Translate

domingo, 14 de fevereiro de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 1 – CAP 5

(utilize o site: ifevale.gov.br) 
OS FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS 

BIBLIOGRAFIA   A HISTÓRIA DA FILOSOFIA E OS PRINCIPAIS FILÓSOFOS – Alan Krambeck
OS PENSADORES – PRÉ-SOCRÁTICOS –  Editora Nova Cultural
HISTÓRIA DA FILOSOFIA OCIDENTAL – Bertrand Russel – Edit. Universidade Brasília  HISTÓRIA DA FILOSOFIA – H Padovani / L. Castanhola – Ed Melhoramentos 

REFLEXÃO
ONDE ESTÁ DEUS? Não procures Deus nos templos de pedra e de mármore, oh homem que o queres conhecer, e sim no templo eterno da Natureza, no espetáculo dos mundos a percorrer o Infinito, nos esplendores da vida que se expande em sua superfície na vista dos horizontes variados: planícies, vales, montanhas e mares que a tua morada terrestre te oferece.  Por toda parte, à luz brilhante do dia ou sob o manto constelado das noites, à margem dos oceanos tumultuosos e assim na solidão das florestas, se te sabes recolher, ouvirá as vozes da Natureza e os sutis ensinamentos que murmura ao ouvido daqueles que frequentam suas solidões e estudam seus mistérios. 

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA   Esta aula tem como objetivo apresentar os primeiros filósofos cuja preocupação era a determinação do princípio das coisas (a arché) que constitui a natureza (a physis). 

2ª PARTE: AS COLÔNIAS GREGAS NA JONIA 
A chegada dos dórios no século XII AC às circunvizinhanças do Mar Egeu constitui momento decisivo na formação do povo e da cultura grega. A sociedade micenica ali instalada era composta por grande número de famílias principescas. Vindos em bandos sucessivos os dórios dominam a região, pois apesar de mais atrasados que os aqueus possuem uma incontestável superioridade bélica. Isto provoca migração dos aqueus para as ilhas e costas da Ásia Menor, a Jônia. As novas condições de vida e a incorporação de outras culturas provocam um questionamento da cultura antiga principalmente por não terem sido protegidos pelos seus deuses do inimigo invasor. Destaca-se também a importância da antiga e das novas literaturas. A função dos cantos, sagas que os aedos (poetas e declamadores ambulantes) passam a ter nessa transmissão oral da cultura.  A fundação de cidades como Mileto e Éfeso que se transformarão em grandes centros econômicos e culturais tornam-se locais de relações com outros povos que vão trazendo e agregando novos valores, novos conhecimentos àquela antiga cultura minóica-micenica. A adoção de um regime monetário no lugar do escambo transforma os objetos, animais e coisas em mercadorias valoráveis favorecendo e facultando o intercambio comercial. Estas cidades se desenvolvem muito rapidamente tendo em vista o povo se dedicar também ao artesanato e a técnica de navegação. Estavam reunidas assim as capacidades intelectiva, criativa, produtiva e acima de tudo comunicativa. Eis os ingredientes para o surgimento de uma classe pensante dotado de forte cunho racional. Nasce nesse ambiente, então, a Ciência teórica e a Filosofia dando como arcaico o antigo pensamento mítico. Formam-se escolas, surgem pensadores – é o caldeirão cultural a florescer. 

3ª PARTE: IRRADIAÇÃO DOS FILÓSOFOS PARA OUTRAS COLONIAS 
 O berço jônico começa irradiar cultura, pensadores, escolas e influencia às outras colônias gregas, na Magna Grécia, na Trácia, e no Mar Negro. Das cidades jônicas como Mileto, Éfeso, Samos, Colofão, Clazômenas partem para novos núcleos como Tarento, Agrigento, Crotona, Eléia (na Magna Grécia) e Abdera (na Trácia). 

4ª PARTE:  O QUE BUSCAM OS PRÉ-SOCRÁTICOS: A COSMOLOGIA 
 Os primeiros pensadores, agora chamados de filósofos ao se distanciarem do mito, têm seus interesses voltados para a natureza, buscando a essência da matéria, o seu princípio – a arché.  Esta Filosofia, conhecida como natural busca conhecer o cosmos (o mundo, o universo). Essa busca incansável por princípios e pela essência do cosmos fez surgir diversas doutrinas filosóficas que serão os pontos de partida das atuais Ciências Acadêmicas como a Física, a Química, a Astronomia, a Matemática, a Biologia, a Medicina, enfim, toda essa gama de conhecimento que hoje a humanidade dispõe.

5ª PARTE:  OS PRINCIPAIS PRÉ-SOCRÁTICOS 
Sócrates (Atenas – 470 a 400 aC) foi a expressão máxima dos pensadores da Filosofia Antiga. Por isso ele se torna a referencia nessa época filosófica. Inúmeros foram os filósofos anteriores e até contemporâneos a Sócrates os quais foram batizados de pré-socráticos, mas os que estudaremos com mais detalhes serão: 
TALES de Mileto  ANAXIMANDRO de Mileto  ANAXÍMENES de Mileto PITÁGORAS de Samos XENÓFANES de Colofão  HERÁCLITO de Éfeso PARMÊNIDES de Eléia EMPÉDOCLES de Agrigento ZENÃO de Eléia FILOLAU de Crotona  ARQUITAS de Tarento  LEUCIPO de Abdera DEMÓCRITO de Abdera ANAXÁGORAS de Clazômenas

6ª PARTE:  FRAGMENTOS, DOXOGRAFIA E COMENTÁRIOS 
Os primeiros filósofos gregos escreveram pouco e mesmo isso muito se perdeu. Deles sobraram somente fragmentos, pequenos trechos, às vezes correspondentes a uma página, às vezes pedaços de frases e por vezes ainda uma única palavra. Esses fragmentos seguidamente foram inseridos nos textos escritos séculos mais tarde pelos chamados doxógrafos. Muitas foram as inferências feitas pelos historiadores, filósofos e escritores que vieram posteriormente. Essas interpretações tidas durante muito tempo como sendo dos primeiros filósofos podem ter sido sensivelmente distorcidos da realidade. Elas, entretanto foram colocadas como sendo as doutrinas dos pré-socráticos. Dentre esses doxógrafos, os mais importantes foram: 1- Platão, Aristóteles, Diógenes Laércio, Teofrasto, Simplício e Plutarco na era antes de Cristo 2-   Porfírio, Clemente, Orígenes, Estobeu no início da era cristã 3-   Hegel, Heidegger, Hermann Diel e Nietzsche nos séculos XIX e XX. Estes revendo os       fragmentos e fornecendo uma nova leitura dos pré-socráticos. Não sabemos como os pré-socráticos intitularam suas obras quando existiram, porém a todos esses escritos, os doxógrafos estabeleceram como sendo “Sobre a Natureza” tradução de “Peri Physeos”. 

7ª PARTE: ESCOLA JONICA– MILETO – TALES, ANAXIMANDRO E ANAXÍMENES 
A escola jônica nascida em Mileto, com Tales (623 – 546 a.C.) considerado seu primeiro filósofo, um dos sete sábios da Grécia e também o primeiro físico grego concebia a água como o princípio do cosmos, pois o quente vive com o úmido, as coisas mortas ressecam-se, as sementes de todas as coisas são úmidas e todo alimento é suculento. Afirmava Tales que a Terra flutuava sobre a água. Os modernos criticavam essa posição firmada pelos antigos doxógrafos. Anaximandro de Mileto (610–547 aC), discípulo e sucessor de Tales, geógrafo, matemático, astrônomo e político, foi o primeiro a confeccionar um mapa do mundo habitado. Introduziu na Grécia o gnomon (instrumento que indica a posição correta do Sol através da sombra projetada por um estilete). Anaximandro concebia o ápeiron (o indeterminado, o infinito) como sendo o princípio do cosmos. Anaxímenes de Mileto (585–528 aC), discípulo e continuador de Anaximandro, dedicou-se especialmente a meteorologia. Foi o primeiro a afirmar que a Lua recebe sua luz do Sol. Afirma que o princípio do cosmos é o ar. Este é de certa forma, ilimitado como pregava Anaximandro e que não existe ser vivente que não o necessite para sua existência.

 8ª PARTE:  ESCOLA ITÁLICA - PITÁGORAS (NA AULA 07) 

9ª PARTE:  ESCOLA ELEATA – ELÉIA – XENÓFANES, PARMENIDES E ZENÃO 
Xenófanes (570-528 aC) nasceu em Colofão, na Jônia, donde se viu forçado a emigrar quando ainda jovem, levando então, vida errante. Passou parte de sua vida na Sicília. Foi poeta, sábio e rapsodo e em oposição aos filósofos de Mileto, só escreveu em verso. Fez-se famoso com os ataques a Hesíodo e Homero e aos pensadores Tales e Pitágoras.  O pensamento de Xenófanes se voltava ao Ser Absoluto que ele dizia ser uno – “o Todo é Um” – designou esse Todo de Deus.  Podemos notar que esse filósofo já alertava a humanidade sobre o deus único. E foi além. Afirmou a imanência divina dizendo: Deus está implantado em todas as coisas, é supra-sensível, imutável, imóvel, sem começo, meio e fim. Em alguns de seus versos, diz Xenófanes: “um Deus que é o maior entre os deuses e os homens e não é comparável aos mortais nem quanto à figura nem quanto ao espírito.”  Parmênides (530–460aC) considerado o maior dos filósofos pré-socráticos foi discípulo de Xenófanes e do pitagórico Amínias. Filósofo da escola eleata, cidade de Eléia, no sul da Itália, hoje conhecida como Vélia. Parmênides é o filósofo grego que trata do ser, da essência humana, considerando-o único, eterno, imóvel e imutável. O ser significa existir e consistir, conseqüentemente as coisas (pragmata em grego) são e consistem em algo. Para este filósofo, a substância, o princípio primordial das coisas é o ser. E mais. Para Parmênides existe uma identidade entre o ser e o pensar. Ser e pensar são a mesma coisa. Em decorrência de sua doutrina, Parmênides diferencia a Verdade (a alethéia em grego) que é a essência verdadeira das coisas, aquilo que é o que é. Por outro lado tem- se aquilo que parece ser, a opinião (a doxa, em grego), ou seja, aquilo que é ilusório, a opinião de cada um. Zenão foi discípulo de Parmênides e continuador fiel do pensamento dele. É considerado o criador da dialética (opiniões opostas) – entendida como argumentação combativa ou erística e sua filosofia procura justificar e encontrar argumentos para a tese parmenídica da imobilidade (o movimento não existe). Baseia-se em que todo espaço é divisível ao infinito logo o tempo gasto para percorrer cada uma das partes sendo finito – o tempo é uma composição infinita de tempos finitos, logo o tempo também é infinito – logo a imobilidade. 

10ª PARTE:  HERÁCLITO DE ÉFESO 
“nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio” – as duas vezes que nele entramos não somos mais a mesma pessoa, pois pensamos diferente e nem as águas são as mesmas. Logo, ‘tudo flui” o mundo é um eterno devir. A essência do cosmos para Heráclito é a mudança, a transformação. As coisas nunca são em definitivo, mas estão sempre em continuo e constante processo de mudança. Este pensamento se opõe frontalmente a Parmênides que afirma que o ser é imóvel Heráclito colocou o fogo como "princípio" fundamental, considerando todas as coisas como transformações do fogo. Todas as coisas são uma troca do fogo e o fogo umas trocas de todas as coisas, assim como as mercadorias são uma troca do ouro e o ouro uma troca de todas as mercadorias. O fogo expressa de modo exemplar as características de mudança contínua, contraste e harmonia. Em Heráclito, já emerge uma série de elementos relativos à verdade e ao conhecimento. É preciso estar atento em relação aos sentidos, pois estes se detêm na aparência das coisas. E também é preciso se precaver quanto às opiniões dos homens, que se baseiam nas aparências. A verdade consiste em adaptar, para além dos sentidos, a inteligência que governa todas as coisas. 

11ª PARTE:  EMPÉDOCLES DE AGRIGENTO 
São quatro os elementos primordiais formadores do cosmos: a terra, o fogo, a água e o ar. Empédocles (490-430 aC) tenta conciliar os elementos da escola de Mileto e tenta conciliar igualmente Parmênides e Heráclito considerando a bipolaridade amor (atração) e ódio (repulsão). Segundo Empédocles, da mesma forma que Parmênides, o "nascer" e o "perecer" entendidos como um vir do nada e um ir ao nada, são impossíveis porque o ser é e o não ser não é. Assim, não existe "nascimento" e "morte" aquilo que os homens chamaram com esses nomes são o misturar e o dissolver de algumas substâncias que permanecem eternamente iguais e indestrutíveis. Tais substâncias são: a água, o ar, a terra e o fogo, que Empédocles chamou "raízes de todas as coisas". A novidade de Empédocles consiste no fato de proclamar a inalterabilidade qualitativa e a intransformabilidade de cada um.
Desse modo há 4 elementos que, unindo-se, dão origem à geração das coisas e. separando-se, dão origem à sua corrupção. Empédocles introduziu as forças cósmicas do Amor ou Amizade (philia) e do Ódio ou Discórdia (Neîkos). Como causa de união e separação dos elementos. O cosmos e as coisas do cosmos nascem então nos dois períodos de transição que vão do predomínio da amizade ao da discórdia e vice-versa.

12ª PARTE:  ESCOLA ATOMÍSTICA – ABDERA – LEUCIPO E DEMÓCRITO 
Leucipo de Abdera (450–420 aC) defendeu que todas as coisas são ilimitadas e que os átomos constituem o princípio de todas as coisas. Demócrito de Abdera (460 – 370 aC) afirma que a Natureza é composta de vazios e de átomos, partículas materiais indivisíveis, eternas e invariáveis. “Nada nasce do Nada” escreve Demócrito, e tudo se encadeia, necessariamente, os corpos nascem de combinações de átomos e desaparecem pela separação dos mesmos. A última tentativa de responder aos problemas propostos pelo eleatismo, com a descoberta do conceito de átomo. Os atomistas também reafirmam a impossibilidade do não ser, sustentando que o nascer nada mais é do que "um agregar-se de coisas que já existem" e o morrer "um desagregar-se", ou melhor, um separar-se dessas coisas. Mas a concepção dessas realidades originárias é muito nova: trata-se de um “infinito número de corpos invisíveis pela pequenez e volume”. Tais corpos são indivisíveis, sendo por isso átomos (em grego significa o não-divisível) e, naturalmente, incriados indestrutíveis e imutáveis. Para o homem moderno, a palavra "átomo" evoca inevitavelmente significados que o termo adquiriu na física pós-Galileu, aqui o átomo levava o selo do modo de pensar especificamente grego. Ele indica uma forma originária sendo, átomo-forma, isto é, forma indivisível. O átomo se diferencia dos outros átomos também pela ordem e pela posição. E as formas, assim como a posição e a ordem, podem variar ao infinito. O átomo não é perceptível pelos sentidos, mas somente pela inteligência. O átomo é a forma visível ao intelecto. É claro que para ser pensado como "pleno” (de ser), o átomo pressupõe necessariamente o "vazio" (de ser, portanto, o não ser). O vazio é tão necessário como o pleno: sem vazio, os átomos- formas não poderiam se diferenciar nem se mover. Átomos, vazios e movimento constituem a explicação de tudo. Os atomistas passaram à história como aqueles que colocaram o mundo "ao sabor do acaso". Mas isso não quer dizer que eles não atribuam causas ao nascer do mundo, mas sim que não estabelecem uma causa inteligente. A ordem do Cosmos é feito de um encontro mecânico entre os átomos, não projetado e não produzido por uma inteligência. Este pensamento concebe que a inteligência não precede o composto atômico, segundo sua forma de pensar.

13ª PARTE: CONCLUSÃO 
 Pudemos ver de forma muito simplificada as principais correntes que a filosofia da natureza se estabeleceu nos séculos VI e V aC.  Os interesses estão centrados no problema da natureza (Filosofia Natural) sem grandes preocupações com o homem em si.  Na natureza, os jônicos julgavam encontrar o princípio de todas as coisas, a arché, a partir da qual se compõem e decompõem as demais.  Alan Krambeck 

14ª PARTE –  ASSUNTO E PESQUISAS  PARA A PRÓXIMA AULA   Próxima aula:  Livro 1 – Cap. 6 – Pitágoras – Escola Itálica 
Bibliografia: 
  A HISTÓRIA DA FILOSOFIA E OS PRINCIPAIS FILÓSOFOS – Alan Krambeck OS PENSADORES – Pitágoras – Nova Cultural NOÇÕES DE HISTÓRIA DA FILOSOFIA – Manuel P. São Marcos - FEESP              OS FILÓSOFOS – Herculano Pires – Ed FEESP  

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por sua mensagem. Será publicada após aprovação.

imprimir pdf