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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS - A NOVA ERA - NÃO VIM DESTRUIR A LEI

ERASTO, discípulo de São Paulo

                                                                           Paris, 1863
   
 Santo Agostinho é um dos maiores divulgadores do Espiritismo. Ele se manifesta por quase toda parte, e a razão disso a encontramos na vida desse grande filósofo cristão. Pertencem a essa vigorosa falange dos Pais da Igreja, a que a Cristandade devem as suas mais sólidas bases. Como muitos, ele foi arrancado ao paganismo, ou melhor diremos, a mais profunda impiedade, pelo clarão da verdade. Quanto, em meio de seus desregramentos, ele sentiu na própria alma a estranha vibração que o chamava para si mesmo e lhe fez compreender que a felicidade não estava nos prazeres enervantes e fugidos; quando, enfim, na sua Estrada de Damasco, ele também ouviu a santa voz que lhe clamava: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”; exclamou: “Meu Deus! Meu Deus, perdoa-me, eu creio, sou cristão!” E desde então se tornou um dos mais firmes pilares do Evangelho. Podemos ler, nas notáveis confissões desse eminente Espírito,as palavras características e proféticas, ao mesmo tempo, que ele pronunciou ao ter perdido Santa Mônica. “Estou certo de que minha mãe virá visitar-me e dar-me o seu conselho, revelando-me o que nos espera na vida futura”. Que lição nestas palavras, e que brilhante previsão da futura doutrina! É por isso que hoje, vendo chegada a hora de divulgação da verdade, que ele já havia pressentido, faz-se o seu ardente propagador, e se multiplica, por assim dizer, para atender a todos os que o chamam.                                        

 

NOTA – Santo Agostinho vem, por acaso, modificar aquilo que ensinou? Não, seguramente, mas como tantos outros, ele vê com os olhos do espírito o que não podia ver como homem. Sua alma liberta percebe claridade nova, e compreende o que antes não compreendia. Novas idéias lhe revelaram o verdadeiro sentido de certas palavras. Quando na terra, julgava as coisas segundo os conhecimentos que possuía, mas, quando uma nova luz se fez para ele, pode julgá-las com maior clareza. É assim que ele deve revisar sua crença referente aos espíritos íncubos e súcubos, bem como o anátema que havia lançado contra a teoria dos antípodas. Agora, que o Cristianismo lhe aparece em toda a sua pureza, ele pode, sobre certos pontos, pensar de maneira diversa de quando vivia, sem deixar de ser o apóstolo cristão. Pode, sem renegar a sua fé, fazer-se o propagador do Espiritismo, porque nele vê o cumprimento das predições.  Ao proclamá-lo, hoje, nada mais faz do que conduzir-nos a uma interpretação mais sã e mais lógica dos textos. Assim também acontece com outros Espíritos, que se encontram numa posição semelhante.    

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Erasto, discípulo de Paulo trouxe essa mensagem em Paris, em 1863 sobre Santo Agostinho, que ele afirma ser um dos maiores divulgadores do espiritismo, manifestando-se por toda parte, através de médiuns diversos. Assim ele o faz porque, quando encarnado, aos trinta e dois anos de idade, ele " sentiu na própria alma a estranha vibração que o chamava para si mesmo e lhe fez compreender que a felicidade não estava nos prazeres enervantes e fugidios." 
           
Sua mãe, desde que ele nascera em 13 de novembro de 354 em Tagaste, na província romana da Numídia, na África, cristã convicta, educou-o nos princípios da religião, o que ele desprezar. 
           
Em um dia, deprimido e angustiado procurando por um sentido na vida, ouviu uma voz de criança a cantar seguidamente: "Toma e lê, toma e lê." Havia um livro sobre a mesa. Ele o abre ao acaso e lê : " Não caminheis em glutonarias e embriaguez, não nos prazeres impuros do leito e em leviandades, não em contendas e emulações, mas revesti-vos de Nosso Senhor Jesus Cristo, e não cuideis da carne com demasiados desejos." Parou de ler, "uma espécie de luz inundou-lhe o coração, dissipando todas as trevas da incerteza." Eram palavras de Paulo de Tarso. Decidiu então, penetrar " naquela regra de fé, por onde, há muito, sua mãe caminhava." 
           
Tornou-se vigário, bispo e permaneceu por mais de quarenta anos ligado à igreja de Hipona. 
           
Até o quarto século, o cristianismo era uma doutrina, aparentemente, simples, baseada nos escritos evangélicos, sem fundamentação filosófica, ou seja " não se apresentava como um conjunto de idéias produzidas e sistematizadas pela razão em um todo lógico. Era uma doutrina revelada e não uma filosofia." 
           
Houve " tentativas de mostrá-lo ( o cristianismo) como doutrina não oposta às verdades racionais do pensamento filosófico helênico, tão respeitado pela autoridades romanas.. São Justino ( séc. II), Clemente de Alexandria ( sec. II e III ) e Orígenes ( sec. III) caminharam por essa via e revestiram a revelação cristã de elementos da especulação filosófica grega." Todavia, outros " reagiram contra essa mistura e defenderam a idéia da revelação cristã baseada exclusivamente na fé e nada tendo a ver com a especulação racional." Dentre estes, Tertuliano ( sec. II e III) que afirmava crer ainda que isso fosse absurdo. 
           
Santo Agostinho tentou fazer essa aliança entre a fé e a razão, realizando uma síntese à qual denominou "filosofia cristã", sistematizando uma concepção do mundo, do homem e de Deus, que se tornou por muito tempo a doutrina fundamental da igreja católica. 
           
Erasto nos apresenta Santo Agostinho como" um dos mais firmes pilares do Evangelho", desde sua conversão na Terra , em agosto do ano 386. Cita, numa demonstração de fé e de previsão do espiritismo, suas palavras, após o desencarne de sua mãe: " Estou certo de que minha mãe virá visitar-me e dar-me os seus conselhos, revelando-me o que nos espera na vida futura." 
           
Afirma Erasto que , " vendo chegada a hora de divulgação da verdade, que ele já havia pressentido, faz-se o seu ardente propagador, e se multiplica, por assim dizer, para atender a todos os que o chamam." 
           
Procurou Erasto mostrar-nos a continuidade da vida do Espírito, desenvolvendo-se sempre, num aprendizado constante na busca da verdade maior e continuando na tarefa de divulgar a verdade que apreende, auxiliando seus irmãos na retaguarda, cooperando na obra do Pai. 
           
Kardec, em uma nota, faz a seguinte pergunta: "- Santo Agostinho vem, por acaso, modificar aquilo que ensinou?" 
           
O homem na Terra, recebe os conhecimentos e os assimila segundo seu grau evolutivo. Assim, os que mais avançam em desenvolvimento espiritual e trabalham para o desenvolvimento dos seus irmãos na difusão da verdade possível, são também limitados pela inferioridade da humanidade e analisam muitas coisas segundo a percepção que conseguem alcançar neste plano. Estes , ao desencarnar, evidentemente vêem com muito mais clareza e facilidade a verdade e modificam algumas ou muitas de suas idéias. 
           
Desse modo, no plano espiritual, Santo Agostinho ao compreender o cristianismo com toda a sua pureza, pode, perfeitamente, pensar de maneira diferente sobre determinados pontos da verdade que abraçara . Justamente por isso, sabendo que o espiritismo não contraria em nada a doutrina do Cristo, sendo, ao contrário, o complemento que faltava a ele , quando encarnado, torna-se um seu divulgador, continuando a ser um cristão mais esclarecido que antes, continuando sua tarefa de servir a Jesus, na obra de Deus, procurando conduzir os cristãos " a uma interpretação mais sã e mais lógica dos textos." 
           
Da mesma forma, Espíritos que ensinaram e exemplificaram o mal, que colaboraram para erros e enganos, quando esclarecidos, se arrependem, preparam-se e retornam à Terra, mais tarde, para desfazer o que fizeram; sofrem as conseqüências nas ações dos que lhe seguiram as idéias contrárias às leis de Deus, lutam e trabalham para os convencer dos enganos, levando-os a modificarem suas idéias e atitudes. 
           
Bendito é Deus que criou leis sábias através das quais, seus filhos progridem sempre, em qualquer lugar, em qualquer tempo, em direção da perfeição e da felicidade !

           Nota : Os dados sobre a vida de Santo Agostinho foram tirados do livro Santo Agostinho, da coleção, Os Pensadores, da Nova Cultural, de São Paulo, em 1987.

 Leda de Almeida Rezende Ebner

O Evangelho Segundo o Espiritísmo cap I
http://cebatuira.org.br/estudos_detalhes.asp?estudoid=374

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