chumbo, deduz-se que hábil atirador o alvejou, ainda que este último não seja visto. Nem sempre, pois, se faz necessário vejamos uma coisa, para sabermos que ela existe. Em tudo, observando os efeitos é que se chega ao conhecimento das causas.

Outro princípio igualmente elementar e que, de tão verdadeiro, passou a axioma é o que todo efeito inteligente tem que decorrer de uma causa inteligente.

Se perguntassem qual o construtor de certo mecanismo engenhoso, que pensaríamos de quem respondesse que ele se fez a si mesmo? Quando se contempla uma obra-prima da arte ou da indústria, diz-se que há de tê-la produzido um homem de gênio, porque só uma alta inteligência poderia concebê-la. reconhece-se, no entanto, que ela é obra de um homem pode se verificar que não está acima da capacidade humana, mas, a ninguém acudirá a ideia de dizer que saiu do cérebro de um idiota ou de um ignorante, nem ainda menos, que é trabalho de um animal, ou produto do acaso.

Em toda parte se reconhece a presença do homem pelas suas obras. A existência dos homens antediluvianos não se provaria unicamente por meio de fósseis humanos, provou-a também, e com muita certeza, a presença, nos terrenos daquela época, de objetos trabalhados pelos homens. Um fragmento de vaso, uma pedra talhada, um arma, um tijolo bastarão para lhe atestar a presença. Pela
grosseria ou perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau de inteligência ou de adiantamento dos que executaram. Se, pois, achando-vos numa estátua digna de Fídias, não hesitaríeis em dizer que, sendo incapazes de tê-la feito os selvagens, ela é obra de uma inteligência superior à destes.

Pois, bem! lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, notando a providência, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras, reconhece o observador não haver nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana. Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas não são produtos de uma inteligência superior à Humanidade, a menos se sustente que há efeitos sem causa.

A isto opõem o seguinte raciocínio:

As obras da Natureza são produzidas por forças materiais que atuam mecanicamente, em virtude das leis de atração e repulsão; as moléculas dos corpos inertes se agregam e desagregam sob o império dessas leis. As plantas nascem, brotam, crescem e se multiplicam sempre da mesma maneira, cada uma na sua espécie, por efeito daquelas mesmas leis; cada indivíduo se assemelha ao de quem ele proveio; o crescimento, afloração, a frutificação, a coloração se acham subordinados a causas materiais, tais como o calor, a eletricidade, a luz, a umidade. etc. O mesmo se dá com os animais. O astros se forma pela atração molecular e se movem perpetuamente em suas órbitas por efeito da gravitação. Essa regularidade mecânica no emprego das forças naturais não acusa a ação de qualquer inteligência livre. O homem movimenta o braço quando quer e como quer; aquele, porém que o movimentasse no mesmo sentido, desde o nascimento até a morte, seria autônomo. Ora, as forças orgânicas da Natureza são puramente automáticas.

Tudo isso é verdade; mas, essas forças são efeitos que hão de ter uma causa e ningué, pretende que elas constituam a Divindade. Elas são materiais e mecânicas; não são postas em ação, distribuidas, apropriadas às necessidades de cada coisa por uma inteligência que não é a dos homens. a aplicação últil dessas forças é um efeito intelgente, que denota uma causa inteligente. Um pêndulo se move co automática regularidade e é nessa regularidade que lha está o mérito. É toda material a força que o faz mover-se e nada tem de inteligente. Mas, que seria esse pêndulo, se uma inteligência não houvesse combinado, calculadom dstribuido o emprego daquela força, para fazê-lo andar co precisão? Do fato de não estar a inteligência no mecanismo do pêndulo e do de que ninguém a vê, seria racional deduzir-se que ela não existe? Apreciamo-la pelos seus efeitos.

A existência do relógio atesta a existência do relojoeiro; a engenhosidade do mecanismo lhe atesta a inteligência e o saber, Quando um relógio vos dá , no momento preciso, a indicação de que necessitas, ja vós terá vindo a mente dizer: aí está um relógio bem inteligente?

Outro tanto ocorre com o mecanismo do Universo: Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras.

A existência de Deus é, pois, uma realidade comprovada não só pela revelação, como pela evidência material dos fatos. Os selvágens nenhuma revelação tiveram; entretanto, crêem institivamente na existência de um poder sobre-humano. Eles vêem coisas que estão acima das possibilidades do homem e deduzem que essas coisas provêm de um ente superior à Humanidade. Não demosntram raciocinar com mais lógica do que os que pretendem que tais coisas se fizeram a sim mesmas?

A Gênese - Allan Kardec



























domingo, 4 de junho de 2017

DIFERENÇAS ENTRE ESPÍRITO, PERISPÍRITO E ALMA


Marlene Monteiro Peixoto
Site Rede Amigo Espírita

 O  Espiritismo ensina-nos que a ALMA  é um Espírito encarnado, sendo o corpo  tão-somente o seu envoltório. Há, assim, no homem três coisas: o CORPO ou ser  material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital; a ALMA   ou ser imaterial, ESPÍRITO ENCARNANDO O CORPO ; e o laço que prende a alma ao  corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito, a que Kardec deu o  nome de PERISPÍRITO.
O  homem é dotado, pois, de duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos  animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos  Espíritos. O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie  de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro.  O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para  nós no estado normal, mas que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo  tangível, como sucede no fenômeno das aparições.
As  primeiras informações sobre os Espíritos podem ser vistas nas questões 76 a 78  d´O Livro dos Espíritos, adiante reproduzidas:
76.  Que definição se pode dar dos Espíritos? “Pode dizer-se que os Espíritos são os  seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo  material.”
77.  Os Espíritos são seres distintos da Divindade, ou serão simples emanações ou  porções desta e, por isto, denominados filhos de Deus? “Meu Deus! São obra de  Deus, exatamente qual a máquina o é do homem que a fabrica. A máquina é obra do  homem, não é o próprio homem. Sabes que, quando faz alguma coisa bela, útil, o  homem lhe chama sua filha, criação sua. Pois bem! O mesmo se dá com relação a  Deus: somos seus filhos, pois que somos obra sua.”
78.  Os Espíritos tiveram princípio, ou existem, como Deus, de toda a eternidade? “Se  não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, quando, ao invés, são criação  sua e se acham submetidos à sua vontade.”
Com  relação ao vocábulo perispírito, o tema apareceu pela primeira vez nas questões  93 a 95 da mesma obra, que adiante transcrevemos:
93.  O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns,  está sempre envolto numa substância qualquer?
“Envolve-o uma substância, vaporosa para  os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa,  entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde  queira.”
94.  De onde tira o Espírito o seu invólucro semimaterial? “Do fluido universal de  cada globo, razão por que não é idêntico em todos os mundos. Passando de um  mundo a outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de  roupa.”
a)  Assim, quando os Espíritos que habitam mundos superiores vêm ao nosso meio,  tomam um perispírito mais grosseiro? “É necessário que se revistam da vossa  matéria, já o dissemos.”
95.  O invólucro semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser  perceptível?  “Tem a forma que o Espírito queira. É assim que este vos  aparece algumas vezes, quer em sonho, quer no estado de vigília, e que pode  tomar forma visível, mesmo palpável.”
Sobre o perispírito seria interessante  consultar um dos textos publicados na edição 90 desta  revista
- O  CONSOLADOR
A  natureza do perispírito guarda relação com a evolução da  pessoa
1.  O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é uma condensação do fluido  cósmico em torno da alma. O corpo físico, ou carnal, resulta de uma maior  condensação do mesmo elemento, fato que o transforma em matéria  tangível.
2.  Embora tenham origem comum, que é o fluido cósmico, as transformações  moleculares são diferentes nesses dois corpos, resultando daí ser o perispírito  etéreo e imponderável. Ambos são, portanto, matéria, mas em estados diferentes.  Conforme ensina o ministro Clarêncio, da colônia espiritual “Nosso Lar”, o corpo  perispiritual é constituído à base de princípios químicos semelhantes, em suas  propriedades, ao hidrogênio, a se expressarem através de moléculas  significativamente distanciadas umas das outras (Entre a Terra e o Céu, cap.  XXIX).
3.  O Espírito forma seu envoltório perispirítico com os fluidos retirados do  ambiente em que vive. Como a natureza dos mundos varia conforme o seu grau de  evolução, será maior ou menor a materialidade dos corpos físicos dos seus  habitantes. O perispírito guarda relação, quanto à sua composição, com esse grau  de materialidade. Admitindo-se que um Espírito emigre da Terra, aí ficará o seu  envoltório fluídico, porquanto o Espírito precisa tomar um outro envoltório  fluídico apropriado ao planeta em que passará a viver.
4.  A natureza do envoltório fluídico guarda sempre relação com o grau de  adiantamento moral do Espírito. À condição moral do Espírito corresponde, por  assim dizer, uma determinada densidade do perispírito. Maior elevação, menor  densidade fluídica. Maior inferioridade, maior densidade, isto é, perispírito  mais grosseiro, com maior condensação fluídica. É claro que, apesar de mais  densos, os envoltórios fluídicos mais grosseiros continuam  imponderáveis.
Cada perispírito tem uma densidade, um  peso específico próprio .
5.  No cap. XIII da obra acima citada, Clarêncio assevera que o veículo espiritual  é, por excelência, vibrátil e se modifica profundamente, segundo o tipo de  emoção que lhe flui do âmago. Como ninguém ignora, em nosso próprio meio a  máscara física altera-se na alegria ou no sofrimento, na simpatia ou na aversão.  No plano espiritual, semelhantes transformações são mais rápidas e exteriorizam  aspectos íntimos do ser, com facilidade e segurança, porque as moléculas do  perispírito giram em mais alto padrão vibratório, com movimentos mais intensivos  que as moléculas do corpo carnal.
6.  Pode-se, assim, dentro da relatividade das coisas, admitir um peso específico  para o perispírito. Os de maior peso específico chumbam os Espíritos às regiões  inferiores, impossibilitando-lhes o acesso a planos mais elevados e, por isso  mesmo, o ingresso em mundos de maior elevação espiritual. A acentuada densidade  do perispírito de grande número de Espíritos leva-os a confundi-lo com o corpo  material que utilizaram durante sua última encarnação. Esse é um dos motivos que  levam muitos a se considerarem ainda encarnados e a viverem na Terra,  imaginando-se entregues a ocupações que lhes eram habituais.
7.  O perispírito dos Espíritos superiores, de reduzido peso específico,  confere-lhes uma leveza que lhes permite viver em planos mais elevados e  deslocar-se a outros mundos. Eles podem, evidentemente, descer aos planos  inferiores e, dada a sutileza do seu envoltório, não serão percebidos pelas  entidades desencarnadas inferiores.
8.  Quando encarnado, o Espírito mantém o envoltório perispirítico, constituindo o  corpo material um segundo envoltório, mais grosseiro, apropriado ao meio físico  em que vive. O perispírito serve, em tal situação, de intermediário entre a alma  e o corpo. É o órgão de transmissão de todas as sensações, quer partam do  Espírito, quer venham do exterior, através do corpo físico. Devido ao estado  grosseiro da matéria, os Espíritos não podem agir diretamente sobre ela.  Fazem-no, então, por meio do seu perispírito. Os fluidos perispiríticos  constituem-se, dessa forma, sob a ação da vontade, em verdadeiras alavancas que  lhes permitem produzir ruídos, pancadas, deslocamentos de objetos  etc.
A  matéria não oferece obstáculo algum ao perispírito e aos  Espíritos
9.  Em condições normais, o perispírito é invisível, mas pode tornar-se visível em  razão das modificações que venha a experimentar pela ação da vontade do  Espírito. Essas modificações consistem numa espécie de condensação ou em novos  arranjos das moléculas que o compõem, mas isso requer a existência de certas  circunstâncias que não dependem apenas do Espírito. Para tornar-se visível a  alguém, ele precisa de permissão, que nem sempre lhe é dada.
10.  Nas aparições, o perispírito apresenta-se comumente com aspecto vaporoso e  diáfano. De outras vezes, tem as formas delineadas e os traços bem nítidos,  podendo apresentar a solidez de um corpo físico, isto é, tangível, o que não o  impede de retomar instantaneamente o estado normal de invisibilidade e  intangibilidade.
11.  A matéria – tal como a conhecemos em nosso mundo – não oferece obstáculo algum  ao perispírito, porque a condição etérea do corpo espiritual lhe confere a  propriedade de penetrabilidade. Ele atravessa a matéria como a luz atravessa os  corpos transparentes. Eis por que portas e janelas fechadas não impedem que ali  penetrem os Espíritos.
12.  Como já foi dito, é das camadas de fluidos espirituais que envolvem a Terra que  os Espíritos formam o seu envoltório perispirítico. Esses fluidos não são  homogêneos; por isso, conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu  perispírito se formará das partes mais puras ou mais grosseiras do fluido  peculiar ao planeta em que vai se encarnar. Nesse processo, o Espírito atrai  automaticamente as moléculas que se afinam com o seu padrão  vibratório.
13.  Não é, pois, idêntica a constituição íntima do perispírito dos indivíduos que  povoam a Terra e o espaço que a circunda, fato que não se dá com o corpo  material, formado pelos mesmos elementos, independentemente da elevação  espiritual das pessoas. O envoltório perispirítico dos Espíritos modifica-se com  o progresso moral que eles realizam em cada existência, ainda que reencarnem no  mesmo meio. Assim, os Espíritos superiores, mesmo quando reencarnem em mundos  inferiores, terão perispírito menos grosseiro do que o perispírito dos Espíritos  vinculados, devido ao seu nível evolutivo, a esses mundos.
FONTE – O CONSOLADOR

Ontolgia




"Ontologia significa “estudo do ser” e consiste em uma parte da filosofia que estuda a natureza do ser, a existência e a realidade.

A palavra é formada através dos termos gregos ontos (ser) e logos (estudo, discurso). Engloba algumas questões abstratas como a existência de determinadas entidades, o que se pode dizer que Este termo foi popularizado graças ao filósofo alemão Christian Wolff, que definiu a ontologia como philosophia prima (filosofia primeira) ou ciência do ser enquanto ser. Assim, esta ciência tinha um caráter racional e dedutivo, que tinha como objetivo estudar os traços mais gerais do ser.

No século XX, a ligação entre ontologia e metafísica geral deu lugar a novos conceitos, como o de Husserl, que vê a ontologia como ciência formal e material das essências. Para Heidegger, a ontologia fundamental é o primeiro passo para a metafísica da existência.

A “prova ontológica” é uma das provas clássicas sobre a existência de Deus, que indica que se a mente humana pondera a existência de um ser perfeito, esse ser deve existir, pois a existência é um requisito de todos os seres. Assim, ao contemplar Deus como um ser perfeito e infinito, a sua existência é comprovada.

Retirado de: <https://www.significados.com.br/ontologia/>".

Portanto,  na Filosofia Espírita, teoricamente entendemos o Ser como a junção de: corpo(Ente) + espírito + perispírito; e isso nós justificamos pois entendemos a existência desses três elementos. Sendo assim, não conseguiremos demonstrar essa teoria, sem antes provarmos a existência do "espírito" e também do "perispírito", pois, a existência é parte fundamental na concepção do Ser.
Entendo então, que por mais que nós consigamos teorizar sobre o tema, temos antes e acima de tudo, que aprofundar nossos estudos sobre ele.

Volto então a um tema em mim sempre recorrente, NÓS ESPÍRITAS TEMOS QUE LEVAR A SÉRIO A FILOSOFIA ESPÍRITA, E APROFUNDAR COM RAZÃO E CONVICÇÃO NOSSOS ESTUDOS NESSA ÁREA, senão ficaremos sempre nos defrontando com o "talvez".
Estevão (tutor do curso de Filosofia Espírira Ifevale)

Ontologia Espírita

1. O SER HISTÓRICO
O problema do ser empolga toda a História da Filosofia e podemos considerá-lo como o elo que mantém a união do pensamento religioso com o filosófico.
O início da cogitação filosófica encontra-se em Pitágoras, quando o representa pelo número um.
Para Sartre, criador do Existencialismo Ateu, o Ser é uma espécie desses ovóides de que nos falam os livros de André Luiz.
No marxismo e no neopositivismo, é o ser humano o que importa.
E o que é o ser humano, senão a projeção pitagórica do Ser único e a projeção sartreana do mistério limboso? Assim, o Ser é sempre, em qualquer sistema ou concepção, o mistério do Um e do Múltiplo (1).

2. REVELAÇÃO E COGITAÇÃO
Na Filosofia Espírita esse mistério se aclara através da revelação e da cogitação.
revelação, como vimos, pode ser humana e divina. No caso, é divina, pois reservamos para o campo humano a expressão clássica da técnica filosófica: a cogitação.
Os Espíritos revelaram a existência do Ser pela comunicação mediúnica (e a provaram pela fenomenologia mediúnica), mas os homens confirmaram essa existência pela cogitação, pela pesquisa mental do problema.
Kardec não repetiu Descartes - cogito ergo sum - mas ampliou o conceito da presença de Deus no homem. Podemos interpretar assim a posição de Kardec: sinto Deus em mim, logo existo (1).

3. O SER HUMANO
Para Aristóteles, o Ser é “aquilo que é”.
Na Bíblia é Deus quem fala, embora figuradamente, e se explica: “Eu sou o que é”.
Deus é e se afirma na intuição cartesiana de Um Ser supremo, como se afirma no sentimento intuitivo kardeciano.
Na Filosofia Espírita o conceito de Ser abrange todas as categorias daquilo que é, concordando portanto com o pensamento filosófico antigo e moderno.
A definição do Ser supremo, por exemplo, nos é dada no item 1º de O Livro dos Espíritos da seguinte forma: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” ( 1).

4. ESSÊNCIA E EXISTÊNCIA
Os seres têm essência e essa essência se desenvolve através da evolução: é o princípio inteligente. Essa essência se reveste de formas diversas no processo evolutivo, isto é, toma determinada forma e se reveste de matéria.
No ser humano, essa realidade se apresenta no complexo Espírito, Perispírito e Matéria. Entre os dois últimos existe ainda o fluido vital.
Toda essa complexidade, entretanto, é simplesmente a expressão  pluralista de um monismo fundamental. A essência é que tudo domina. Ela é a realidade última. Mas só através da existência conseguimos atingi-la.
Temos de penetrar as capas existenciais do Ser para encontrá-lo na sua realidade essencial (1).

5. VISÃO DIALÉTICA DAS COISAS E DOS SERES
Aprendemos que a realidade aparente é ilusória mas que também é necessária para chegarmos à realidade verdadeira.
O ser humano está no ápice da escala evolutiva existencial. Acima dele, os que superaram o domínio da matéria e que as religiões chamam anjos, devas, arcanjos e assim por diante.
Esses Espíritos conservam sua individualidade após a morte do corpo e a conservam através da evolução nos mundos superiores. Só a parte formal é perecível: o corpo e o perispírito.
A essência do Espírito é indestrutível, pois representa a atualização das potencialidades do princípio inteligente, uma criação de Deus para fins que ainda desconhecemos (1).
6. ESCALA ESPÍRITA

O Livro dos Espíritos, a partir do n.º 100, oferece-nos um esquema ontológico da evolução do homem. Não é um esquema rígido, mas uma orientação aos estudiosos (1).

ONTOLOGIA E ESPIRITISMO

Ontologia - do grego onto mais logia significa parte da Filosofia que  trata do ser enquanto ser, ou seja, do ser concebido na sua totalidade e na sua universalidade. A Ontologia seria, então, aciência do noumenoA ela caberia o papel especial de estudar o que permanece atrás dos fenômenos, de explicá-los, enquanto os fenômenos, propriamente ditos,  caberiam às ciências particulares. 

Essência e existência são os elementos básicos do ser. À pergunta: que é o ser, temos uma infinidade de respostas, dependendo, é claro, do ponto de vista considerado. Se materialista, a essência estaria na matéria; se idealista, no espírito; se religioso dogmático, em Deus. Essa aparente contradição de pontos de vista é aclarada pelo Espiritismo, que faz a síntese de todas as correntes filosóficas.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, define o Ser, com s maiúsculo, como sendo Deus, a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. A prova da existência de Deus não se dá Nele mesmo, mas nos efeitos que Dele provém. Dessa forma, se o efeito é inteligente deduz-se que a causa também o seja. Embora ainda nos falte um sentido para compreender o mistério da Divindade, chegará um dia que o compreenderemos, principalmente quando os nossos espíritos não estiverem mais obscurecidos pela matéria.
O Ser maiúsculo é Deus, o ser minúsculo é o homem. O ser minúsculo provém do Ser maiúsculo, ou seja, no ser minúsculo existe uma essência criada pelo Ser maiúsculo, cujo processo de criação ainda nos é infenso. Sabemos apenas que fomos criados simples e ignorantes, o que já é suficiente para entendermos o ser no seu tríplice aspecto: Espírito, Perispírito e Corpo Vital. Essa é a grande diferença que o Espiritismo nos proporciona com relação às diversas filosofias existentes. É por esse conhecimento que fazemos a síntese dessas filosofias.

O Espiritismo é uma doutrina com recursos extraordinários para desvendarmos os mistérios que se ocultam atrás do ser. Mas, mesmo assim, há muitos conhecimentos que não nos são revelados, porque não temos condições de absorvê-los. À medida, porém, que evoluímos através do nosso esforço e da nossa perseverança, vamos adentrando, também,  em níveis mais elevados do conhecimento superior.
Estejamos sempre alertas a fim de sermos dignos de captar o conteúdo da revelação que os Espíritos superiores nos proporcionam. Os bons Espíritos desejam apenas a constância do nosso progresso espiritual.

QUESTÕES
1)  Qual o conceito de Ontologia?
2)  Como o Ser é visto no processo histórico?
3)  Como o mistério do Um e do Múltiplo se aclara no Espiritismo?
4)  O que é o Ser supremo para o Espiritismo?
5)  O que distingue a essência da existência?

TEMAS PARA DEBATE
1)  O homem, no processo evolutivo, é o último estádio de evolução do Espírito?
2)  No que se transforma o ser após a morte física?
3)  Essência, existência e Espiritismo. Comente.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
(1) PIRES, J. H.  Introdução à Filosofia Espírita.
Copyright © 2010 por Sérgio Biagi Gregório
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quinta-feira, 27 de abril de 2017

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA - LIVRO 3 - CAP 20

A LEI DE CONSERVAÇÃO - EGOISMO

 BIBLIOGRAFIA
O LIVRO DOS ESPÍRITOS - Allan Kardec - Edit FEB 
DICIONÁRIO DE FILOSOFIA- Nicola Abbagnano - Edit Martins Fontes
 
REFLEXÃO 
ALTRUÍSMO E EGOÍSMO
Por egoísmo entendemos as ações voltadas para o eu, portanto, o altruísmo é justo o contrário, todas as ações voltadas para o outro. Seria então o altruísmo a grande virtude?
Aristóteles certamente dirá que não.
Não?
Para ele a virtude estaria no meio desses dois extremos, ou seja, nem tanto o eu, nem o total abandono do eu.
Jesus pregava: "amar ao próximo como a si mesmo", em outras palavras, o equilíbrio.
Tornar as ações benéficas ao eu estendido. Ao eu cósmico. Ao eu que engloba não só outro como tudo que esta na natureza. Enfim, tudo. Por consequência, Deus, o todo. 

1 PARTE: OBJETIVO DESTA AULA
Sendo o egoismo uma das "chagas da humanidade"nas palavras de Kardec, esta aula tem por objetivo, o estudo, a investigação e o aprofundamento do tema que é a causa do maior entrave nas relações e na evolução do homem.

2 PARTE: INTRODUÇÃO
O homem ao passar do egoísmo ao altruísmo esta a caminho da felicidade, ou em outras palavras, o egoísmo torna a pessoa feliz num curto intervalo de tempo. O egoísmo é um sentimento trazido de reinos inferiores onde a preservação do ente e da espécie se fazem necessários. O homem para sua preservação ainda mantém esse sentimento, porém, o psiquismo pode dar vazão excessiva a ele.
No homem, a existência da razão, faz com que aquela vazão psíquica possa  a ser controlada através da vontade. Elementos morais são inibidores do egoísmo, tendo por base a boa convivência entre os seres.


3 PARTE: A LEI DA CONSERVAÇÃO
Uma das leis naturais ou divinas aplicável, sobretudo nos reinos inferiores é a da conservação.
Neste reinos, os seres são impulsionados deterministicamente a manterem sua vida como lei suprema.
No reino hominal, com o advento da razão, das emoções, dos sentimentos e da espiritualização por vezes a valorização tem outros aspectos que sobrepujam a própria vida, mormente se envolvem outros seres viventes.
Em o livro dos Espíritos Kardec questiona as entidades superiores sobre a lei da conservação: 
702 - O instinto de conservação é uma lei natural?
- Sem dúvida. Ele é dado a todos os seres vivos, qualquer que seja o grau de sua inteligência. Em uns ele é puramente maquinal (mecânico) em outros ele é racional.  
703 - Com qual objetivo Deus deu a todos os seres vivos o instinto de conservação?
- Porque todos devem concorrer para os objetivos da Providência. É por isso que Deus lhes deu a necessidade de viver. Alias, a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres, e eles o sentem instintivamente sem aperceberem.
Nesta última questão percebemos a grandeza da criação onde Deus fornece a vida e a ferramenta para a sua manutenção.

4 PARTE: A PRESERVAÇÃO NO REINO ANIMAL
No reino animal, como vimos na questão 702, a preservação é puramente maquinal e mais, o ser procura a sua preservação. Não tem ideia do outro. No caso materno enxerga os filhos com sendo sua extensão por isso o preserva. No caso de dividir o alimento se o faz é por saber que é a forma de preservação mais eficaz, como exemplo a caça coletiva. Portanto, nesse reino não podemos classificar o animal como egoísta, pois ele tem o instinto da preservação e tem lampejos do mundo de relações. O outro ser semelhante só lhe é necessário (união de forças) para obter alimentos, pois caso ele não viesse a se relacionar saberia da impossibilidade de obter o alimento.
Neste reino não caracteriza a existência do egoísmo e sim conservação, pois, o animal se alimenta do estritamente necessário.


5 PARTE: O DESPERTAR NO REINO HOMINAL
O princípio inteligente ao adentrar o reino hominal é-lhe acrescentado em seu psiquismo a razão, o reconhecimento de si e do outro. Passa a existir a vida de relações, Essa relação não fica só no âmbito da necessidade de preservação, vai além.
Essa vida de relações se encontra com pouquíssimas experiências, no máximo, a formação do grupo para seu atendimento de sobrevivência através do alimento e através da defesa. 
Existe toda a potencialidade a ser desenvolvida. A razão vai auxiliar nessa tarefa. E la esta na forma potencial e aos poucos vai se atualizando. 

6 PARTE: O EGOÍSMO - CONCEITOS
O Dicionário nos diz que "egoísmo é um termo criado no século XVIII para indicar a atitude de quem dá importância predominante a si mesmo ou a seus próprios juízos, sentimentos ou necessidades e pouco ou nada se preocupa com os outros. 
O egoísmo não se comporta como se estivesse só no mundo, mas está absorvido por seu eu social que se apega somente aos seus próprios valores ou àqueles que podem tornar seus.
Existe uma diferença entre o "amor de si"e o "amor egoístico".
Aquele é o amor que devemos ter para conosco mesmo no sentido de nos preservarmos e mantermos o que nos foi emprestado por Deus para a realização da nossa evolução como espírito. 
O egoísmo quer a posse de tudo, diferentemente o egocentrismo coloca o eu dentro do mundo. P egoísmo é o amor excessivo ao bem próprio sem considerações ao bem alheio. é um exclusivismo que faz o indivíduo referir tudo a si próprio. Kant afirma que a partir do dia em que o homem começa a falar na primeira pessoa, ele passa a por o seu querido "eu"na frente de tudo.
O altruísmo é o antônimo de egoísmo.

 7 PARTE: O EGOISMO NOS DIAS ATUAIS
A globalização, o individualismo, o consumismo e a informatização, de certa forma, tudo estimula o egoísmo ou no mínimo faculta.
A globalização se alimenta da concorrência entre as empresas estimula a concorrência entre os indivíduos a ponto de ser tornar extremada. A globalização filha dileta do capitalismo transforma tudo em necessário, inclusive e sobremaneira,  o supérfluo. O objetivo primordial é o ganho financeiro. A tecnologia se transforma na serva mais competente e fiel daqueles interesses. O consumo alimentando o próprio consumo. Os recursos naturais se vão extinguindo e gerando mais e mais lixos urbanos.
A novidade de hoje é o obsoleto de amanhã, forçando asociedade se manter no circulo vicioso da compra.
Tudo isso acontecendo de formam muito rápida e cada vez mais gente se engajando ao processo transformando excluidos em cegos.
Esse quadro é terreno fértil para o egoísmo. Essa espiral crescente irá ter um dia o seu climax e instantaneamente a roda gigante será travada. O custo disso serão sofrimentos incalculávies
.
8 PARTE: CONSEQUÊNCIAS DO EGOÍSMO
As consequências do egoísmo são perversas para todos. Num primeiro instante, beneficia um único elemento ou poucos elementos de uma sociedade para em seguida causar malefícios a muitos.
Quando todos desenvolvem o egoísmo, o conjunto vai aos caos. Impera a lei da selva entre os homens. O domínio do conhecimento tecnológico utilizado em benefício de poucos tem força destruidora muito maior que a força bruta.
Os recursos disponíveis na natureza beneficiando poucos em  detrimento de muitos.
Poucos transformando recursos necessários a todos em supérfluos para minoria.
Kardec questiona os espíritos superiores sobre esse assunto:
711- O uso dos bens da Terra é um direito para todos os homens?
- Esse direito é a consequência da necessidade de viver. Deus não pode ter imposto um dever sem haver dado os meios de satisfazer.
O egoísmo leva a dominação através de idologias e artimanhas desenvolvidas de forma a poucos se abastarem a custa de trabalho de muitos.
É a escravidão encoberta por novos matizes.
O egoísmo acarreta uma série de ações no sentido de homens subordinarem homens. Essa subordinação deixa oculto os caminhos ficando aparente somente os resultados: homens vivendo no luxo extremado ao lado de homens que se encontram abaixo da linha de pobreza, famintos e desnutridos. Disparidades imensas entre homens sob o aspecto social, econômico e fanceiro. Esse egoísmo provoca consequências danosas àsociedade e os efeitos estão a olhos vistos a todo instante: violência de toda ordem, assaltos, sequestros, homicídios, corrupção, vícios, ataques contra a natureza, florestas, animais, crianças e idosos que são os mais fracos física ou intelectualmente.
Emfim, o egoísmo está na raiz de todos os sofrimentos sejam eles individuais ou coletivos e geralmente tem origem pontual (indivíduo) e consequencia coletiva (toda sociedade).

9 PARTE: PASSANDO DO EGOÍSMO PARA O ALTRUÍSMO
A saída do caos, do sofrimento, da infelicidade só se dará quando a humanidade mudar de paradigma: deixando o individualismo, o egoísmo e o orgulho indo ao altruismo, ao cooperativismo social.
O caos só dará lugar a harmonia e a felicidade quando o homem deslocar o foco do individual para o coletivo, do particular par o universal, do seu mundo umbilical para o cosmos. Finalmente, levantar os olhos e entender que qualquer ação individual tem reflexo no todo.

10 PARTE: O EGOÍSMO NA VISÃO ESPÍRITA
Sob a óptica da doutrina espírita que teem bases evolucionistas, o princípio inteligente ao entrar no reino hominal adquire novos atributods psiquicos, razão, emoção, sentimentos se tranformando naquilo que conhecemos com espirito.
Nesse instante, o espírito sóm tem como xperiências aquilo que no reino animal se traduzia por ações de conservação do próprio corpo físico agora se traduz por egoismo.
Nenhuma experiência ainda com essas novas características psiquicas. Aos poucos porem, elas caminham para se tranformarem numa espiritualização, ou eja, essas novas caractrísticas têm uma longa caminhada no sentodo da valorização do espírito em detrimento da matéria.

11PARTE: CONCLUSÃO
O homem é insaciável quanto aos bens materiais. Somente valorizando o aspecto espiritual da vida é que ele vai abrandar esse defeito. O egoísmo está dpresente em todos os homens no mais variados graus; Essa imperfeição é indenpendente da sua situação enconômica - financeira bem como do seu nível intelectual.
O egoísmo sofre, entretanto um terrível abalo com a espiriualização. Todo incremento deste implica numa redução daquele. Logo o antidoto para a chaga egoímo é a espiritualização acompanhada de refroma interior.
Como o egoísmo é influenciado pela escala individual de valores, são estes que irão amenizar, controlar e domar esta fera que hoje habita em nossa alma.
Alla Krambeck
 
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domingo, 23 de abril de 2017

Justiça e Direito Natural - LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE

l.E. 873. O sentimento de justiça é natural ou resulta de ideias adquiridas?
      — É de tal modo natural que vos revoltais ao pensamento de uma injustiça. O progresso moral desenvolve sem duvida esse sentimento, mas não o dá: Deus o pôs no coração do homem. Eis porque encontrais frequentemente, entre os homens simples e primitivos, noções mais exatas de justiça do que entre pessoas de muito saber.

      874. Se a justiça é uma lei natural, como se explica que os homens a entendam de maneiras tão diferentes, que um considere justo o que a outro parece injusto?
      — É que em geral se misturam paixões ao julgamento, alterando esse sentimento, como acontece com a maioria dos outros sentimentos naturais e fazendo ver as coisas sob um falso ponto de vista.

      875. Como se pode definir a justiça?
      — A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um.

      875. a) O que determina esses direitos?            
     — São determinados por duas coisas: a lei humana e a lei natural. Tendo os homens feito leis apropriadas aos seus costumes e ao seu caráter, essas leis estabeleceram direitos que podem variar com o progresso. Vede se as vossas leis de hoje, sem serem perfeitas, consagram os mesmos direitos que as da Idade Média. Esses direitos superados, que vos parecem monstruosos, pareciam justos e naturais naquela época. O direito dos homens, portanto, nem sempre é conforme à justiça. Só regula algumas relações sociais, enquanto na vida privada há uma infinidade de atos que. são de competência exclusiva do tribunal da consciência.

      876. Fora do direito consagrado pela lei humana, qual a base da justiça fundada sobre a lei natural?
      — O Cristo vos disse: “Querer para os outros o que quereis para vós mesmos”. Deus pôs no coração do homem a regra de toda a verdadeira justiça, pelo desejo que tem cada um de ver os seus direitos respeitados. Na incerteza do que deve fazer para o semelhante, em dada circunstância, que o homem pergunte a si mesmo como desejaria que agissem com ele. Deus não poderia dar um guia mais seguro que a sua própria consciência.
Comentário de Kardec:  O critério da verdadeira justiça é de fato o de se querer para os outros aquilo que se quer para si mesmo, e não de querer para si o que se deseja para os outros, o que não é a mesma coisa. Como não é natural que se queira o próprio mal, se tomarmos o desejo pessoal por norma ou ponto de partida, podemos estar certos de jamais desejar ao próximo senão o bem. Desde todos os tempos e em todas as crenças, o homem procurou sempre fazer prevalecer o seu direito pessoal. O sublime da religião crista foi tomar o direito pessoal por base do direito do próximo.

      877. A necessidade de viver em sociedade acarreta para o homem obrigações particulares?
      — Sim, e a primeira de todas é a de respeitar os direitos dos semelhantes; aquele que respeitar esses direitos será sempre justo. No vosso mundo, onde tantos homens não praticam a lei de justiça, cada um usa de represálias e vem daí a perturbação e a confusão da vossa sociedade. A vida social dá direitos e impõe deveres recíprocos.

      878. Podendo o homem iludir-se quanto à extensão do seu direito, o que pode fazer que ele conheça os seus limites?
      — Os limites do direito que reconhece para o seu semelhante em relação a ele, na mesma circunstância e de maneira recíproca.

      878 – a) Mas se cada um se atribui a si mesmo os direitos do semelhante, em que se transforma a subordinação aos superiores? Não será isso a anarquia de todos os poderes?
      — Os direitos naturais são os mesmos para todos os homens, desde o menor até o maior. Deus não fez uns de limo mais puro que outros e todos são iguais perante ele. Esses direitos são eternos; os estabelecidos pelos homens perecem com as instituições. De resto, cada qual sente bem a sua força ou a sua fraqueza, e saberá ter sempre uma certa deferência para aquele que o merecer, por sua virtude e seu saber. E importante assinalar isto, para que os que se julgam superiores conheçam os seus deveres e possam merecer essas deferências. A subordinação não estará comprometida, quando a autoridade for conferida à sabedoria.

      879. Qual seria o caráter do homem que praticasse a justiça em toda a sua pureza?
      — O do verdadeiro justo, a exemplo de Jesus; porque praticaria também o amor ao próximo e a caridade, sem os quais não há a verdadeira justiça.
Livro dos Espíritos cap XI

LEI DE JUSTICA AMOR E CARIDADE

Avancemos - LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE

"Irmãos, quanto a mim, não julgo que haja alcançado a perfeição,
mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás
ficam, avanço para as que se encontram diante de mim"
- Paulo. (Filipenses, 3:13 e 14).

Na estrada cristã, somos defrontados sempre por grande número de irmãos que se aquietaram à sombra da improdutividade, declarando-se acidentados por desastres espirituais.


É alguém que chora a perda de um parente querido, chamado à transformação do túmulo.

É o trabalhador que se viu dilacerado pela incompreensão de um amigo.
É o missionário que se imobilizou à face da calúnia.
É alguém que lastima a deserção de um consócio da boa luta.
É o operário do bem que clama indefinidamente contra a fuga da companheira que lhe não percebeu a dedicação afetiva.
É o idealista que espera uma fortuna material para dar início às realizações que lhe competem.
É o cooperador que permanece na expectativa do emprego ricamente remunerado para consagrar-se às boas obras.
É a mulher que se enrola no cipoal da queixa contra os familiares incompreensivos.
É o colaborador que se escandaliza com os defeitos do próximo, congelando as possibilidades de servir.
É alguém que deplora um erro cometido, menosprezando as bênçãos do tempo em remorso destrutivo.
O passado, porém, se guarda as virtudes da experiência, nem sempre é o melhor condutor da vida para o futuro.
É imprescindível exumar o coração de todos os envoltórios entorpecentes que, por vezes, nos amortalham a alma.
A contrição, a saudade, a esperança e o escrúpulo são sagrados, mas não devem representar impedimento ao acesso de nosso espírito à Esfera Superior.
Paulo de Tarso, que conhecera terríveis aspectos do combate humano, na intimidade do próprio coração, e que subiu às culminâncias do apostolado com o Cristo, nos oferece roteiro seguro ao aprimoramento.
"Esqueçamos todas as expressões inferiores do dia de ontem e avancemos para os dias iluminados que nos esperam" - eis a essência de seu aviso fraternal à comunidade de Filipos.
Centralizemos nossas energias em Jesus e caminhemos para diante.
Ninguém progride sem renovar-se.

Emmanuel
psicografia de Chico Xavier

sábado, 22 de abril de 2017

Como Consquistar a Prosperidade - Rodolfo Calligaris - LEI DE LIBERDADE

Indagação de Kardec: “Pessoas há que parecem favorecidas pela sorte, pois tudo lhes sai bem. A que atribuir isso ?“
Resposta de seus instrutores espirituais:
“De ordinário, é que essas pessoas sabem conduzir-se melhor em suas empresas.
Aí está. A aparente “boa sorte” nada mais é que o resultado de uma conduta inteligente à face das vicissitudes terrenas.
Se quisermos prosperar, urge, antes de mais nada, que nos. determinemos claramente o objetivo a ser alcançado. Não pode ter ímpeto de subir quem não tem orientação. Aquele que não sabe para onde vai, acaba por acomodar-se à situação em que está, deixando passar as horas, os dias e os anos na mais completa passividade.
Outrossim, não devemos esperar, ingênuamente, que nos convidem a participar do banquete da vida. Quando ficamos na expectativa da ocasião oportuna para intentarmos algo, geralmente ela não chega. É preciso partir em direção do triunfo desejado, arrostando sacrifícios, desafiando contingências,
criando, enfim, as oportunidades que almejamos, tendo sempre na lembrança aquela máxima que nos adverte: “Há poucos bancos com sombra no caminho da glória.”
Quase todas as pessoas têm aspirações, desejos; poucas, entretanto, as que se propõem chegar à meta de seus sonhos. Diariamente desperdiçam ensejos de se melhorarem, renovam promessas e intenções, mas o certo é que jamais chegam a realizá-las.
Cumpre estejamos advertidos, também, de que apreciável parte do que fazemos é produto ou resultado de influências que outros exercem em nós e muitas de nossas atitudes são o reflexo desse poder. Inconsciente ou conscientemente, imitamos, amoldamos, copiamos os atos e pensamentos de
outras pessoas.
Assim, pois, se pretendemos classificar-nos entre os homens de primeira ordem, não devemos louvar-nos nos indolentes, nem nos negligentes, menos ainda nos pessimistas, que façam diminuir o nosso interesse pelas coisas grandiosas, inclinando-nos para a mediocridade e o comodismo. Inspiremonos, isto sim, naqueles que mostram possuir uma vontade poderosa, dominante, e que por ela conseguiram vencer suas próprias fraquezas e deficiências, chegando a ocupar lugares de destaque, valor e distinção.
Investiguemos como e porque essas pessoas conseguiram sobrepor-se a todas as adversidades, como e porque se tornaram verdadeiros luminares, escrevendo, com seus exemplos, episódios sublimes de paciência, firmeza e pugnacidade.
Procuremos conhecer a biografia dessas criaturas vitoriosas que se constituíram paradigmas para a Humanidade e sigamos-lhes, corajosamente, as pegadas.
Como disse o grande Rui Barbosa, “a vida não tem mais que duas portas:
uma de entrar, pelo nascimento; outra de sair, pela morte. Em tão breve trajeto cada um há-de acabar a sua tarefa.
Com que elementos? Com os que herdou e os que cria. Aqueles são a parte da natureza
Estes, a do trabalho. Ninguém desanime, pois, de que o berço lhe não fôsse generoso, ninguém se creia malfadado, por lhe minguarem de nascença haveres e qualidades. Em tudo isso não há surpresas, que se não possam esperar da tenacidade e santidade do trabalho.”
Qualquer, portanto — concluímos nós —, nos limites de sua energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas e, pela fé em si mesmo, pela atividade, pela perseverança, pelo aprimoramento constante de suas faculdades, igualar-se e até mesmo sobrepujar os que a natureza ou a sociedade melhor haviam aquinhoado.
Nesse aprimoramento, não devem ser esquecidas certas virtudes a que poderíamos chamar domésticas, como a pontualidade, a delicadeza, a sobriedade, a ética profissional, etc, de que necessitamos para uso cotidiano, pois muitos homens mentalmente superiores têm fracassado em seus
empreendimentos por negligenciarem de tais predicados.
Faz-se mister, ainda, que adquiramos o hábito da economia e nele nos adestremos. Não certamente, como alguns indivíduos, que se privam do útil e até do necessário, só para ficarem mais ricos; nem tão-pouco procedendo como aqueles que gastam tudo quanto possuem, e às vezes mesmo o que não
possuem, perdulariamente, em coisas supérfluas ou no aprazimento de vícios perniciosos e vaidades tolas. Esses dois extremos são deformações linfelizes.
O ideal está no meio termo: não ser pródigo, nem avarento, mas criterioso no gastar, graduando as necessidades na proporção das rendas que se tenham, de sorte que haja sempre algumas sobras, para com elas formar um pecúlio que nos ponha a salvo das incertezas do amanhã.
Mas, fixemos bem Isto: não é apenas o dinheiro que devemos poupar. Há outros bens de maior valia que precisam e devem ser poupados com mais cuidado ainda. É o tempo, que não convém ser malbaratado à-toa, mas sabiamente aproveitado na aquisição de novos conhecimentos e experiências
que nos enriqueçam a personalidade. São as energias físicas e espirituais, que não devem ser dissipadas loucamente em noites mal dormidas, na satisfação de prazeres desonestos, pois tais desregramentos, sobre serem contrários aos princípios da moral cristã, arruínam a saúde, roubam a paz interior e aviltam a dignidade humana.
Ao contrário do que a alguns possa parecer, o progresso é ilimitado, infinito, existindo sempre mil e uma possibilidades de realizações bem inspiradas, capazes de nos premiarem com o êxito e a prosperidade.
Assumamos, portanto, uma atitude de otimismo e de autoconfiança e marchemos, resolutos, para a frente, sempre para a frente, na convicção plena e inabalável de que a vida é bela e boa e venturosa, para todos aqueles que a saibam viver!
(Capítulo 10º, questão 864.)

Conhecimento do Futuro - Rodolfo Calligaris - LEI DE LIBERDADE

Pode o homem conhecer o seu futuro? E, se pode, deve procurar conhecê-lo?
Eis aí duas perguntas interessantíssimas, às quais responde a Doutrina Espírita da seguinte maneira:
Essa possibilidade, se bem que muito relativa, existe, sim, já que as pessoas trazem, ao nascer, certas tendências, aptidões e qualidades inatas, cujas manifestações, mais ou menos evidentes, permitem prever, até certo ponto, o que serão ou o que farão na vida.
Afora isto, porém, tudo o mais será bem mais difícil, por duas razões.
Primeira: grande parte de nossa sorte futura ainda não está nem poderia estar delineada, semelhando-se a páginas em branco de um livro parcialmente anotado. É que se todo sucesso tem uma causa, reciprocamente, cada causa produz determinado efeito. Destarte, os acontecimentos porvindouros de nossa existência vão depender do que estivermos fazendo agora, com as
modificações provocadas por aquilo que formos fazendo de instante a instante.
Segunda: as circunstâncias a que chamaríamos inevitáveis, ligadas ao nosso carma (débitos ou créditos perante a Justiça Divina, resultantes de nosso procedimento em encarnações anteriores), por outro lado também não podem ser-nos desvendadas, pois, “se o homem conhecesse o futuro,
negligenciaria do presente e não agiria com a liberdade com que o faz, porque o dominaria a ideia de que, se uma coisa tem que acontecer, inútil será ocupar- se com ela, ou então procuraria obstar a que acontecesse. Não quis Deus que assim fosse, a fim de que cada um concorra para a realização das coisas, até daquelas a que desejaria opor-se”. (Kardec.)
Algumas vezes, entretanto, o futuro pode ser revelado, e o tem sido. É quando a revelação favoreça a consumação de algo em benefício da Humanidade.
Importa esclarecer, todavia, que, embora muitos fatos possam ser previstos, por constarem dos planos das entidades espirituais que, como prepostos de Deus, dirigem os destinos do mundo ou têm sob sua tutela este ou aquele setor das atividades humanas, o livre arbítrio das pessoas diretamente ligadas a esses fatos é sempre respeitado, de modo a que, em última instância, tenham plena liberdade de cumprir ou não as tarefas que lhes estavam assinaladas, assim como de resistirem ou cederem (como no caso de Judas) a um alvitre que poderá acarretar-lhes as mais dolorosas consequências.
Isto deixa claro que ninguém é constrangido, de forma absoluta, a obrar desta ou daquela maneira, e que ninguém, jamais, há sido predestinado a praticar um crime ou qualquer outro ato delituoso que envolva responsabilidade moral.
O que sucede é que “cada um é tentado segundo suas próprias concupiscências”, conforme diz o Evangelho, e como quem se aproxima de uma forja acesa grande probabilidade tem de se queimar, também o ambicioso pode sucumbir ante uma situação que lhe exacerbe a cobiça, e assim por
diante.
Sempre que, p. ex., algo de suma importância deva necessariamente acontecer, e aquele ou aqueles que seriam os possíveis agentes não se mostrem à altura, ou se tenham desviado de moto próprio do caminho que os levaria a tal objetivo, as referidas entidades espirituais sabem como encaminhar as coisas de maneira que outrem lhes tomem o lugar, o mesmo acontecendo quando, inversamente, o desfecho é que deva ser outro.
O interesse — diríamos melhor —, a curiosidade que tantos demonstram em conhecer o seu futuro apresenta sérios inconvenientes.
Um deles, o de contribuir para que espertalhões sem escrúpulos façam da astrologia, da cartomancia, da necromancia, da quiromancia, da vidência, etc. rendosos meios de vida.
Outro, a sôfrega expectativa de um evento feliz, a falta de iniciativa e de ação, julgadas desnecessárias, face à “segurança” de um por-vir próspero e venturoso, do que podem resultar terríveis decepções, ou, ainda, o desespero, senão mesmo a loucura e o suicídio ante um funesto presságio.
O Espiritismo, amiúde e injustamente confundido com as práticas adivinhadeiras, saibam-no de uma vez por todas, não as utiliza nem as recomenda; pelo contrário, desaconselha-as aberta e veementemente, pois, embora admita a possibilidade de eventuais revelações do futuro, subordina-as
a estas duas condições:
 1) a espontaneidade;
2) um fim sério que as justifique, em conformidade com os desígnios providenciais.

(Capítulo 10º, questão 868 e seguintes.)

Fatalidade e Destino - Rodolfo Calligaris - LEI DE LIBERDADE

Fatalidade e destino são dois termos que se empregam, amiúde, para expressar a força determinante e irrevogáveL dos acontecimentos da vida, bem assim o arrastamento irresistível do homem para tais sucessos, independentemente de sua vontade.
Estaríamos nós, realmente, à mercê dessa força e desse arrastamento?
Raciocinemos:
Se todas as coisas estivessem previamente determinadas e nada se pudesse fazer para impedi-las ou modificar-lhes o curso, a criatura humana se reduziria a simples máquina, destituída de liberdade e, pois, inteiramente irresponsável.
Subseqüentemente, os conceitos de Bem e Mal ficariam sem base, tornando nulo todo e qualquer princípio ditado pela Moral.
Ora, é evidente que, quase sempre, nossas decepções, fracassos e tristezas decorrem, não de nossa “má estrela”, como acreditam os supersticiosos, mas pura e simplesmente de nossa maneira errônea de proceder, de nossa falta de aptidão para conseguir o que ambicionamos, ou por uma expectativa exageradamente otimista sobre o que este mundo nos possa oferecer.
Importa reconhecermos, entretanto, que, embora grande parte daquilo que nos acontece sejam consequências naturais de atos consciente ou inconscientemente praticados por nós, ou por outrem, com ou sem a intenção de atingir-nos, vicissitudes, desgostos e aflições há que nos alcançam sem que
possamos atribuir-lhes uma causa cognoscível, dentro dos quadros de nossa existência atual.
Sirvam-nos de exemplo certos acidentes pessoais, determinadas doenças e aleijões, desastres financeiros absolutamente imprevisíveis, que nenhuma providência nossa ou de quem quer que seja teria podido evitar, ou o caso de pessoas duramente feridas em suas afeições ou cujos reveses cruéis não dependeram de sua inteligência, nem de seus esforços.
As doutrinas que negam a pluralidade das existências, impossibilitadas de apresentar uma explicação satisfatória para essa importante questão, limitam-se a dizer que os desígnios de Deus são imperscrutáveis, ou a recomendar paciência e resignação aos desgraçados, como se isso fôsse suficiente para saciar a sede das mentes perquiridoras e tranquilizar os corações dilacerados
pela dor.
A Doutrina Espírita, ao contrário, com a chave da reencarnação, faz-nos compreender claramente o porquê de todos os problemas relacionados com a nossa suposta “má sorte”.
Os acontecimentos que nos ferem e magoam, no corpo ou na alma, sem causa imediata nem remota nesta vida, longe de se constituírem azares da fatalidade ou caprichos de um destino cego, são efeitos da Lei de Retorno, pela qual cada um recebe de volta aquilo que tem dado.
Em anterior(es) existência(s), tivemos a, faculdade de escolher entre o amor e o ódio, entre a virtude e o vicio, entre a justiça e a iniquidade; agora, porém, temos que sofrer, inexoràvelmente, o resultado de nossas decisões, porque “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”.
Quando assim não seja, as dificuldades e os sofrimentos por que passamos fazem parte das provas por nós mesmos escolhidas, antes de reencarnarmos, com o objetivo de desenvolver esta ou aquela boa qualidade de que ainda nos ressentimos, ativando, destarte, nosso aperfeiçoamento, a
fim de merecermos acesso a planos mais felizes onde a paz e a harmonia reinam soberanamente.
Em suma, algumas circunstâncias graves, capazes de ensejar nosso progresso espiritual, podem, sim, ser fatais; mas já vimos que somos nós próprios, no exercício do livre arbítrio, que Lhes geramos as causas determinantes.
Nosso presente nada mais é, portanto, que o resultado de nosso passado, assim como nosso futuro está sendo construído agora, pelos pensamentos, palavras e ações de cada momento.
Tratemos, então, de dignificar nossa presença à face da Terra, agindo sempre em conformidade com as leis divinas, para que nossas agruras de hoje se transformem, amanhã, sômente em bênçãos e alegrias, bem-estar e tranquilidade.

(Capítulo 10º, questão 851 e seguintes.)

O Livro Arbítrio - Rodolfo Calligaris - LEI DE LIBERDADE


O livre arbítrio é definido como “a faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua própria conduta”, ou, em outras palavras, a possibilidade que ele tem de, “entre duas ou mais razões suficientes de querer ou de agir, escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as outras”.
Problema fundamental da Filosofia ética e psicológica, vem sendo estudado e discutido acaloradamente desde os primeiros séculos de nossa era, dando ensejo a que se formulassem, a respeito, várias doutrinas díspares e antagônicas até.
Acham alguns que o livre arbítrio é absoluto, que os pensamentos, palavras e ações do homem são espontâneos e, pois, de sua inteira responsabilidade.
Evidentemente, laboram em erro, porqüanto não há como deixar de reconhecer as inúmeras influências e constrangimentos a que, em maior ou menor escala, estamos sujeitos, capazes de condicionar e cercear a nossa liberdade.
No extremo oposto, três correntes filosóficas existem que negam peremptõriamente o livre arbítrio: o fatalismo, o predestinacionismo e o determinismo.
Os fatalistas acreditam que todos os acontecimentos estão prêviamente fixados por uma causa sobrenatural, cabendo ao homem apenas o regozijarse, se favorecido com uma boa sorte, ou resignar-se, se o destino lhe for adverso.
Os predestinacionistas baseiam-se na soberania da graça divina, ensinando que desde toda a eternidade algumas almas foram predestinadas a uma vida de retidão e, depois da morte, à bem-aventurança celestial, enquanto outras foram de antemão marcadas para uma vida reprovável e,
consequentemente, precondenadas às penas eternas do inferno. Se Deus regula, antecipadamente, todos os atos e todas as vontades de cada indivíduo — argumentam —, como pode este indivíduo ter liberdade para fazer ou deixar de fazer o que Deus terá decidido que ele venha a fazer?
Estas duas doutrinas, como se vê, reduzem o homem a simples autômato, sem mérito nem responsabilidade, ao mesmo tempo que rebaixam o conceito de Deus, apresentando-O àfeição de um déspota injusto, a distribuir graças a uns e desgraças a outros, ünicamente ao sabor de seu capricho. Ambas repugnam às consciências esclarecidas, tamanha a. sua aberraçao.
Os deterministas, a seu turno, sustentam que as ações e a conduta do indivíduo, longe de serem livres, dependem integralmente de uma série de contingências a que ele não pode furtar-se, como os costumes, o caráter e a indole da raça a que pertença; o clima, o solo e o meio social em que viva; a
educação, os princípios religiosos e os exemplos que receba; além de outras circunstâncias não menos importantes, quais o regime alimentar, o sexo, as condições de saúde, etc.
Os fatores apontados acima são, de fato, incontestáveis e pesam bastante na maneira de pensar, de sentir e de proceder do homem.
Assim, por exemplo, diferenças climáticas, de alimentação e de filosofia, fazem de hindus e americanos do norte tipos humanos que se distinguem profundamente, tanto na complexão física, no estilo de vida, como nos ideais; via de regra, a fortuna nos torna soberbos, enquanto a necessidade nos faz humildes; um dia claro e ensolarado nos estimula e alegra, contràriamente a uma tarde sombria e chuvosa, que nos deprime e entristece; uma sonata romântica nos predispõe à ternura, ao passo que os acordes marciais nos despertam ímpetos belicosos; quando jovens e saudáveis, estamos sempre dispostos a cantar e a dançar, já na idade provecta, preferimos a meditação e a
tranqüilidade, etc.
Daí, porém, a dogmatizar que somos completamente governados pelas células orgânicas, de parceria com as impressões, condicionamentos e sanções do ambiente que nos cerca, vai uma distância incomensurável.
Com efeito, há em nós uma força íntima e pessoal que sobreexcede e transcende a tudo isso: nosso “eu” espiritual!
Esse “eu”, ser moral ou alma (como quer que lhe chamemos), numa criatura de pequena evolução espiritual, realmente pouca liberdade tem de escolher entre o bem o mal, visto que se rege mais pelos instintos do que pela inteligência ou pelo coração. Mas, à medida que se esclarece, que domina
suas paixões e desenvolve sua vontade nos embates da Vida, adquire energias poderosíssimas que o tomam cada vez mais apto a franquear obstáculos e limitações, sejam de que natureza forem. Não é só. Habilita-se também a pesar as razões e medir conseqüências, para decidir sempre pelo mais justo, embora desatendendo, muitas vezes, aos seus próprios desejos e interesses.
Um dia, como o Cristo, poderá afirmar que já venceu o mundo, pois, mesmo faminto, terá a capacidade de, voluntàriamente, abster-se de comer; conquanto rudemente ofendido, saberá refrear sua cólera e não revidar à ofensa; e, ainda que todos ao seu derredor estejam em pânico, manterá,
imperturbável, sua paz interior.
(Capítulo 10º, questão 843 e seguintes)

A LEI DE LIBERDADE - Rodolfo Calligari

O homem é, por natureza, dono de si mesmo, isto é, tem o direito de fazer tudo quanto achar conveniente ou necessário à conservação e ao desenvolvimento de sua vida.
Essa liberdade, porém, não é absoluta, e nem poderia sé-lo, pela simples razão de que, convivendo em sociedade, o homem tem o dever de respeitar esse mesmo direito em cada um de seus semelhantes.
Isto posto, todo e qualquer costume, que torne uma pessoa completamente sujeita a outra, constitui uma iniquidade contrária à lei de Deus.
Durante muito tempo, aceitou-se, como justa, a escravização dos povos vencidos em guerras, assim como foi permitido, pelos códigos terrenos, que homens de certas raças fôssem caçados e vendidos, quais bestas de carga, na falsa suposição de que eram seres inferiores e, talvez, nem fôssem nossos
irmãos em humanidade.
Coube ao Cristianismo mostrar que, perante Deus, só existe uma espécie de homens e que, mais ou menos puros e elevados eles o são, não pela cor da epiderme ou do sangue, mas pelo espírito, isto é, pela melhor compreensão que tenham das coisas e principalmente pela bondade que imprimam em seus atos.
Felizmente, de há muito que a escravatura foi abolida e, com ela, o privilégio que tinha o senhor de poder maltratar impunemente o escravo, ou mesmo matá-lo, se assim lhe aprouvesse.
Agora, todos somos cidadãos, podendo dispor, livremente, de nossos destinos.
A liberdade de pensamento e a de consciência, por se inscreverem, também, entre os direitos naturais do homem, conquanto padeçam, ainda, aqui, ali e acolá, certas restrições e repressões, vêm alcançando, igualmente, notáveis progressos.
De século para século, menos dificuldade encontra o homem para pensar sem peias e, a cada geração que surge, mais amplas se tornam as garantias individuais no que tange à inviolabilidade do foro íntimo.
O sistema do “crê ou morre”, que alguns retrógrados desejariam ver restabelecido, está. definitivamente superado e não voltará jamais. de jeito nenhum.
Vingam e viçam, hoje, ideias bem diferentes.
Nas dissensões religiosas, as chamas das fogueiras foram substituidas pelas luzes do esclarecimento, e na catequese filosófica ou política, estejamos certos, daqui para o futuro, buscar-se-á empregar, cada vez mais, a força da persuasão ao invés da imposição pela força.
Sinais evidentes desta evolução, temo-los:

a) na orientação que os dois últimos papas, João 23 e Paulo 6º, deram à Igreja Católica, inclinando-a ao liberalismo e à tolerância, como o provam as decisões tomadas no Concílio Ecumênico recentemente encerrado, entre elas, a extinção do famigerado “Index Librorum Prohibitorum”, ou seja, o rol dos livros proibidos pela congregação do Santo Ofício, no qual eram incluídas todas
as obras que, embora edificantes, infirmassem ou contradissessem a suadoutrina.

b) na linha adotada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ao optar pela propaganda ideológica como o meio mais eficaz de atrair os povos para o socialismo, em lugar da conquista pelas armas, como o fazia até há alguns anos.
Sem dúvida, estamos ainda muito distantes de uma vivência mundial de integral respeito às liberdades humanas; todavia, já as aceitamos como um ideal a ser atingido, e isso é um grande passo, pois tal concordância há-de levar-nos, mais dia, menos dia, a esse estado de paz e de felicidade a que
todos aspiramos.
(Capítulo 10º, questão 825 e seguintes.)

Mestre e Salvador - LEI DE LIBERDADE

Jesus apresentou-se perante a Humanidade como Mestre e Salvador.
“Eu sou o vosso Mestre”, dizia Ele aos que o rodeavam para escutar sua palavra sempre inspirada e convincente.
Nós somos, pois, seus discípulos: Ele é nosso Mestre.
Mestre é aquele que educa. Educar é apelar para os poderes do Espírito. Mediante esses poderes é que o discípulo analisa, perquire, discerne, assimila e aprende.
O mestre desperta as faculdades que jazem dormentes e ignoradas no âmago do “eu” ainda inculto.
A missão do mestre não consiste em introduzir conhecimentos na mente do discípulo: se este não se dispuser a conquistá-los, jamais os possuirá.
Há deveres para o mestre e há deveres para o discípulo. Cada um há de desempenhar a parte que lhe toca.
Entre aquele que ensina e aquele que aprende, é preciso que exista uma relação, uma correspondência de esforços, sem o que não haverá ensinamento nem aprendizagem.
Quanto mais íntima a comunhão entre o mestre e o discípulo, melhor êxito advirá para quem ensina e para quem aprende.
O mestre não fornece instrução: mostra como é ela obtida. Ao discípulo cumpre empregar o processo mediante o qual adquirirá instrução. O mestre dirige, orienta as forças do discípulo, colocando-o em condições de agir por si mesmo na conquista do saber.
Para que a comunhão entre o mestre e o discípulo seja um fato, é absolutamente indispensável o concurso, a cooperação de ambos. O termo comunhão significa mesmo correspondência íntima entre dois ou mais indivíduos identificados num determinado propósito.
Se o mestre irradia para o discípulo e o discípulo não irradia para o mestre, deixa de haver correspondência entre eles, e o discípulo nenhum aproveitamento tirará das lições recebidas.
Jesus veio trazer-nos a verdade. Fez tudo quanto lhe competia fazer para o cabal desempenho dessa missão que o Pai lhe confiara. Não poupou esforços: foi até ao sacrifício.
Resta, portanto, que o homem, o discípulo, faça a sua parte para entrar na posse da verdade, essa luz que ilumina a mente, consolida o caráter e aperfeiçoa os sentimentos.
Aqueles que já satisfizeram tal condição, vêm bebendo da água viva, vêm apanhando, dia por dia, partículas de verdade, centelhas de luz.
Os que deixaram de preencher a condição permanecem nas trevas, na ignorância; e nas trevas e na ignorância permanecerão até que batam, peçam e procurem.
Jesus veio trazer-nos a redenção. É por isso nosso Salvador. Mas só redime aqueles que amam a liberdade e se esforçam por alcançá-la.
Os que se comprazem na servidão das paixões e dos vícios não têm em Jesus um salvador. Continuarão vis escravos até que compreendam a situação ignominiosa em que se encontram, e almejem conquistar a liberdade.
Jesus não é mestre de ociosos. Jesus não é salvador de impenitentes. Para ociosos e impenitentes — o aguilhão da dor.
O sangue do Justo foi derramado no cumprimento de um dever a que se impusera: não lava culpas nem apaga os pecados dos comodistas, dos preguiçosos, dos devotos de Epicuro e de Mamon.
A redenção, como a educação, é obra em que o interessado tem de agir, tem de lutar desempenhando a sua parte própria; sem o que, não haverá para ele mestre nem salvador.
A redenção, como a educação, é obra que se realiza gradativamente no transcurso eterno da vida; não é obra miraculosa que se consuma num dado momento.
E por ser assim é que Jesus dizia: “Aquele que me serve siga-me, e onde eu estou estará aquele que me serve”.
Seguir: eis a ordem. Sempre avante: eis o lema do estandarte desfraldado pelo Mestre e Salvador do mundo.
Livro O Mestre na Educação - cap1

Experiência - LEI DE LIBERDADE

Questões extraídas do livro O Consolador - texto auxiliar do estudo da Lei de Liberdade

131 –Como adquire experiência o Espírito encarnado?
A luta e o trabalho são tão imprescindíveis ao aperfeiçoamento do espírito, como o pão material é indispensável à manutenção do corpo físico. É trabalhando e lutando, sofrendo e aprendendo, que a alma adquire as experiências necessárias na sua marcha para a perfeição.

132 –Há o determinismo e o livre-arbítrio, ao mesmo tempo, na existência humana?
Determinismo e livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens.
O primeiro é absoluto nas mais baixas camadas evolutivas e o segundo amplia se com os valores da educação e da experiência. Acresce observar que sobre ambos pairam as determinações divinas, baseadas na lei do amor, sagrada e única, da qual a profecia foi sempre o mais eloqüente testemunho.
Não verificais, atualmente, as realizações previstas pelos emissários do Senhor há dois e quatro milênios, no divino simbolismo das Escrituras?
Estabelecida a verdade de que o homem é livre na pauta de sua educação e de seus méritos, na lei das provas, cumpre-nos reconhecer que o próprio homem, à medida que se torna responsável, organiza o determinismo da sua existência, agravando-o ou amenizando-lhe os rigores, até poder elevar-se definitivamente aos planos superiores do Universo.

133 –Havendo o determinismo e o livre-arbítrio, ao mesmo tempo, na vida humana, como compreender a palavra dos guias espirituais quando afirmam não lhes ser possível influenciar a nossa liberdade?
Não devemos esquecer que falamos de expressão corpórea, em se tratando do determinismo natural, que prepondera sobre os destinos humanos.
A subordinação da criatura, em suas expressões do mundo físico, é lógica e natural nas leis das compensações, dentro das provas necessárias, mas, no íntimo, zona de pura influenciação espiritual, o homem é livre na escola do seu futuro caminho. Seus amigos do invisível localizam aí o santuário da sua independência sagrada
Em todas as situações, o homem educado pode reconhecer onde falam as circunstâncias da vontade de Deus, em seu benefício, e onde falam as que se formam pela força da sua vaidade pessoal ou do seu egoísmo. Como ele, portanto, estará sempre o mérito da escolha, nesse particular.

134 –Como pode o homem agravar ou amenizar o determinismo de sua vida?
-A determinação divina as sagrada lei universal é sempre a do bem e da felicidade, para todas as criaturas.
No lar humano, não vê um pai amoroso e ativo, com um largo programa detrabalhos pela ventura dos filhos? E cada filho, cessado o esforço da educação na infância, na preparação para a vida, não deveria ser um colaborador fiel da generosa providência paterna pelo bem de toda a comunidade familiar?
Entretanto, a maioria dos pais humanos deixa a Terra sem ser compreendida, apesar de todo o esforço despendido na educação dos filhos.
Nessa imagem muito frágil, em comparação com a paternidade divina, temos um símile da situação.
O Espírito que, de algum modo, já armazenou certos valores educativos, é convocado para esse ou aquele trabalho de responsabilidade junto de outros seres em provação rude, ou em busca de conhecimentos para a aquisição da liberdade. Esse trabalho deve ser levado a efeito na linha reta do bem, de modo que esse filho seja o bom cooperador de seu Pai Supremo, que é Deus. O administrador de uma instituição, o chefe de uma oficina, o escritor de um livro o mestre de uma escola, tema a sua parcela de independência para colaborar na obra divina e devem retribuir a confiança espiritual que lhes foi deferida. Os que se educam e conquistam direitos naturais, inerentes à personalidade, deixam de obedecer, de modo absoluto, no determinismo da evolução, porquanto estarão aptos a cooperar no serviço das ordenações, podendo criar as circunstâncias para a marcha ascensional de seus subordinados ou irmãos em humanidade, no mecanismo de responsabilidade da consciência esclarecida.
Nesse trabalho de ordenar com Deus, o filho necessita considerar o zelo e o amor paternos, a fim de não desviar sua tarefa do caminho reto, supondo-se senhor arbitrário das situações, complicando a vida da família humana, e adquirindo determinados compromissos, por vezes bastante penosos, porque, contrariamente ao propósito dos pais, há filhos que desbaratam os “talentos” colocados em suas mãos, na preguiça, no egoísmo, na vaidade ou no orgulho.
Daí a necessidade de concluirmos com a apologia da Humanidade, salientando
que o homem que atingiu certa parcela de liberdade, está retribuindo a confiança do Senhor, sempre que age com a sua vontade misericordiosa e sábia, reconhecendo que o seu esforço individual vale muito, não por ele, mas pelo amor de Deus que o protege e ilumina na edificação de sua obra imortal.

135 –Se o determinismo divino é o do bem, quem criou o mal?
-O determinismo divino se constitui de uma só lei, que é a do amor para a comunidade universal. Todavia, confiando em si mesmo, mais do que em Deus, o homem transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias a essa mesma lei, efetuando, desse modo, uma intervenção indébita na harmonia divina.
Eis o mal.
Urge recompor os elos sagrados dessa harmonia sublime.
Eis o resgate.
Vede, pois, que o mal, essencialmente considerado, não pode existir par Deus, em virtude de representar um desvio do homem, sendo zero na Sabedoria e naProvidência Divinas.
O Criadoré sempre o Pai generoso e sábio, justo e amigo, considerando os filhos transviados como incursos em vastas experiências. Mas, como Jesus e os seus prepostos são seus cooperadores divinos, e eles próprios instituem as tarefas contra o desvio das criaturas humanas, focalizam os prejuízos do mal com a força de suas responsabilidades educativas, a fim de que a Humanidade siga retamente no seu verdadeiro caminho para Deus.

136 –Existem seres agindo na Terra sob determinação absoluta?
-Os animais e os homens quase selvagens nos dão uma idéia dos seres que agem no planeta sob determinação absoluta. E essas criaturas servem para estabelecer a realidade triste da mentalidade do mundo, ainda distante da fórmula do amor, com que o homem deve ser o legítimo cooperador de Deus, ordenando com a sua sabedoria paternal.
Sem saberem amar os irracionais e os irmãos mais ignorantes colocados sob a sua imediata proteção, os homens mais educados da Terra exterminam os primeiros, para sua alimentação, e escravizam os segundos para objeto de explorações grosseiras, com exceções, de modo a mobilizar-los a serviço do seu egoísmo e da sua ambição.

137 – O homem educado deve exercer vigilância sobre o seu grau de liberdade?
-É sobre a independência própria que a criatura humana precisa exercer a vigilância maior.
Quando o homem educado se permite examinar a conduta de outrem, de modo leviano ou inconveniente, é sinal que a sua vigilância padece desastrosa deficiência, porquanto a liberdade de alguém termina sempre onde começa uma outra liberdade, e cada qual responderá por si, um dia, junto à Verdade Divina.

138 –Em se tratando das questões do determinismo, qualquer ser racional pode estar sujeito a erros?
-Todo ser racional está sujeito ao erro, mas a ele não se encontra obrigado.
Em plano de provações e de experiências como a Terra, o erro deve ser sempre levado à conta dessas mesmas experiências, tão logo seja reconhecido pelo seu autor direto, ou indireto, tratando-se de aproveitar os seus resultados, em idênticas circunstâncias da vida, sendo louvável que as criaturas abdiquem a repetição dos experimentos, em favor do seu próprio bem no curso infinito do
tempo.

139 –Se na luta da vida terrestre existem circunstâncias, por toda parte, qual será a melhor de todas, digna de ser seguida?
Em todas as situações da existência a mente do homem defronta circunstâncias do determinismo divino e do determinismo humano. A circunstância a ser seguida, portanto, deve ser sempre a do primeiro, a fim de que o segundo seja iluminado, destacando-se essa mesma circunstância pelo seu caráter de benefício geral, muitas vezes com o sacrifício da satisfação egoística da personalidade. Em virtude dessa característica, o homem está sempre habilitado, em seu íntimo, a escolher o bem definitivo de todos e o contentamento transitório do seu “eu”, fortalecendo a fraternidade e a luz, ou
agravando o seu próprio egoísmo.

Emmanuel
Livro O Consolador

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Abre a Porta - LEI DE LIBERDADE

"E havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo." - (João, 20:22).
 
Profundamente expressivas as palavras de Jesus aos discípulos, nas primeiras manifestações depois do Calvário.
 
Comparecendo à reunião dos companheiros, espalha sobre eles o seu espírito de amor e vida, exclamando: "Recebei o Espírito Santo."
 
Por que não se ligaram as bênçãos do Senhor, automaticamente, aos aprendizes? por que não transmitiu Jesus, pura e simplesmente, o seu poder divino aos sucessores? Ele, que distribuíra dádivas de saúde, bênçãos de paz, recomendava aos discípulos recebessem os divinos dons espirituais. Por que não impor semelhante obrigação?
 
É que o Mestre não violentaria o santuário de cada filho de Deus, nem mesmo por amor.
 
Cada espírito guarda seu próprio tesouro e abrirá suas portas sagradas à comunhão com o Eterno Pai.
 
O Criador oferece à semente o sol e a chuva, o clima e o campo, a defesa e o adubo, o cuidado dos lavradores e a bênção das estações, mas a semente terá que germinar por si mesma, elevando-se para a luz solar.
 
O homem recebe, igualmente, o Sol da Providência e a chuva de dádivas, as facilidades da cooperação e o campo da oportunidade, a defesa do amor e o adubo do sofrimento, o carinho dos mensageiros de Jesus e a bênção das experiências diversas; todavia, somos constrangidos a romper por nós mesmos os envoltórios inferiores, elevando-nos para a Luz Divina.
 
As inspirações e os desígnios do Mestre permanecem a volta de nossa alma, sugerindo modificações úteis, induzindo-nos à legítima compreensão da vida, iluminando-nos através da consciência superior, entretanto, está em nós abrir-lhes ou não a porta interna.
 
Cessemos, pois, a guerra de nossas criações inferiores do passado e entreguemo-nos, cada dia, às realizações novas de Deus, instituídas a nosso favor, perseverando em receber, no caminho, os dons da renovação constante, em Cristo, para a vida eterna.
Emmanuel 
Livro Vinha de Luz - lição 11

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