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quinta-feira, 21 de abril de 2016

DEUS

"O que é Deus?
 — Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas."
 Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, item l 

O SER CUJA REALIDADE transcende o próprio universo permanece ainda incompreendido pela grande maioria de suas criaturas, de seus filhos.

O homem já nasce com a intuição de que existe uma força soberana que se irradia em todo o universo, à qual dá o nome de Deus. Entretanto, sabemos que a verdade assemelha-se à luz da aurora, que vai clareando lentamente até atingir a exuberância do sol do meio-dia.

O conhecimento do homem a respeito de seu Criador não foge à regra. Inicialmente, não podendo compreender os atributos de um ente espiritual que detém todo o poder e todas as perfeições num grau absoluto, o homem passou a humanizar Deus, transformando-o segundo os seus conceitos, à sua imagem e à sua própria semelhança.

Começa a emprestar ao Criador Supremo suas próprias imperfeições e cria a imagem de um Deus antropomórfico.

O homem transforma Deus numa divindade humanizada, que se ira, sente raiva, precisa de sacrifícios para aplacar sua sede de justiça e sangue; enfim, personaliza o Criador, atribuindo-lhe a imagem de um ancião de longas barbas, dominando um paraíso beatífico e pronto para irar-se ao primeiro sinal de rebeldia ou ignorância de suas criaturas, de seus filhos.

A ignorância do homem colocou a divindade tão distante do ser humano que se tornou quase impossível à criatura chegar-se ao Supremo Senhor, o Pai.

Observamos, por exemplo, como a ideia a respeito de Deus evoluiu no transcorrer dos milênios.

Segundo a tradição bíblica, os filhos de Adão estabeleceram o culto à divindade oferecendo sacrifícios e oferendas ao ser que entendiam ser Deus. Caim e Abel, na alegoria dos livros hebraicos (Gn 4:3-4), começaram com suas dádivas, frutos da terra e sacrifícios de animais, e estatuíram a primeira forma de culto, quando a criatura, em sua ignorância, pôde perceber, de maneira imprecisa, a presença de Deus na criação.

 A partir daí o homem passou a desenvolver seu próprio conceito de Deus, humanizando-o, indo desde a adoração às forças da natureza até o estabelecimento de um sistema ritual que incluía sacrifícios, manjares e muito sangue para tentar agradar a divindade, conforme se pode ler no Pentateuco1, conjunto de livros bíblicos supostamente escritos por Moisés.

No sistema de culto estabelecido pelos hebreus, Deus era visto como uma divindade que necessitava de sangue e outras demonstrações inferiores para se satisfazer. Na realidade, esse tipo de culto primitivo não passava de uma tentativa de barganhar com a divindade.

Com Jesus, no entanto, caiu o véu que encobria os olhos do homem; ele trouxe-nos um conceito de Deus mais compatível com a realidade universal.

Jesus chamou Deus de Pai e falou, em suas palavras sábias, que "tempo virá que os verdadeiros adoradores do Pai o irão em espírito e verdade, porque Deus é espírito, e importa que seja adorado em espírito e verdade" (Jo 4-23-24).

Compreende-se, com Jesus, que Deus é Amor, Justiça, Vida; enfim, é o Pai de todas as criaturas, o princípio sobre o qual se sustenta a idade do universo.

Cai por terra todo o sistema de sacrifícios e barganhas que o homem tentou incutir em sua mente a respeito de Deus.

Mas é com a Doutrina Espírita, que estabelece o conceito de que Deus é Consciência Cósmica, que a humanidade marcha para uma compreensão cada vez mais ampla da divindade.

Descartando a ideia de um Deus antropomórfico, que se confunde com a própria criatura, os imortais revelam que Deus é a causa causal de todas as coisas, a Consciência Suprema sempre presente em todo o universo, transcendendo com esse conceito todos os outros até então trazidos para a humanidade.

Deus não é mais personificado, é o Espírito do Universo.

Por analogia, podemos compará-lo ao que o espírito encarnado é para o corpo físico.

Deus é Espírito, disse Jesus.

O espírito é uma consciência que rege o mundo orgânico.

Cada órgão, cada célula, cada átomo do corpo físico acha-se intimamente ligado ao espírito, embora o espírito não seja a soma desses órgãos.

Sem o espírito, o corpo seria apenas uma massa disforme, não um homem.

Deus é a Consciência que estabelece a ordem e a harmonia do universo.

Cada constelação, cada galáxia, cada planeta, cada sol, cada erva, cada átomo é eternamente preenchido pela Consciência divina.

Deus é imanente a toda a criação.

Mas a criação não é o Criador.2

Ele é a Consciência que fecunda de vida todo o universo, que mantém os mundos na amplidão, em sua eterna marcha, suspensos sob sua atuação, nos espaços infinitos.

Mas a realidade divina transcende tudo isso.

Imaginai por um momento o aspecto físico e energético do universo.

O conjunto dos sistemas siderais, os reinos estelares, as famílias planetárias com o cortejo de humanidades3 que carregam consigo, as galáxias e universos, cuja grandeza foge à capacidade de compreensão dos seres criados.

Além disso, nessa realidade física, desdobrando-se em outras faixas vibratórias, que também fogem à compreensão do homem terreno, vibram seres e coisas, outra realidade, outras dimensões.

Aí igualmente está presente, coordenando, orientando, mantendo a existência de todas as coisas que vivem em estados diferentes da matéria física, a Consciência Universal, Deus.

Além desses outros campos de vida, adentrando o domínio de campos energéticos e, mais ainda, de abstrações mentais, mundos que superam a própria existência do tempo e do espaço, da forma e das dimensões conhecidas pelo homem, a Consciência Cósmica de Deus a tudo preside, a tudo governa, a tudo mantém.

E de analogia em analogia entendemos, através de mil conceitos, o que a Doutrina Espírita diz ao afirmar que Deus é a "causa primária de todas as coisas", imanente e transcendente a toda a criação.

Ele está presente em cada coisa, desde o átomo à erva que nasce no campo, ao homem que não o compreende em Sua grandeza, aos sistemas na imensidade.

Mas Deus está igualmente além de qualquer realidade objetiva ou subjetiva, além de qualquer fronteira vibratória, de qualquer limite que a imaginação possa conceber, irradiando seu pensamento soberano em tocas as partes do universo e eternamente presente em qualquer lugar.

O universo se apresenta como a materialização do pensamento divino.

Sua essência incompreendida é sempre presente.

Sua presença e existência resultam nas Leis Universais4, que as criaturas estudam através dos séculos.

Sua eterna presença é Lei.

Paira acima de qualquer conceito filosófico ou definições existentes ou que venham a existir a respeito dele.

Imanência e transcendência.

O conceito que o Espiritismo vos mostra a respeito de Deus prepara-vos para viver na Era Cósmica que se avizinha.

Seus atributos de eternidade, atemporalidade, onisciência, onipotência, onipresença, já longamente discutidos em todas as religiões, na Doutrina dos Imortais são ampliados com a visão cósmica de Deus.

Não podemos comparar a Divindade a uma força ou  energia, pois força e energia são perfeitamente explicáveis pelos modelos da nomenclatura científica terrena. O Ser onisciente é mais ainda do que qualquer conceito o possa definir.

 No ensinamento bíblico, quando Moisés perguntou ao Enviado do Eterno quem ele era, a resposta foi: "Eu sou o que sou" (Ex 3:14). Esse nome, embora incompreensível para a maioria dos mortais, encerra a verdade de que Deus permanece indefinível pelo vocabulário humano.

Certo que podemos nos aproximar de uma compreensão de seus atributos, mas defini-lo é ainda impossível.

Compreendê-lo ainda é difícil, mas com a vinda de Jesus e a revelação espírita ampliou-se o entendimento a respeito dos atributos da Divindade.

O que mais podemos fazer é, a partir de comparações, tentar nos aproximar o mais possível, na medida de nossa acanhada compreensão, da grandeza do Todo-Sábio.

A realidade inquestionável é que Deus é Pai5, na definição mais clara que Jesus pôde dar à humanidade.

Ao analisarmos os primeiros momentos conhecidos da vida universal, as primeiras manifestações da vida no micro ou macrocosmo, podemos perguntar: Existiu um poder idealizador e organizador que deu origem ao universo?

Quem ou Que deu a base e formulou as leis que desde o princípio presidiram a evolução?

De onde surgiu a primeira informação que ordenou as moléculas do DNA?

Onde está a inteligência dinâmica que estruturou o primeiro átomo ou que deu carga elétrica ao primeiro elétron?

Ao observarmos a perfeição das leis e sua estrutura material tal como foram descobertas por físicos e sábios de variadas épocas, perguntamos: Quem estatuiu ou Que elaborou tais leis de forma que elas regulem cada segmento da vida universal?

Necessariamente, a razão nos impele para a existência de um plano diretor de todas as formas do universo.

Como disse certo sábio de vosso mundo, "Caso Deus não existisse, teríamos de inventá-lo, para encontrar a razão de ser de tudo o que existe".

Diante de simples observações materiais, qualquer ser com um mínimo de bom senso compreende que há uma intenção organizadora e modeladora por traz de tudo o que existe.

Caso a Terra estivesse afastada do Sol apenas um único centímetro a mais da distância em que se encontra, jamais a vida teria chance de se desenvolver da forma como se desenvolveu em sua superfície.

Observando a Lua, as leis que regulam as forças que a prendem em suas balizas, compreende-se que, se as forças gravitacionais que a sustentam fossem dispostas um grau a mais ou a menos do que se observa, o satélite de vosso planeta seria arrastado irremediavelmente para a superfície planetária ou se arrojaria ao espaço, causando cataclismos climáticos e geológicos que, com certeza, impediriam a vida de se organizar tal como se organizou ao longo dos milênios.

Com relação ao próprio Sol, centro do vosso sistema planetário, com seu sistema equilibrado de fusão e fissão nuclear, caso não fosse estabelecido o equilíbrio entre sua pressão interna e externa, não teria passado de uma bomba de proporções galácticas, e a vida em vosso mundo não teria se desenvolvido conforme observais atualmente.

Observando mais de perto, vemos como a simples existência dos raios ultravioleta ou outras radiações perigosas vindas do cosmos fez surgir a necessidade de uma película protetora de ozônio que impedisse esses mesmos raios de destruir a vida organizada.

Tudo isso e muito mais leva a pensar seriamente que há uma intenção por trás de tudo o que existe e um planejamento divinamente orientado para estatuir as leis, as distâncias, as forças que regulam a vida e suas manifestações em roda parte do universo.

Em tudo está a Consciência de Deus, elaborando a vida, dinamizando as leis, regulando a evolução de uma forma maravilhosa.

Alonguemos mais as nossas observações e aprofundemos-nos nos conceitos, sem, contudo, perder a simplicidade.

A existência de um Ente Supremo, de uma Consciência que tudo orienta, que tudo gerou, desperta em nós a compreensão de que essa inteligência, para administrar tudo isso, todo o complexo da vida cósmica, há de ser necessariamente onisciente.

Esse Ser deve saber com antecedência e em plenitude tudo aquilo que deve acontecer, todos os passos de suas criaturas, todas as escolhas e, necessariamente, todas as consequências dessas escolhas.

É impossível conceber a Suprema Consciência sem o atributo da onisciência.

Portanto, podemos entender que todos os caminhos escolhidos, todas as lutas e fracassos, vitórias ou derrotas que o ser experimenta ao longo de sua trajetória evolutiva terão de ser conhecidos, previstos e admitidos no plano diretor do Todo-Sábio.

Contudo, não podemos dizer, resolvendo essas questões filosóficas de uma forma simplista, que os seres criados estejam fadados a uma lei inexorável da qual não podem furtar- se ou subtrair-se.

Ao lado da onisciência do Poder Criador e da Mente Diretora do Universo, a providência divina é, igualmente, um atributo ou uma forma de a Suprema Consciência definir as variáveis que auxiliarão os seres criados na escolha a seguir.
(veja mais em O bem e o mal  e as leis para regular o processo educativo de seus filhos)


1 Pentateuco é o nome dado aos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, de autoria atribuída a Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, nessa ordem, que constituem a Tora,  a lei para o povo judaico.
 2 As afirmativas de Zarthú estão em concordância com a posição espírita, que rejeita o panteísmo. Segundo o autor, Deus é imanente a toda a criação, mas isso não significa dizer que ele seja a própria criação. Mais adiante, o autor ocupa-se da natureza transcendente do Criador. Em sua tradução de O Livro dos Espíritos, Herculano Pires já anota essa polêmica relativa à natureza imanente e, simultaneamente, transcendente de Deus. (Ver nota do tradutor à questão 615 da obra citada. As editoras que publicam as traduções de H. Pires são: Feesp, EME e Lake.) 3 O conceito filosófico da pluralidade dos mundos habitados será referência cons- tante nesta obra. (Ver, a propósito, os textos de Allan Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 3, bem como em O Livro dos Espíritos, livro l, cap. 3.)
 4 Leis Universais – Todas as culturas e todo o pensamento humano são voltados para o conhecimento dessas leis. A filosofia, concebida historicamente como méto- do racional de apreensão do real, sempre buscou estabelecer a ordem subjacente que rege a existência — ainda que, segundo o pensamento de alguns filósofos, a existência seja regida pela absoluta falta de ordem — o que, em si mesmo, constitu- iria uma lei do caos, se assim se pode afirmar. O Espiritismo estabelece uma síntese dessas leis divinas, universais, estudando aquilo que Kardec chama de leis morais. (Ver O Livro dos Espíritos, livro III.)
5 Pai – Ao chamar Deus de Pai (Mt 5:16 passim), Jesus inaugura uma nova era na história da humanidade, apresentando-o de maneira diversa de Moisés e de todos os profetas do Antigo Testamento, para os quais Deus era um ser irado e vingativo, o Senhor dos Exércitos.

 Gestação da Terra – Robson Pinheiro [pelo espírito Alex Zarthu] cap 1

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