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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS - A NOVA ERA - NÃO VIM DESTRUIR A LEI


UM ESPÍRITO ISRAELITA

Mulhouse, 1861

9 – Deus é único, e Moisés o Espírito que Deus enviou com a missão de fazê-lo conhecer, não somente pelos hebreus, mas também pelos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que Deus se serviu para fazer sua revelação, através de Moisés e dos Profetas, e as vicissitudes da vida desse povo foram feitas para chocar os homens e arrancar-lhes dos olhos o véu que lhes ocultava a divindade.

Os mandamentos de Deus, dados por Moisés, trazem o germe da mais ampla moral cristã. Os comentários da Bíblia reduziam-lhes o sentido, porque, postos em ação em toda a sua pureza, não seriam então compreendidos. Mas os Dez Mandamentos de Deus nem por isso deixaram de ser o brilhante frontispício da obra, como um farol que devia iluminar para a humanidade o caminho a percorrer.

A moral ensinada por Moisés era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos chamados à regeneração. E esses povos, semi-selvagens quanto ao aperfeiçoamento espiritual, não teriam compreendido a adoração de Deus sem os holocaustos ou sacrifícios, nem que se pudesse perdoar a um inimigo. Sua inteligência, notável no tocante às coisas materiais, e mesmo em relação às artes e às ciências, estava muito atrasada em moralidade, e eles não se submeteriam ao domínio de uma religião inteiramente espiritual. Necessitavam de uma representação semimaterial, como a que então lhes oferecia a religião hebraica. Os sacrifícios, pois, lhes falavam aos sentidos, enquanto a idéia de Deus lhes falava ao espírito.

O Cristo foi o iniciador da mais pura moral, a mais sublime: a moral evangélica, cristã, que deve renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los fraternos; que deve fazer jorrar de todos os corações humanos a caridade e o amor do próximo, e criar entre todos os homens uma solidariedade comum. Uma moral, enfim, que deve transformar a Terra, fazê-la morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, a que a natureza está sujeita, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se serve para elevar a humanidade.

São chegados os tempos em que as idéias morais devem desenvolver-se, para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Elas devem seguir o mesmo roteiro que as idéias de liberdade seguiram, como suas precursoras. Mas não se pense que esse desenvolvimento se fará sem lutas. Não, porque elas necessitam, para chegar ao amadurecimento, de agitações e discussões, a fim de atraírem a atenção das massas. Uma vez despertada a atenção, a beleza e a santidade da moral tocarão os Espíritos, e eles se dedicarão a uma ciência que lhes traz a chave da vida futura e lhes abre a porta da felicidade eterna. Foi Moisés quem abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá.

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Assina esta mensagem mediúnica Um Espírito Israelita, recebida em Mulhouse em 1861.Faz ele uma análise das missões de Moisés, de Jesus e do Espiritismo, demonstrando-as adequadas ao entendimento dos homens de sua época. Os ensinos que cada um trouxe, numa seqüência clara e lógica, conforme o amadurecimento espiritual da humanidade terrestre, encontraram mentes e corações esclarecidos, que os receberam, compreenderam-nos e os divulgaram.

 Interessante observar que a primeira revelação foi revelada a um homem Moisés, a segunda foi trazida e revelada por Jesus, o Espírito mais perfeito que veio à Terra e a terceira é centrada numa doutrina , codificada por um homem Allan Kardec, a partir das revelações de milhares de Espíritos através de médiuns de muitos países . Jesus continua na direção desse movimento renovador e redentor para auxiliar a humanidade no seu progresso espiritual.

Embora um povo, o hebreu, tenha sido escolhido para receber a primeira grande revelação, pela sua fé firme em um só Deus, Moisés a recebeu para toda a humanidade, pois os Dez Mandamentos constituíram-se no alicerce de toda a moral trazida por Jesus cerca de um mil e trezentos anos depois e a base para todos os códigos da justiça humana.

" Os comentários da Bíblia reduziam-lhes o sentido porque, postos em ação em toda a sua pureza, não seriam então compreendidos. Mas os Dez Mandamentos de Deus nem por isso deixaram de ser o brilhante frontispício da obra como um farol que devia iluminar para a humanidade o caminho a percorrer."

Os povos da época de Moisés, ainda muito atrasados quanto à evolução espiritual, não conseguiram compreender a adoração a Deus sem os holocaustos ou sacrifícios e nem tinham amadurecimento espiritual para compreenderem valores espirituais, por estarem ainda quase que inteiramente voltados para a vida material, na satisfação das suas necessidades materiais. Necessitavam pois, de uma religião que atendesse a essas necessidades. " Os sacrifícios pois, lhes falavam aos sentidos, enquanto a idéia de Deus lhes falava ao espírito."

Necessário então se torna separar, para a humanidade atual, a lei de Deus contida nos Dez Mandamentos das leis criadas por Moisés para um povo rude e atrasado na evolução espiritual.

A moral ensinada e vivida por Jesus, embora ainda difícil de ser praticada até para os que aceitam Jesus como o Messias Prometido é a moral que deve ser desenvolvida por todas as humanidades do Universo infinito, embora possa ser mais minuciosa e exigente em mundos onde habitam os Espíritos muito evoluídos.

A meta para a humanidade terrestre, constituída de encarnados e desencarnados, é viver segundo a moral que Jesus ensinou através das palavras e dos exemplos. Por isso Jesus disse: " Eu sou o caminho, a verdade e a vida e ninguém vai ao Pai senão por mim." Ele sabia o que dizia !

A moral de Jesus é o mais perfeito código de leis , o único capaz de transformar o homem, vindo dos reinos inferiores em anjos de luz, como Jesus demonstrou ser. Capaz de encarnar em um mundo inferior, morada de Espíritos imperfeitos e rebeldes à lei do Amor, conviver com eles, aceitando-os como eram, ensinado-lhes, com sabedoria e amor, as leis divinas, respeitando as leis humanas, imperfeitas, parciais, injustas, semeando muito para uma colheita fraca, aos poucos, no decorrer de milênios, entregando-se até ao sacrifício da cruz, por amor a seus irmãos inferiores.

A moral de Jesus é a única que tornará a Terra um mundo superior, morada de Espíritos sábios e bons, porque a lei do progresso é para todos e para tudo. A progressão é para o espírito e para a matéria. Tudo evolui para melhor !

O grande desenvolvimento científico e tecnológico atual, prenunciando avanços nunca antes imagináveis, não tem sido capaz de tornar o homem feliz, que é o maior desejo de todos, e a realização dessa aspiração está incluída na lei divina pois, não se pode conceber Deus Criador e Pai com criação imperfeita e filhos infelizes.

A moral de Jesus, direcionando toda a inteligência e capacidades espirituais é que tornará toda a humanidade feliz, um dia, como já tem tornado felizes os Espíritos Puros. Na proporção da evolução moral dos seus habitantes , a Terra, galgando os degraus da escala evolutiva será um mundo melhor e o único caminho a para isso é a vivência da moral contida nos Evangelhos de Jesus.

Esse desenvolvimento não será feito sem lutas, mas será realizado porque a razão nos diz que o progresso é um determinismo divino.

Termina o autor: " Foi Moisés quem abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o espiritismo a concluirá."

Leda de Almeida Rezende Ebner
Março / 2002
O Evangelho Segundo o Espiritismo cap I - Não vim destruir a lei

 http://cebatuira.org.br/estudos_detalhes.asp?estudoid=372

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