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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

INICIAÇÃO ESPIRITUAL CAP 59 – INICIAÇÃO ESPÍRTA





1.       INICIAÇÃO ESOTÉRICA
No mundo ocidental a iniciação espiritual, em qualquer das suas filiações, acompanhou o regime adotado pelos egípcios e pelos hindus, conquanto apresente um maior desenvolvimento no campo intelectual; esse regime é o de auto-realização, de sacrifícios e de renúncias sobre si mesmos e sobre o mundo material, visando adquirir poder e conhecimento, alvo este que não é do Espiritismo.
Há nessas duas iniciações primitivas, vários graus de aprendizado; citaremos aqui a classificação e os graus de iniciação hindu que, justamente, é a que está mais aproximada das práticas ocidentais.
Há 5 graus de iniciação e esta começa no de discípulo.
Os discípulos se grupam em duas categorias que são: a dos discípulos aceitos e a dos probatórios.
Os “chelas” aceitos são aqueles que, possuindo as qualidades necessárias, foram incluídos no grupo de discípulos que seguem a orientação de um determinado “guru” ou mestres, passando a fazer parte do seus “ashram”, que é mesmo escola, comunidade, família.
Os “chelas” probatórios são aqueles que simplesmente estão na fase preparatória, como aspirante ao discipulado, passando pelas provas e experiências necessárias.
Quando é admitido nesta classe, o candidato inicia o esforço programado e, por si mesmo, desiste se perceber que não está à altura do cometimento.
Na iniciação Espírita não há esse rigor eliminatório porque a tolerância intervém em grande parte, permitindo sempre novas tentativas, mesmo porque, nesta altura, não se trata de formar indivíduos mas, simplesmente, espiritualizados, evangelizados.
Na Índia, sem mente sã, corpo são, alta moralidade e costumes disciplinados, nenhum “chela” vai para diante. Por isso, o número de discípulos aceitos é sempre reduzido e, consequentemente, tornam-se cada vez mais raros aqueles que atingem os graus superiores.
No Espiritismo os candidatos são aceitos com mais liberdade e tolerância, não se exigindo, por exemplo, a saúde perfeita porque se sabe que os discípulos não vão ser submetidos a provas físicas violentas, próprias dos métodos desaconselháveis que levam à escravização do corpo físico, como se verifica, por exemplo, na ioga e no Faquirismo.
A base do processo iniciático hindu, como era o egípcios, é sempre o desenvolvimento de faculdades mediúnicas, submetendo-se os aspirantes a práticas de disciplinamento e desenvolvimento mental, com escala pelo que conhecemos com os nomes de atenção, concentração, meditação, contemplação, êxtase ou samadhi.
A regra geral é que o mestre indica o caminho, mas não revela segredos ou fórmulas maravilhosas ou espetaculares: os “chelas” é que devem descobrir meios, aplica-los, desenvolvê-los e conquistar os conhecimentos por si mesmos.
Por isso, entre eles logo se define uma hierarquia natural, uns se adiantando, outros se atrasando; uns assimilando mais que outros e atingindo graus mais elevados em tempo mais curto.
Para os hindu o discípulo do primeiro grau é chamado “O home errante”; uma vez entrando no caminho da iniciação ele não possui mais casa porque não deve mais considerar a Terra como sua habitação permanente. Para o budista é “O homem que entrou na corrente”.
No segundo grau o discípulo é chamado “Kentichaka”, isto é, o que constrói sua cabana, o que edifica seu ambiente de paz. Para o budista é o “Sakadagamin”, isto é, aquele que renascerá somente uma vez.
Nesse grau, o discípulo já foi instruído sobre os mistérios da Natureza, das religiões e das ciências e passou por aprendizados sucessivos.
Para atingir este grau, tem que demonstrar ter conquistado as quatro seguintes virtudes ou perfeições:
1-      Conhecimento da verdade: Fora da verdade tudo é transitório, irreal; É Maya – a ilusão;
2-      Impassibilidade: indiferença em relação aos frutos das ações, sem abandono, entretanto, dos deveres sociais. Superação dos impulsos.
3-      Posse dos seis seguintes predicados:  Sama – Domínio dos desejos e emoções. Dama – Disciplina dos corpo; Uparati – Renúncia a interesses domésticos e familiares sem contudo abandono de deveres no lar; renúncia e seitas religiosas; Titiksha – Abnegação. Domínio do egoísmo, do personalismo e desprendimento dos bens do mundo; Samadhana -  Constância no sentido de satisfazer o mundo nas suas exigências e voltar à vida interna sistematicamente; Sradha – Confiança no mesmte e em si mesmo, sem fanatismo, mas racionalmente, buscando sempre comprovação dos fatos, fenômenos e progressos alcançados.
4-      Anelo pela vida espiritual superior: isto é, desejo d integrar-se na vida maior do Cosmo, alargando seus horizontes face ao conhecimento da unidade em Deus.
Estas quatro perfeições dever ser conquistadas pelo discípulo com esforço próprio, fazendo face aos entraves que vêm do carma individual, resgatando a este e libertando-se.

Os pertencentes a este grau filiam-se a quatro grandes divisões e passam a pertencer à Fraternidade Oculta universal.

Na iniciação do terceiro grau  seus membros são conhecidos simbolicamente como – Cisnes – o pássaro da vida, que toma seu vôo no espaço; são também – O Stamsa – “ aqueles que concebem a unidade”; para os budistas são chamados Anagamin, isto é aqueles que não mais renascem.
No quarto grau o discípulo, para o hindu, é o Santo “aquele que já está além do Eu”; move-se nos três mundos (físico, astral e mental) e os esplendores do mundo material não mais o seduzem. Para o budista é o Arthat, o Venerável.
Finalmente no quinto grau, o discípulo é o Jivamukta – o ser de vida livre – e para os budista é o Aseka, isto é, o que não tem mais nada a aprender: entra no Nirvana como Espírito livre. Ali terminam as ascensões humanas do mundos inferiores; acima dele se estendem as coortes de seres poderosos que não são mais humanos.
Estes últimos estão grupados em cinco comunidades, havendo três centros de adeptos, isto é, de formação de adeptos, no Tibet, em Gobi e no Himavat.
Os adeptos estão espalhados por todo o mundo, vivendo isolados ou dirigindo fraternidades iniciáticas de diferentes aspectos ou filiações religiosas.

2.       INICIAÇÃO ESPÍRITA
O Espiritismo não adota nenhum destes títulos, nem essa rigorosa hierarquia de iniciação, como também não adota o regime de segredo, invariavelmente utilizado por todas essas fraternidades.
Tendo em vista os imperativos evangélicos que caracterizam suas atividades religiosas e julgando necessário a iniciação, para se dar cunho mais rigoroso, metódico e idealista ao esforço do espiritualização individual e coletiva, foi criado na FEESP um sistema de iniciação em três graus, a saber:
Aprendiz é o que se inicia primeiro grau, fazendo as primeiras tentativas de busca do caminho; servidor é aquele que está construindo sua morada nos planos de Luz, servindo ao próximo com sentimento de perfeita caridade; e discípulo, aquele que assumiu compromissos de realizar na Terra os testemunhos necessários à confirmação dos ensinamentos do Divino Mestre; aquele que tendo compreendido o Evangelho, dispõe a viver segundo os seus ensinamentos, superando as tentações, conveniências e comodidades do mundo.
Os dois primeiros graus são realizados na Escola de Aprendizes do Evangelho e o último na Fraternidade dos Discípulos de Jesus, em que todos os discípulos devem se esforçar para viver dessa forma, exemplificando o Evangelho e executando o mais que lhes for possível, a vontade do Cristo planetário.
Na Escola de Aprendizes, foi feita a preparação de corpo e espírito nos dois graus inferiores; as mentes foram esclarecidas e regras foram dadas para a purificação do corpo, disciplinamento de hábitos e costumes, combate aos vícios e defeitos morais. Entretanto, como a maioria ainda não atingiu um ponto satisfatório de elevação, todos os que aqui se encontram, são aspirantes ao discipulado, semelhantes a discípulos probatórios.
No desenvolvimento da iniciação, neste grau os discípulos irão recebendo instruções a respeito das práticas necessárias ao aprimoramento espiritual e, ao mesmo tempo, alargando os horizontes dos seus conhecimentos intelectuais.
Em todos os casos, como preparação à iniciação mais avançada, é indispensável seguir as regras seguinte destinadas à purificação do corpo e espírito. Essas regras vêm da necessidade do discípulo se aparelhar tanto no campo íntimo e individual como no exterior e coletivo, para o exercício de uma conduta reta e perfeita.

Há um axioma iniciático que diz: o mestre não faz o discípulo; este é que se faz a si mesmo. O budista diz: o mestre somente aponta o caminho. No Espiritismo isto pode ser configurado nas frases:  “A cada um será dado segundo as suas obras”. “Muitos serão os chamados, poucos os escolhidos”.
Quando o Espírito encarna com tarefas a desenvolver no campo espiritual, quando já evoluiu em encarnações anteriores, ou, finalmente, quando é um dos “escolhidos”, ele abre caminho por si mesmo, com segurança e decisão e atinge os graus iniciático, quer dizer, absorve conhecimentos cada vez mais amplos, com relativa facilidade porque, segundo outro axioma, “o adepto já nasceu adepto”, isto é, já traz em si mesmo as qualidades morais e os requisitos necessários àquelas realizações.
Isto, porém, não quer dizer que outros deixem também de obter êxito, considerando que tudo depende do esforço de cada um e da sinceridade que revelarem na realização desse esforço.

Os mandamentos religiosos da iniciação Espírita são aqueles que o Evangelho aponta como essenciais, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
O amor a Deus implica em subordinação e humildade à sua vontade soberana e justa; e o amor ao próximo significa servidão e caridade, porque todos sabemos que sem caridade não há salvação.
A diferença fundamental entre as iniciações, a esotérica e a espírita, está em que a primeira mentem o discípulo nos limites de sua própria individualidade, que é prevalecente ( EU SOU) enquanto que no Espiritismo, pelo esclarecimento, arranca-se o discípulo do seu reino íntimo, egocêntrico e egoístico e se o projeta no campo da vida exterior, onde deverá viver sacrificando-se, se preciso for, beneficiando seus semelhantes, porque o ensino recebido pelo iniciado espírita é o último que o Cristo planetário revelou, o mais avançado e o que coloca a lei do amor em seu verdadeiro pedestal de superioridade sobre todas as demais.
As virtudes do Evangelho e sua realização na vida comum é o que visa a Iniciação Espírita e, também como na esotérica, aqui o esforço pertence exclusivamente ao discípulo. Porque como muito bem disse o iluminado Platão: a virtude não tem mestre.

3.       REGRAS DE PURIFICAÇÃO

Por vários caminhos pode atingir a renovação pelo Evangelho, isto é, a espiritualização individual.
Cada corrente de pensamento doutrinário ou iniciático trato do assunto, sugerindo processos, invariavelmente complicados, mas dados, sempre, como infalíveis conquanto sejam, todos eles, na realidade, simplesmente aleatórios; somente a vida, em si mesma, com suas provas e sofrimentos de toda sorte vai, aos poucos, como o perpassar do tempo, desbastando o matagal dos defeitos e das paixões, cortando arestas, polindo, burilando a estátua humana até que o Espírito surja, afinal renovado e puro, ante os olhos compassivos e amorosos do Criador divino.
Porém, do ponto de vista de realizações possíveis, exceção feita da parte intelectual, que é sempre simplesmente correlativa, o processo mais viável e seguro de se atingir esse escopo é, ainda e sempre, aquele que o Evangelho aponta, a  renovação dos sentimentos para se obter, como consequência, a purificação de pensamentos e atos; a conquista de virtudes morais que faltam a todos os seres humanos nos graus inferiores da evolução quando, ainda, os fatores e arrastamento provenientes do reino animal dominam a criatura; e por último a busca do Reino de deus, pelo uso, e pela exemplificação dessas virtudes no campo da vida social.
A renovação de sentimentos é problema árduo e exige, para sua consecução, o estabelecimento de regras de conduta, o emprego constante da vontade e o auxílio das entidades espirituais protetoras, que jamais abandonaram o caminheiro na sua jornada de sacrifícios e de provas.
Como, por outro lado, não pode haver pureza espiritual em corpo poluído, é necessário, antes de mais nada, combater os vícios comuns, como sejam o fumo, o álcool, a glutinaria; depois, as paixões mais generalizadas como a sensualidade, a avareza, a brutalidade, etc. e os defeitos morais tão comuns como o orgulho, o egoísmo, a hipocrisia, a maledicência, etc., travando contra ela luta tenaz e porfiada, como recomenda o Divino Mestre em seus ensinamentos.
Tudo isto retarda a ascensão do Espírito e o mantém acorrentado a si mesmo na sua baixa expressão de animalidade.
Se o orgulho, por exemplo, promove a separação entre os homens, os vícios os rebaixam, a sensualidade os prende fortemente ao mundo material e grosseiro; por isso, nenhum processo espiritual é possível enquanto os homens ou enquanto   estes não se dispuserem à luta pela sua libertação.
Para se obter a pureza do corpo físico, é necessário, antes de mais nada, combater os vícios referidos e eliminar todo e qualquer outro mau costume que se possua, mantendo o corpo em perfeitas ou, no mínimo e regulares condições de higidez, harmonia e força, para o desempenho normal das funções orgânicas; reduzir a alimentação – que deve ser frugal e simples, porém completa – contendo todos os alimentos básicos que a ciência já classificou.
Iniciada esta luta contra os vícios e as impurezas, no grua com a intensidade que for possível, estará o adepto ingressando firmemente no caminho da purificação de corpo e espírito; a partir daí basta que persevere firmemente, sem se preocupar com o tempo transcorrido mas, unicamente, com a certeza de que não voltará atrás.
Dado esse primeiro passo deve, em seguida, iniciar a luta contra as paixões animais, se esforçando por dominá-las ou, no mínimo, restringi-las o mais possível.
Por último, iniciará a luta contra os defeitos morais já citados, tentando praticar as virtudes opostas, que são aquelas que necessita conquistar, começando sempre pelos defeitos mais acessíveis, menos difíceis de serem extirpados ou melhor, pela prática das virtudes de mais fácil realização.
Assim, dominando os vícios, lutando contra as paixões e praticando as virtudes morais indispensáveis, amando a Deus e servindo ao próximo na medida do possível, tudo isto de acordo com um programa de ação pessoal previamente organizado e, sempre que possível, sob a orientação de instrutores competentes, encarnados ou desencarnados, estará o adepto firmemente lançado no caminho da renovação evangélica.
Desta forma e com segurança irá ele, aos poucos, alterando seus sentimentos e, em consequência, seus pensamentos e atos. Toda sua vida mudará e novos horizontes se abrirão à sua frene mostrando-lhe um futuro espiritual promissor.
Este grandioso esforço de autoespiritualização, na realidade, se efetua em três setores de atividades distintos e complementares que são no íntimo, no ambiente familiar e na sociedade.
Em todos eles o espirita deve dar testemunho dessa sua renovação moral, como membro que fica sendo da grande legião de operários humildes mas decididos e conscientes que, sob as ordens do Cristo planetário, trabalham denodadamente pela redenção do mundo.
Explanação de Esquema
O esforço de reforma íntima se exerce em dois setores distintos e complementares: o individual e o coletivo.
A iniciação individual compreende a purificação do corpo e espírito por processos e regras que são ensinadas aos ao Discípulos para a devida adoção.
A parte material visa a purificação do corpo físico.
A intelectual é feita por meio de estudo, meditações e exercícios que levam o Discípulos ao necessário conhecimento.
A moral – que é a principal – tem base no Evangelho e visa a eliminação dos vícios e dos defeitos comuns a todos os homens e mulheres bem como ao combate porfiado contra as paixões inferiores, de origem animal.
Esse esforço contínuo e rigoroso leva, ao fim de certo tempo, à conquista de virtudes e à purificação do Espírito, com a mudança, para melhor, de sua vida moral.
A iniciação no plano coletivo, desde o começo, exige a dura prova dos testemunhos evangélicos em todas as oportunidades e o devotamento, o mais completo possível, ao serviço em bem do próximo.
Essa iniciação, feita com o devido rigor e desprendimento, leva o Discípulo à transformação total dos seus sentimentos, do que decorre, como consequência, a transformação de pensamentos e atos.
Damos abaixo o esquema da iniciação espírita aqui exposta:


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