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sábado, 23 de julho de 2016

O advento do mundo de regeneração



Extraído da Revista eletrônica O Consolador:

A transição da Terra para mundo de regeneração já se iniciou, mas, infelizmente, encontra-se longe de sua conclusão.
 
Já faz algum tempo que confrades daqui e de fora, provavelmente bem-intencionados, mas com certeza equivocados, vêm anunciando para o ano de 2057 o advento do mundo de regeneração. O tema parecia estar sepultado, mas voltou à cena recentemente em Londrina, o que nos leva a tratar do assunto da forma mais clara possível. 

Condições do mundo em que vivemos – Não é preciso haver cursado a Universidade para perceber que o mal e seus derivados reinam soberanamente em nosso mundo, onde as guerras, a corrupção, a iniquidade, a violência, as desigualdades sociais e as injustiças se verificam em todos os continentes, e não apenas em alguns poucos lugares.

 Em 1948, ano em que escreveu o livro “Voltei”, psicografado por Francisco Cândico Xavier, Frederico Figner – que ali se valeu de um pseudônimo: Irmão Jacob – trouxe-nos a informação de que mais da metade da população da Terra era,  àquela época, constituída por Espíritos bárbaros ou semicivilizados e que as pessoas aptas à espiritualidade superior não passavam de 30% da população do globo (veja o livro “Voltei”de Irmão Jacob pg 93).

Em 1949, no livro “Libertação”, cap VI, pag 79 e 80, André Luiz transmitiu-nos outra informação que corrobora os dados do livro referido. Em um momento em que ele se encontrava numa cidade espiritual localizada em plena região das trevas, Gúbio disse-lhe que, a determinadas horas da noite, ¾ (três quartos) da população da Crosta se acham nas zonas de contato com os Espíritos e a maior percentagem permanecia detida em círculos de baixa vibrações como aquele. “Por aqui – disse Gúbio -, muitas  vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e, não fosso o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante, sob  a égide do Cristo, acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas.”

Ora, é exatamente um quadro assim que deparamos atualmente, quase 60 anos depois, no mundo em que vivemos: um planeta em estado de convulsão no qual provavelmente jamais se conjugaram, como hoje, tantos problemas de ordem ideológica, social, política e econômica. Conflitos na Palestina, no Líbano e no Iraque; desentendimentos de natureza religiosa entre o Islã e o Vaticano; violência e ações terroristas que apavoram quem mora nas grandes cidades do chamado Primeiro Mundo como Londres, Paris, Madri e Nova Iork; multidões de famintos na África; desempregados generalizados em quase todos os países do planeta; expansão das atividades de narcotráfico e do crime organizado; corrupção incontrolável por todo o lado, especialmente no Brasil, onde ela se ramificou pelas três esferas do Poder, o Executivo, o Legislativo e o Judaísmo.

Fatores indispensáveis à passagem do orbe para um novo grau evolutivo – A elevação do planeta Terra de mundo de expiação e provas pra mundo regenerador requer que ocorra em nosso orbe uma série de transformações de ordem moral que estão muito distantes dos dias em que vivemos. O advento do mundo de regeneração não se dá nem se completa em pouco tempo. Claro que a transição do globo para mundo de regeneração já começou. Tal fato não se discute, visto que na Revista Espírita há inúmeras informações que o atestam. O equívoco é datar, é precidar, é ficar uma época em que tal processo estará concluído.

Não podemos, também, ignorar que estatísticas divulgadas pela Igreja informam que apenas 1/3 (um terço) da população da Terra professa o Cristianismo, aí incluídos católicos, protestantes e os adeptos de todas as religiões cristãs. Os demais habitantes do planeta – 2/3 da população, ou seja, mais de 4 bilhões de pessoas – nem mesmo conhecem o Evangelho do reino, um dado significativo indispensável à elevação do planeta à condição de mundo de regeneração.

A questão da data -  Quem já leu o Evangelho sabe do que Jesus, reportando-se a esse assunto, declarou: “Quando a esse dia e a essa hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho do homem, mas unicamente meu Pai”(Mateus, 24:36).

Comentando essa passagem do sermão profético, Kardec escreveu: “Quando sucederão tais coisas? Ninguém o sabe, diz Jesus, nem mesmo o Filho. Mas, quando chegar o momento, os homens serão advertidos por meio de sinais precursores. Esses indícios, porém, não estarão nem no Sol, nem nas estrelas; mostrar-se-ão no estado social e nos fenômenos mais de ordem moral do que físico e que, em parte, se podem deduzir das suas alusões.”  (A Gênese, cap. XVII, item 57.)

Dentre os estudiosos do Espiritismo, a maioria admite, como nossa confreira Suely Caldas Schubert, que a conclusão da transição referida no Evangelho e anunciada pelo Espiritismo não se dará antes de um milênio. Foi, aliás, o que Suely disse a Luis Claudio Galhardi em entrevista levada ao ar pela TV Tropical no dia 23-9- 2006, quando, aludindo à transformação do planeta Terra, afirmou: “Isso se dará, sim, mas deve demorar pelo menos mil anos”.

Os trê equívocos da propalada ideia – A fim de que não pairem dúvidas sobre o objetivo deste artigo, entenda o leitor que também admitimos que a transição da Terra, de planeta de provas e expiação para mundo de regeneração, já se iniciou. O que queremos mostrar é que, embora haja começado, essa transição encontra-se, infelizmente, longe de sua conclusão.
Estabelecer uma data em que isso se dará, como o ano de 2057, é, portanto, um erro, que advém de três equívocos:

1 equívoco – Embasar-se os que defendem tal ideia em previsões supostamente feitas pelos Espíritos, quando sabemos que:

I – Os bons Espíritos “fazem que as coisas futuras sejam pressentidas, quando esse pressentimento convenha; nunca, porém, determinam datas”. “A previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício de mistificação.”( O L.M . item 267, 8 paragrafo, pag 334.).

II – O próprio Emmanuel, a quem atribuem tal informação, afirma taxativamente no seu livro “Emmanuel”: “Os seres da minha esfera não conhecem o futuro, nem podem interferir nas coisas que lhe pertencem”. (Emmanuel, cap XXXIII, pag 166).

Aliás, a respeito da provisão atribuída a Emmanuel, escreveu Carlos A. Baccelli em seu livro “Chico Xavier – A Reencarnação de Allan Kardec” pag 186: “Talvez o que tenha ocorrido seja um erro de revisão, na obra citada.  Pelo andar da carruagem, a Terra demora tempo bem mais longo para se transformar no Mundo de Regeneração com que todos sonham”. Baccelli reproduz com tais palavras o pensamento do dr Inácio Ferreira, que afirma no livro “Fala, Dr, Inácio”. Pag 38 e39, que por muito tempo a Terra ainda será um Mundo de Provas e Expiações. Perguntaram-lhe: “Essa transformação ocorrerá neste milênio?”. Esperamos que sim”, disse Inácio.

2 equívoco – Imaginar que a transformação de um planeta se faz pela expulsão dos maus. Claro que pode haver expulsão, mas de um número diminuto de Espíritos, como Emmanuel refere ao tratar dos exilados de Capela.

Segundo Emmanuel escreveu em seu livro “A Caminho da Luz”(pags 34 e 37), há muitos milênios um dos orbes da Capela – uma grande situada na Constelação do Cocheiro - atingira a culminância de um dos seus ciclos evolutivos. Alguns milhões de Espíritos rebeldes ali existiam, no caminho da evolução geral, dificultando o progresso, e foram localizados na Terra, reencarnando aqui como descendentes dos “primatas”. Observe o leitor este dado: milhões de Espíritos rebeldes, o que é um número infinito comparado como os bilhões de almas que vivem em um planeta como o nosso.

Pois é exatamente isso que Kardec ensina, como podemos ler na Revista Espírita de 1866, pag 302 305:

Chegada a um de seus períodos de transformação, a Terra vai elevar-se na hierarquia  dos mundos.

A Terra não será transformada por uma cataclismo, que aniquilará subitamente uma geração.
Um dos caracteres distintivos da nova geração será a fé inata, fé raciocinada, que esclarece e fortifica, e une a todos num sentimento comum de amor a Deus e ao próximo.
A geração atual desaparecerá gradualmente, e a nova a sucederá, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas, com uma única diferença: uma parte dos Espíritos que aí se encarnavam não mais nela se encarnará.

Essa exclusão atingirá apenas os Espíritos fundamentalmente rebeldes, aqueles que o orgulho e o egoísmos, mais que a ignorância, tornam surdos à voz do bem e da razão.

3 equivoco – Ignorar o que seja realmente um mundo de regeneração, que, como o nome diz, não se destina a expiação, sendo em verdade um local de transição, de descanso, onde os Espíritos se preparam para novos embates, como mostra o texto seguinte, constante de “O E. S.E. cap III item 27: “Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Sem dúvida, em tais mundos o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impões silêncio ao coração, da inveja  que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis.”

Relembremos os crimes e os desmandos praticados pelos habitantes da Terra unicamente nos últimos 100 anos – a revolução comunista com seus milhões de mortos, as guerras mundiais de 1914 e 1939, a guerra do Vietnã, a guerra da Coreia, as duas guerras do Iraque, os conflitos entre católicos e protestantes na Irlanda, as confusões entre árabes e judeus na Palestina, as ações terroristas dos últimos anos – e veremos que os habitantes deste planeta e não apenas uma minoria, têm ainda muito o que expiar, a reparar, a consertar, e é exatamente isso que perturba a atrás a transição, impossibilitando a fixação de uma data, tal como Jesus deixou bem claro no conhecido sermão profético.

Astolfo O. de Oliveira Filho
http://www.oconsolador.com.br/ano3/118/especial.html







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