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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Intercâmbio social - LEI DE SOCIEDADE


O homem, inquestionavelmente, é um ser gregário, organizado pela
emoção para a vida em sociedade.
O seu insulamento, a pretexto de servir a Deus. constitui uma violência à
lei natural, caracterizando-se por uma fuga injustificável às responsabilidades
do dia-a-dia.
Graças à dinâmica da atualidade, diminuem as antigas incursões ao
isolacionismo, seja nas regiões desérticas para onde o homem fugia a buscar
meditação, seja no silêncio das clausuras e monastérios onde pensava perder-se em contemplação.
O Cristianismo possui o extraordinário objetivo de criar uma sociedade
equilibrada, na qual todos os seus membros sejam solidários entre si.
Negar o mundo” do conceito evangélico, não significa abandoná-lo, antes
criar condições novas, a fim de modificar-lhe as estruturas negativas e
egoísticas, engendrando recursos que o transformem em reduto de esperança, de paz, perfeito símile do “reino dos céus”, a que se reportava Jesus.
A vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em
regime de fraternidade, no qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo
dificuldades e consertando problemas.
Viver o Cristo é também conviver com o próximo, aceitando-o conforme
suas imperfeições, sem constituir-lhe fiscal ou pretender corrigi-lo, antes
acompanhando-o com bondade, inspirando-o ao despertamento e à mudança
de conduta de motu proprio.
A reforma pessoal de alguém inspira confiança, gera simpatia, modifica o
meio e renova os cômpares com quem cada um se afina.
Isolar-se, portanto, a pretexto de servir ao bem não passa de uma
experiência na qual o egoísmo predomina, longe da luta que forja heróis e
constrói os santos da abnegação e da caridade.
*
Criaturas bem intencionadas sonham com comunidades espiritualizadas,
perfeitas, onde se possa viver em regime da mais pura santificação.
Assim tocadas programam colméias, organizam comitês para tal fim, e
os mais ambiciosos laboram por cidades onde o mal não exista e todos se
amem. .
Em verdade, tal ambição, nobre por enquanto impraticável senão
totalmente irrealizável, representa uma reminiscência ancestral das antigas
comunidades religiosas onde o atavismo criou necessidades de elevação num mundo especial, longe das realidades objetivas entre os homens em evolução.
Jesus, porém, deu-nos o exemplo.
Desceu das Regiões Felizes ao vale das aflições, a fim de ajudar.
Não convocou os privilegiados, antes convidou os infelizes, os rebeldes e
rejeitados, suportando suas mazelas e assim mesmo os amando.
No Colégio íntimo esteve a braços com as sistemáticas dúvidas dos
amigos, suas ambições infantis, suas querelas frívolas, suas disputas.
Não se afastou deles, embora suas imperfeições, não se rebelou contra
eles. 
Ajudou-os, íncansavelmente, até os momentos extremos, quando,
sofrendo, no Getsemani, surpreendeu-os, mais de uma vez, a dormir.
E retornou ao convívio deles, quando atemorizados, a sustentá-los e
animá-los, a fim de que não deperecessem na fé, nem na dedicação em que se fizeram mais tarde dignos do seu Mestre, em face dos testemunhos
libertadores a que se entregaram.
*
Atesta a tua confiança no Senhor e a excelência da tua fé mediante a
convivência com os irmãos mais inditosos do que tu mesmo.
Sê-lhes a lâmpada acesa a clarificar-lhes a marcha.
Nada esperes dos outros.
Sê tu quem ajuda, desculpa, compreende.
Se eles te enganam ou te traem, se censuram-te ou exigem-te o que te
não dão, ama-os mais, sofre-os mais, porqüanto são mais carecentes de
socorro e amor do que supões.
Se conseguires conviver pacificamente com os amigos difíceis e fazê-los
companheiros, terás logrado êxito, porqüanto Jesus em teu coração estará
sempre refletido no trato, no intercâmbio social com os que te buscam e com
os quais ascendes na direção de Deus. 
Joanna de Ângelis 
Livro Leis Morais da Vidacap 31

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