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domingo, 17 de setembro de 2017

“Por que a Guerra?”: Algumas Considerações de Einstein e Freud



Em toda a história da humanidade a guerra sempre foi um fator desencadeador de inúmeros temores. Nas últimas décadas, as tensões relacionadas às guerras aumentaram consideravelmente, graças ao grande avanço da tecnologia que, inevitavelmente, a partir da Segunda Guerra Mundial, veio a ser usada na produção de armas de destruição em massa. Recentemente, além dos constantes conflitos no Oriente Médio, o mundo todo pôde sentir as tensões entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, com ambos os lados demonstrando seu poderio bélico, e sempre trocando ameaças e advertências.
Dentro desse contexto, é comum que em algum momento a gente se pergunte o “por que” das guerras e conflitos, ou “o que” leva o homem a ser o causador de tantas mortes e destruição, o que o impulsiona a praticar tamanhas barbáries e atos desumanos. Quando nos deparamos com as consequências da guerra, com o resultado final da atrocidade e violência do homem, é praticamente inevitável nos perguntarmos “o que” leva o homem a praticar tal destruição, e se existem meios para acabar com as guerras.

Tal questionamento foi discutido entre o físico Albert Einstein, e o pai da psicanálise, Sigmund Freud, em duas cartas, escritas em 1932, em que eles conversam sobre o tema “Por que a Guerra?“, cartas que se encontram no livro Novas Conferências Introdutórias Sobre Psicanálise e Outros Trabalhos. Tal troca de correspondência foi promovida pelo Instituto Internacional para a Cooperação Intelectual, depois de uma instrução dada, em 1931, pelo Comitê Permanente para a Literatura e as Artes da Liga das Nações. As cartas deveriam ser “a respeito de assuntos destinados a servir aos interesses comuns à Liga das Nações e à Vida Intelectual”. Além de falarem sobre os motivos que levam à guerra, os dois também propõe e discutem soluções para fim da existência das mesmas.

Neste artigo, será analisada a carta de Einstein, sendo a de Freud, analisada em uma segunda parte.

Segundo o que diz Einstein em sua carta, sua escolha por Freud, para que trocassem essa correspondência, se deu para que Freud proporcionasse “a elucidação do problema (guerra) mediante o auxílio de seu profundo conhecimento da vida institiva do homem“. Em sua carta, Einstein nos diz o que ele acreditava ser os motivos que levavam os homens à guerra, para que, em sua resposta, Freud aprofundasse a discussão sobre os motivos para tal ação humana, de acordo com seus estudos e conhecimentos acerca da natureza do ser humano.

Albert Einstein, no início de sua carta à Freud, diz que o assunto por ele escolhido como tema de sua correspondência parecia ser, para ele, “o mais urgente de todos os problemas que a civilização tem de enfrentar. Este é o problema: Existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça de guerra?” Einstein nos diz que, como forma simples de abordar o aspecto superficial do problema, deveria ser instituído, por meio de acordo internacional, um organismo legislativo e judiciário para arbitrar os conflitos surgidos entre as nações, e que cada nação deveria se submeter à obediência às ordens dadas por esse organismo legislativo, aceitar irrestritamente suas decisões e colocar em prática todas as medidas que o tribunal considerasse necessárias para a execução de seus decretos. Ele nos apresenta então, o fato de que um tribunal é uma instituição humana que “em relação ao poder de que dispõe, é inadequada para fazer cumprir seus veredictos, está muito sujeito a ver suas decisões anuladas por expressões extrajudiciais“, sendo isso uma dificuldade para a efetividade de tal organismo. Einstein ainda argumenta que a busca pela segurança internacional, e o fim das guerras, envolve a renúncia incondicional, de todas as nações, à sua liberdade de ação, e à sua soberania, tendo suas ações limitadas.

Einstein nos diz que parece haver “fatores psicológicos de peso“, que impedem qualquer esforço para alcançar tal renúncia e, consequentemente, o fim das guerras. Como um desses fatores psicológicos, ele nos apresenta o “intenso desejo de poder“, que a classe governante das nações nutrem, e que esse desejo não tem limites.

Einstein se questiona como que a minoria dominante consegue fazer com que a maioria, a massa, sofra com uma situação de guerra, a serviço da ambição de poucos. Além da utilização de meios de dominação usados pela minoria dominante para dobrar a vontade da maioria, como as escolas, a imprensa e, até mesmo, a igreja, Einstein chega à uma outra ideia que, segundo ele, influencia na adesão das massas a guerra, a ponto de se sacrificarem pela minoria. Segundo seu argumento, o homem encerra dentro de si um desejo de ódio e destruição. “Em tempos normais, essa paixão existe em estado latente, emerge apenas em circunstâncias anormais; é, contudo, relativamente fácil despertá-la e levá-la à potência de psicose coletiva“. Segundo ele, esse extinto agressivo do homem também opera sob outras formas e em outras circunstâncias.

Segundo o que Einstein nos apresenta, e o que a história nos ensina, a ambição humana, o desejo de se impor sobre o outro, a busca incansável pelo poder a qualquer custo, a falta de amor e respeito ao semelhante, movidos por um instinto de destruição e ódio, são alguns fatores que levam os homens à guerra, e que, para evitar tais consequências, os homens, as nações, devem buscar fazer aquilo que para muitos parece ser quase impossível; obedecer as leis, e abrir mão de sua potência, de sua liberdade de agir independentemente de leis, abrir mão de sua soberania, ou seja, controlar, mesmo que por força de lei, seus instintos e desejos mais egoístas e destrutivos.

As leis sempre foram um meio de limitar a potência de alguns para proteger os direitos de outros mais fracos, mas, como na dificuldade encontrada pelo próprio Einstein, o tribunal é formado de homens, e que esses sempre tendem a ser influenciados por questões extrajudiciais, e o próprio desejo poder, também se encontra aqui como um grande fator de influência.

Para viver em unidade, seja nas relações na comunidade local, em âmbito nacional, ou internacional, o outro sempre deverá ser levado em consideração e ser respeitado. Quando uma pessoa, nação, ou nações, passam por cima de todas as leis e considerações ao próximo para impor suas próprias vontades, conflitos e guerras serão sempre inevitáveis.

Wanderson Reginaldo Monteiro
– Vencedor do Prêmio “Marilene Godinho” de Literatura 2016 (Conto) e 2017 (Crônica)
(São Sebastião do Anta – MG)
 Texto obtido na internet.

Agradecimento ao mentor do curso de Filosofia Espírita - IFEVALE - Estevão Pereira

Pedi e Obtereis - cap XXVII - Evangelho Segundo o Espiritismo

"... Não afeteis orar muito em vossas preces, como fazem os gentios, que pensam ser pela multidão de palavras que serão atendidos. Não vos torneis, pois, semelhantes a eles, porque vosso Pai sabe do que necessitais antes de o pedirdes.
Quando vos apresentais para orar, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoais-lhe, a fim de que vosso Pai que está nos Céus, perdoe também vossos pecados. Se vós não perdoais, vosso Pai que está nos Céus, não vos perdoará também vossos pecados."
- A prece, é poderosa arma que Deus nos oferece para vencermos as dificuldades do dia-a-dia. Através dela podemos mobilizar o auxílio dos espíritos de luz, que certamente virão em nosso socorro. Por meio da oração, orientamos o nosso pensamento em uma linha positiva. O "pedi e obtereis", que Jesus nos ensinou, reflete a linha de ação e reação, a que todos estamos sujeitos. Se tivermos bons pensamentos. Agora, se formos derrotistas, atrairemos espíritos trevosos que sabem muito bem aproveitar-se dos nossos momentos de fraqueza. Por meio da prece, mantemos o nosso espírito iluminado, evitando as más influências.

Não podemos esquecer, também, que para pedirmos temos que ter merecimento. Como Jesus nos disse, é necessário perdoarmos antes de pedir, pois o Pai é justiça e sabedoria. Sendo justiça, ele não pode dar a quem não faz por merecer. Através das dificuldades, Deus nos lembra que também precisamos de auxílio e de amparo, e que vivemos em sociedade, sendo que somos todos iguais e que todos somos merecedores de respeito mútuo. Aquele que acredita que não precisa perdoar, não recebe as bênçãos que pede a Deus, pois por ser egoísta não é digno de ser atendido.

Agora aquele que tem fé e segue os ensinamentos cristãos, respeitando e perdoando seu semelhante, seja quem for, este, com certeza, será atendido em seu pedido.

É importante lembrar que a prece deve ser resultado da intenção de nossos corações. Jamais devemos realizar uma prece decorada, sem sentimento. Devemos realizar as nossas próprias orações! A nossa oração pode ser realizada com palavras humildes e desarranjadas, desde que seja com pureza de sentimentos e intenções. Mais vale, para o Pai, uma oração precária, mas de coração, do que a mais bela composição literária, mas fria e decorada.

Trecho extraído do livro A História de um Anjo - Roger Bottini Paranhos - cap 21

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Assim falou Jesus




Cap. VI – Item 1

Disse o Mestre: “Buscai e achareis.”
Mesmo nos céus, você pode fixar a atenção na sombra da nuvem ou no brilho da estrela.

Afirmou o Senhor: “Cada árvore é conhecida pelos frutos.”
Alimentar-se com laranja ou intoxicar-se com pimenta é pro-
blema seu.

Proclamou o Cristo: “Orai e vigiai para não entrardes em tentação, porque o espírito, em verdade, está pronto, mas a carne é fraca.”
O espírito é o futuro e a vitória final, mas a carne é o nosso próprio passado, repleto de compromissos e tentações.

Ensinou o Mentor Divino: “Não condeneis e não sereis condenados.”
Não critique o próximo, para que o próximo não critique a você.

Falou Jesus: “Quem se proponha conservar a própria vida, perdê-la-á.”
Quando o arado descansa, além do tempo justo, encontra a ferrugem que o desgasta.

Disse o Mestre: “Não vale para o homem ganhar o mundo inteiro, se perder sua alma.”
A criatura faminta de posses e riquezas materiais, sem trabalho e sem proveito, assemelha-se, de algum modo, a pulga que desejasse reter um cão para si só.

Afirmou o Senhor: “Não é o que entra pela boca que contamina o homem.”
A pessoa de juízo são come o razoável para rendimento da vida, mas os loucos ingerem substâncias desnecessárias para rendimento da morte.

Ensinou o Mentor Divino: “Andai enquanto tendes luz.”
O corpo é a máquina para a viagem do progresso e todo relaxamento corre por conta do maquinista.

Proclamou o Cristo: “Orai pelos que vos perseguem e caluniam.”
Interessar-se pelo material dos caluniadores é o mesmo que se adornar você, deliberadamente, com uma lata de lixo.

Falou Jesus: “A cada um será concedido segundo as próprias obras.”
Não se preocupe com os outros, a não ser para ajudá-los; pois que a lei de Deus não conhece você pelo que você observa, mas simplesmente através daquilo que você faz.

André Luiz

A poesia perdida



Cap. VI – Item 4 

O consolador é a onipresença de Jesus na Terra.

Ao influxo da Benemerência Celeste, ele asserena os gestos impensados das criaturas que gemem esporeadas pelas provações; aplaca os gritos blasfemos que se elevam de muitas bocas com requintes insaciáveis de orgulho; recompõe os rostos incendidos pelo fogo de multifárias paixões e soergue os proscritos do remorso que se escondem nas dores devoradoras, desmemoriados na retificação que o destino lhes retraça.

O Consolador
Prometido!... Sursum corda!Res, non verba!...
Seguindo-lhe os ditames, jamais desfeches o alvo em mira, pois os olhos voltívolos não podem fixar os painéis vislumbrados nos cimos.

Recorda que todas as cenas humanas têm seus bastidores espirituais.

 Se vives em ânsia de paz interior, sustém o império sobre ti mesmo.

Espaneja em ti a carusma dos preconceitos que te dançam na mente, qual poeira de sombra, entenebrecendo-te a razão.

Recoloque os ideais com novas tintas de alegria, esperança e coragem, no combate aos erros bastas vezes milenares.

Estende um pensamento bom aos cépticos transviados no dédalo das indagações contraditórias, ferretoados no duelo interior da
dúvida.

Foge à voz bramidora da censura para que os teus lábios festejem os ouvidos alheios com expressões de conselho e acentos de consolo.

Borda a palavra com doçura e repete mansamente a própria benção quando a tua voz se perca entre os clamores dos que passam a vociferar rebeldia e avançam espavoridos por veredas em chamas.

Socorre a mães desditosas, cujos filhinhos doentes vertem lágrimas a se transmutarem nos livores macilentos da morte.
Afaga, ao calor das frases de fraternidade revigoradora, as têmporas encanecidas e latejantes que te suplicam algum óbolo de carinho.

Desfaze o véu do pranto de agonia de quem chora às ocultas, no sarcófago das trevas de si mesmo.

Derrama preces confortativas entre os peregrinos da morte que não se resguardaram para a Grande Viagem e carreiam o coração em atropelos, de espanto a espanto, ante a perpetuidade da vida.

Em toda estrada vicejam alfombras de sorrisos e chovem lágrimas de aflição, mas o amor, com o Cristo-Jesus, recupera a poesia perdida ao longo do nosso caminho, pois só ele transforma o miasma em perfume, o incêndio em luz, o espinho em flor, o deserto em jardim e a queda em ascensão.

Manuel Quintão


Discípulos do Cristo




Cap. VI – Item 3

Somos discípulos do Cristo.
Mas, repetindo com Ele a sublime afirmação: – “Pai nosso que estais no céu”, esperamos que Deus se transforme em nosso escravo particular, atento às nossas ilusões e caprichos.

Somos discípulos do Cristo.
Contudo, redizendo junto a Ele as inesquecíveis palavras de submissão ao Criador: – ”Seja feita a vossa vontade”, assemelhamo-nos a vulcões de imprecações, sempre que nos sintamos contrariados na execução de pequeninos desejos.

Somos discípulos do Cristo.
Entretanto, refazendo com Ele a súplica ao Pai de Infinito Amor: – ”o pão de cada dia dai-nos hoje”, reclamamos a carcaça do boi e a safra do trigo exclusivamente para a nossa casa, esquecendo-nos de que, ao redor de nossa mesa insaciável, milhares de companheiros desfalecem de fome.

Somos discípulos do Cristo.
Todavia, depois de implorar com o Sábio Orientador à Eterna Justiça: – “perdoai as nossas dívidas”, mentalizamos, de imediato, a melhor maneira de cultivar aversões e malquerenças, aperfeiçoando, assim, os métodos de odiar os mais fortes e oprimir os mais  fracos.

Somos discípulos do Cristo.
No entanto, mal acabamos de pedir a Deus, em companhia do Grande Benfeitor: – “Não nos deixeis cair em tentação”, procuramos, por nós mesmos, aprisionar o sentimento nas esparrelas do vício.

Somos discípulos do Cristo.
Contudo, rogando ao Todo-Poderoso, junto do Inefável Companheiro: – “livrai-nos de todo mal”, construímos canhões e fabricamos bombas mortíferas para arrasar a vida dos semelhantes.

Somos discípulos do Cristo.
Mas convertemos o próximo em alimária de nossos interesses escusos, olvidando o dever da fraternidade, para desfrutarmos, no mundo, a parte do leão.
É por isso que somos, na atualidade da Terra, os cristãos incrédulos, que ensinam sem crer e pregam sem praticar, trazendo o cérebro luminoso e o coração amargo.
E é assim que, atormentados por dificuldades e crises de toda espécie – aflitiva colheita de velhos males –, cada qual de nós tem necessidade de prosternar-se perante o Mestre Divino, à maneira do escriba do Evangelho, guardando n’alma o próprio sonho de felicidade, enfermiço ou semimorto, a exorar em contraditória rogativa:
– ”Senhor, eu creio! Ajuda a minha incredulidade!”

Jacinto Fagundes
Livro O Espírito da Verdade – espíritos diversos – Francisco Cândido Xavier

Estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo - cap VI - O Cristo Consolador - Instruções dos Espíritos - Advento do Espírito da Verdade

ESPÍRITO DE VERDADE
Paris, 1860
                                                          
Venho, como outrora, entre os filhos desgarrados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas. 

Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, deve lembrar os incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar as plantas e que levanta as ondas. Eu revelei a doutrina divina; e, como um segador, liguei em feixes o bem esparso pela humanidade, e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis!”

Mas os homens ingratos se desviaram da estrada larga e reta que conduz ao Reino de meu Pai, perdendo-se nas ásperas veredas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana. Ele quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, ou seja, mortos segundo a carne, porque a morte não existe, sejais socorridos, e que não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a voz dos que se foram, faça-se ouvir para vos gritar: Crede e orai! Porque a morte é a ressurreição, e a vida é a prova escolhida, durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer e desenvolver-se como o cedro.

Homens fracos, que vos limitais às trevas de vossa inteligência, não afasteis a tocha que a clemência divina vos coloca nas mãos, para iluminar vossa rota e vos reconduzir, crianças perdidas, ao regaço de vosso Pai.

Estou demasiado tocado de compaixão pelas vossas misérias, por vossa imensa fraqueza, para não estender a mão em socorro aos infelizes extraviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. 

Crede, amai, meditai todas as coisas que vos são reveladas; não misturem o joio ao bom grão, as utopias com as verdades.

Espíritas; amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele se enraizaram são de origem humana; e eis que, de além túmulo, que acreditáveis vazios, vozes vos clamam: Irmãos! Nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal; sede os vencedores da impiedade!

*
ESPÍRITO DE VERDADE
Paris, 1861

             Venho ensinar e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem sua resignação ao nível de suas provas; que chorem, porque a dor no Jardim das Oliveiras, mas que esperem, porque os anjos consoladores virão enxugar as suas lágrimas.

            Trabalhadores, traçai o vosso sulco. Recomeçai no dia seguinte a rude jornada da véspera. O trabalho de vossas mãos fornece o pão terreno aos vossos corpos, mas vossas almas não estão esquecidas: eu, o divino jardineiro, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, quando a trama escapar de vossas mãos, e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis surgir e germinar em vós a minha preciosa semente. Nada se perde no Reino de nosso Pai. 

Vossos suores e vossas misérias formam um tesouro, que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas, e onde o mais desnudo entre vós será talvez o mais resplandecente.
           
 Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são os meus bem-amados. Instrui-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos ensina o objetivo sublime da prova humana. Como o vento varre a poeira, que o sopro dos Espíritos dissipe a vossa inveja dos ricos do mundo, que são freqüentemente os mais miseráveis, porque suas provas são mais perigosas que as vossas. Estou convosco, e meu apóstolo vos ensina. Bebei na fonte viva do amor, e preparai-vos, cativos da vida, para vos lançardes um dia, livres e alegres, no seio daquele que vos criou fracos para vos tornar perfeitos, e deseja que modeleis vós mesmos a vossa dócil argila, para serdes os artífices da vossa imortalidade.                                        

*
ESPÍRITO DE VERDADE
Bordeaux, 1861

             Eu sou o grande médico das almas, e venho trazer-vos o remédio que vos deve curar. Os débeis, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos, e venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, todos vós que sofreis e que estais carregados, e sereis aliviados e consolados. Não procureis alhures a força e a consolação, porque o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige aos vossos corações um apelo supremo através do Espiritismo: escutai-o. Que a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade, sejam extirpados de vossas almas doloridas. São esses os monstros que sugam o mais puro do vosso sangue, e vos produzem chagas quase sempre mortais. Que no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis sua divina lei. Amai e orai. Sede dócil aos Espíritos do Senhor.

 Invocai-o do fundo do coração. Então, Ele vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e vos dizer estas boas palavras: “Eis-me aqui; venho a vós, porque me chamastes!

*
ESPÍRITO DE VERDADE
Havre, 1863

            Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que a suplicam. Seu poder cobre a Terra, e por toda parte, ao lado de cada lágrima, põe o bálsamo que consola. O devotamento e a abnegação são uma prece contínua e encerram profundo ensinamento: a sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender estas verdades, em vez de reclamar contra as dores, os sofrimentos mortais, que são aqui na Terra o vosso quinhão. Tomai, pois, por divisa, essas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõe. O sentimento do dever cumprido vos dará a tranqüilidade de espírito e a resignação. O coração bate melhor, a alma se acalma, e o corpo já não sente desfalecimentos, porque o corpo sofre tanto mais, quanto mais profundamente abalado estiver o espírito.

Segundo o Espiritismo - cap VI O Cristo Consolador - O Consolador Prometido

Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João, XIV: 15 a 17 e 26)

             Jesus promete outro consolador: é o Espírito da Verdade, que o mundo ainda não conhece, pois que não está suficientemente maduro para compreendê-lo, e que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para fazer lembrar o que Cristo disse. Se, pois, o Espírito da Verdade deve vir mais tarde, ensinar todas as coisas, é que o Cristo não pode dizer tudo. Se ele vem fazer lembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi esquecido ou mal compreendido.

            O Espiritismo vem, no tempo assinalado, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito da Verdade preside ao seu estabelecimento. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. O Cristo disse: “que ouçam os que têm ouvidos para ouvir”. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque ele fala sem figuras e alegorias. Levanta o véu propositalmente lançado sobre certos mistérios, e vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, ao dar uma causa justa e um objetivo útil a todas as dores.

            Disse o Cristo: “Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão consolados”. Mas como se pode ser feliz por sofrer, se não se sabe por que se sofre?

            O Espiritismo revela que a causa está nas existências anteriores e na própria destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Revela também o objetivo, mostrando que os sofrimentos são como crises salutares que levam à cura, são a purificação que assegura a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer, e acha justo o sofrimento. Sabe que esse sofrimento auxilia o seu adiantamento, e o aceita sem queixas, como o trabalhador aceita o serviço que lhe assegura o salário. O Espiritismo lhe dá uma fé inabalável no futuro, e a dúvida pungente não tem mais lugar na sua alma. Fazendo-o ver as coisas do alto, a importância das vicissitudes terrenas se perde no vasto e esplêndido horizonte que ele abarca, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem, para ir até o fim do caminho.

            Assim realiza o Espiritismo o que Jesus disse do consolador prometido: conhecimento das coisas, que faz o homem saber de onde vem, para onde vai e porque está na Terra, lembrança dos verdadeiros princípios da lei de Deus, e consolação pela fé e pela esperança.

O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap VI O Cristo Consolador - O Julgo Leve


Vinde a mim, todos os que andam em sofrimento e vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus, XI: 28-30)

            Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perdas de seres queridos, encontram sua consolação na fé no futuro, e na confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, pelo contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições pesam com todo o seu peso, e nenhuma esperança vem abrandar sua amargura. Eis o que levou Jesus a dizer: “Vinde a mim, vós todos que estais fatigados, e eu vos aliviarei”.

            Jesus, entretanto, impõe uma condição para a sua assistência e para a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição é a da própria lei que ele ensina: seu jugo é a observação dessa lei. Mas esse jugo é leve e essa lei é suave, pois que impõe como dever o amor e a caridade.


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A Consciência





A mente é uma aculdade do espírito e não do cérebro, e é formada pelo pensamento, sentimento e vontade.
Herdeiros de si mesmo, das experiências passadas, evoluímos por etapas, adquirindo novos recursos, corrigindo erros anteriores, somando conquistas.
Jamais retrocedemos nesse processo, mesmo quando aparentemente reencarnamos dentro das paredes da enfermidade limitadora que bloqueiam o corpo, a mente ou a emoção, gerando sofrimentos. A aquisição da consciência é desafio da vida, é o autoconhecimento que merece exame, consideração, trabalho, discernimento, lucidez e livre-arbítrio.
Nós, como Espíritos, voltamos várias vezes, tomando novo corpo de carne sobre a Terra, a fim de tornar a conviver como homem na sociedade e, exatamente como este, somos levados a trocar de roupa muitas vezes.
As qualidades morais, assim como as intelectuais, dependem do Espírito, nunca do corpo. Amor, bondade, ternura, caráter e outras qualidades têm a sua origem na organização espiritual, que iniciou simples e ignorante, mas aprendeu viajando pelos caminhos da imortalidade.
A conscientização da imperfeição humana e da brevidade da vida física nos conduz à humildade, reconhecendo a transitoriedade das condições materiais, a constante impermanência dos cargos, das classes, das posses e de tudo o mais, no que o eu adoecido se apoie para justificar-se senhor.
Joanna de Ângelis nos diz “a mudança de atitude em relação à vida e aos relacionamentos em nosso trabalho de edificação, torna-se o recurso mais produtivo que nos dá equilíbrio e nos liberta das cargas conflitivas”.
Ao nos tornarmos conscientes, podemos viver em harmonia com a nossa própria natureza. Tomaremos conhecimento da origem dos nossos conflitos, possibilitando assim uma expansão constante de nossa consciência. Quando nos propomos a um autoexame honesto, encontramos uma força interior na qual residem todas as possibilidades de renovação.
À medida que o Espírito se aprimora, o corpo torna-se mais etéreo ou menos denso, demonstrando o seu grau de sintonia com a centelha Divina. A realidade espiritual pouco a pouco se revela, conforme a evolução do próprio ser, no seu processo de lapidação de valores e despertamento das leis que, na consciência, dormem ocultos.
Devemos olhar para nossa realidade como ela é, aceitando-nos sem culpa e sem compactuar com nossa inferioridade; também devemos evitar fugir através de justificativas a respeito do nosso passado ou expectativas vazias do futuro. É importante reconhecer que o passado está gerando frutos no presente e que o futuro aponta para novos ideais; isto deve ser feito de forma equilibrada, não nos esquecendo de que o trabalho se faz nesse instante com a realidade atual.
Somos resultado deste estado mental, no qual o pensamento, orientado pela vontade e intensidade dos nossos sentimentos, tem a força de construir ou destruir em todos os momentos da nossa vida.
Estamos sempre sintonizados e criando alguma coisa, seja para o bem ou para o mal. 
Uma das atitudes essenciais para o nosso aprimoramento é a ligação mental com Deus; junto com a aceitação de nós mesmos, temos que buscar a unidade com nosso Pai para que nossas forças espirituais possam ser alimentadas e sejamos inspirados na busca do melhor.
Buscando essa ligação íntima, estamos buscando o encontro com a Fonte da Vida que nos sustenta.
Sem o devido cuidado conosco, através do amor por nós enquanto filhos do Amor Maior, não poderemos estabelecer o amor com os demais. Amar a si é buscar o entendimento da nossa realidade, é ter a consciência de nossa condição espiritual e da capacidade da nossa mente.
Experimentemos a alegria e entreguemo-nos a Deus, cantando um hino de louvor. Permitamos, dessa forma, que Ele nos liberte da opressão da ignorância, facultando-nos a alegria da felicidade.
Portanto, no dia em que assumirmos nossa pequenez frente à Grandeza Divina, aquele eu enganado conseguirá abrir espaço para a presença do eu interior e, então, promoveremos o processo de Cristificação, imortalizada na frase do grande Apóstolo do Cristo “Eu vivo, mas não sou mais eu: O Cristo vive em mim”. 

Bibliografia:
Peralva, Martins. O pensamento de Emmanuel. 9ª edição, Rio de Janeiro, 2011, ED FEB. Pág.: 141, 142, 145.
Franco, Divaldo – pelo Espírito de Joanna de Ângelis. Refletindo a Alma. 1ª edição, Salvador, 2011, ED LEAL. Pág.: 68, 73, 76, 88, 194, 195, 206, 212, 213, 275, 276.
Franco, Divaldo. A mente pensa sem o cérebro após a morte do corpo. Carta psicografada. 18/11/97. Porto Alegre.
Franco, Divaldo – pelo Espírito Joanna de Ângelis. Momentos de alegria - A Consciência (cap. 5). 4ª edição, Salvador, 2014, ED. LEAL.


por Temi Mary Faccio Simionato
http://www.oconsolador.com.br/ano11/531/ca8.html

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