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terça-feira, 23 de agosto de 2016

ENCARNAÇÃO NOS DIFERENTES MUNDOS




Estudo - O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap III - Há muitas moradas na casa de meu Pai.

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ENCARNAÇÃO NOS DIFERENTES MUNDOS

172- Nossas diferentes existências corpóreas se passam na Terra?
- Não, mas nos diferentes mundos. As deste globo não são as primeiras nem as últimas, mas as mais materiais e distanciadas da perfeição.

173- A cada nova existência corpórea a alma passa de um mundo a outro, ou pode viver muitas vidas num mesmo globo?
-Pode reviver muitas vezes num mesmo globo, se não estiver bastante adiantado para passar a um mundo superior.

173-a. Podemos então reaparecer muitas vezes na Terra?
- Certamente.

173-b. Podemos voltar a ela depois de ter vivido em outros mundos?
- Seguramente; podeis ter já vivido noutros mundos bem como na Terra.

174- É uma necessidade reviver na Terra?
- Não. Mas se não progredirmos podeis ir para outro mundo que não seja melhor, e que pode mesmo ser pior.

175- Há vantagens em voltar a viver na Terra?
- Nenhuma vantagem particular, a não ser que se venha em missão, pois então se progride como em qualquer outro mundo.

175-a. Não seria melhor continuar como Espírito?
- Não, não! Ficar-se-ia estacionário, e o que se quer é avançar para Deus.

176-Os Espíritos, depois de se haverem encarnado em outros mundos, podem encarnar-se neste, sem jamais terem passado por aqui?
- Sim, como vós em outros globos. Todos os mundos são solidários; o que não se faz num, pode-se fazer noutro.

176-a. Assim, existem homens que estão na Terra pela primeira vez?
- Há muitos, e em diversos graus.

176-b. Pode-se reconhecer, por um sinal qualquer quando um Espírito se encontra pela primeira vez na Terra?
- Isso não teria utilidade.

177- Para chegar à perfeição e à felicidade suprema, que é o objetivo final de todos os homens, o Espírito deve passar pela série de todos os mundos que existem no Universo?
-Não, porque há muitos mundos que se encontram no mesmo grau e onde os Espíritos nada aprenderiam de novo.

177-a. Como então explicar a pluralidade de suas existências num mesmo globo?
- Eles podem alo se encontrar de cada vez, em posições bastante diferentes, que serão outra tantas ocasiões de adquirir experiência.

178- Os Espíritos podem renascer corporalmente num mundo relativamente inferior àquele em que já viveram?
-Sim, quando tem uma missão a cumprir, pra ajudar o progresso, e então aceitam com alegria as tribulações dessa existência, porque lhes fornecem um meio de se adiantarem.

178-a. Isso não podem também acontecer como expiação, e Deus não pode enviar os Espíritos rebeldes a mundos inferiores?
- Os Espíritos podem permanecer estacionários, mas nunca retrogradam; sua punição, pois é a de não avançar e ter de recomeçar as existências mal empregadas, no meio que convém à sua natureza.

178-b. Quais são os que devem recomeçar a mesma existência?
- Os que faliram em sua missão ou em suas provas.

179- Os seres que habitam cada mundo estão todos no mesmo grau de perfeição?
-Não. É como na Terra; há os que estão mais ou menos adiantados.

180- Ao passar deste mundo para outro, o Espírito conserva a inteligência que tinha aqui?
- Sem dúvida, pois a inteligência nunca se perde. Mas ele pode não dispor dos mesmos meios para manifestá-la. Isso depende da sua superioridade e do estado do corpo que adquirir.

181- Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos nossos?
- Em dúvida que têm corpos, porque é necessário que o Espírito se revista da matéria para agir sobre ela; mas esse envoltório é mais ou menos material, segundo o grau de pureza a que chegaram os Espíritos, e é isso que determina as diferenças entre os mundos que temos de percorrer. Porque há muitas moradas na casa de nosso Pai, e muitos graus, portanto. Alguns o sabem, e têm consciência disto aqui na Terra, mas outros nada sabem.

182- Podemos conhecer exatamente o estado físico e moral dos diferentes mundos?
- Nos Espíritos, não podemos responder senão a medida do vosso grau de evolução. Quer dizer que não devemos revelar estas coisas a todos porque nem todos estão em condições de compreendê-las, e elas os perturbariam.

À medida que o e Espírito se purifica, o corpo que o reveste aproxima-se igualmente da natureza espírita. A matéria se torna menos densa, ele já não se arrasta penosamente pelo solo, suas necessidades físicas são menos grosseiras, os seres vivos não têm mais necessidade de se destruírem para se alimentar. O Espírito é mais livre, e tem, para as coisas distanciadas, percepções que desconhecemos; vê pelos olhos do corpo aquilo que só vemos pelo pensamento.
A purificação dos Espíritos reflete-se na perfeição moral dos seres em que estão encarnados. S paixões animais se enfraquecem, e egoísmo dá lugar ao sentimento fraternal. É assim que, nos mundos superiores ao nosso, as guerras são desconhecidas, os ódios e as discórdias não têm motivo, porque ninguém pensa em prejudicar o seu semelhante. A intuição do futuro, a segurança que lhe dá uma consciência isenta de remorsos, fazem que a morte não lhes cause nenhuma apreensão; eles a recebem sem medo e como uma simples transformação.
A duração da vida, nos diferentes mundos, parece proporcional ao seu grau de superioridade física e moral, e isso é perfeitamente racional. Quanto menos material é o corpo, está menos sujeito ás vicissitudes que o desorganizam; quanto mais puro é o Espírito, menos sujeito às paixões que o enfraquecem. Este é ainda um auxílio da Providência, que deseja assim abreviar os sofrimentos.

183- Passando de um mundo par ao outro, o Espírito passa por nova infância?
- A infância é por toda parte uma transição necessária, mas não é sempre tão ingênua como entre vós.

184- O Espírito pode escolher o novo mundo em que vai habitar?
-Nem sempre; mas pode pedir e obter o que deseja, se o merecer. Porque os mundos só são acessíveis ao Espírito de acordo com o grau de sua elevação.

184-a. SE o Espírito nada pede, o que determina o mundo onde irá reencarnar?
- O seu grau de elevação.

185- O estado físico e moral dos seres vivos são perpetuamente o mesmo em cada globo?
-Não; os mundos também estão submetidos à lei do progresso. Todos começaram como o vosso em um estado inferior, e a Terra mesma sofrerá uma transformação semelhante, tornando-se um paraíso terrestre, quando os homens se fizerem bons.

É assim que as raças que hoje povoam a Terra desaparecerão um dia e serão substituídas por seres mais e mais perfeitos. Essas raças transformadas sucederão à atual, como esta sucedeu a outras que eram mais grosseiras.

186- Há mundos em que o Espírito, deixando de viver num corpo material, só tem por envoltório o períspirito?
- Sim, e esse envoltório torna-se de tal maneira etéreo, que para vós é como se não existisse; eis então o estado dos Espíritos puros.

186-a. Parece resultar daí que não existe uma demarcação precisa entre o estado das últimas encarnações e do Espírito puro?
- Essa demarcação não existe. A diferença dilui pouco a pouco e se torna insensível, como a noite se dilui ante as primeiras claridades do dia.

187- A substância do períspirito é a mesma em todos os globos?
-Não; é mais eterizada em uns do que em outros. Ao passar de um para o outro mundo, o Espírito se reveste da matéria própria de cada um, com mais rapidez que o relâmpago.

188- Os Espíritos puros habitam mundos especiais ou encontram-se no espaço universal, sem estar ligados especialmente a um globo?
-Os Espíritos puros habitam determinados mundos, mas não estão confinados a eles como os homens a Terra; eles podem, melhor que os outros estar em toda parte.(1)


(1)      De todos os globos que constituem o nosso sistema planetário, segundo os Espíritos a Terra é daqueles cujos habitantes são menos adiantados, física e moralmente; Marte lhe seria tanto inferior. E Júpiter muito superior em todos os sentidos. O Sol não seria um mundo habitado por seres corpóreos, mas um lugar de encontro de Espíritos superiores, que de lá irradiam seu pensamento para outros mundos, que dirigem por intermédio de Espíritos menos elevados, como os quais se comunicam por meio do fluido universal. Como constituição física, o o Sol seria um foco de eletricidade. Todos os sóis, ao que parece estariam nas mesmas condições.
O volume e o afastamento do Sol não tem nenhuma relação necessária com o grau de desenvolvimento dos mundos, pois parece que Vênus está mais adiantado que a Terra e Saturno menos que Júpiter.
Muitos Espíritos que animaram pessoas conhecidas na Terra disseram estar reencarnados em Júpiter, um dos mundos mais próximos da perfeição, e é  de admirar que num globo tão adiantado se encontrem homens que a opinião terrena não considerava tão elevados. Isto, porém, nada tem de surpreendente, se considerarmos que certos Espíritos, que habitam aquele planeta, podiam ter sido enviados à Terra, em cumprimento de uma missão que, aos nossos olhos, não os colocaria no primeiro plano; em segundo lugar, entre a sua existência terrena e a de Júpiter, podiam tido outra, intermediárias, nas quais se tivessem melhorado; em terceiro lugar, naquele mundo, como no nosso, há diferentes graus de desenvolvimento, e entre esses graus pode haver a distancia que separa entre nós o selvagem do homem civilizado. Assim, do fato de habitarem Júpiter, não se segue que estejam no nível dos seres mais evoluídos, da mesma maneira que uma pessoa não está no nível de um sábio do Instituto, pela simples razão de morar em Paris.
As condições de longevidade não são, por toda a parte, as mesmas da Terra, não sendo possível comparação de idades. Uma pessoa, falecida há alguns anos, quando evocada, disse haver encarnado, seis meses antes, num mundo cujo nome nos é desconhecido. Interpelada sobre a idade que tinha neste mundo, respondeu: “Não posso calcular, porque não contamos o tempo como vós; além disso, o nosso meio de apenas seis dos vossos meses nele me encontro, e posso dizer que, quanto à inteligência, tenho trinta anos de idade terrena.”
Muitas respostas semelhantes foram dadas por outros Espíritos e nada há nisso de inverossímil. Não vemos na Terra tantos animais adquirirem em poucos meses um desenvolvimento  normal? Porque não poderia dar-se o mesmo com o homem, em outras esferas? Notemos por outro lado, que o desenvolvimento alcançado pelo homem na Terra, na idade de trinta anos, talvez não seja mais que uma espécie de infância, comparada ao que ele deve atingir. É preciso ter uma visão bem curta para nos considerarmos os protótipos da criação, e seria rebaixar a Divindade, acreditar que além, de nós ela nada mais poderia criar






segunda-feira, 22 de agosto de 2016

FORMAÇÃO DOS MUNDOS

Estudo - textos relacionados - O Evangelho Segundo o Espiritismo cap. III  "Há muitas moradas na casa de Meu Pai".

O Livro dos Espíritos livro 1
CRIAÇÃO
Cap. III
I-                   Formação dos Mundos
O Universo compreende a infinidade dos mundos que vemos e não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço e os fluidos que o preenchem.

37- O Universo foi criado ou existe de toda a eternidade como Deus?
- Ele não pode ter sido feito por si mesmo; e se existisse de toda a eternidade, como Deus, não poderia ser obra de Deus.
A razão nos diz que o Universo não poderia fazer-se por si mesmo, e que, não podendo ser obra do acaso, deve ser obra de Deus.

38- Como criou Deus o Universo?
- Para me servir de uma expressão corrente: por sua Vontade. Nada exprime melhor essa vontade todo-poderosa do que estas belas palavras do Gênese. “Deus disse: Faça-se a luz, e a luz foi feita.”
39- Podemos conhecer o modo de formação dos mundos?
- Tudo o que se pode dizer, e que podeis compreender, é que os mundos se formam pela condensação da matéria espalhada no espaço.
40- Os cometas seriam como agora se pensa um começo de condensação da matéria, mundos em vias de formação?
- Isso está certo; absurdo, porém, é acreditar na sua influência. Quero dizer, a influência que vulgarmente lhe atribuem, porque todos os corpos celestes têm a sua para de influência em certos fenômenos físicos.
41- Um mundo completamente formado pode desaparecer, e a matéria que o compõe espalhar-se de novo no espaço?
- Sim, Deus renova os mundos, como renova os seres vivos.
42- Saberemos a duração da formação dos mundos; da Terra, por exemplo?
- Nada te posso dizer, porque somente o Criador o sabe, e bem louco seria quem pretendesse sabe-lo, ou conhecer o número de séculos dessa formação.


V. PLURALIDADE DOS MUNDOS.
55- Todos os globos que circundam no espaço são habitados?
- Sim, se o homem terreno está bem longe de ser, como acredita o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequeno globo tem o privilégio de ser habitado por seres racionais. Orgulho e vaidade! Crê em que Deus criou o Universo somente para eles.
Deus povoou os mundos de seres vivos, e todos concorrem para o objetivo final da Providência. Acreditar que os seres vivos estejam limitados apenas ao ponto que habitamos no Universo, seria pôr em dúvida a sabedoria de Deus que nada fez de inútil e deve ter destinado esses mundos a um fim mais sério do que o de alegrar os nossos olhos. Nada, aliás, nem na posição, no volume ou na constituição física da Terra, pode razoavelmente levar-nos à suposição de que tenha o privilégio de ser habitado, com exclusão de tantos milhares de mundos semelhantes.
56- A constituição física dos diferentes globos é a mesma?
- Não, eles absolutamente não se assemelham.
57- A constituição física dos mundos não sendo a mesma para todos, os seres que os habitam terão organização diferente?
- Sem dúvida, como entre vós os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar.
58- Os mundos mais distanciados do Sol são privados de luz e calor, de vez que o Sol lhes aparece apenas como uma estrela?
_ Acreditais que não há outras fontes de luz e de calor, além do Sol?
Não tendes em conta à eletricidade, que em certos mundos, desempenha um papel desconhecido para vós e bem mais importante que o que lhe cabe na Terra? Aliás, não dissemos que todos os seres vivam da mesma maneira que vós, com órgãos semelhantes aos vossos.
As condições de existências dos seres nos diferentes mundos devem ser apropriadas ao meio em que têm de viver. Se nunca tivéssemos visto peixes não compreenderíamos como alguns seres pudessem viver na água. O mesmo acontece com outros mundos, que sem dúvida contêm elementos para nós desconhecidos. Não vemos na Terra longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que haveria de impossível para eletricidade ser mais abundante que na Terra, desempenhando um papel geral cujos efeitos podemos compreender? Esses mundos podem conter em si mesmos as fontes de luz e calor necessários aos seus habitantes.
59- Os povos fizeram ideias bastante divergentes sobre a criação, segundo o grau de seus conhecimentos. A razão apoiada na Ciência reconheceu a inverossimilhança de algumas teorias. A que os Espíritos nos oferecem confirma a opinião há muito admitida pelos homens mais esclarecidos.
A objeção que se pode fazer a essa teoria é a de estar em contradição com os textos dos livros sagrados. Mas um exame sério nos leva a reconhecer que essa contradição é mais aparente que real resultante da interpolação dado a passagem que, em geral, só possuíam sentido alegórico.
A questão do primeiro homem, na pessoa de Adão, como único tronco da Humanidade, não é a única sobre a qual as crenças religiosas têm de modificar-se. O movimento da Terra parecia, em determinada época, tão contrário aos textos sagrados que não há formas de perseguição a que essa teoria não tenha dado pretexto. Não obstante, a Terra gira, malgrado os anátemas, e ninguém hoje em dia poderia contestá-lo sem ofender a sua própria razão.
A Bíblia diz igualmente que o mundo foi criado em seis dias, e fixa a época da criação em cerca de quatro mil anos antes da era cristã. Antes disso a Terra não existia; ela foi tirada do nada. O texto é formal. E eis que a Ciência positiva, a Ciência inexorável vem provar o contrário. A formação do globo está gravada em caracteres indeléveis no mundo fóssil, e está provado que os seis dias da criação representam outros tantos períodos, cada um deles, talvez, de muitas centenas de milhares de anos. E não se trata de um sistema, uma doutrina, uma opinião isolada, mas de um fato tão constante como o do movimento da Terra, que a Teologia não pode deixar de admitir prova evidente do erro em que se pode cair, quando se tomam ao pé da letra as expressões de uma linguagem frequentemente figurada. Devemos concluir, então que a Bíblia é um erro? Não, mas que os homens se engaram na sua interpretação.
A Ciência, escavando os arquivos da Terra, descobriu a ordem em que os diferentes seres vivos apareceram na superfície, e essa ordem concorda com a indicação no Gênese, com a diferença de que essa obra, em vez de ter saído miraculosamente das mãos de Deus, em apenas algumas horas, realizou-se, sempre por sua vontade, mas segundo a lei das forças naturais, em alguns milhões de anos. Deus seria, por isso, menos e menos poderoso? Sua obra se tornaria menos sublime, por não ter o prestigio da instantaneidade? Evidentemente, não. É preciso fazer da Divindade uma ideia bem mesquinha para não reconhecer a sua onipotência nas leis eternas que ela estabeleceu para reger os mundos. A Ciência, longe de diminuir a obra divina, vo-la mostra sob um aspecto mais grandioso e mais conforme com as noções que temos do poder e da majestade de Deus, pelo fato mesmo de ter ela se realizado sem derrogar as leis da Natureza.
A Ciência, de acordo neste ponto com Moises, coloca o homem por último na ordem da criação dos seres vivos. Moises, porém coloca o dilúvio universal no ano 1654 da formação do mundo, enquanto a Geologia nos mostra o grande cataclismo como anterior a aparição do homem, tendo em vista que até agora, não se encontra nas camadas primitivas nenhum traço da sua presença, da sua mesma categoria. Mas nada prova que isto seja impossível, várias descobertas já lançaram dúvidas a respeito, podendo acontecer, portanto, que de um momento para o outro se adquira a certeza material da anterioridade da raça humana. E então se reconhecerá que, neste ponto, como em outros o texto bíblico é figurado.
A questão está em saber se o cataclismo geológico é o mesmo de Noé. Ora, a duração necessária à formação das camadas fósseis não dá lugar a confusões, e no momento em que se encontrarem os traços da existência do homem, anteriores às grandes catástrofes, ficará provado que Adão não foi o primeiro homem, ou que a sua criação se perde na noite dos tempos. Contra a evidência não há raciocínios possíveis e será necessário aceitar o fato como se aceitou o do movimento da Terra e o dos seis períodos da Criação.
A existência do homem antes do dilúvio geológico, é não há dúvida, ainda hipotética, mas eis como nos parece menos. Admitindo-se que o homem tenha aparecido pela primeira vez na Terra há quatro mil anos antes de Cristo, se 1650 anos mais tarde toda a raça humana foi destruída, com exceção apenas de uma família, conclui-se que o povoamento da Terra data de Noé, ou seja, de 2350 anos antes da nossa era. Ora, quando os hebreus emigraram para o Egito, no décimo oitavo século encontrou esse país bastante povoado e já bem avançado em civilização. A História prova que, nessa época, a Índia e outros países eram igualmente florescentes, mesmo sem levarmos em conta a cronologia de certos povos, que remonta a uma época ainda mais recuada. Teria sido então necessário que do vigésimo quarto ao décimo oitavo século, quer dizer, num espaço de seiscentos anos, não somente a posteridade de um único homem tivesse podido povoar todas as imensas regiões então conhecidas, supondo-se que as outras não estivessem povoadas, mas também que nesse curto intervalo, a espécie humana tivesse podido elevar-se da ignorância absoluta do estado primitivo ao mais alto grau de desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas as leis antropológicas.
A diversidade das raças humanas vem ainda em apoio dessa opinião. O clima e os hábitos produzem, sem dúvida, modificações das características físicas, mas sabe-se até onde pode chegar à influência dessas causas, e o exame fisiológico prova a existência, entre algumas raças, de diferenças constitucionais mais profundas que as produzidas pelo clima. O cruzamento de raças produz os tipos intermediários, tende a superar os caracteres extremos, mas não cria estes, produzindo apenas as variedades. Ora, para que não tivesse havido cruzamento de raças, era necessário que houvesse raças distintas, e como explicarmos a sua existência, dando-lhes um tronco comum, e, sobretudo tão próximo? Como admitir que alguns séculos, certos descendentes de Noé se tivessem transformado a ponto de produzirem a raça etiópica, por exemplo? Tal metamorfose não é mais admissível que a hipótese de um tronco comum para o lobo e a ovelha, e elefante e o pulgão, a ave e o peixe. Ainda uma vez, nada poderia prevalecer contra a evidência dos fatos.
Tudo se explica, pelo contrário, admitindo-se a existência do homem antes da época que lhe é vulgarmente assinalada; a diversidade das origens; Adão, que viveu há seis mil anos, como tendo povoado uma região ainda inabitada; o dilúvio de Noé com uma catástrofe parcial, que se tornou pelo cataclismo geológico, e tendo-se em conta por fim, a forma alegórica de todos os povos. Eis porque é prudente não se acusar muito ligeiramente de falsas, as doutrinas que podem, cedo ou tarde, como tantas outras, oferecerem um desmentido aos que as combatem. As ideias religiosas, longe de perder se engrandecem, ao marchar com a Ciência, esse o único meio de não apresentarem ao ceticismo um lado vulnerável.


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