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domingo, 14 de fevereiro de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 1 CAP 1

 
(utilize o site ifevale.org.br) 

SENSO COMUM – ALIENAÇÃO - IDEOLOGIA BOM SENSO - SENSO CRÍTICO
 
BIBLIOGRAFIA  FILOSOFIA ESPÍRITA – História da Filosofia e Principais Filósofos – Alan Krambeck 
FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA – Gilberto Cotrim – Edit Saraiva 
FILOSOFANDO – INTRODUÇÃO A FILOSOFIA – Mª Lucia A Aranha – Edit Moderna  DICIONÁRIO DE FILOSOFIA – Nicola Abbagnano – Edit. Martins Fontes

REFLEXÃO

O AQUÁRIO 
 Estamos há altas horas da noite sentados numa poltrona confortável em nossa sala. A rua já não apresenta barulhos e ruídos. Diante de nós, na penumbra da sala, um aquário iluminado com peixes vermelhos em seu interior.  Nossas meditações nos levam a uma relação com nossa vida cotidiana. Encontramo-nos iguais aos peixes, mergulhados em um aquário de pensamentos, de tradições, de valores e de informações. É onde vivemos. É desta água que retiramos nossos alimentos e o ar que respiramos.  Assim como o peixe, será que conseguimos visualizar esse líquido onde estamos imersos?  

1ª PARTE – OBJETIVO DESTA AULA    Esta aula tem como objetivo nos localizar diante de conhecimentos atuais, diante de nossa cultura, dos nossos costumes e, sobretudo diante desse mundo poluído de informações. Procuramos desvendar onde estamos mergulhados, analisando as águas que envolvem nossos pensamentos, nossos valores, nossos juízos e nossos procedimentos no dia a dia.

2ª PARTE – INTRODUÇÃO 
 Os termos aqui citados podem até terem sido ouvidos pela grande parte dos homens, mas, sobre seus conceitos, seu verdadeiro significado poucos foram os que se debruçaram, leram e refletiram sobre eles.  O conceito nos aclara a existência de algo que freqüentemente é-nos confuso ou até mesmo desconhecido. As questões existenciais e de valores passam a ser encarados como inúteis e conseqüentemente descartadas gerando total esquecimento da problemática humana.  A título de exemplo podemos citar um tema bem atual, o aquecimento global. Com base nesse contexto vamos dar um grito de resistência contra a banalização do homem e a depreciação do conhecimento.

3ª PARTE – SENSO COMUM 
 “Todo ponto de vista nada mais é que a vista de um único ponto”  E eis que muitos homens se orgulham ao pronunciar o “seu” ponto de vista onde muitas das vezes se prostram como sendo a única visão existente de determinada temática.  Ao falarmos da Lua, via de regra, nos esquecemos de que ela possui uma face que não nos é visível, uma face oculta e a nossa opinião quase sempre é sobre aquela que vemos, considerando a invisível como não existente ou mesmo, não pensada.
 Existem diferentes maneiras de se interpretar ou de se posicionar frente ao mundo. Em outras palavras, uma mesma situação pode ser vista de diferentes ângulos.  Antes de conceituar o senso comum, vamos entender cada termo. O dicionário nos diz que senso é a faculdade de julgar, de sentir, de apreciar. Está aliado a juízo, entendimento, percepção e sentimento. Logo, o senso implica tanto a óptica com o qual olhamos as coisas como quanto a maneira de como nos posicionamos diante delas. Comum seria normal, ordinário, coletivo.  O Senso Comum é, portanto o juízo feito pelo individuo com características de superficialidade, de sem reflexão e de inocência. Ele é o posicionamento formado pela união de informações pacificamente incorporadas.  Suas características são: a imprecisão (conceitos vagos e sem rigor), a incoerência (associação num mesmo raciocínio de conceitos contraditórios) e a fragmentação (conceitos soltos que não abrangem de modo sistemático o objeto estudado).  Fazem parte do senso comum as opiniões impensadas, emitidas por amigos, parentes, vizinhos, jornais, televisão e religião. Sua marca maior é a ausência de reflexão e a aceitação pacífica e inocente.  O senso comum se assenta na crença, no dogma e na tradição. Ele pode até não ser falso e conter informações verdadeiras, mas está sempre envolto com inverdades.  As implicações naturais do senso comum são: a alienação, a manipulação (não tendo consciência crítica é facilmente manipulável) e a massificação (criação de senso globalizante). 

4ª PARTE – ALIENAÇÃO 
 O conceito de Alienação está envolvido com a perda de posse de um bem, de uma faculdade ou até mesmo da autonomia. Perder o poder de escolha, perder a compreensão do mundo. Sua vontade mingua tornando a pessoa passiva.  A alienação pode se dar no trabalho onde o individuo não produz para si e recebe em troca um salário. A alienação pode ser no consumo quando compra sem necessidade. A alienação pode ser no lazer. As indústrias do lazer vendem hoje algo que o individuo compra iludido pela propaganda. A Ciência aliada ao Capitalismo passa a definir os paradigmas culturais, éticos e estéticos, vinculando unicamente as informações que favorecem a lógica da individualidade, do acumulo de riqueza e da satisfação dos prazeres imediatos, transformando o homem em um consumidor de produtos e serviços expostos nas prateleiras das mercadorias descartáveis facultando e até incentivando a alienação.  A Alienação consiste na prática não questionadora que torna o indivíduo passivo em qualquer esfera econômica, intelectual, artística ou política.  O indivíduo alienado, por não refletir, por não questionar, não sabe exercer seus direitos e suas obrigações diante da sociedade, é um cidadão inconsciente.  O alienado é fortemente influenciado pela propaganda e pela moda, ou seja, se torna um indivíduo manobrável. 

5ª PARTE – IDEOLOGIA 
 O senso comum é permeado pela ideologia.  A Ideologia pode tanto significar um simples conjunto de idéias de uma pessoa como de um grupo de pessoas ou até mesmo de um povo. Ela se torna mais prejudicial quando os objetivos em vez de beneficiarem a comunidade ou a sociedade se tornam benefícios de poucos (esses podem e são na maioria das vezes as chamadas classes dominantes).  O interessante é que o senso comum, integrado principalmente pela classe dominada, acaba comungando das idéias formuladas pela classe dominante sem ao menos saber disso.  A sociedade que valoriza o capital acaba valorizando o TER em detrimento do SER. Assim, carros, roupas, calçados, alimentos são exemplos da criação ideológica de paradigmas que ditam o que a população deve comprar.  Um forte aliado ao processo ideológico são os meios de comunicação. No Brasil, em particular, a televisão é o grande veiculador das idéias da classe dominante.

6ª PARTE – BOM SENSO 
 O senso comum precisa ser transformado em Bom Senso, este entendido como a elaboração coerente do saber e como a explicitação das intenções conscientes dos indivíduos livres.  O bom senso é o núcleo sadio do senso comum, segundo o filósofo Gramsci.
 Qualquer pessoa, não sendo vítima de doutrinação e dominação e se for estimulada na capacidade de compreender e criticar torna-se capaz de juízos sábios. Geralmente os obstáculos à passagem do senso comum ao bom senso resultam da exclusão do indivíduo das decisões importantes da comunidade onde vive.  Por vezes, empregados de empresas, especialistas em qualquer área, empresários e até cientistas podem estar restritos a formas fragmentárias do senso comum, quando se acham presos a preconceitos, a concepções rígidas, quando sucumbem à ação impositiva dos meios de comunicação de massa. Outras vezes renunciamos ao exercício do bom senso quando nos submetemos ao poder dos tecnocratas seduzidos pelo saber do especialista.  Qualquer homem, se não foi ferido em sua liberdade e dignidade, e se teve ocasião de desenvolver a habilidade crítica, com algum senso metódico de disciplina, e de reflexão acaba adquirindo o bom senso e se aproximando da Filosofia.  Não é automática a passagem do senso comum ao bom senso, pois a ideologia é forte obstáculo a essa migração.  Lembremos que Kardec na ocasião do seu enterro foi designado por Camille Flamarion, como sendo: “o bom senso encarnado”.  

7ª PARTE – SENSO CRÍTICO 
 O Senso Crítico, ao contrário do senso comum possui como principais características: a reflexão, a análise e a crítica sadia. Enfim, ele pauta-se pelo uso consciente da razão para administrar as idéias.   Enquanto dogmas, opiniões, crenças são idéias rígidas que no senso comum são aceitas pacificamente, no senso crítico, são minuciosamente investigadas e analisadas, o que proporciona um juízo coerente, autônomo e flexível sobre elas.  Devemos, entretanto, não confundir senso crítico com opiniões e juízos levianos a respeito dos procedimentos e idéias de outrem.  No senso crítico, os saberes filosóficos, científicos, religiosos, sociológicos e outros são extremamente valorizados, já que se tem uma idéia verídica sobre o que eles ensinam e proporcionam. Ou seja, o juízo crítico requer conhecimento.  Mesmo formulando juízos críticos devemos ter em mente sempre a moderação e a ponderação. Ao expormos nossas idéias as quais podemos considerá-las verdadeiras, lógicas e coerentes precisamos sempre fazê-las de forma fraterna.

8ª PARTE – CONCLUSÃO 
 Acreditamos que após os conceitos vistos podemos enxergar melhor a água do aquário onde estamos mergulhados.  A nossa consciência sobre tudo que vimos pode facilitar a obtenção de um oxigênio mais puro e por conseqüência mais saudável à nossa vida como seres intelectivos deste orbe. 
Alan Krambeck 

9ª PARTE – ASSUNTO E PESQUISAS PARA PRÓXIMA AULA 
Próxima aula: 
Livro 1 - Capítulo 2 - O que é a  filosofia? 
Bibliografia a ser pesquisada: 
FILOSOFIA ESPÍRITA – História da Filosofia e Principais Filósofos – Alan Krambeck  CONVITE A FILOSOFIA – Marilena Chauí – Ática Edit  FILOSOFANDO – INTRODUÇÃO A FILOSOFIA – Mª Lucia A Aranha – Edit Moderna  NOÇÕES DE HISTÓRIA DA FILOSOFIA – Manoel P São Marcos – Edit FEESP

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