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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 3 CAP 14



A FUNÇÃO EDUCATIVA DA DOR

BIBLIOGRAFIA
O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR – Leon Denis – FEB
A GRANDE SÍNTESE –Pietro Ubaldi - Edit. LAKE

REFLEXÃO

É POSSIVEL UMA HUMANIDADE SEM DORES?

E a polêmica está lançada: um Deus infinitamente bom, justo e misericordioso não pode tirar seus filhos das dores, doenças e sofrimentos?
Todo este estado de coisas seria um castigo divino?
Seria a ira de Deus sobre aqueles que não Lhe obedecem?
Ou existe um fator oculto por detrás de todo esse sofrimento humano?
A dor como elemento educativo seria uma possível explicação?
A dor seria somente para os elementos diretamente vinculados ao sofrimento ou as suas relações também seriam afetadas? Que culpas teriam estes?

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA
O objetivo desta aula é investigar o fenômeno dor como função pedagógica. Levar-nos a refletir se seria essa forma de sensação o instrumento obrigatório da Lei de Justiça na evolução do Espírito encarnado. E o sofrimento, seria opcional?

2ª PARTE: INTRODUÇÃO
Na obra A Grande Síntese de Pietro Ubaldi, psicografando a entidade Sua Voz, afirma: “o homem ainda preso aos instintos primordiais do furto, da guerra, é necessário que ele atravesse dores terríveis porque só estas poderão fazer-lhe mudar abalando-lhe a consciência”.
Estas palavras de Sua Voz nos direcionam a um fato controverso de a dor ser a mola promotora da evolução e esta promover progressivamente a anulação da dor.
A dor acompanha o homem muito de perto na sua existência terrena. Por que ela existe?
Veremos que se trata de uma lei natural de reequilíbrio e educação.
A dor e o prazer são duas formas extremas da sensação. Para suprimir uma ou outra seria preciso suprimir a sensibilidade. Elas são inseparáveis e ambas necessárias a educação do ser.

3ª PARTE: AMOR E DOR
Outra contradição aparente é que tudo o que vive neste mundo, natureza, animal e homem sofrem, todavia o amor é a lei do Universo e por amor foi que Deus formou os seres.
Essa contradição é um problema angustioso que perturba os pensadores e os leva a dúvida e ao pessimismo. Quando ela atinge as profundezas do ser, faz de lá saírem os gritos eloquentes, os poderosos apelos que comovem e arrastam multidões. A sensibilidade se aflora.
Os grandes vultos da humanidade são aqueles que passaram pelas mais fortes dores e que além de superá-las, as transformaram em atos de amor. Estes alias, foram despertados pelos sofrimentos.
São necessários os infortúnios e as angustias para fazer a alma despertar as sensibilidades adormecidas.
Os pais, por amor, castigam seus filhos quando estes abusam em suas vontades. O castigo por vezes é acompanhado com angustia pelos progenitores, eles sabem da importância daquilo. Por outro lado, quando permitem estão se comprometendo com o futuro que produzem aos seus filhos.

4ª PARTE: A FUNÇÃO DA DOR
O calor, a temperatura e a pressão é que dão forma ao metal como da mesma maneira as dores físicas e psíquicas moldam a alma. Elas proporcionam a tenacidade, a persistência e a vontade de luta.
A dor forja o caráter. O sofrimento abranda a agressividade. E o aguilhão atenua o orgulho.
É muito difícil fazer entender aos homens que o sofrimento é bom. Bom no sentido de criar hábitos salutares e benfazejos.
Cada um de nós quereria refazer e embelezar a vida à sua vontade e com certeza escolheria os caminhos do ócio e da inércia que acanham o coração quando cria a situação de outros fazerem as suas tarefas.
É o dinamismo que dá o sabor do sucesso e a felicidade da criação presentes no nosso íntimo.
Esta sensação esta vinculada ao esforço interior que produz a mudança. Esta se atrela por sua vez aos sacrifícios do corpo físico.

5ª PARTE: AS MAIORES DORES
As maiores dores são mais lembradas aos homens que os grandes feitos apesar de ambos serem exemplos de procedimentos.
Para que uma vida seja completa e fecunda, não é necessário que nela abundem os grandes atos de sacrifício, nem uma morte dolorosa aos olhos de todos, precisamos aprender com as pequenas dores mesmo.
Admiramos Cristo, Sócrates, Joana D’Arc, Gandhi entre outros que através de suas dores não moveram uma agulha contra alguém bem como não tiveram necessidade de blasfemar contra o Pai e mesmo maldizer quem quer que seja. Suportaram suas dores com determinação e coragem.
Lembramos a admirável figura de Chico Xavier por inúmeras vezes caluniado e atingido verbalmente com as maiores maldades e sequer uma única vez soube oferecer uma recíproca que não fosse o silencio e um entendimento verdadeiramente cristão.

6ª PARTE: AS DORES FÍSICAS E AS DOENÇAS PSICOSOMÁTICAS
A dor física é, em geral, um aviso da natureza, que procura preservar-nos dos excessos. Sem ela, abusaríamos dos nossos órgãos até a ponto de os destruirmos antes dos tempos.
Persistindo em desconhecer os avisos da natureza, deixamos a doença desenvolver-se em nós.
A dor física resulta da desproporção entre nossa fraqueza corporal e as forças colossais da natureza.
Os ataques contra o corpo do homem são de origem física (radiações, quedas, tombos), de origem química (queimaduras) e de origem biológica (micro-organismos). Esses ataques da natureza forçam o homem buscar suas causas, suas origens, investigando e pesquisando. Enfim, desenvolver armas de proteção e com isto desenvolve o uso da intelectualidade.
A grande maioria das doenças e dores, porém, advém do nosso psiquismo que está sujeito a hábitos perniciosos ao corpo, vícios e até mesmo de defeitos da alma que irão se instalar no corpo físico. E assim, a dor física produz sensações e o sofrimento moral ocasiona sentimentos.

7ª PARTE: REVOLTA CONTRA A DOR
Na infância espiritual o homem se rebela contra as dores, contra as doenças e contra os sofrimentos fazendo com que haja até sobreposição de sofrimentos.
O entendimento no lugar da revolta nos trás aprendizados valorosíssimos. E ainda, a revolta torna a pessoa ácida, pessimista e por fim solitária.
Precisamos urgentemente entender a função da dor, caso contrário, estaremos punindo duplamente a nós mesmos e ao próximo.
A confiança na existência divina e desígnios da Providencia nos fornecem esperanças de dias recompensados.

8ª PARTE: A DOR COMO FERRAMENTA DE EVOLUÇÃO
O sofrimento nos animais já é trabalho de evolução para os respectivos princípios inteligentes que com eles coexistem lhes fornecendo os primeiros rudimentos de consciência. O mesmo sucede com o ser humano, nas suas reencarnações sucessivas. Se a alma vivesse livre de males, ficaria inerte, passiva, ignorante das coisas profundas e das forças morais que nela jazem.
A escala evolutiva se faz com experimentos diários resultantes de esforços contínuos. Esses experimentos são sempre frutíferos, pois, nos mostram os resultados benéficos ou maléficos dos mesmos. Os benéficos se traduzem em prazeres e os maléficos em sofrimentos.
A dor também é eficaz nas coletividades. A ameaça das feras e dos flagelos obriga o indivíduo a procurar seu semelhante. Foi dos sofrimentos comuns que o homem desenvolveu as ciências e as técnicas.

9ª PARTE – A DOR É UM CASTIGO? – DORES COLETIVAS
Não são poucos que traduzem a dor como castigo divino. Para esses ainda reside a ideia de um Deus vingativo contra os que não lhe prestam obediência. Esse castigo pode ser individual ou coletivo.
Na fase elementar da espiritualização a dor é entendida como castigo de Deus aos moldes do castigo aos maus procedimentos efetuados pelos pais genéticos. À medida que o homem avança para uma maturidade e independência espiritual adquire uma nova visão sobre a dor.
Os grandes flagelos, as grandes catástrofes também são entendidas como ensinos coletivos e aprendizado de melhoria da vida de relação.

10ª PARTE – A DOR E O MATERIALISMO
O cético, o ateu e o materialista questionam a existência de um Deus onde há dor, doenças, catástrofes e sofrimentos. Não conseguem conjugar a existência simultânea.
O poder divino seria capaz de remover tudo isso. Pensam eles. Se isto não ocorre é porque Deus não existe ou que Ele não tem poder para isso. Não enxergam o lado benéfico da dor e do sofrimento.

11ª PARTE –“BEM AVENTURADOS OS AFLITOS”
Jesus, o grande psicólogo dos homens dava essa versão às aflições. Falava-nos da
importância do sofrimento. Como espírito puro, espírito crítico tem o conhecimento da função educativa da dor por isso bendizia aos que padeciam em aflições, pois, era essa a ocasião oportuna na lapidação das almas.
Os céticos, ateus e materialistas se riem dessa ingenuidade, pois se encontram ainda cegos da visão e da compreensão holística do mundo.

12ª PARTE – A DOR NO GÓLGOTA
Muitos creem que as dores e o sofrimento de Jesus no Calvário tiveram objetivos salvíficos. E mais, esse martírio se fez para que pudéssemos usufruir salvando-nos do fogo eterno. Para tanto precisamos crer nisso e passar a levar uma vida regrada, disciplinada e temente.
O questionamento que se efetua é se tal procedimento é suficiente para habitarmos o Reino, ou se trata de um novo mito que a Filosofia deve voltar a inquirir.

13ª PARTE – CONCLUSÃO
Não existe a menor dúvida que há um paradoxo entre a existência das dores, sofrimentos concomitantemente com um Deus infinitamente bondoso, amoroso e misericordioso.
O não entendimento dessa incoerência teológica e os fracos argumentos racionais levam muitos ao ateísmo, ao materialismo e as frustrações.
Somente a objetividade da dor através de funções educativas é que podem explicar os fatos vivenciados pela humanidade.
Alan Krambeck

14ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E  PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA
Próxima aula:
Livro 3 – Cap. 15 - A Masculinidade e a Feminilidade – O Sexo dos Espíritos
Leitura:
FILOSOFIA ESPÍRITA –Tomo II – Manoel P São Marcos  – Edit FEESP

Extraído do site http://ifevale.org.br

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