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domingo, 18 de maio de 2014

Espetáculo “Aurora para o terceiro milênio”


(Extraído do livro “A História de um Anjo A vida nos Mundos invisíveis” por Roger Bottini Paranhos, 6ª ed cap 4 obra essa recebida através da faculdade intuíva e da vivência direta nos planos espirituais.)

 (...)
Ganhamos as grandes portas que dividiam o grande hall que circunda a sala de espetáculo. Que cena maravilhosa! Um monumental anfiteatro com milhares de assentos confortáveis, confecionado com um material estranho, semelhante ao mármore.

No centro, o grande palco, de proporções faraônicas. Estranhei a falta total de cenários, mas logo após, surgiu um pequeno grupo de artístas que começaram a realizar um processo de materialização prévia do cenário, segundo me explicou Hermes. Através de suas vigorosas mentes, preparavam as energias para o “espetáculo vivo”.

As dimensões e os preparativos eram dignos de um mega show. Na parte mais alta do palco encontrava-se estranho instrumento, similar a um órgão moderno, mas muito maior e com uma infinidade de teclas, o que permitiria ao instrumentalista milhares de combinações de sons. Eu fiquei imaginado que no mínimo, cinco pessoas iriam tocar o gigantesco aparelho, simultaneamente.

Entretanto esperávamos o início do espetáculo, o céu do cenário mudava de cores, apareciam nuvens, claridades relâmpagos.Começou a surgir uma mata selvagem no chão, e estranhas árvores. O cenário mudava rapidamente, como se estivessem sendo passadas as cenas básicas do espetáculo. Mas tudo em silêncio, sem som algum. Somente era possível ouvir a conversa amena dos espectadores. Quando, de repente, surgiu à frente do grande órgão uma moça que aparentava a idade física de uns vinte e cinco anos, cabelos louros e a tradicional túnica branca com cordel lilás.

Sem apresentações, a moça executou silenciosa prece e após concentrou-se no enorme teclado do órgão à sua frente. Aí ocorreu o impressionante; as teclas começaram a ser precionadas pelo invisível, ou seja, pela mente da moça. Era um movimento frenético que produzia uma composição musical impressionante. O mais interessante é que ninguem cantava, mas havia no âmago da música uma voz quase imperceptível, cantando, narrando o espetáculo.

Compreendi, então, a limitação do ser humano e do corpo físico. Uma única pessoa não seria capaz de executar tal instrumento, com tal grau de complexidade em sua musicalidade, sem um pelotão a auxiliá-la. Mas o espírito imortal, que tudo pode, ultrapassa as limitações físicas e consegue o impressionante para os olhos encarnados na Terra. A música tocada, em sua complexidade, lembrou-me um computador executanto milhões de instruções por segundo, algo impossível para um ser humano com seus parcos recursos físicos.

Com certeza os músicos encarnados ficariam boquiabertos presenciando esta cena. Lembrei-me, então, de Mozart, um dos mais sublimes compositores que pisou na Terra e pensei: “Não será esta moça o próprio espírito de Mozart om outra forma espiritual, depois de nova encarnação no mundo físico?”

Hermes socorreu meus pensamentos, dizendo-me que a moça não era Mozart. O grande compositor residia, também, em cidades de luz no plano espiritual; e ele, tocando aquele instrumento, “me enlouquecia” com as riquezas de som que produziria, levando-me a um grande êxtase musical. A moça, comparada a Mozart, era só uma aprendiz. Impressionei-me.

A música, incomparável a qualquer uma elaborada e executada na Terra, elevou nossas almas a sublimes emoções. No âmago, a narração cantada, com estrofes belíssimos sobre o início da evolução espirtual na Terra: as leis mosáicas e o advento de Jesus. Todas as cenas passavam à nossa frente como se fosse um “grande filme”, um épico, uma superprodução cinematográfica que era criada pelos integrantes do grupo teatral que, através de suas mentes, projetavam as cenas que víamos, sem a tradicional participação dos atores na peça.

O constante duelo entre o Bem e o Mal, os ensinamentos sagrados sendo dedenhados pela humanidade, como realmente ocorre nos dias de hoje, arrastando os homens para o despenhadeiro de trevas. O constante ciclo de reencarnação de cada criatura simbolizando o infinito perdão, amor e misericórdia de Deus. Mas os homens, apesar de fazerem infindáveis promessas de mudança de rumo, no mundo espiritual: ao chegarem ao plano físico retornavam aos atos desregrados e anticristãos.

Obsevamos, também, nas cenas, os abnegados missionários descendo à Terra em missão de paz e progresso para a humanidade, como Francisco de Assis e outros. Muitos homens convertendo-se para receber o amor de Cristo, através de sua conduta renovada, alguns mesmo sem acreditar em Deus, comprovando que Deus espera de seus filhos o bom proceder, e não a crença dissimulada e a adoração fanática.

Nos momentos em que o espetáculo mostrava os que se colocavam à direita do Cristo, a música tomava um aspecto divino, clareando as imagens. A noite da vida humana recebia a luz, através da manifestação do bem.

O espetáculo desenrolava-se com uma perfeição e inteligência incríveis. Nada era esquecido e tudo era mostrado de uma forma ampla, mas em cenas rápidas e profundas, para evitar que o espetáculo ultrapassasse o horário pré-estabelecido.

Apresentava-se a cena de um pastor louvando a Deus e mostrando seu grande conhecimento das Leis. Logo após, o mesmo pastor expulsando a filha de casa, amaldiçoando e condenando a pobre moça ao fogo do inferno por desvios de conduta, fruto do desinteresse paterno para com suas aflições de adolescente.

Em outras cenas, a mesma moça entregando-se ao trabalho árduo e honesto, como doméstica em uma casa de família justa, que amparou a ela e ao filhinho, do qual o pai da moça, transtornado, desejou promover um macabro aborto, que foi evitado pela sensatez da moça e pela influência de espíritos de luz. Nova cena apresentou-se no grande palco: o pai, arrogante e prepotente, dizendo aos amigos que auxiliava a sua filha, com grande empenho,rezando por sua alma pecadora.

O fim deste breve ato mostrava o desencarne de ambos. O pastor descendo às trevas infernais e a moça sendo carregada para instituições espirituais por irmãos abnegados.

A riqueza de cores e a perfeição das imagens era imprecionante. A música continuava a nos envolver.

Em outro momento do espetáculo, mostravam-se diversas encarnações de um homem. Todas desperdiçadas por motivos fúteis e infantis. Quando pobre, lamentava a pobreza e ofendia a Deus por permitir as diferenças sociais; quando rico suicidou-se entediado com sua vida fútil e preguiçosa; quando seriamente enfermo escravizou os familiares, porque achava-se injustiçado pela vida e, portanto, todos deveriam servir ao “pobre coitado” como se autodenominava; em outra encarnação, recuperou a saúde física, mas terminou morto em um estúpido acidente automobilístico, causado por sua própria embriaguez; e, por fim, em sua última chance, antes do exílio dos da esquerda do Cristo, como preceituam as profecias de final dos tempos, nasceu no suburbio carioca amparado por família honesta. Antes dos vinte anos já havia conquistado uma “boca de fumo” para administrar nas favelas cariocas. Poucos meses depois estava metralhado no solo do seu antro, vitimado por rivais do narcotráfico.

O som ambiental nesses momentos era assustador: o som das metralhadoras,a vivacidade das imagens. Quando as cenas ficavam muito pesadas, o tema voltava-se para cenas mais amenas, cheias de esperança e paz.

As cenas chocantes eram mostradas com o objetivo único de estudo e análise. Impossível tapar o sol com uma peneira, porque esta é a realidade atual do mundo em que vivemos no plano físico: cenas de final dos tempos!

Após os pequenos atos individuais, foi a vez da confirmações das profecias: tempestades, terremotos, inundações, fome, miséria, guerras. Os relâmpagos que apareceram nos preparativos para o espetáculo, agora adicionados ao som poderoso dos trovões, tomavam um aspecto assustador.

As profecias eram recitadas no íntimo da música, enquanto as cenas comprovadoras eram reproduzidas no palco, no centro dos trezentos mil espectadores.

A fome, a guerra, a peste, a inversão dos valores, as grandes calamidades, tudo era mostrado em rápidos flashes.

Eram mostrados, também, falsos profetas. Os pastores de igrejas que iludem o povo com um sensacionalismo barato para extorquir dinheiro dos que tanto precisam. Neste momento, a música tornou-se serena, como se estivesse transmitindo um sentimento de piedade por estes homens que distorcem os ensinamentos de Jesus para obter dinheiro desonesto através do sofrimento de pessoas humiles. Grande sofrimento, com certeza, os aguarda no além-túmulo.

O espetáculo desenrolava-se com cenas cada vez mais deslumbrantes. A fotografia era perfeita. A amplitude do cenário nos obrigava a movimentos frenéticos com a cabeça para não perdermos os detalhes, dignos de um minucioso artista.

O palco gigantesco, no centro da plateia, a exemplo de um grande estádio de futebol, obrigava os “mentalizadores” do espetáculo a realizar uma construção de imagens rica em detalhes, visto que havia público em todos os ângulos do palco. Fiquei abismado com o domínio exercido por toda companhia de teatro sobre o espetáculo. Desde a moça que dominava aquele instrumento musical complicadíssimo aos meus olhos, até os construtores de imagens no palco.

O que poderíamos chamar de primeiro ato deserolou-se por cerca de uma hora (do que entendo por hora, pois no plano espiritual todas as referências terrenas perdem seu sentido).

Foram mostradas as aberrações da humanidade, como o nazismo, mas, também, as vitórias de Deus, como a vida messiânica de Gandhi. Pode-se observar que muitos venceram a atual etapa da evolução espiritual da humanidade nestes séculos que se passaram. Espíritos valorosos que compreenderam, através de todas as religiões e até mesmo sem elas, que amar ao próximo como a sí mesmo é o caminho para a verdadeira vitória.

Hoje, estes vitoriosos de Deus, que cultivam na Terra uma vida de amor e de paz, residem nos planos espirituais superiores, ou no Reino dos Céus, como queiram chamar. São apenas palavras que representam a mesma verdade incontestável. Esses irmãos apenas aguardam a entrada da Nova Era para reencarnarem e produzirem um verdadeiro progresso para a humanidade, construindo um novo mundo sobre as cinzas deixadas pelos exilados do Juizo Final.

Este período em que vivemos, o qual foi denominado pelos grandes profetas de “final dos Tempos”, que nada mais é que o final de um ciclo evolutivo da Terra, divide-se entre aqueles que obtiveram aprovação neste “ano letivo” de evolução do planeta e que aguardam o próximo período no “ Reino dos Céus” , e, aqueles que ainda não adquiriram sua condição de eleitos para o terceiro milênio, os que vivem o seu período de “recuperação terapêutica”, ou seja, sua última encarnação na Terra para salvar-se do exílio iminente para um mundo inferior. Segundo Jesus esta é a convocação dos “trabalhadores da última hora” (vide evangelho). Todo aquele que não for aprovado, por sua própria conduta, deverá ser enviado para um mundo que esteja em sintonia com sua índole viciosa e degradente, ficando na Terra os eleitos para novas encarnações de aprendizado e evolução.

Voltemos ao espetáculo. Quase no final deste grande ato, as imagens mostravam o retorno ao mundo espiritual desses que estavam encerrando sua última oportunidade de ficarem na Terra. A maioria esmagadora ao chegar ao plano espiritual, depois de libertarem-se de seus caprichos infantis adquiridos através de uma vida extremamente materialista na Terra, terminavam por conscientizar-se das promessas feitas antes de reencarnarem. Promessas feitas, mas não cumpridas. E , então, passou a apresentar-se naquelas “telas vivas” do palco, o choro e a lamentação dos exilados: os que se colocaram à esquerda do Cristo; os que preferiram ser lobos, ao invés de cordeiros de Deus.

Alguns poucos conseguiram dominar seus instintos inferiores e vencer. Muitos destes, auxiliados por irmãos benfeitores que desceram à Terra, já na condição de eleitos, apenas para auxiliar os irmãos de boa-vontade-

Uma cena de espetáculo que emocionou a todos, foi a de uma nobre mulher que já havia adquirido o passaporte paraa Nova Era, mas por extremo amor retornou à Terra com seu marido de diversas encarnações anteriores, que estava por um fio para ser exilado. Tanto ela trabalhou pelo engajamento do marido no caminho do Bem, que obteve sucesso. O marido e ela converteram-se ao Espiritismo e, paulatinamente, ela conquistou a sincera renovação interior do companheiro. O que permitiu o ingresso de seu amado para ser cidadão da Terra na Nova Era.

Retornando ambos aos plano espiritual, compreenderam plenamente a importância grandiosa do Bem e do cultivo da fé em uma vida superior. E receberam de Deus e de Jesus valiosa recompensa. O marido, reconhecendo todo o esforço de sua esposa para promover a sua reforma íntima, ajoelhou-se e beijo-lhe as mãos em sinal de gratidão.

As últimas cenas do primeiro ato foram referentes à descida à Terra de espíritos missionários para desenvolver tecnologia e espiritualmente o planeta para o terceiro milênio. Cientistas trazendo descobertas, principalmente, para a àrea médica. Também foi mostrado o desenvolvimento de formas alternativas de energia e diversas descobertas que as almas dedicadas aguardavam anciosamente a autorização de Jesus para descer ao mundo e revelar.

Foram mostrados, também, os missionários designados para a revelação da nova concepção religiosa para o terceiro milênio: O “Consolador Prometido por Jesus”. As manifestações puras, como a Doutrina Espírita e outras, que buscam revelar a vida e os ensinamentos de Jesus sem a fantasia e a burocracia decadente daqueles que se intitulam donos da verdade. A revelação de ensinamentos que libertarão os homens da cegueira espiritual, fazendo-os compreender os mecanismos da vida criada por Deus.

O único dos missionários, ainda encarnado, dos que foram projetados no espetáculo e de quem podemos revelar o nome, segundo orientações dos Espíritos Amigos, foi Chico Xavier (hoje desencarnado).

No final desta etapa do espetáculo, surgiu uma grande luz na zonas de trevas, o que propiciou uma cena comovedora: Uma multidão de sofredores com os corpos enlameados, com as roupas rasgadas e com expressões de cansaço nos rostos disformes. Todos com os olhos inchados de tantas lágrimas. Todo o orgulho e toda vaidade dos que se achavam donos do mundo e que acreditavam que a vida deveria ser vivida de forma que atendesse plenamente a seus desejos, sem preocupar-se com seu semelhante. Um dos homens, apesar da roupa em frangalhos, portava, ainda, na cintura, um telefone celular. Vi o momento em que ele lançou ao chão, com raiva, o aparelho. E vi seu olhar que traduzia a enfermidade das riquezas materiais. Onde estava, agora, aquele orgulho, aquela infeliz vaidade, aquela prepotência, aquela falsa visão da vida real?

A cena lembrou-me a passagem do Evangelho na qual Jesus recebe a humanidade no “dia do juizo” e lhes diz que todo aquele que o vestiu, que lhe deu de comer e lhe deu de beber receberia o seu reino. E um dos que ouviam pergunta: Senhor, quando Te vestimos, quando Te demos de comer e de beber? E Jesus respondeu: “ Toda vez que o fizeste a um desses pequeninos irmãos, a Mim o fizestes” . infelizmente, aqueles que estavam desconheciam o significado da palavra caridade e jamais haviam assistido a alguém em nome de Jesus.

Tantos séculos de desprezo e desrespeito para com Deus e Jesus! Jamais haviam acreditado em Deus verdadeiramente, apenas simulavam uma falsa crença quando alguma pessoa conhecida desercarnava. As tradicionais palavras: “ Ele deve estar comDeus” . Ou então, nos momentos de dificuldade “Deus vai nos ajudar”. Mas nos momentos de paz e riqueza, somente pensavam em extravasar os instintos inferiores. Os sentimentos de ódio e inveja, a maledicência, prejudicar o próximo em benefício próprio. Tudo para si, nada para seu semelhante. Estas eram sempre “as ordens do dia”.

A cena intristeceu o teatro. A “imagem viva” daquele povo sofrido no centro do palco, em um ambiente sujo e escuro, iluminado apenas pela grande luz que surgiu em cima de suas cabeças.

Muitos alí presentes dedicaram séculos para auxiliar a estes que estavam sendo mostrados no palco. Tudo parecia em vão..., mas não era. Na vida imortal, nós adquirimos “luz” por etapas. Aquela etapa na Terra ficaria marcada naquele povo exilado, preparando-os para a nova caminhada que deveriam empreender.

Eles sentiram que a perda do paraíso Terra estava próxima. Sentiam isto no fundo d’alma. Morderam a maça do pecado e, como na lenda de Adão e Eva, deveriam perder a beleza e o progresso tecnológico do paraíso Terra.

Após alguns minutos de silêncio, uma voz ecoou no anfiteatro. Era a primeira voz direta do espetáculo, até o momento somente a narração no âmago da música identificava a articulação de palavras.

- Meus filhos – era a voz do Cristo, eu tinha certeza. Estava sendo reproduzida fielmente pelo grande órgão dirigido pela bela moça, que ficava em um elevado do palco – termina aqui o prazo para a renovação interior segundo as leis do Criador. Irmãos abnegados esforçaram-se para fazer da Terra um mundo de paz. Mas nem todos queiseram vencer suas imperfeições do espírito; alguns alimentaram o ódio, o egoísmo, a inveja e todos os sentimentos inferiores do espírito. E, portanto, deverão viver em um mundo onde o progresso ainda dormita. O exílio dos que se negaram ao progresso mostra a misericórdia e a justiça de Deus. Para os que ficam na Terra, a paz para a manutenção do progresso e da felicidade, tão rara nos dias atuais. Pois para que a paz se mantenha em um ambiente tecnologicamente avançado é necessário que o espírito esteja liberto das inferioridades que geram intrigas, guerras e desavenças. Para os que partem para o exílio, a certeza da grande oportunidade de viverem em um mundo sem conforto e sem facilidades, o que geralmente convida as almas vacilantes para as paixões inferiores, alimentando as tendências negativas nos espíritos invigilantes. A falta de recursos de toda ordem e o perigo constante que rondará a todos na nova morada fará com que desenvolvam o espírito de solidariedade e respeito mútuo, estimulando-os para o trabalho honesto que enobrece a criatura e conduz todos à almejada felicidade. Que Deus abençõe a todos na nova caminhada e não esqueçam que o Pai está presente em todo Universo, e, principalmente, no coração daqueles que procuram a luz com boa-bontade. Espíritos abnegados estarão amparando a todos na nova caminhada, onde terão novos instrutores, Orem e peçam a intervenção divina para que conquistem forças para a renovação de suas vidas.

Ao perceberem que era o fim do pronunciamento e libertos da forte energia magnetizadora de Jesus, que lhes prendia a lingua, a turba enlouqueceu, rompendo o silêncio. Muitos choravam desesperadamente; podíamos ouvir frases soltas na balbúrias ensurdecedora:

- Não meu Deus! Meu Deus! Me perdoa. Eu vou ser melhor. Eu vou me esforçar, mas deixa eu ficar.

- Eu não quero ir, tenho medo!

- É um engano, um maldito engano! Houve um erro. Eu sou puro puríssimo. Dediquei-me integralmente aos vossos ensinamentos.

O barulho e as imagens foram diminuindo até cessarem por completo. Era o fim do primeiro ato.

Os tecnicos do espetáculo começaram a higienizar o palco. Uma luz forte começou a surgir no centro do espetáculo, as cores pálidas de tom pastel deram espaço à formação de uma paisagem igual à da cidade em que estávamos. Pássaros cantando, paz e amor no ar, era o início do segundo e último ato. A Nova Era surgia para os eleitos de Cristo. A paz prometida por Jesus no Sermão da Montanha começando a se conquetizar no mundo dos homens.

Na Terra, agora, estavam encarnados os eleitos para a Nova Era. Um novo olhar nos corpos físicos, agora habitados por espítos de escol.

Muita paz, alegria e progresso.

Na direção das empresas homens íntegros, honestos e preocupados com a coletividade e não apenas com seus bolsos. No corpo das organizações irmãos dedicados e com vontade de trabalhar para trazer sua parcela de contribuição para a sociedade. Não mais aqueles trabalhadores que reclamavam o dia todo do trabalho e trabalhavam com má vontade, pensando apenas no final do expediente, quando poderiam tomar sua “cervejinha” ao som de uma música primitiva. Agora os trabalhadores procuravam, após o trabalho dedicado, o lazer em companhia da família, com os filhos nos parques e nas quadras de esportes, longe dos vícios degradantes.

Na direção dos países, não víamos mais nas cenas do espetáculo, os políticos corruptos e prepotentes; foram todos exilados. Agora, políticos trabalhadores e preocupados com o bem-comum. Sem a avidez por dinheiro que não lhes pertence, a verbas públicas começaram a seguir o caminho devido.

Os meios de comunicação deixaram, então, de escravizar o povo com suas notícias tendenciosas. Eles, na Nova Era, não mais atendiam aos grupos de interesses, passando a atender, única e exclusivamente, à verdade e ao bem-estar cristão.

Capitalismo, Comunismo e Socialismo tornavam-se palavras do passado. As cenas demosntravam Não existir mais a ambição doentia por dinheiro e consumos fúteis. O status da riqueza era algo decadente e ultrapassado. O que vale, no terceiro milênio, são as riquezas do coração. Os que ainda acreditavam em posições sociais eram apenas dignos de piedade cristã!

Todas estas cenas surgiam à nossa frente em indecifrável paz e beleza. Um mundo novo e perfeito. Utopia? Não! A realidade que nos espera quando consolidar-se a transição que já estamos vivendo.

Claro que tudo não ocorrerá da noite para o dia, mas as novas gerações, com certeza, começaram a sentir as mudanças que já estão se materializando entre nós por vontade divina. Mas, sem dúvida, os da direita do Cristo reencarnarão novamente na Terra e poderãousufruir “o que lhes foi preparado desde o início do mundo”.

No final do espetáculo, surgiu no palco a imagem de um homem com seu filho folheando um livro de história antiga. O menino olhando as gravuras de guerra, pergunta ao pai:

_ Pai, o que é isto? Que roupas e máquinas são estas?

O pai do menino olhou para o céu e para a natureza ao eu redor. Apreciou a beleza e a paz que os cercava. Inspirou profundamente aquele ar puro e revitalizante. Fechou os olhos e agradeceu a vida feliz que podiam ter agora: a felicidade que Jesus tanto havia prometido. O mal fianlmente havia sido varrido do mundo. O homem olhou para o seu filho e disse:

- Meu filho, isto que tu vês faz parte de um triste passado. Tempo em que o homem fingia acreditar, ou não acreditava, em Deus e na vida imortal. Esta posição da humanidade em relação a Deus levou-os a esquecer os conceitos mais básicos de amor e de paz.

O pai do jovenzinho esboçou um sorriso e continuou:

- Mas, hoje em dia, nós cremos, com convicção, em Deus, em Jesus e na vida imortal. Isto faz-nos mais fortes e otimistas e, principalmente, faz-nos respeitar e amar os nossos semelhantes. Esta nova concepção de vida faz com que este passado que tu vês neste livro jamais venha a se repetir.

A cena congelou-se na tela e a música tomou um “quê” de encerramento. Todos levantaram-se dos assentos para aplaudir o espetáculo.

Os componetes da companhia Filhos do Vento corriam de um lado ao outro do imenso palco para agradecer os efusivos aplausos; enquanto isso o última imagem do espetáculo começava a desfazer-se no palco, como se fosse um desenho, feito no céu, pelos aviões da “esquadrilha da fumaça” . A música prosseguia, apesar da moça que a executava ter descido ao palco para unir-se aos companheiros e receber os aplausos. Certamente ela controlava o aparelho à distância.

Todos aplaudiram comovidos.

Extraído do livro “A História de um Anjo A vida nos Mundos invisíveis” por Roger Bottini Paranhos, 6ª ed cap 4 obra essa recebida através da faculdade intuíva e da vivência direta nos planos espirituais.

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