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domingo, 14 de janeiro de 2018

O Objetivo da Vida

Jesus, quando viu chegada a hora derradeira, despediu-se de seus discípulos afirmando: “no mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (1)

Vencer o mundo, nas palavras de Jesus, é vencer-se a si mesmo.

O insigne codificador do Espiritismo perguntou aos Espíritos Superiores, encarregados de nos trazer a terceira revelação da lei de Deus:

— Qual o meio mais prático e eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? (2)

As entidades sublimadas lhe responderam, por intermédio das insipientes jovens que fizeram o intercâmbio, denominadas por Allan Kardec de médiuns, criando assim o neologismo:

— Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.

Ao dar essa resposta, o espírito se referiu ao sábio Sócrates, pai da filosofia grega, que viveu no século V, antes do Cristo.

Kardec, não se bastando com a resposta, volta a inquirir:

— Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém, a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo? (3)

Nesse momento, apresenta-se o espírito que está respondendo a essa questão: Santo Agostinho, considerado um dos pais da igreja católica, que participou, como um dos convidados por Jesus, no surgimento do Espiritismo, dando sua assinatura, nos prolegômenos de O Livro dos Espíritos, juntamente com outros Espíritos Superiores. (4)

Nessa pergunta, desdobrada por Kardec, Santo Agostinho mostra como fez para conhecer-se a si mesmo, dando-nos a receita:

— Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma.

A resposta é longa e belíssima, aqui não comporta transcrevê-la. Porém, compensa lê-la na íntegra.

Ele esclarece que conhecer-se si mesmo é a chave do progresso individual.

A paz será conseguida quando buscarmos conhecer a nós mesmos com firmeza de propósito, sem esmorecimento, na certeza de que o reino do bem ou do mal encontra-se em nós e não em objetos exteriores.

Jesus convidou-nos a segui-lo, sem prometer algo em troca, dizendo: Quem não toma a sua cruz e vem após mim, não é digno de mim. Quem acha a sua vida, perdê-la–á; quem, todavia, perde a vida por minha causa, achá-la-á. (5)

Perder a vida por causa de Jesus significa que quem quer conservar os desejos e as necessidades do corpo, vendo nisso a finalidade da existência, ficará obrigado a recomeçar suas provações numa nova encarnação. Renunciar a nós mesmos é, sobretudo, renunciar aos nossos defeitos. A vida do espírito é a única existência real.

Tomar nossa cruz é aceitar sem murmurações, com resignação, e tendo o reconhecimento de que as provações por que passamos são necessárias à nossa missão principal: evoluir.

Jesus, o divino modelo, aceitou as provações para o progresso de todos, sem merecer, sem culpa nenhuma a sofrer, como lição e exemplo em prol da nossa jornada para a suprema felicidade para a qual todos fomos criados.

A transformação em nosso planeta se faz necessária. O nosso Brasil passa por momentos difíceis. A nossa participação é fundamental. Cada um de nós é responsável por essa mudança, como célula da sociedade. O nosso pensamento gera a atitude, a atitude proporciona a ação e por meio da ação atingimos o resultado. Se os resultados não estão bons, invertamos o caminho mudando nossas ações com novas atitudes e novo modo de pensar.

Agindo com bom senso, pensando no bem de todos, construiremos um mundo melhor.
Em O Livro dos Espíritos, as entidades sublimadas deixaram escrito o roteiro para a felicidade:

 FAZER O BEM CONSTITUI O OBJETIVO ÚNICO DA VIDA. (6)

Muita paz!

Notas bibliográficas:
1 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – João, 16, 33.
2 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Questão 919.
3 – Idem, ibidem – Questão 919a.
4 – Idem, ibidem – Prolegômenos.
5 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Mateus, 10, 38 e 39.
6 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Questão 860.

Fonte http://www.correioespirita.org.br/categorias/filosofia-e-espiritismo-correio-espirita/1865-o-objetivo-da-vida

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 4 CAP 6

RELIGIÕES MONOTEÍSTAS (JUDAÍSMO - CRISTIANISMO - ISLAMISMO)

BIBLIOGRAFIA
O LIVRO DAS RELIGIÕES - Jostein Gaarder - Cia. de Bolso
A CAMINHO DA LUZ - Francisco Cândido Xavier - Edit. FEB

SITES:
www.islamismo.com.br
www.judaismo.br
www.spírito.org.br

REFLEXÃO
ABRAÃO IMAGINAVA ISSO?
Em Isaías 51,2 - o Abraão dos judeus:
Olhai para Abraão, vosso pai e para Sara, aquela que vos deu a luz. Ele estava só quando o chamei, mas eu o abençoei e o multipliquei.

Em João 8. 39-40 - o Abraão dos cristãos:
Responderam-lhe: "nosso pai é Abraão"e disse-lhe Jesus: "se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão. Vós porem, procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isso Abraão não fez.
Corão, sura 2, 129 - o Abraão dos muçulmanos:
Eles dizem: "aceita a fé judaica ou cristã e terás a orientação correta". Dizei então: "De maneira nenhuma! Nós cremos na fé de Abraão, o correto. Ele não era idólatra".
Todos citam um mesmo Abraão e porque se diferenciam tanto?

1 PARTE: INTRODUÇÃO
Atualmente o Cristianismo e o Islamismo são as duas maiores religiões do mundo em numero de adeptos com aproximadamente 30% e 20% da população mundial. Os Judaísmos contêm 20 milhões de seguidores (04% da população mundial) sendo que quase a metade deles vivem nos Estados Unidos.
Um traço característico destas religiões em relação as demais existentes no mundo é a sua parcialidade, seu sectarismo, possessividade, agressividade e proselitismo sem contar o caráter até belicoso em contradição com aquilo que pregam.
Elas apresentam uma forte tendência sectarista se apresentando cada uma delas como sendo a portadora da verdade ou como tendo o seu povo como o escolhido por Deus.
A história da humanidade é permeada de guerras e lutas de caráter religioso principalmente nos lugares onde predominam essas religiões.

3 PARTE: JUDAÍSMO
Foi depois do retorno da Babilônia (539 aC) que começou a se desenvolver a religião que costumamos chamar de Judaísmo e a partir desta data que eles se tornaram conhecidos como judeus.
Três foram os homem que serviram de referencia para a história do povo hebreu: Abraão (2800 aC), Moisés (1300 aC) e Davi (1000 aC).
O livro sagrado cristão (Bíblia) contém grande parte da história e religião do povo hebreu e devido a isso ele se torna conhecido mundialmente visto o cristianismo ser sua maior fonte de divulgação.
Um judeu é alguém, ou descendente de alguém, que aceita voluntariamente a obrigação de cumprir os Mandamentos de Deus na Torá Escrita e Oral. A aceitação pode ter sido no Monte Sinai ou a qualquer tempo, como um ato de conversão. No entanto, como resultado desta aceitação, ele e seus descendentes devem cumprir um ato de conversão. No entanto, como resultado desta aceitação, ele e seus descendentes devem cumprir estes Mandamentos. Isso tudo em caráter pessoal.
O Judaísmo tem por base a crença de que Deus fez uma aliança especial, um pacto, com seu povo escolhido, o povo hebreu, e isso ocorreu em pelo menos  duas vezes: com Abraão e depois com Moisés no Monte Sinai.
Para os judeus, os eventos históricos como Adão e Eva, Noé e o dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra e o episódio da Torre de Babel, são entendidos como uma expressão de vontade de Deus. Sob essa óptica a História do homem  e a religião judaica têm íntima relação.
O judaísmo acredita em um Deus único, onipotente e onisciente, que criou o mundo e os homens. Esse Deus fez um pacto com os hebreus, tornando-os o seu povo escolhido e prometeu-lhes uma terra. O Judaísmo possui fortes características étnicas, nas quias nação e religião se mesclam.
O Templo de Jerusalém, local de grande representação para os judeus, foi construído por Salomão no período áureo da civilização hebraica (reinados de Davi e Salomão), em torno de 1000 aC. A vida do judeu girava em torno do Templo foi destruído pela primeira vez durante a conquista babilônica em 587 aC e reerguido em 516 aC no retorno desse povo do exílio. O Templo foi ampliado e reformado por Herodes, o Grande, pouco antes de Jesus. No ano 70 dC uma revolta dos judeus contra os romanos fez que os invasores destruíssem novamente o Templo e proporcionasse e eles uma diáspora em torno do território romano e mesmo fora dele.
A expectativa dos judeus era de um messias que os libertasse dos que os subjulgavam e que trouxesse os anos de glória da época do rei Davi.

4 PARTE: AS SAGRADAS ESCRITURAS JUDAICAS
A bíblia judaica equivale ao Antigo Testamento da bíblia cristã, organizada de forma distinta. Alguns judeus, principalmente os ortodoxos observam estritamente a lei de Moisés ou a Tora (os cinco primeiros livros da Bíblia) em vez de o livro todo.
Moisés recebeu de Deus não apenas a lei escrita (a Tora), mas também a lei falada (o Talmud). Esta deveria se adaptar as condições de vida em diferentes locais e épocas. O cânone judaico, Tenakh (nome judaico para a Bíblia) foi fixado por um concílio por volta do ano 100 dC e compreende 24 livros divididos em 3 grupos:
1-) a Lei (Torá) - os 5 livros de Moisés ou Pentateuco,
2-) os profetas (Neviim) - os livros históricos e proféticos e
3-) os escritos (Ketuvim) - os demais livros
Consta que os cinco livros de Moisés não foram escritos por ele, mas posterior a ele e tem vários autores. A história contida nesses livros foi transmitida oralmente e sendo registrado progressivamente se completando em torno de 400 aC. A divisão em cinco livros foi feita na ocasião de sua tradução do hebraico para o grego em 200 aC. As leis básicas e os princípios do Judaísmo derivam da Tora: gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
Gênesis: Trata da origem da Criação, do mundo terreno e do homem. Através de uma narrativa simbólica, o autor narra simbolicamente as fases do surgimento do universo, da Terra e dos seres.
Êxodo: Descreve os principais episódios da libertação do povo hebreu, após a escravidão de quatrocentos anos no Egito.
Levítico: Contém as instruções destinadas à orientação dos cultos.
Números: Relata parte da história da peregrinação do hebreus no deserto em direção a Canaã, a terra prometida e traz informações sobre um censo realizado apurando as pessoas que fizeram a viagem depois da fuga do Egito.
Deuteronômio: É um código de leis promulgadas por Moisés com a finalidade de reorganizar a vida social do povo. Neste livro, entre inúmeras outra leis incompatíveis com os povos de hoje, encontramos a proibição referente ao contato com os "mortos". Tal prática era comum entre os egípcios, realizadas de forma desrespeitosas e fútil. O legislador achou por bem proibir essas atividades .
Mais tarde, porém, o próprio Moisés, autor dessa proibição, na condição de "morto", aparece e conversa com Jesus, no episódio da transfiguração no monte Tabor.

5 PARTE: ISLAMISMO
Religião monoteísta baseada nos ensinamentos de Maomé (chamado O Profeta), contidos no livro sagrado islâmico, o Alcorão. A palavra islã significa submeter-se e exprime a obediência à lei e à vontade de Alá (Allah, Deus em árabe). Seus seguidores são chamados muçulmanos - muslim, em árabe, aquele que se subordina a Deus. Fundado na religião da atual Arábia Saudita, o islamismo é a segunda maior religião do mundo. Perde apenas para o cristianismo em número de adeptos. Seus fiéis se concentram, sobretudo no norte da África e na Ásia.
O Islamismo nasceu  no mundo árabe e o Corão foi escrito primeiramente nesse idioma, mas atualmente os seguidores do islamismo em sua maioria não são árabes. Assim como existem árabes que não são muçulmanos, são cristãos.
O Corão (do árabe al-qur'ãn, leitura) é a coletânea das revelações divinas recebidas por Maomé de 610 a 632. É dividido em 114 suras (capítulos), ordenadas por tamanho. Seus principais ensinamentos são a onipotência de Deus e a necessidade de bondade, generosidade e justiça nas relações entre as pessoas. Neles estão incorporados elementos fundamentais do judaísmo e do cristianismo, além de antigas tradições religiosas árabes. O Corão inclui muitas das histórias do Antigo Testamento judaico e cristão como a de Adão e Eva. Tem ensinamentos divinos e regras de convivência.
A vida religiosa do muçulmano tem práticas definidas pela Sharia, o caminho que o muçulmano deve seguir na vida. A Sharia define normas de conduta, comportamento e alimentação, além dos chamados pilares da religião. O primeiro pilar é a shahada ou profissão de fé: Não há outro Deus a não se Alá,e Maomé é seu profeta. Esse testemunho é a chave da entrada do fiel para Islamismo. O segundo pilar são as cinco orações diárias comunitárias (slãts), durante as quais o fiel deve ficar ajoelhado e curvado em direção a Meca. Às sextas-feiras realiza-se um sermão de um verso do Alcorão, de conteúdo moral, social ou político. O terceiro pilar é a uma taxa chamada zakat. Único tributo permanente ditado pelo Alcorão é pago anualmente em grãos, gado ou dinheiro.É empregado no auxilio aos pobres e no resgate de muçulmanos presos em guerras. O quarto pilar consiste em cumprir o jejum completo nos dias do mês de Ramadã. O quinto pilar é o hajj ou a peregrinação a Meca, que precisa ser feita pelo menos um vez na vida por todo muçulmano que tenha condições físicas e econômicas para realizá-la.
O Islamismo não tem uma classe sacerdotal organizada e não há distinção entre religião e política.

6 PARTE: A REVELAÇÃO A MAOMÉ
Deus falou ao homem por intermédio de seu profeta Maomé, o último a vir depois de Adão, Abraão, Moisés, Davi e Jesus. Para Maomé os judeus haviam distorcido as sagradas escrituras e para dar fundamento a sua nova religião se reporta a Abraão e seu filho Ismael, antepassado dos árabes como sendo a verdadeira linhagem deu origem ao seu povo. Ensinou que Abraão e Ismael haviam reconstruído a sagrada Caaba (em Meca o santuário mais antigo do islã, pedra negra que fica incrustada numa das paredes e com enorme significado simbólico). Para os muçulmanos a Meca e a Caaba são o centro do mundo, pois que ela fora erigida por Adão, mas destruída pelo Dilúvio na época de Noé.
Quando Maomé deixa Meca e se  dirige a Medina (Hégira), onde havia uma grande população judaica ele ensinava que as orações deveriam ser realizadas com o rosto voltado para Jerusalém, o dia festivo da semana é a sexta-feira e não mais o shabat judeu ou sábado.
Segundo Maomé, os judeus, os cristãos e os politeístas haviam corrompido o monoteísmo original e Abraão.
O ataque mais severo de Maomé contra o Cristianismo se dirigiu a Trindade, que segundo ele, é uma quebra do monoteísmo puro. Portanto, o Corão islâmico é, literalmente, a palavra de Deus.

7 PARTE: CRISTIANISMO
Cristianismo é a religião dos  seguidores de Jesus Cristo, iniciada por suas pregações e as de seus apóstolos em meados do século I, na região do atual Estado de Israel. Tem origem no judaísmo e é atualmente a religião mais difundida no mundo, sendo predominante na Europa e nas Américas. O cristianismo divide-se em três ramos principais: catolicismo (o mais antigo, datado do século IV), Igreja Ortodoxa (de tradição oriental, que surge no século XI ao se separar da tradição romana) e o protestantismo (movimento do século XVI que dá origem a muita denominações).

8 PARTE: A DOUTRINA CRISTÃ
A fé cristã professa que o Deus criador, revelado a Abraão, a moisés e aos profetas judeus, envia à Terra seu filho como Messias (Cristo, em grego), o salvador. De acordo com a fé cristã, jesus é sacrificado em lugar dos homens, que perderam a graça de Deus e se distanciaram dele no início da criação do mundo. Após ter sido morto, ele ressuscita e oferece a dádiva da salvação e da vida eterna após a morte, a seu lado, no Céu, aos que se reaproximam de Deus, acreditam nele e seguem seus preceitos. Sua principal mensagem é da primazia do amor a Deus e aos demais seres humanos sobre
Os protestantes, também chamados de evangélicos principalmente no Brasil, dividem-se atualmente em três grupos de afinidade teológica. O do protestantismo histórico, criado a partir da reforma; pentecostal, surgido no começo do século XX, e o neopentecostal, o grupo mais recente. No Brasil, o protestantismo começa a se estabelecer no início do século XIX e hoje reúne o maior númerio de adeptos da américa do Sul.

9 PARTE: CONCLUSÃO
Judaísmo, Cristianismo e Islamismo são as tr6es grandes religiões de fé monoteísta. São fundadas na revelação histórica de um deus único, registrada nos livros sagrados: A Bíblia, para judeus e crstãos, e o Corão para os muçulmanos.
Essas três religiões alegam, de fato, uma origem comum; como adoradores do Deus de Abraão. Essa é uma opinião largamente espalhada já que todos reclamam ser a posteridade de Abraão (os judeus e islamicos segundo a carne e os Cristão espiritualmente), nós todos temos como Deus o Deus de Abrão e todos três de nós adoramos (cada um a seu modo, naturalmente) o mesmo Deus!
E, esse mesmo Deus constitui de alguma forma nosso ponto de unidade e de mútuo entendimento, e isso nos convida para uma relação fratenal, como o grande rabino Dr. Safram enfatizou, parafraseando o Salmo: Ó, como é bom ver os irmãos sentados juntos...".Alan Krambeck

10 PARTE - MÁXIMA/ LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA A PRÓXIMA AULA

Próxima aula:
Livro 4 cap.7 - Filosofias Esotéricas (Cabala - Teosofia - Ordem Rosacruz - Maçonaria)

Leitura:
O Livro das Religiões - Jostein Gaarder - companhia de Bolso

domingo, 7 de janeiro de 2018

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 4 CAP 5


RELIGIÕES ORIENTAIS (HINDUÍSMO - BUDISMO -TAOISMO -CONFUCIONISMO -XINTOÍSMO)
 (utilize o site ifevale.org.br) 
BIBLIOGRAFIA
RELIGIÕES E FILOSOFIAS -Edgard Armond - Edit. Aliança
O ESPIRITO DA FILOSOFIA ORIENTAL - Huberto Rohden - Edit Alvorada
O LIVRO DAS RELIGIÕES - Jostein Gaader - Cia das Letras

REFLEXÃO

O DEUS ORIENTAL
Certo dia foi ter com um exímio vidente da Índia um jovem que queria saber do grande iluminado o que era Deus. Em vez de responder à pergunta do jovem consulente, o mestre convidou para partilhar a vida dele por um ano. O jovem aceitou.
Durante esse ano, o sábio nunca discutiu com seu discípulo a questão da existência e da natureza de Deus, mas fê-lo tomar parte nas longas e profundas meditações de cada dia. No fim de ano ao despedir-se do jovem perguntou-lhe o iluminado se tinha ainda alguma dúvida.
- Nenhuma, respondeu o jovem ao mestre que lhe lembrou a pergunta feita a um ano atrás.
- Fui eu que perguntei tal coisa? Estranhou o jovem
- Certamente foi outro.

1 PARTE: OBJETIVO DESTA AULA
Esta aula tem por finalidade nos familiarizar com as religiões orientais, fornecendo a época do seu surgimento, seus principais líderes e divulgadores. Ela se propõe igualmente nos mostrar os princípio, fundamentais e a doutrina encerrada em cada uma delas.
 O Bramanismo adota a lei da metempsicose e da transmigração da alma para os iniciados. É uma religião aristocrática e sacerdotal.
Finalmente, o Hinduísmo (assim como o Cristianismo) é o conjunto de uma série de religiões da Índia que tem suas raízes na Vedanta e no Bramanismo.

2 PARTE: INTRODUÇÃO
A grande diferença entre as religiões orientais e ocidentais é que aquelas muito mais que voltadas ao sagrado são voltadas aos comportamentos humanos.
Enquanto as religiões ocidentais dão ênfase a adoração do Criador e através de Sua vontade exige do homem, mudanças de comportamento para atingir o Seu Reino as religiões orientais admitem a chegada ao Reino através de esforço próprio.

3 PARTE: O VEDISMO - O BRAMANISMO -O HINDUÍSMO
As religiões hindus tiveram suas origens nos livros védicos os quais criara a Vedanta, filosofia antiga daquele povo. Essa filosofia explicava o sobrenatural e fornecia um código de comportamento moral do povo.A Vedanta proporcionou um regime de castas na Índia. São elas: os brâmanes ou sacerdotes, nascidos da cabeça de Brama; os Ksátrias ou os guerreiros, os braços de Brama; os vaicias ou mercadores nascidos das pernas de Brama e finalmente os sudras ou gente de plebe, nascido de seus pés.
O Bramanismo, uma evolução da Vedanta se tratava de uma religião mais organizada e sucede o culto primitivo. Estabelece a trindade bramica: Brama, o criador; Shiva, o destruidor e regenerador com sua esposa Kali, a deusa da morte e Vishnu, o princípio conservador, amigo do homem que encarna em Rama, Krishna e Buda.
Tornou mais rigoroso o sistema de castas dando privilégio aos sacerdotes e guerreiros e estabeleceu ainda que ninguém podia sair da sua casta. Caso o fizesse seria repudiado por todos e passaria para condição de sem casta ou paria social.

4PARTE: O BUDISMO
Apesar do Budismo ter nascido na Índia num ambiente de vedismo, teve influência da filosofia chinesa.
O Budismo foi fundado pelo príncipe indiano Gautama Sidart d 600 aC na cidade de Kapilavastu, ao norte da índia, fronteira com o Nepal, dentre os sáquias povo dessa região.
A vida de Buda não teve mácula e é um modelo de vida virtuosa. Durante seis anos de isolamento e meditação preparou sua doutrina e divulgou através de sua palavra.
O nascimento e a vida de Buda são envolto numa estória ou lenda semelhante a história dos iluminados ocidentais.
O Budismo prega, antes de qualquer coisa, a necessidade do sofrimento como pagamento de dívidas anteriores bem como a utilidade da renuncia dos desejos e bens materiais. Não adota os privilégios de casta. Há uma notável aproximação da doutrina de Buda com alguns pontos do cristianismo.
5 PARTE: OS TRÊS SÁBIOS CHINESES
A China apresenta três sábios da antiguidade como fundamento de sua religião nacional. São eles"Fo-Hi a 3400 AC, Lao-Tse a 600 AC e Confúcio a 400AC.
Fo-Hi foi um imperador que empegou seu poder e influência para difundir o conhecimento das virtudes e os Dons Morais entre o povo. A única obra conhecida deste sábio é o I Ching contendo figuras simbólicas e trigramas de significação obscura.
Lao-Tse, o segundo deles viveu no século VI AC e deixou uma obra mais vasta, porém três de seu livros chegaram até nossos tempos: o Tao )o livro das Sendas); o Te (o livro da Virtude ou da Retidão) e o Kang Ing (o livro das Sanções ou das Reações Concordantes). Cada livro é um código de de moral. Em o Tao, Lao Tse entre outras qualidades destaca a paciência, a esperança e a humildade.
A Senda (Paraíso) não se alcança senão pela prática da totalidade das virtudes e não pode ser encontrada senão pelo próprio indivíduo. Em Te, Lao'-Tse, dá ênfase à discrição, a reflexão, a meditação solitária e íntima e a abstenção das atrações do mundo.
Kang Ing trata da vontade e do Karma.
Finalmente, Confúcio que viveu no século IV AC foi um sintetizador das idéias dos sábios antecessores. Ele foi mestre e ministro de alguns governos. Confúcio deixou nove livros (4clássicos e 5 sagrados). Os quatro clássicos são: A Grande Ciência, A Doutrina Mediana, Anacletas e Mencio. Os cinco livros sagrados são: Shi Ching (Livro dos documentos históricos), I Ching (o livro das Mutações), Li Ching (o livro dos Antigos Ritos e cerimônias) e finalmente Chun Chiu (Primavera o Outono).

6 PARTE: O TAOÍSMO
O Taoísmo se baseia num livro chamado "Tao Te Ching"(O Livro do Tao e do Te). Tao significa a ordem do mundo e o Te significa a força vital. O livro tem em torno de 25 páginas divididos em 81 capítulos de autoria suposta de Lao Tse (sec VI AC)
Para Lao Tse, o Tao é a verdadeira basr da qual todas as coisas são criadas. Várias vezes o Tao é descrito como o Céu, isto é, como algo divino embora não seja um deus pessoal. Ele também afirmava que o homem não pode usar o intelecto par compreendê-lo.
O Taoísmo implica em passividade e não atividade. Precisa economizar a força vital. Para um sábio taoísmo a ação mais importante é a "não-ação". Enquanto para Confúcio o deseja era educar o homem por meio do conhecimento. Pois só a educação o afasta da ignorância, motivo de todos os meles.
O Estado ideal para Tse era a pequena comunidade, a aldeia, pois ele acreditava que qualquer administração (pública) é má: "quanto mais leis e mandamentos existirem, mais bandidos e ladrões haverá".
Para Tse e os taoístas, a caridade (esmola) não faz sentido, mas tem que se ter boa vontade sem limtes para com todos.
Os discípulos de Lao Tse começam depois de algum tempo, dirigir o taoísmo para o misticismos, pois ate então eram regras de procedimentos. Foram os elementos de magia que mais tiveram ressonânca dentre as massas, pois regras comportamentais são sempre mais difícies de serem adotadas.
A religião taoísta foi se desenvolvendo e posteriorente chega a apresentar seus próprios deuses, templos e monges.

7 PARTE: O CONFUCIONISMO
É uma doutrina filosófica e moral de Confúcio e sua escola. É uma moral de conduta segundo uma tradição aristocrática que exortava o esforço contante para cultivar a própria pessoa e estabelecer a harmonia no corpo social. Foi a partir de 1200 DC que foram introduzidas às preocupações metafísicas no confucionismo tornando-se uma doutrina ortoxa.
A revolução de 1911 na China suprimiu seu culto oficial. O confucionismo manifesta o equilíbrio que existe entre os podres do Céu e da Terra, entre o homem e a natureza. Como fundamento desse equilíbrio criou em sua época o culto da adoração do Céu (Tian), da adoração do Imperador Superior (Shangti) e da adoração de espíritos celestes, terrestres e humanos sendo que estes últimos são os antepassados dos vivos.
O culto dos antepassados é parte significativa da religião chinesa que tem assim um cunho nitidamente imortalista.
O antepassado é sem cessar invocado, consultado sobre assuntos de importância cotidiana. Fazem oferendas até com sacrifícios de animais.
O confucionismo preconiza vida virtuosa e obediente a hierarquia tanto terrestre com celeste. Dessas virtudes destaca-se o respeito mútuo, a franqueza, a circunspeção (responsabilidade por palavras e atos). a humildade, a benevolência e a justiça.
Em cada cidade chinesa existe um templo dedicado a Confúcio, pois o confucionismo é a religião oficial do pais. Com o advento do comunismo e modernamente a globalização, muitas mudanças de hábitos, costumes, regras, leis e princípios vem sendo observados na cultura chinesa.
O Japão assimilou oficialmente o confucionismo a partir de 1600 como culto oficial.

8 PARTE: O XINTOÍSMO
É a religião nacional e a mais antiga do Japão. É anterior a introdução do Budismo, pois foi a partir de 500 dC que o xintoísmo enfrentou dura competição com o budismo e as duas passaram a se influenciar mutualmente. Não é raro no Japão o uso alternado de várias religiões. Aí a tolerância religiosa. Esse aspecto é tão significativo que guardadas as tradições religiosas o Japão se tornou um verdadeiro laboratório religioso.
O xintoísmo não tem um fundador e ao longo dos séculos adotou tradições de varias outras religiosidades. A essência do xintoísmo é a cerimônia e o ritual que mantém contato com o divino. Costuma-se dizer que o xintoísmo possui uma infinidade de deuses (Kamis) que se manifestam sob forma de árvores, montanhas, rios e animais. A palavra japonesa "Kami"também pode ser traduzida como espírito".
O culto aos espíritos naturais e ancestrais sempre foi fundamental no xintoísmo. O culto aos antepassados se difundiu sob a influência do confucionismo chinês.
Para o xintoísmo todos os japoneses têm origem divina, mas em especial, o imperador. Ele passou a ser um Kami vivo.
No século XIX o xintoísmo teve um reavivamento com objetivos nacionalistas visto a forte influência ocidental que começava se efetuar. A partir de então se tornou a religião oficial.
O culto é observado tanto no lar como nos templos. O templo xintoísta não é um local de pregações, mas de orações e meditações. É a morada do Kami.
Os sacerdotes são nomeados pela organização dos templos e seus deveres são acima de tudo, rituais nas cerimônias diárias e nas grandes festividades.
Quatro são as cerimônias observadas na religião. São elas: a purificação, o sacrifício, a oração e a refeição sagrada.

9 PARTE: CONCLUSÃO
Esta aula procura mostrar o espírito da filosofia oriental cujo caráter é, sobretudo intuitivo em oposição à filosofia ocidental de preferência intelectiva. Muitos orientais têm a tendência natural de se isolarem no eu central, em oposição aos ocidentais que se dispersam nas nulidades do ego periférico.
O homem ocidental está habituado a identificar a realidade com os fatos, ao passo que, para o oriental, os fatos são simples reflexos fortuitos e secundários da realidade.
O ocidental considera o Universo pelo lado de fora, por manifestações externas, concretas, palpáveis, visíveis, ao passo que o oriental, já nasce com a intuição interiorista, sentindo que esses aspectos externos não são a realidade, senão apenas efeitos visíveis duma causa invisível por isso no Oriente não existe ateus, nem materialistas.
Para o oriental toda a chamada "santidade"é simples sabedoria.
O culto de dogmas religiosos é um "crente" e o iniciado na verdade da filosofia é um sapiente.
É natural que o numero de crentes seja maior, no estágio atual da evolução humana, que os sapientes, porque o crer é relativamento fácil ao passo que o saber exige uma disciplina tão intensa e perseverante que são poucos os que trilham o "caminho estreito"e a "porta apertada"que dá ingresso ao Reino de Deus.

10 PARTE - MÁXIMA/ LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA
Próxima aula:Livro 4 - Cap. 6 - Religiões Monoteísta (Judaismo - Cristianismo - islanismo)
Leitura:
O Livro da Religiões - Jostein Gaarder - Companhia de Bolso


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 Lei da Liberdade
No Lar - Dr Segio Felipe de Oliviera 
O Bem de Alzheimer - Palestra Espírita de Paulo José Boscaro 
O Caso de Tobias - Livro Nosso Lar - cap 38 - LEI DA REPRODUÇÃO
 Exilados de Capelas - Resumo do livro 
Quando as Pessoas são Anjos - Jamiro dos Santos Filho - Palestra 
Parábolas dos Fetins de Bodas - Haroldo Dutra - Palestra
Revolução Espírita - Paulo Henrique de Figueiredo - Palestra (1de 3)
Revolução Espírita - Paulo Henrique de Figueiredo - Palestra (2de 3)
Revolução Espírita - Paulo Henrique de Figueiredo - Palesta (3 de 3)
Prazer de Viver - Wanderley Oliveira - livro de Ermance Dufaux - (1 de 5)
Prazer de Viver - Wanderley Okiveira - livro de Ermance Dufaux - ( 2 de 5) 
Prazer de Viver - Wanderley Okiveira - livro de Ermance Dufaux - ( 3 de 5) 
Prazer de Viver - Wanderley Okiveira - livro de Ermance Dufaux - ( 4 de 5) 
Prazer de Viver - Wanderley Okiveira - livro de Ermance Dufaux - ( 5 de 5) 
Sinais dos Tempos - O que diz Kardec

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA livro 1 cap 1 ao 24

IFEVALE (INSTITUTO DE FILOSOFIA ESPÍRITA) - http://www.ifevale.com/
(livro 1 - cap: 1 ao 24)




CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA (livro 2 cap 1 ao 18)

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(livro 2 - cap: 1 ao 18)


FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 3 CAP 1 AO 25

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(livro 3  - cap: 1 ao )


CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA livro 4 cap 1 ao

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(livro 4 - cap: 1 ao 24)



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

A Visão Espírita sobre a Homossexualidade

 Alguns pensamentos do espiritismo:
O espiritismo acredita que o amor, em toda sua forma pura, é equivalente. Jesus nos pediu que amassemos uns aos outros não importando se somos homem e mulher, irmão ou irmã, amigo ou até mesmo inimigos.
Seguindo esta lógica entendemos que toda forma de amor, desde que verdadeira, pura e pautada no RESPEITO mútuo é a forma de amor que Jesus Cristo nos ensinou. Daí temos que nos perguntar: porque um casal homossexual, onde os dois companheiros se respeitam e se amam de verdade haveriam de ser algo contra a lei de amor ?
Agora analisando a volta deste pensamento temos a seguinte situação: Não seria mais nocivo a lei de amor, um casal heterossexual em que os companheiros não se respeitam, levam uma vida leviana e desregrada? Segundo a lógica espírita uma união somente é inválida perante a lei de progresso e amor quando uma das partes utiliza-se de forma inapropriada da energia sexual, da confiança e do respeito. Em outras palavras, o espiritismo NÃO é contra a união homossexual, mas sim contra QUALQUER união, homossexual ou heterossexual, em que sejam demonstrados o desrespeito e principalmente a promiscuidade, na qual se afasta a lei de amor.
O Espírito possui sexo?
Chegamos então à um dos pontos chave da questão da homossexualidade. Kardec pergunta em o livro dos espíritos, pergunta 200 :
Têm sexos os Espíritos?
“Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos.”
Entendemos daí que os espíritos não possuem sexo definido, visto que na lei de progresso deverão passar pelas provações de encarnar em ambos os sexos, a fim de aprender e evoluir em situações diferentes exigidas em cada gênero.
homossexualidade-na-viso-esprita-6-638
Kardec Ressalta esta explicação em nota à pergunta 203:
Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens.
Como se Explica Existirem pessoas com tendências Homossexuais?
Segundo literaturas espíritas a homossexualidade pode ser em alguns casos espíritos que acostumados a reencarnar sucessivas vezes num corpo de sexo determinado, ao reencarnar no outro, traz consigo ainda algumas sensações experimentadas nas encarnações anteriores. Isto explica a diferença de personalidades em seres de mesmo sexo com relação à certos “gostos” tidos como de meninos ou de meninas na sociedade atual.
Existem é claro casos em que pessoas se submetem a tal comportamento de forma impensada e libidinosa, o que fere em certo aspecto a lei de amor e de fraternidade.
Considerações finais
Entendemos então que o espiritismo não é de forma nenhuma contra a homossexualidade e parafraseando nosso querido Divaldo franco:
“O Espiritismo, de forma alguma, é contra a estrutura homossexual do indivíduo, não estando de acordo, porém com a pederastia, ou seja, a entrega do homossexual aos hábitos e práticas perturbadoras, o que é muito diferente.”
Caso você que lê isso seja homossexual, entenda que você não é doente e de forma alguma será condenado por Deus segundo a doutrina espírita, desde que respeite as Leis de Amor que são de âmbito geral. Caso o leitor tenha algum parente nessas condições de se descobrir homossexual compreenda, não julgues, não se precipite, tenha calma, fé e esperança. Ao invés de julgar precisamos acolher para que a marcha evolutiva do indivíduo em questão não tenha obstáculos que não sejam criados por ele mesmo. Sabemos que o maior problema para os pais neste caso é o medo do filho sofrer com a sociedade machista opressora atual, mas tenham em mente sempre que no final das contas é a Deus que devemos prestar contas, e que devemos sempre nos amparar nEle e em seus mensageiros da boa nova, espero ter ajudado nossos irmãos, fiquem na paz de Deus, Jesus nos abençoe, Muita Paz!
Fonte: Espiritismo da alma.

domingo, 26 de novembro de 2017

Efeito espelho

Quem são as pessoas que você mais admira no mundo?
O que você mais admira?
E quais as qualidades que lhe chamam mais atenção?
Quem são as pessoas que você mais crítica?
E qual comportamento lhe chama mais atenção?
Para responder as perguntas acima, você usou seu referencial interno, com seus próprios critérios e avaliações.
Na verdade, você está projetando no outro o que você sente, acredita, pensa, mesmo que não se comporte dessa forma.
Talvez, ao olhar para as pessoas que admira, você se sinta bem, pois sente o que enxerga nelas, mesmo que ainda não esteja vivendo isso.
Talvez quando não se sinta bem em olhar para as pessoas que critica, seja por que estas pessoas estão recordando um sentimento que já existe dentro de você e que lhe incomoda.
Todo ser humano quando criança passa por um período em que ainda não compreende que faz parte de uma sociedade, imagina que todo mundo gira em torno dela mesma, levando-a um estado de espirito egocêntrico, e que pode persistir até a idade adulta.
Nesse estado, a pessoa usa suas próprias referencias internas (o que pensa, sente e acredita) como referência básica, representar, interpretar e entender as pessoas que a cercam.
Este é o efeito espelho, onde o mundo externo reflete através da sua própria interpretação, aquilo que já existe dentro de você. Assim, você pode aprender muito sobre si mesmo quando olha para os outros, afinal o outro é seu espelho, ou seja, é você mesmo.
 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 4 CAP 5 – RELIGIÕES ORIENTAIS (HINDUISMO BUDISMO – TAOISMO – CONFUCIONISMO – XINTOISMO)


BIBLIOGRAFIA
RELIGIÕES E FILOSOFIAS - Edgard Armond – Edit. Aliança
O ESPIRITO DA FILOSOFIA ORIENTAL – Huberto Rohden – Edit Alvorada
O LIVRO DAS RELIGIÕES – Jostein Gaader – Cia das Letras

REFLEXÃO
O DEUS ORIENTAL
Certo dia foi ter com um exímio vidente da Índia um jovem que queria saber do grande iluminado o que era Deus. Em vez de responder à pergunta do jovem consulente, o mestre convidou para partilhar a vida dele por um ano. O jovem aceitou.
Durante esse ano, o sábio nunca discutiu com seu discípulo a questão da existência e da natureza de Deus, mas fê-lo tomar parte nas longas e profundas meditações de cada dia. No fim do ano ao despedir-se do jovem perguntou-lhe o iluminado se tinha ainda alguma dúvida.
- Nenhuma, respondeu o jovem ao mestre que lhe lembrou a pergunta feita a um atrás.
- Fui eu que perguntei tal coisa? Estranhou o jovem
- Certamente foi outro.

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA
Esta aula tem por finalidade nos familiarizar com as religiões orientais, fornecendo a época do seu surgimento, seus principais líderes e divulgadores. Ela se propõe igualmente nos mostrar os princípios, fundamentos e a doutrina encerrada em cada uma delas.

2ª PARTE: INTRODUÇÃO
A grande diferença entre as religiões orientais e ocidentais é que aquelas muito mais que voltadas ao sagrado são voltadas aos comportamentos humanos.
Enquanto as religiões ocidentais dão ênfase a adoração do Criador e através de Sua vontade exige do homem mudança de comportamentos para atingir o Seu Reino as religiões orientais admitem a chegada ao Reino através de esforço próprio.

3ª PARTE: O VEDISMO – O BRAMANISMO – O HINDUISMO
As religiões hindus tiveram suas origens nos livros védicos os quais criara a Vedanta, filosofia antiga daquele povo. Essa filosofia explicava o sobrenatural e fornecia um código de comportamento moral do povo.
A Vedanta proporcionou um regime de castas na Índia. São elas: os brâmanes ou sacerdotes, nascidos da cabeça de Brama; os ksátrias ou os guerreiros, os braços de Brama; os vaicias ou mercadores nascidos das pernas de Brama e finalmente os sudras ou gente da plebe, nascido de seus pés.
O Bramanismo, uma evolução da Vedanta se tratava de uma religião mais organizada e sucede o culto primitivo. Estabelece a trindade bramanica: Brama, o criador; Shiva, o destruidor e regenerador
com sua esposa Kali, a deusa da morte e Vishnu, o princípio conservador, amigo do homem que
encarna em Rama, Krishna e Buda.
Tornou mais rigoroso o sistema de castas dando privilégio aos sacerdotes e guerreiros e
estabeleceu ainda que ninguém podia sair de sua casta. Caso o fizesse seria repudiado por todos e
passaria para a condição de sem casta ou paria social.
O Bramanismo adota a lei da metempsicose e da transmigração da alma para os iniciados. É
uma religião aristocrática e sacerdotal.
Finalmente, o Hinduismo (assim como o Cristianismo) é o conjunto de uma série de religiões da
Índia que tem suas raízes na Vedanta e no Bramanismo.

4ª PARTE: O BUDISMO
Apesar do Budismo ter nascido na Índia num ambiente de vedismo, teve influencia da filosofia
chinesa.
O Budismo foi fundado pelo príncipe indiano Gautama Sidarta a 600 aC na cidade de
Kapilavastu, ao norte da Índia, fronteira com o Nepal, dentre os sáquias, povo dessa região.
A vida de Buda não teve mácula e é um modelo de vida virtuosa. Durante seis anos de
isolamento e meditação preparou sua doutrina e divulgou através de sua palavra.
O nascimento e a vida de Buda é envolto numa estória ou lenda semelhante a historia dos
iluminados ocidentais.
O Budismo prega, antes de qualquer coisa, a necessidade do sofrimento como pagamento de
dívidas anteriores bem como a utilidade da renuncia dos desejos e bens materiais. Não adota os
privilégios de casta. Há uma notável aproximação da doutrina de Buda com alguns pontos do
cristianismo.

5ª PARTE: OS TRÊS SÁBIOS CHINESES
A China apresenta três sábios da antiguidade como o fundamento de sua religião nacional. São
eles: Fo-Hi a 3400 AC, Lao-Tse a 600 AC e Confúcio a 400 AC.
Fo-Hi foi um imperador que empregou seu poder e influencia para difundir o conhecimento das
virtudes e os Dons Morais entre o povo. A única obra conhecida deste sábio é o I Ching contendo
figuras, símbolos e trigramas de significação obscura.
Lao-Tse, o segundo deles viveu no século VI AC e deixou uma obra mais vasta, porém três de
seus livros chegaram até nossos tempos: o Tao (o livro das Sendas); o Te (o livro da Virtude ou da
Retidão) e o Kang Ing (o livro das Sanções ou das Reações Concordantes). Cada livro é um código de
moral. Em O Tao, Lao Tse entre outras qualidades destaca a paciência, a esperança e a humildade.
A Senda (Paraíso) não se alcança senão pela prática da totalidade das virtudes e não pode ser
encontrada senão pelo próprio indivíduo. Em Te, Lao-Tse, dá ênfase à discrição, a reflexão, a
meditação solitária e íntima e a abstenção das atrações do mundo.
Kang Ing trata da vontade e do Karma.
Finalmente, Confúcio que viveu no século IV AC foi um sintetizador das idéias dos sábios
antecessores. Ele foi mestre e ministro de alguns governos. Confúcio deixou nove livros (4 clássicos e 5 sagrados). Os quatros clássicos são: A Grande Ciência, A Doutrina Mediana, Anacletas e Mencio. Os cinco livros sagrados são: Shi Ching (Livro dos documentos históricos), I Ching (o livro das Mutações),
Li Ching (o livro dos Antigos Ritos e cerimônias) e finalmente Chun Chiu (Primavera e Outono).

6ª PARTE: O TAOÍSMO
O Taoísmo se baseia num livro chamado “Tao Te Ching“ (O Livro do Tao e do Te). Tao significa
a ordem do mundo e o Te significa a força vital. O livro tem em torno de 25 páginas divididos em 81
capítulos de autoria suposta de Lao Tse (séc VI AC).
Para Lao Tse, o Tao é a verdadeira base da qual todas as coisas são criadas. Várias vezes o
Tao é descrito como o Céu, isto é, como algo divino embora não seja um deus pessoal. Ele também
afirmava que o homem não pode usar o intelecto para compreendê-lo.
O taoísmo implica em passividade e não atividade. Precisa economizar a força vital. Para um
sábio taoista a ação mais importante é a “não-ação”. Enquanto para Confúcio o desejo era educar o
homem por meio do conhecimento. Pois só a educação o afasta da ignorância, motivo de todos os
males.
O Estado ideal para Tse era a pequena comunidade, a aldeia, pois ele acreditava que qualquer
administração (pública) é má: “quanto mais leis e mandamentos existirem, mais bandidos e ladrões
haverá”.
Para Tse e os taoistas, a caridade (esmola) não faz sentido, mas tem que se ter boa vontade
sem limites para com todos.
Os discípulos de Lao Tse começam depois de algum tempo, dirigir o taoísmo para o misticismo,
pois até então eram regras de procedimentos. Foram os elementos de magia que mais tiveram
ressonância dentre as massas, pois regras comportamentais são sempre mais difíceis de serem
adotadas.
A religião taoista foi se desenvolvendo e posteriormente chega a apresentar seus próprios
deuses, templos e monges.

7ª PARTE: O CONFUCIONISMO
É uma doutrina filosófica e moral de Confúcio e sua escola. É uma moral de conduta segundo
uma tradição aristocrática que exortava o esforço constante para cultivar a própria pessoa e estabelecer
a harmonia no corpo social. Foi a partir de 1200 DC que foram introduzidas às preocupações
metafísicas no confucionismo tornando-se uma doutrina ortodoxa.
A revolução de 1911 na China suprimiu seu culto oficial. O confucionismo manifesta o equilíbrio
que existe entre os poderes do Céu e da Terra, entre o homem e a natureza. Como fundamento desse
equilíbrio criou em sua época o culto da adoração do Céu (Tian), da adoração do Imperador Superior
(Shangti) e da adoração de espíritos celestes, terrestres e humanos sendo que estes últimos são os
antepassados dos vivos.
O culto dos antepassados é parte significativa da religião chinesa que tem assim um cunho
nitidamente imortalista.
O antepassado é sem cessar invocado, consultado sobre assuntos de importância cotidiana.
Fazem oferendas até com sacrifícios de animais.
O confucionismo preconiza vida virtuosa e obediente a hierarquia tanto terrestre como celeste.
Dessas virtudes destaca-se o respeito mútuo, a franqueza, a circunspeção (responsabilidade por
palavras e atos), a humildade, a benevolência e a justiça.
Em cada cidade chinesa existe um templo dedicado a Confúcio, pois o confucionismo é a
religião oficial do pais. Com o advento do comunismo e modernamente a globalização, muitas
mudanças de hábitos, costumes, regras, leis e princípios vem sendo observados na cultura chinesa.
O Japão assimilou oficialmente o confucionismo a partir de 1600 como culto oficial.

8ª PARTE: O XINTOÍSMO
É a religião nacional e a mais antiga do Japão. É anterior a introdução do Budismo, pois foi a
partir de 500 dC que o xintoísmo enfrentou dura competição com o budismo e as duas passaram a se
influenciar mutuamente. Não é raro no Japão o uso alternado de varias religiões. Aí a tolerância
religiosa. Esse aspecto é tão significativo que guardadas as tradições religiosas o Japão se tornou um
verdadeiro laboratório religioso.
O xintoísmo não tem um fundador e ao longo dos séculos adotou tradições de varias outras
religiosidades. A essência do xintoísmo é a cerimônia e o ritual que mantém contato com o divino.
Costuma-se dizer que o xintoísmo possui uma infinidade de deuses (kamis) que se manifestam sob
forma de árvores, montanhas, rios e animais. A palavra japonesa “kami” também pode ser traduzida
como “espírito”.
O culto aos espíritos naturais e ancestrais sempre foi fundamental no xintoísmo. O culto aos
antepassados se difundiu sob a influencia do confucionismo chinês.
Para o xintoísmo todos os japoneses têm origem divina, mas em especial, o imperador. Ele
passou a ser um kami vivo.
No século XIX o xintoísmo teve um reavivamento com objetivos nacionalistas visto a forte
influencia ocidental que começava se efetuar. A partir de então se tornou a religião oficial.
O culto é observado tanto no lar como nos templos. O templo xintoísta não é um local de
pregações, mas de orações e meditações. É a morada do kami.
Os sacerdotes são nomeados pela organização dos templos e seus deveres são acima de tudo,
rituais nas cerimônias diárias e nas grandes festividades.
Quatro são as cerimônias observadas na religião. São elas: a purificação, o sacrifício, a oração e
a refeição sagrada.

9ª PARTE: CONCLUSÃO
Esta aula procura mostrar o espírito da filosofia oriental cujo caráter é, sobretudo intuitivo em
oposição à filosofia ocidental de preferência intelectiva. Muitos orientais têm a tendência natural de se isolarem no eu central, em oposição aos ocidentais que se dispersam nas nulidades do ego periférico.
O homem ocidental está habituado a identificar a realidade com os fatos, ao passo que, para o
oriental, os fatos são simples reflexos fortuitos e secundários da realidade.
O ocidental considera o Universo pelo lado de fora, por manifestações externas, concretas,
palpáveis, visíveis, ao passo que o oriental, já nasce com a intuição interiorista, sentindo que esses
aspectos externos não são a realidade, senão apenas efeitos visíveis duma causa invisível por isso no
Oriente não existe ateus nem materialistas.
Para o oriental toda a chamada “santidade” é simples sabedoria.
O cultor de dogmas religiosos é um “crente” e o iniciado na verdade da filosofia é um sapiente. É
natural que o numero de crentes seja maior, no estágio atual da evolução humana, que os sapientes,
porque o crer é relativamente fácil, ao passo que o saber exige uma disciplina tão intensa e
perseverante que são poucos os que trilham o “caminho estreito” e a “porta apertada” que dá ingresso
ao Reino de Deus.
Alan Krambeck

10ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA
Próxima aula:
Livro 4 – Cap.6 – Religiões Monoteístas (Judaísmo – Cristianismo – Islamismo)
Leitura:
O Livro das Religiões – Jostein Gaarder – Companhia de Bolso

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA livro 4 cap 1 ao

IFEVALE (INSTITUTO DE FILOSOFIA ESPÍRITA) - http://www.ifevale.com/
(livro 4 - cap: 1 ao 24)

Breve História do Monismo

O universo é regido por um princípio único.
Pietro Ubaldi (A Grande Síntese)

Definimos o monismo, em seu aspecto filosófico mais abrangente, como o substrato ideológico que apregoa a existência de uma substância única, subordinada a princípios também unitários, na composição de tudo o que existe no universo. Em seu significado mais simples, monismo é a doutrina da unidade, cuja palavra advém do grego monás que designava, na filosofia pitagórica, “toda complexidade que se faz um todo coeso”. Ela se opõe ao dualismo que admite a existência de duas entidades independentes na criação – espírito e matéria – e ao pluralismo, o qual adota a diversidade de fundamentos e de substâncias para se explicar o universo. O dualismo é classicamente defendido por René Descartes e o pluralismo compõe o complexo pensamento científico moderno que, pela análise reducionista, fragmentou a realidade objetiva nas múltiplas e mais variadas expressões fenomênicas que, até o momento, se pôde produzir, muitas destituídas do mínimo senso crítico, por se fundamentar no vazio e no niilismo.
Assumindo-o como constructo norteador de sua obra literária, o monismo não é uma criação de Pietro Ubaldi, pois as ideias unicistas sempre ventilaram as concepções humanas e são encontradas em todas as épocas do desenvolvimento de nossa história. A milenar cultura chinesa do taoísmo já o apregoava em seus encantadores versos. Nas doutrinas hindus, o Vedanta Sutra já o anunciava ao ensinar que a essência bramânica, unitária, onisciente e perfeita, era a substância formadora das almas individuais e do universo. Seguindo o seu enunciado, a escola vaishnava, defendida por Ramanuja no século XII da era cristã, criou o termo visishtadvaita, com o exato significado de monismo, tal como o entendemos hoje. Curiosamente essa escola defendia que os elementos criados passaram a abrigar a imperfeição, causa da ignorância, sem explicar os motivos de tal contaminação da substância bramânica, mas que eles poderiam, através da devoção, refazer a comunhão perfeita com Brahma, sem perder a individualidade, preceito muito semelhante ao difundido pelo cristianismo.
Na filosofia grega, tanto a pré-socrática quanto a pós-clássica, o monismo já era uma aspiração dos principais pensadores, que buscavam compreender a diversidade de todas as coisas a partir de uma única causa primária. Interpretada às vezes como physis, a natureza formadora, ápeíron, a substância ilimitada, ou simplesmente o arqué, o princípio originário, todos procuravam representar o que seria essa substância fundamental, compondo o que os estudiosos da filosofia denominaram monismo corporalista­.
Recordemos que, para Tales, o arqué seria a água; para Heráclito, o fogo. Anaxímenes, contudo, o julgou ser o ar. Mas, prenunciando o pluralismo, Empédocles estabeleceu que a igualdade dos princípios (isonomia) teria se dividido em quatro raízes, o ar, o fogo, a água e a terra, de cujas misturas se formava a multiplicidade do universo, embalada pelas forças do amor (philia) e da rivalidade (neikos). A doutrina eleática, fundada por Xenófanes e defendida, sobretudo, por Parmênides, apregoava a unidade e a imobilidade como fonte do ser e do universo. Para Anaxágoras, fervoroso seguidor da doutrina eleática, uma substância incorpórea, denominada noûs, eterna e imutável, embora submetida à aparência dos movimentos de nascimento e morte, teria gerado tudo o que existe. E Demócrito, finalmente, firmou o monismo atomista como base da realidade, concebendo o estofo do universo formado por unidades simples, corpóreas, indivisíveis e descontínuas, os átomos. Infinitamente espalhados em meio a um espaço contínuo e vazio, estariam subjugados a determinismos puramente mecanicistas, antecipando, no século V a.C., o ateísmo moderno.
A Idade Média não conheceu outra forma de monismo a não ser a Trindade Santa, concebida por Santo Agostinho, através da qual o Uno se consubstanciava no Todo e a ela nos referiremos a seguir. No Renascimento, o mais expressivo pensamento monista que se conhece foi veementemente defendido por Giordano Bruno e na Era Moderna, sobretudo pelos filósofos Spinoza, Berkeley, Hume e Hegel. Destarte, o mais influente monista conhecido até os nossos dias, tendo em vista que Ubaldi ainda é ignorado, é considerado Baruch Spinoza, que viveu no século XVII, embora em sua época não se empregasse tal acepção. O termo monismo foi usado pela primeira vez no século XVIII pelo filósofo Christian Wolff. Entretanto, aqueles que, de fato, o popularizaram foram o biólogo Ernst Haeckel e o químico Wilhelm Ostwald no início do século XX.
Segundo a natureza da substância apregoada como fundamental, o monismo pode ser diferenciado em diversos modelos, como o ontológico, o panteísta, o metafísico, o religioso, o material, o lógico, o gnosiológico e alguns outros de interesse menor para o nosso estudo. Tipos que se podem considerar incluídos em suas duas grandes e principais vertentes, em nítida oposição: o monismo materialista e o monismo idealista. O primeiro se fundamenta no fato de que toda a existência se reduz à matéria e seus atributos. Os seres vivos, por exemplo, se explicariam unicamente pelo funcionamento dos fenômenos físico-químicos existentes na unidade orgânica e a própria consciência humana nada mais seria do que o produto das ações e interações bioquímicas da massa neuronal (ideia também chamada epifenomenismo). Os grandes representantes do monismo materialista, normalmente ventilado por sentimentos anti-religiosos, foram Thomas Hobbes, Diderot, Paul Henri Dietrich, Pierre Maupertuis, Julien Offroy de la Mettrie, Karl Marx, Engels, Lênin e outros.
No início do século XX, o filósofo e biólogo alemão Ernst Haeckel, utilizando o pensamento evolucionista de Charles Darwin, tentou explicar a vida, o universo e a própria consciência, segundo um monismo genético e mecanicista. Ele foi o primeiro pensador moderno a intentar, com a ajuda do evolucionismo nascente, a unificação da Biologia com a religião. Ainda que seu pensamento monista não tenha abrangido a essência divina, seu brilhantismo se revelou na descoberta da existência de um princípio unificador regendo a evolução, chamado lei biogenética, segundo o qual cada animal percorre, a partir da fase embrionária, todas as etapas evolutivas que o levaram a ocupar o seu lugar na ordem natural. Em suas próprias palavras, “a ontogenia recapitula a filogenia”, sendo a ontogenia o desenvolvimento embrionário individual e a filogenia a história evolutiva da sua espécie, princípio que foi prontamente absorvido pelo pensamento espiritualista moderno. Somando-se a lei biogenética de Haeckel à palingenesia, foi possível unificar a evolução biológica com o espiritualismo, adotando-se o princípio espiritual como a unidade da vida, proporcionando-se maior coerência aos processos vitais e conferindo telefinalismo às mutações genéticas, antes consideradas fenômenos completamente casuais.
A ciência do século XX, concebendo em sua época que tudo se reduz à matéria e não admitindo para ela uma origem transcendente a si mesma, compôs o seu mais importante subsídio filosófico, o monismo materialista. Monismo que logo sucumbiu ante a irrealidade das bases constituintes da própria matéria, sob o domínio do pensamento quântico que tudo desfez em pacotes de ondas que, afinal, em nada se sustentam.
Prenunciando o monismo quântico, Wilhelm Ostwald, químico e filósofo germânico do início do século XX, apregoou a doutrina segundo a qual a única e última realidade da existência era a energia. E recentemente, unindo a Física relativista à Mecânica quântica, a moderna teoria das cordas, como vimos, vem tentando resgatar um substrato único para as partículas atômicas de massa e para as energias que as mobilizam, identificando-o nos laços mínimos, as agitadas unidades feitas de insólitos pulsos vibráteis e nada mais. Esforço que integra a busca pela grande teoria unificada (Gut, em inglês) segundo a qual a ciência de nossos dias se empenha na afanosa procura por um monismo substancial que satisfaça o natural anseio humano por unicidade, aspiração que sempre moveu todos os grandes pensadores de todas as épocas, demonstrando-nos que a unidade é um modelo divino que impera em toda a criação.
Já o monismo idealista se fundamenta em princípios formativos de natureza imaterial e espiritual, para explicar a composição de tudo o que existe. Seu mais ardoroso representante na Antiguidade pode ser considerado Plotino, o sucessor do idealismo platônico. Filósofo egípcio que viveu entre 205 e 270 d.C., desenvolveu a escola denominada neoplatonismo que defendia ser a realidade última do universo a inteligência pura, incognoscível, infinita e perfeita, da qual tudo derivava. Plotino se utilizou do mesmo termo apregoado por Anaxágoras, noûs, como a essência universal consubstanciada no Uno para compor o seu monismo idealista. Ele foi mais tarde, no período medieval, seguido por Jâmblico, Proclo, Santo Agostinho e Marsilio Ficino.
No pensamento eminentemente teológico da Era Medieval predominou um monismo idealista ternário, fundamentado na Santíssima Trindade. A despeito de não se encontrar uma referência exata no texto bíblico, acredita-se que ele tenha sido inferido pelas palavras de Cristo por ocasião de seu batismo e em sua reaparição depois da morte, quando Ele recomenda aos apóstolos: “Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:19). Estabelecido como um mistério da fé, esse monismo ternário foi instituído pelo I Concílio de Nicéia no ano 325 da era cristã, contudo, foi Santo Agostinho, em sua obra De Trinitate (Da Trindade) escrita no ano 400 que o fundamentou como um dos principais dogmas da Santa Sé. O Santo de Hipona, detendo-se largamente na compreensão do principal mistério da fé cristã, definiu a unidade mística da Trindade como uma consubstanciação, palavra que designa a união de dois ou mais corpos em uma mesma substância, fazendo das três uma só pessoa. Embora o dogma permaneça incompreendido pela maioria dos fiéis até os dias de hoje, com o pensamento agostiniano ele se caracterizou como um verdadeiro monismo, ainda que abstrato e indiferenciado, porquanto a Trindade se unificava em Deus, o Pai, impedindo-se a distinção de três deuses independentes. Mesmo se expressando em três pessoas, Deus era considerado a fonte da Trindade, conservando-se como uma transcendência unitária, indivisa, incriada e origem de todas as coisas. Todavia, a interpretação monista que inicialmente ventilou a filosofia cristã terminou por se fixar, de fato, não no monismo propriamente dito, mas sim no monoteísmo, uma vez que se passou a considerar um Deus antropomórfico de aspecto apenas transcendente, recôndito no céu, distanciado da criação e de seus seres.
No Renascimento, contrariando o monoteísmo que se estabeleceu como dogma, Giordano Bruno recrudesceu o monismo idealista e religioso, defendendo a existência de um Deus infinito que, além de ser o Senhor do universo, se fundia também com a Sua própria criação, tornando divina toda a natureza. Estando muito além da acanhada teologia de seu tempo, ele não pôde ser compreendido e, acusado de panteísta, grave heresia em sua época, acabou sendo condenado à morte na fogueira no ano de 1600, como já vimos.
Logo depois nos encontramos com o holandês Baruch de Spinoza, defensor de um monismo idealista segundo o qual espírito e corpo seriam atributos de uma mesma substância de natureza divina, sendo Deus e a criação uma só e mesma coisa. Nesta mesma época, século XVII, Leibniz apresentava o seu monismo com base na monadologia, seguido por Berkeley e Rudolf Hermann Lotze. A enteléquia de Leibniz definiu a unidade monádica como o componente básico e divino de toda e qualquer realidade física ou anímica, caracterizada por inteligência, imaterialidade, indivisibilidade e eternidade, aproximando-se do monismo substancial de Ubaldi.
No século XVIII, George Berkeley, o famoso filósofo irlandês, formulou sua doutrina considerada também monista idealista, baseando-se na percepção mental como única realidade que a tudo permite existir.
Como vemos, muitas são as acepções que se podem imputar ao monismo que, embora sendo a doutrina da unidade, não se eximiu de se diversificar na pulverização do fragmentário pensamento humano que ainda não conhece o caminho para a síntese. A despeito do valor de todas elas, nos ateremos, em nosso estudo, ao monismo ubaldiano, por se tratar do nosso objetivo, abstendo-nos de um estudo comparativo e pormenorizado de todas as demais vertentes interpretativas. Assim sendo, consideraremos doravante toda referência ao monismo como sendo genuinamente aquele que integra o pensamento de Ubaldi, eximindo-nos de indicar-lhe a origem.
Na atualidade, nenhuma das doutrinas monistas sobrevive fora dos ambientes acadêmicos da filosofia, uma vez que a dicotomia cartesiana, que passou a imperar nas concepções humanas, tornou-se vigorosa o bastante para se impor como a única estampa da realidade. Tendo como base o monoteísmo e a multiplicidade fenomênica, ela nos desenhou uma visão mecanicista e atomista de mundo, a qual ainda domina a mentalidade do homem comum de nossos dias.
Extrapolando o âmbito da ciência onde se estabeleceu e ignorando as brisas ideológicas que periodicamente saneiam a estagnação humana, a dicotomia cartesiana terminou por contaminar todo o pensamento religioso ocidental de modo geral. As grandes religiões cristãs, amofinadas em seus templos de pedras, persistem compartilhando conceitos monistas e monoteístas com um dualismo reducionista e limitado, deixando a alma humana subjugada por um insolúvel dilema conceitual, não vivenciado somente por aqueles que ainda não o podem perceber, incapazes de alcançar o seu significado mais profundo. Deus e o espírito separaram-se definitivamente da matéria, pondo-se, de um lado, os assuntos de interesse religioso e de outro, as interpretações científicas, como duas realidades irreconciliáveis.
O espiritismo, embora imbuído de uma genuína ânsia de síntese filosófica e religiosa, nasceu, como o exigia a época em que veio aos homens, ventilado por essa concepção dualista distanciada do unicismo que seguramente deve imperar na criação. Embora ele tenha estabelecido o espírito puro como o único produto resgatável da criação progressiva, o seu universo está dicotomizado entre uma essência espiritual (Deus e espírito) e outra física (a matéria). Todavia, o monismo substancial está nele parcialmente presente na figura do fluido cósmico universal, a substância unificadora, hausto divino, fonte originária dos objetos fenomênicos, exceto do espírito, embora este também provenha de Deus. Felizmente, como podemos ver através do pensamento de Emmanuel, o dualismo espírita também está se encaminhando para a realidade monista da criação, embora muitos estudiosos espíritas ainda não tenham ressaltado o fato, menosprezando-lhe a importância.
Fixado em dogmatismos e repousando entre um monoteísmo teológico, restrito aos círculos de uma fé irracional, e o pluralismo científico, adotado como realidade no domínio da Física clássica, onde Deus não deve se meter, o homem atual não se deu conta, ainda, de que nenhum desses dois modelos espelham os fundamentos da obra divina. Se a própria ciência já afirmou que o universo, em sua intimidade infinitesimal, é uma teia fluídica urdida em uma inquestionável interdependência, o seu estofo constitucional é, em última análise, um monismo interativo.
Em meio ao caos conceitual de nossos dias, Ubaldi comparece a fim de resgatar devidamente o verdadeiro monismo, em seu sentido metafísico, como uma linha mestra da compreensão de Deus e do universo. Afirmando a unidade indissolúvel da criação, sua criteriosa filosofia reconcilia perfeitamente a fé com a ciência e recompõe o dualismo cartesiano, ainda vigente, em uma definitiva fusão sintética que vencerá os tempos e se fundamentará como o mais exato retrato da realidade. Por isso, acreditamos, o grande missionário de Cristo será lembrado pela história humana como o maior representante do pensamento monista de todos os tempos.
O monismo de Ubaldi, essencialmente idealista, transcendental e divino, se baseia na existência de um substrato primário, que ele denomina substância, como fonte de tudo o que existe. Algo que não pode ser compreendido como uma base física, a substância é o fluxo do pensamento de Deus que se individua em toda manifestação fenomênica conhecida, sendo, portanto, uma potência criativa inefável e incriada, originariamente atemporal e hiperdimensional. Representada por ômega (w) na grande equação da substância, descrita brilhantemente em A Grande Síntese, podemos identificar a substância de Ubaldi como o mesmo noûs que sustentava as concepções de Anaxágoras e Plotino.
Ela é a base para a formação ao mesmo tempo do espírito, da energia e da matéria, conduzindo-nos ao mais completo entendimento do monismo universal de que se tem notícia até o momento, conceito que melhor abordaremos posteriormente.
A unidade da criação, a substância, segundo o pensamento de Ubaldi, é capaz de se manifestar em um aspecto ternário e dual ao mesmo tempo, como expressões genuínas de sua divina potencialidade. Fato que a torna suscetível de se converter em todo eu fenomênico conhecido, seja ideológico, dinâmico ou estático. Essa extraordinária concepção se, a princípio, pode nos parecer incompreensível, permeia toda a dialética ubaldiana, estabelecida como o fundamento do pensamento divino e da criação.
E interessante diferenciarmos logo o monismo ubaldiano do panteísmo, defendendo-o das incorretas injunções que muitos estudiosos lhe imputaram, compreensíveis, ante as dificuldades de nosso concebível atual em lhe alcançar toda a maravilhosa extensão conceitual. Fato que, como vimos, se repete frequentemente na história humana, sempre pronta a condenar o que não pode ser prontamente compreendido.
O panteísmo é a doutrina que compreende Deus nada mais do que a somatória de tudo o que existe. Segundo essa escola filosófica, há uma aproximação de identidade completa entre Deus e a criação, entendidos como integrados em uma só e indissolúvel realidade. Assim, Deus é coincidente com a sua obra e nada pode existir que não seja a própria substância e manifestação da Divindade, até mesmo a condição humana. Tudo sendo Deus, toda individualidade somente existe como gotas em um oceano, e o oceano, por sua vez, nada mais é do que o conjunto de todas elas. Esta doutrina foi severamente combatida nos meios religiosos ocidentais, compreendida como uma negação da existência de um Deus independente e transcendente à Sua obra. Hoje compreendemos que a teologia cristã nos ensinou a divisar, ainda que situado nos rincões do infinito, somente a transcendência divina, como se fosse a Sua única realidade, visão que se define como monoteísta. Já o panteísmo é uma tentativa de se compreender Deus como uma imanência presente em toda criação, uma vez que o Senhor não poderia criar fora de Seu próprio campo de manifestação e sem que retirasse de Sua própria substância unitária, aspecto que também não pode ser negado.
Dessa forma o monoteísmo viu Deus em Sua transcendência, a unidade divina que está além da criação, enquanto que o panteísmo O vislumbrou em Seu aspecto imanente, inserido em tudo o que existe. Já o monismo é a exata soma das duas visões, a transcendência e a imanência divina, unificando as duas verdades em uma única realidade. E assim o monismo reúne o Deus superior, que comanda à distância a Sua criação, com o Deus interior, que é força e lei imanente e permanente em cada eu fenomênico em realização no mundo das formas.
No início do século XIX, o pensador alemão Christian Krause intentou também a união entre as doutrinas monoteísta e panteísta, criando o termo panenteísmo, também chamado de panteísmo acosmístico, calcado na mesma suposição monista de que todo o universo está contido na intimidade de uma única e divina substância primordial, aproximando-se do pensamento de Ubaldi.
Um modo facilitado de se compreender a relação entre o monoteísmo e o panteísmo é considerarmos a nossa vivência como fenômeno humano. Somos um organismo consciente formado por 100 trilhões de células que vivem no nosso campo de expressão interna e formam conosco uma unidade. Porém, não somos a exata soma de todas as nossas individualidades celulares, pois temos uma consciência à parte e superior ao conjunto, embora estejamos incorporados igualmente em cada uma delas em particular. Somos, portanto, uma entidade panteísta e monoteísta concomitantes em nossa relação corpórea, configurando-nos, na verdade, como um ente monista-unitário e indiviso.
Assim, o Deus panteísta é o infinito oceano de gotas de que se compõe a criação e o Deus monoteísta é a máxima individuação que transcende a todas elas. Ambos os aspectos se somam em uma unidade, na verdade, indissolúvel e que apenas conceitualmente se pode separar, compondo o verdadeiro monismo – a unidade divina, o Todo orgânico que tudo contém e, ao mesmo tempo, é mais do que o seu conjunto.
Dessa forma compreenderemos que, como nos afirmou Sua Voz (assim Pietro Ubaldi denominou a fonte inspiradora de seus ensinamentos, como veremos logo a seguir), se na história do pensamento religioso, a visão deífica progrediu do politeísmo para o monoteísmo no passado, deve agora evoluir do monoteísmo para o monismo, a fim de nos fazer avançar no indispensável e mais real entendimento da natureza de nosso Pai celestial. Lembrando que estamos considerando aqui o amplo monismo idealista e espiritual de Pietro Ubaldi, por julgá-lo o mais habilitado, na atualidade, para nos conduzir nessa escalada do conhecimento, uma vez que ele é o único capaz de absorver todas as outras doutrinas unicistas que citamos.
O monismo se apoia assim no princípio de unidade, como o fundamento que sustenta todo o edifício conceitual da criação, o alicerce de toda a fenomenologia universal. Por isso monismo nos diz que tudo no universo se constrói segundo um modelo único, oriundo de um único pensamento diretor que proporciona a tudo funcionamento e estrutura semelhantes. Observa-se, assim, um só princípio que se desdobra do geral ao particular, copiando-se sempre a si mesmo. Em decorrência disso, o universo se comporta como um grande e unitário organismo, um Todo coerente, funcionando suas partes de modo integrado em função de uma unidade maior.
Justifica-se, dessa forma, o fato de que as leis que regem esse Todo se comportem de forma idêntica em absolutamente todos os lugares em que expressa a existência, uma vez que elas são filhas de uma mesma Inteligência diretora. Se assim não fosse, não podendo se tocar fisicamente pelas imensas distâncias que os separam, os fenômenos não poderiam funcionar de forma tão semelhante. Por exemplo, por que a lei da gravidade atua exatamente da mesma maneira em regiões que jamais se conheceram? A unitária coerência das leis físicas é a máxima e inconteste prova de que a criação flui de uma única vontade que uniformiza todas as suas expressões fenomênicas, refletindo o Todo de onde provêm. “A unidade é a mais evidente expressão do monismo do universo e da presença universal da Divindade” – nos afirma Ubaldi em A Grande Síntese.
O princípio monista gera a repetição do tipo único, fazendo com que a criação reproduza, em todas as suas escalas, os mesmos fundamentos gerais do Todo. Por isso a obra divina, embora se divida do geral ao particular, irá refletir, nas partes, o mesmo comportamento da Unidade. A geometria monista faz-se assim holística em seus fundamentos, uma vez que as suas frações são iguais à totalidade.
Esquema este que identificamos nas formulações denominadas fractais, que se desenham como formas geométricas divididas em partes sucessivamente menores, as quais copiam, do infinito positivo ao negativo, a exata configuração do diagrama maior.
A dinâmica em fractal, segundo a qual é tecida a criação, representa exatamente o mesmo conceito apregoado pela doutrina holística atual, que se encontra refletido também no esquema holográfico, no qual cada porção repete exatamente a figura do conjunto. Princípio secular que se pode identificar nas culturas do passado, pois os grandes sábios de todos os tempos souberam enxergá-lo, com evidência, na expressão fenomênica do universo. Uma lenda védica nos diz que, no paraíso de Indra, há um colar de pérolas dispostas de tal maneira que, ao se olhar para uma delas, se vê refletido todo o colar. Anaxágoras no séc. V a.C. já afirmava que “tudo está em tudo” e que “em cada coisa há parte de todas as coisas”, conceito repetido por Heráclito no séc IV a.C., que, com poesia, nos revelava a mesma dinâmica holística do funcionamento universal, ao afirmar: “De todas as coisas um e do um, todas as coisas”. Parmênides, ao declarar que o cosmo era uma esfera única e imóvel, e Pitágoras, ao dizer que todas as coisas são números, vislumbravam igualmente a coesão unitária da criação. Os filósofos monistas, como Spinoza, ao supor o todo como a única realidade e Leibniz, declarando a unidade monádica da criação, estavam no encalço do princípio unitário. E, da mesma forma, os físicos modernos, empenhados na busca da grande teoria unificada, sem que o saibam, estão atendendo ao mais lídimo anseio da alma humana: a compreensão da lei de unidade que rege o universo e nos aproxima do Criador.
Esse princípio, contudo, foi melhor evidenciado por Jesus ao afirmar “Eu e o Pai somos um” e ao explicar que veio ao mundo “para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós” (João 10:30 e 17:21 respectivamente ), suscitando-nos a entrega da vontade a Deus a fim de constituirmos com Ele e o universo uma verdadeira unicidade.
Pelo fato de podermos reduzir tudo a um tipo único, torna-se possível assim compreender toda a estrutura da criação, pois se conhecermos os princípios que regem um determinado fenômeno, basta extrapolá-los para as maiores ou menores unidades que lhe seguem, uma vez que todos lhes serão análogos. Assim o Todo sempre copia a si mesmo, o microcosmo repete o macrocosmo e nas menores particularidades fenomênicas se acham sempre presentes os mesmos fundamentos gerais que regem a criação. Um idêntico pensamento gera galáxias, guia mundos, constrói átomos e também forma seres fecundados de vida, sentimentos e vontade. Isso nos leva a reafirmar, como aprendemos em A Grande Síntese, que uma mesma potência se faz coesão no átomo, atração no mineral, luta no animal, simpatia no homem e amor na angelitude.
Além disso, observa-se na criação que o impulso de unificação se equilibra com uma igual força de partição, que tudo divide em menores componentes, fazendo o geral fragmentar-se no particular e especializar-se em funções específicas. Fato necessário para que o Todo se converta em organismo, onde quer que se expresse a fenomenologia universal. Todavia, podemos observar também que, embora a realidade unitária se separe em partes constituintes, estas logo tornam a se juntarem no afã de reconstituir a unidade. E, assim, a rica complexidade fenomênica da criação nada mais é do que a pulverização de uma mesma unidade que busca reunir-se novamente, fundindo suas partes em um indissolúvel conjunto. Tal impulso é facilmente observável em nós mesmos, pois somos feitos de um inestancável anseio por unificações que somente a herança dos atávicos impulsos divinos pode explicar.
Unidades de princípios e finalidades, de ações e meios, de dinamismos e trajetórias fazem assim do universo um grande e unitário organismo. Por isso, isolar-se é morrer em nosso cosmo e todo “filho” está imbuído do permanente ensejo de reencontrar-se com o seu “Pai”.
O princípio monista imprime a tudo uma razão de ser e um funcionamento lógico, tornando o universo um todo por excelência, orgânico e ordenado. Na infinita variedade das formas, ele se expressa sempre igual, ressurgindo com mecanismos semelhantes e objetivos comuns, embora em níveis e particularidades, às vezes, aparentemente diferenciados. Logo, esse é o fundamento que confere ordem e harmonia ao cosmo, sem o qual tudo se esfacelaria em um completo caos.
A própria lei que rege a criação se comporta como uma unidade orgânica, pois seus princípios se desdobram sempre dos maiores para os menores, gerando uma coerência de funcionamento que se harmoniza em torno de objetivos comuns e faz convergir causa e efeito, tornando ilusórias as suas divisões, uma vez que, fundidos na unidade, nada tem existência isolada. Por isso, Deus está ao mesmo tempo no centro e na periferia da criação, por mais distante que se possa concebê-Lo, não havendo para o pensamento diretor do universo lugar onde não se ache presente com a mesma potência de Seu cerne de origem. “Todas as coisas estão cheia de deuses”, nos afirmou a visão intuitiva de Tales de Mileto, ainda no século VI a.C., que enxergou em tudo a manifestação da mente divina.
O fundamento monista nos diz ainda que o edifício divino tem, não somente uma única origem e funcionamento, mas se constrói através do transformismo de uma só substância, fato que caracteriza justamente o monismo substancial. Do pensamento de Deus, portanto, parte uma emanação criadora unitária, que Ubaldi denomina substância, capaz de se converter em tudo o que é possível existir. Indefinível em sua natureza íntima, tal substrato unitário se constitui, em sua origem, de uma potência criadora que se dinamiza pela vontade, concretizando-se em todos os elementos conhecidos e desconhecidos, fazendo do universo nada mais do que uma abstração da mente divina. Esse conceito torna espírito, energia e matéria elementos de idêntica natureza que se diferenciam apenas por íntimo funcionamento dinâmico e nada mais. E assim, no edifício monista, essas três apresentações fenomênicas têm uma mesma fonte e não são, absolutamente, geradas em separado como anteriormente julgávamos. O espírito é a ideia pura, a energia é a ideia dinamizada progredindo no tempo e a matéria, a mesma ideia encarcerada no espaço. Tornaremos a esse monismo substancial a fim de visualizá-lo melhor, mais adiante.
Compreendemos ainda que, embora pareça um contrassenso ao nosso precário entendimento, o princípio de unidade se manifesta como uma divisão conceitual dualística e ternária, pois ele se faz dualidade e trindade ao mesmo tempo. Fato indispensável para se gerar a complexidade fenomênica universal e que entenderemos melhor ao apresentarmos os princípios de dualidade e trindade que integram o funcionamento do Todo.
O monismo, como princípio de unidade, está então inexoravelmente presente em tudo o que se forma na natureza. Tudo se origina a partir de uma semente, um núcleo irradiante de potencialidades criadoras que se desenvolve na multiplicidade da forma. Por exemplo, somos uma admirável unidade orgânica, uma única vontade operante de um eu central, manifesto em um universo de 100 trilhões de células que nasceram de um único óvulo fecundado, expressando nitidamente o admirável princípio unitário que funciona no Todo e no particular. E não somente os seres biológicos se desenvolvem a partir de bases unitárias, pois o universo físico se expandiu a partir de um ponto mínimo de singularidade, as galáxias são irradiações de um poderoso núcleo de atração gravitacional e os sistemas solares se constroem a partir da convergência de diáfanas massas nebulares. No reino elementar, igualmente, uma única substância, o hidrogênio, é a base para a formação de todos os 94 elementos naturais. E chegaremos à compreensão de que um único substrato forma todo o edifício atômico, com sua variada gama de partículas fundamentais. E uma só força origina todas as energias do universo, fato que, se ainda é motivo de perquirições pela nossa ciência, já desponta na intuição humana como uma verdade fundamental, pronta para concretizar a tão sonhada grande teoria unificada do universo.
Conhecedores de que uma base monista governa a obra divina, torna-se fácil compreender que o individualismo separatista, que por vezes nos domina as intenções, é inadequado sentimento que nos aparta das portentosas forças que sustentam a criação e nos faz paupérrimos em meio à abundância que nela impera. Por isso, unificar-se é o sentido da vida e o anseio natural que deve nos mover na caminhada evolutiva.
Torna-se claro que a abrangente visão monista de Ubaldi resgata o conceito de um Deus criador, ou seja, o criacionismo secular, sem negar a verdade inconteste do evolucionismo hodierno. E, unindo teses e antíteses numa elevada dialética espiritual, nos capacita a alcançar a visão síntese em que se desenha a geometria cósmica, satisfazendo-nos o natural desejo de discernimento. Dessa forma, o monismo efetua uma das mais importantes reconciliações que o homem moderno, urgentemente, deve empreender: a união das duas irrevogáveis e aparentemente contraditórias teorias sobre a macroestrutura da criação que chegaram até os nossos dias, o criacionismo e o evolucionismo, justificando-se a exata posição de cada uma delas no arranjo do Todo.
Belo Horizonte, inverno de 2005
Gilson Freire

Nota: Este artigo integra a obra Arquitetura Cósmica, do mesmo autor e publicada pela Editora INEDE.
Bibliografia:
1) UBALDI, Pietro. A Grande Síntese. 21a ed. Campos dos Goytacazes: Ed. Instituto Pietro Ubaldi, 2001.
2) UBALDI, Pietro. Deus e Universo. 3a ed. Campos dos Goytacazes: FUNDÁPU, 1987.
3) UBALDI, Pietro. O Sistema. 2a ed. Campos dos Goytacazes: FUNDÁPU, 1984.
4) FREIRE, Gilson. Arquitetura Cósmica, Belo Horizonte: INEDE, 2006.


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