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domingo, 14 de fevereiro de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 1 – CAP 23


(utilize o site ifevale.org.br) 
FILOSOFIA DA VONTADE (SCHOPENHAUER) - FILOSOFIA DO PODER (NIETZSCHE) – EXISTENCIALISMO (SARTRE)
  
BIBLIOGRAFIA 
FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA – Huberto Rodhen – Edit Alvorada
OS FILÓSOFOS – Herculano Pires – Edições FEESP
50 GRANDES FILÓSOFOS– Diané Collinson–Ed Contexto 
SITES  www.mundodosfilosofos.com.br/  

REFLEXÃO 
O PODER DO ESPÍRITO X O ESPÍRITO DO PODER 
 Onde impera a força bruta não ocorre domínio da Razão. Todas as teorias filosóficas que valorizam a eficácia da violência, seja na forma de militarismo estatal, de comunismo operário, ou de mecanismo industrial, escravizam o homem seja por armas, pelo trabalho compulsório, ou pelos capitais voláteis.  Por outro lado o Reino dos Céus é prometido aos mansos e não violentos; e esse reino é essencialmente o reinado da razão e do sentimento, incompatível com qualquer espécie de força bruta. Hegel, Nietzsche, Marx, Dewey e todos seus simpatizantes são no fundo, apóstolos da violência e apóstatas do espírito. Por outro lado, Jesus, Francisco de Assis, Gandhi, Chico Xavier, Tolstoi, Schweitzer e outros homens que ultrapassaram as fronteiras do mundo individual e invadiram as regiões do universal, ou do racional-espiritual, abjuraram definitivamente toda e qualquer política de força física, porque sabiam e sabem de experiência própria que o poder do espírito começa lá onde termina o espírito do poder. 

TEMA(Vontade) “A força não é oriunda da capacidade física e sim de uma vontade indomável” (Gandhi)

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA 
 Esta aula tem por finalidade apresentar três representantes da Filosofia Contemporânea: Schopenhauer mostrando a importância da vontade no homem e colocando em evidencia todo o seu pessimismo, Nietzsche fazendo uma apologia ao super-homem e Sartre o mais famoso existencialista ateu do século XX. Trilharam cada um a seu modo caminhos filosóficos de tendências sombrias.

2ª PARTE: INTRODUÇÃO 
 Nesta aula vamos enfocar o negativismo dos séculos XIX e XX através desses três representantes.  Cada um a seu modo representa o aspecto sombrio da filosofia onde inclusive alguns pensamentos servirão de base para ideologias que sustentarão ditaduras.  Durante o século XIX e as primeiras décadas do século XX, surgiu um movimento de reação ao positivismo, em diversos países da Europa, denominado Espiritualismo qual pretendia reacender o debate acerca de questões éticas e metafísicas suprimidas pela doutrina positivista. A corrente espiritualista afirma que somente através da consciência podemos extrair os dados da investigação
filosófica ou científica, rejeitando o Materialismo exacerbado que dominava a época. Esses dados compostos não só pela reflexão interior do indivíduo, mas também por seus sentimentos, ideais morais e religiosos. No século XIX destaca-se Victor Cousin como destaque do movimento Espiritualista e no século XX foi Henri Bérgson que deu continuidade de forma brilhante ao valorizar a intuição. 

3ª PARTE: ARTUR SCHOPENHAUER (1788-1860) 
 Nasceu em Dantzig na Alemanha, em 1788, filho de comerciantes prósperos, estudou nas universidades de Gottingen de 1809 a 1811 e na de Berlim de 1811 a 1813.  Avesso ao cristianismo, interessou-se pelo budismo e hinduismo agregando inclusive elementos dessas religiões a sua filosofia.  Juntamente com Nietzsche é o filósofo germânico mais lido.  Os seus ataques a Hegel quando lecionava em Berlim o tornaram impopular e o levaram a fixar- se em Frankfurt como escritor independente. Schopenhauer era considerado pessoa um tanto “difícil”.  Kant dizia que o mundo objetivo ou externo é ignoto e que dele nada sabemos, mas o seu reflexo subjetivo ou interno é que tudo sabemos. Schopenhauer discordando dessa posição diz que não há duas legislações cósmicas uma para o sujeito e outra para o objeto. Devemos julgar o objeto de acordo com o sujeito. O que é, pois o âmago do eu humano? Os racionalistas (Descartes, Spinoza, Leibniz, Hegel) afirmam que a essência do homem é a Razão, que se revela em pensamento e se exterioriza em atos.  Schopenhauer descobriu, porém que o principal e típico no homem é a Vontade, o Querer e não o pensar.  O Pensar, o Inteligir é apenas um fenômeno derivado do Querer. Não é o nosso Pensar que determina o nosso Querer, mas justo o contrário.  A palavra “vontade” por ele tomada tem o sentido mais amplo. O homem é um feixe de vontades. A vontade é universal, o intelecto é o princípio da individualização. A Vontade é a permanente criadora do universo. Toda vida individual é essencialmente sofrimento, porque é egoísmo e só quando a vida individual acabar em desinvidualização é que começará a Felicidade (o Nirvana diria Buda é a extinção do ego individual). Logo, esse mundo é feito de sofrimentos, pois é feito de vidas individuais.  A doutrina ética de Jesus e de Buda, afirma ele, são visceralmente negativas; extinguir tanto quanto possível à vida terrestre e detestar todos seus atrativos. A lógica seria o suicídio em massa. Por que era Jesus tão amigo dos pobres, dos sofredores, dos deserdados e desesperados? E por que lançou tão terríveis anátemas contra os ricos e gozadores da vida.  A mulher também não ficou de fora de suas farpas negativamente envenenadas. Achava ele que ela era a principal responsável pelas misérias humanas, pois ela é a fonte geradora de vidas. O homem, ao contrário, não está interessado na perpetuação da espécie.  Sua principal obra foi O Mundo como Vontade e Representação. 

4ª PARTE: FRIEDRICH NIETZSCHE (1844-1900 ) 
 Nascido em Rocken, perto de Leipzig, na Alemanha. Era filho e neto de pastores protestantes Depois de Kant e Hegel, foi Nietzsche um dos filósofos mais influentes do mundo germânico. Profundamente desgostoso com a civilização ocidental procura Nietzsche o diagnóstico. Dois foram os pontos que segundo ele destruíram a civilização ocidental:
1- Um árido intelectualismo patrocinado principalmente pelas universidades germânicas
2- Um mórbido moralismo oriundo de um falso cristão o ex-rabino judeu Paulo de Tarso e continuado pelos teólogos da igreja cristã. Eis os grandes impedimentos para o aparecimento do homem integral e perfeito. Fortemente influenciado por Darwin e por Bismarck, Nietzsche afirmava que a natureza inteira está empenhada por uma luta pela vida donde resulta a sobrevivência do mais apto e a correspondente eliminação do menos apto.  Nietzsche julgou ter descoberto neste princípio inerente ao mundo orgânico a solução para os problemas da humanidade: era necessário que o homem fizesse conscientemente o que os seres inferiores faziam inconscientemente, ou seja, eliminar o que é fraco e incrementar o que é forte. Por isso, conclui Nietzsche, proteger, ter compaixão e piedade com os elementos fracos da humanidade é contra a vontade cósmica e, portanto eticamente reprovável pecado contra a Natureza. Esta não é democrática e sim aristocrática. A vontade última da natureza é a criação do homem perfeito, do super-homem.  Nietzsche por seu turno, não apregoa apenas à vontade como valor, principalmente à vontade de viver (como Schopenhauer), mas à vontade de viver poderosamente como sendo o segredo da perfeita felicidade. 
A visão que ele tinha sobre o Cristianismo era que Paulo, o apostolo dos gentios, introduziu três elementos, visceralmente anticristãos, a saber:
1- A ideia da maldade natural do homem
2- A concepção absurda da redenção pelo sangue e
3- O horror ao sexo pregando seu uso absolutamente para a reprodução. Nos demais casos, castidade e abstinência. Segundo Nietzsche, Jesus era forte e Paulo era fraco. Seu pensamento conduz a existência de dois elementos fundamentais e antagônicos: o espírito apolíneo (a ordem, a harmonia e a razão) e o espírito dionisíaco (o sentimento, a ação e a emoção). Na cultura ocidental, o espírito apolíneo é mais forte que o dionisíaco e o papel da filosofia seria o de libertar o homem dessa tradição.  A filosofia de Nietzsche conduz o homem a valores que sejam afirmativos de sua existência real, de sua vontade de poder, para que possa escapar dos valores e das crenças tradicionais.  Verá mais tarde que sua filosofia é mais destruidora que construtiva. Suas principais obras fora: “Assim falava Zaratustra” (1883) e Gaia Ciência (1882). Em 1889 sofre uma forte crise de loucura da qual não se recuperará até sua morte em 1900. 

5ª PARTE: A CRISE DA RAZÃO  
 No século XIX, entusiasmada com as ciências e as técnicas, a Filosofia afirma confiança plena e total no saber científico e na tecnologia para dominar e controlar a natureza, a sociedade e os indivíduos. Acreditava-se, por exemplo, que a Sociologia fosse oferecer um saber seguro e definitivo sobre o modo de funcionamento das sociedades evitando desigualdades, revoltas e guerras. Acreditava-se que a Psicologia descobriria o funcionamento da psique humana. Que seria possível livrar-nos dos medos, angustias e loucuras. Acreditava-se que a Pedagogia baseada nos conhecimentos científicos permitiria não só adaptar as crianças as exigências das sociedades como também educá-las segundo suas vocações e potencialidades psicológicas.  No entanto ao culminar a Belle Epóque burguesa do início do século XX com o 1º conflito mundial, a Filosofia passa a desconfiar do otimismo científico-tecnológico do século anterior em virtude de vários acontecimentos que estouraram no século XX: o surgimento da Rússia comunista, os dois conflitos mundiais, a destruição em massa devido a potentes artefatos nucleares, campos de concentração, surgimento de ideologias como nazismo e fascismo, ditaduras sangrentas na América Latina, poluição e devastação ecológica.  Este quadro influenciou enormemente e a Filosofia torna-se confusa neste século XX.  O final do século (e do milênio) reascende a chama mística onde os homens voltam novamente à religiosidade e ao metafísico. 

6ª PARTE: O EXISTENCIALISMO OU A FILOSOFIA DA EXISTÊNCIA 
 O Existencialismo apresenta características de uma filosofia que marca o final de uma época. Ele floresce em nossa época com fortes influencias do passado. Apesar de ter surgido com Kierkgaard foi Sartre que reabilitou essa filosofia. Por isso o termo Existencialismo quase sempre é associado com Existencialismo Ateu. Esse pensamento trata do homem concreto. Para o Existencialismo as coisas existem sem que sejam reguladas por essências ou leis gerais do Ser. As essências são criadas posteriormente, pela atividade mental. Faz parte da natureza humana, a tendência ao prazer, ao bem- estar e até a religião. São formas que constituem manifestações da busca do homem por um complemento e uma estabilidade que naturalmente lhe faltam. É a busca da realização pessoal.  Esse Existencialismo não espera que algo venha acontecer no final do processo. De certa forma é uma negação da aceitação do sofrimento para uma vitória final (um Paraíso, um Céu, um Nirvana). O Existencialismo Ateu, desta forma exige ao mesmo tempo um forte empenho e o reconhecimento da natureza finita do ser humano.  Esse Existencialismo trata do Ser em seu nível humano, em seu sentido terreno e reduz a problemática ao homem da Terra. O Existencialismo ou a vivencia do homem na Terra adquire, porém outros enfoques além do ateu-materialista. O enfoque dito cristão vem de Gabriel Marcel com o chamado Existencialismo Cristão. Outro ângulo é fornecido pela visão espírita onde se pode falar do Existencialismo Espírita ou Filosofia Espírita da Existência. E aqui podemos fazer a diferença entre a Filosofia Espírita e a Filosofia Espírita da Existência.  O Existencialismo é, portanto, uma corrente do pensamento que se inicia com Kierkegaard (1813 – 1855) considerado seu fundador, passando pelo alemão Heidegger, Jaspers, Gabriel Marcel, Nietzsche e chega a Sartre.

 7ª PARTE:  JEAN PAUL SARTRE ( 1905-1980 ) 
 Nasceu em Paris em 1905, foi romancista, teatrólogo, filósofo e político. Ele foi o melhor representante da filosofia do século XX. Carrega em si a grandeza e a miséria do nosso tempo (décadas de 40 a 80): o esplendor intelectual e o tumulto moral. Sua filosofia deriva do Existencialismo alemão de Heidegger levado até as extremas consequências, isto é, à nulidade e à insignificância da experiência, ao absurdo da existência. Sua “náusea” ocupa o lugar da “angustia” de Kierkegaard e Heidegger.  O marxismo esta em alta e com ele toda a filosofia materialista que o acompanha após a 1ª guerra mundial sendo o elo mais forte entre a Filosofia Moderna que se encerra e a Filosofia Contemporânea que inicia após aquele conflito. Sartre negou os habituais dualismos, admitidos na Filosofia. Para o filósofo o ser já é o que ele é. Além do ser só há o nada. O Ser é contingente, simplesmente existe em um tempo e espaço, sem que haja razão para sua existência.   Na filosofia de Sartre, não existem os universais metafísicos, de que tratam as filosofias racionalistas tradicionais.  O conceito de universal é desprovido de sentido.   O que se pretende dizer com a afirmação de que “a existência precede a essência”?   O significado é: primeiro de tudo o homem existe e provem do Nada, cresce, aparece em cena, depois é que se define a si próprio e seu destino é o Nada novamente.   O ser humano não foi criado por algo predefinido. Simplesmente o homem existe. Para ele a ideia de Deus é absurda e a da Criação contraditória. Para Sartre, o ente não é ativo nem passivo, nem afirmação nem negação, mas simplesmente repousa em si, maciço e rígido. É o ente em-si.  Sartre conta também com os sucessos de sua discípula e companheira Simone de Beauvoir. Sartre aparece depois da 2ª Guerra Mundial como o filósofo dos novos tempos mostrando a face angustiada de profeta da negação. O homem parte do Nada e volta ao Nada o que pode ser visto na sua obra prima “O Ser e o Nada” publicado em 1939. Os novos tempos se transformaram de possível esperança em imediato desespero. Sartre pode ser considerado como o continuador de Marx por seu desencanto e sua repulsa a sociedade burguesa agora entendida como a sociedade capitalista.  Na verdade Sartre no seu negativismo é também um negador de Marx, pois este ainda sonha com um mundo melhor para a classe operária na busca por um mundo melhor.
  
8ª PARTE – CONCLUSÃO 
 No século XX a filosofia culmina com esse estado refletido pelas filosofias negativistas e materialistas que se iniciam em Schopenhauer, passando por Marx, Nietzsche, Dewey e Sartre. Espelham um mundo que apostou tudo na Razão e no Positivismo. Questionando a civilização ocidental mergulhada numa moral abalada, num individualismo crescente, num pragmatismo extremado finaliza em valores embaralhados. O mundo se dividindo em classes sócio-econômicas e nações formando aglomerados políticos, ideológicos e econômicos. Tudo isso tendo como apoteose duas guerras mundiais num mesmo século. Em seguida o fenômeno da globalização endeusando a tecnologia e o capital.  O homem então se volta à única taboa de salvação no momento, viável, ao místico.  Este místico porem adota um lado violento (como o fenômeno da guerra santa islâmica), outro lado um misticismo salvador-redentor (como o fenômeno do cristianismo gospel) e por fim outro mais consciente místico- racional através das novas correntes espiritualistas. Alan Krambeck
  
9ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA 
 Próxima aula: 
Livro 1 Capítulo 24 -  A Filosofia Espírita e seus Filósofos
Leitura: 
Personagens do Espiritismo – Antonio de S. Lucena e Paulo A. Godoy – Ed FEESP  

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