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sexta-feira, 17 de março de 2017

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA - LIVRO 3 CAP 18


A FÉ COMO FONTE GERADORA DE AÇÕES FRATERNAS
 
BIBLIOGRAFIA
DICIONÁRIO DE FILOSOFIA – Nicola Abbagnano – Edit Martins Fontes
FILOSOFIA ESPÍRITA E SEUS TEMAS – Manoel P São Marcos – Edit FEESP
SER PARA CONHECER...CONHECER PARA SER – Astrid Sayegh – Edit FEESP
CARTA ENCÍCLICA FIDES ET RATIO – João Paulo II – Edit Loyola

REFLEXÃO
A FÉ ATUA FISICAMENTE?
Se a fé for a causa de um movimento ou uma deformação de um objeto físico, concluímos que aí esta mais uma força da natureza desconhecida do homem de ciência.
Ou nosso cérebro produz uma energia capaz de efetuar aquela ação ou uma potencia externa conduzida pela nossa mente atua sobre o objeto?
Ou será que essa fé atua somente sobre nos mesmos de tal forma que dirige todas nossas ações no sentido de realizar nosso intento?

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA
Esta aula tem por objetivo conceituar a fé, investigando suas origens, suas manifestações e seus resultados. As religiões têm a fé como instrumento importante para através dela, atingir seu objetivo principal que é a transformação do homem. Muitas delas afirmam categoricamente que para ele chegar a salvação precisa da fé. Em se tratando de algo que conduz os homens a mudar seus hábitos cotidianos vemos necessidade de uma melhor compreensão do assunto.
Um grande número de pessoas afirma ter fé, portanto, uma melhor investigação se faz necessário.

2ª PARTE: INTRODUÇÃO
Tudo que o homem não consegue entender através de seus conhecimentos, situações que estão além de sua capacidade de raciocínio, faz muitas vezes ele buscar explicações de caráter subjetivo, místico ou metafísico.
Encontram-se homens que conseguem transformar essas situações em explicações por vezes plausíveis porem sem amparo concreto. O domínio que eles conseguem diante desses obstáculos proporciona o aparecimento de admiradores e de seguidores. Eles passam a ser líderes que tanto maior sua influencia quanto maior a realização de fatos inexplicáveis. Sua fala passa a ser uma lei para esses seguidores. Estes assumem como verdades incontestáveis.
Esses líderes adquirem créditos diante de enormes massas humanas fazendo surgir doutrinas. Tanto mais forte esse crédito se ele contribui na explicação e na resolução de situações aparentemente insolúveis. Essas explicações se transformam em doutrinas e os líderes são credores de confiança. Surge a fé em suas proposições.

3ª PARTE: A FÉ DESCRITA PELOS DICIONÁRIOS
A Fé é crença religiosa como confiança na palavra revelada. Ou ainda, a Fé é a firme adesão da inteligência à verdade que ela reconhece. A Fé constitui um dos conceitos básicos na pregação religiosa. O dicionário ainda acrescenta que o dogmatismo intelectualiza a Fé e os movimentos místicos a relacionam com a experiência religiosa.

4ª PARTE: A FÉ E O OTIMISMO
Todos os homens, espiritualistas ou não, cristãos ou não cristãos, podem ser otimistas, mas quem acrescenta ao otimismo a transcendência divina apresenta um otimismo mais consistente.
Explicando, quando ao otimismo se acrescenta uma participação da divindade, uma transcendência, o
otimismo se torna mais consistente. Quando o otimismo é substituído pela fé, os resultados se multiplicam e as decepções se minimizam.
Este fato por si só pode mostrar a importância do aspecto fideista no homem.
Por outro lado, o pessimismo, a desesperança, a falta de fé que geralmente estão relacionadas entre si e em grande parte ao materialismo e ao egoísmo, manifestam quadros com situações sombrias ao homem.

5ª PARTE: A FÉ NA ÓPTICA DAS RELIGIÕES
A Igreja se apoiando nas palavras de Paulo (Hebreus 1, 2) “a fé é a garantia das coisas esperadas e a prova das que não se vêem” conclui com a explicação de Tomas de Aquino “quando se fala em prova distingue-se fé da opinião, da suspeita e da dúvida, coisas em que falta a firme adesão do intelecto ao seu objeto”. Quando se fala em coisas que não se vêem, distingue-se a fé da ciência e do intelecto nos quais alguma coisa se faz aparente. E quando se diz a garantia das coisas esperadas faz-se a distinção entre a virtude da fé e a fé no significado comum que visa a bem-aventurança esperada.
Se a fé proclamada pelas religiões tivesse todo seu empenho objetivo trabalhar as palavras de Paulo com o complemento de Tomas de Aquino teríamos aquilo que se classifica como um reforço positivo para o atendimento de um objetivo benéfico.
O que ocorre, entretanto, é o imiscuir de dogmas e doutrinas criadas por homens ao sentimento puro de esperança desejada.
A fé religiosa passa a ser então a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões. Todas apresentam doutrinas e artigos de fé.
A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro e em cada passo se choca com a evidencia da razão. Quando levada ao excesso, produz o fanatismo.
Podemos, usando o Dicionário de Filosofia dizer que dogma é a doutrina criada pela Igreja por decisão coletiva do seu corpo doutrinário dita como definitiva e declara como revelada por Deus ou como inspirada pelo Espírito Santo, considerando assim uma verdade de fé.
Portanto, as religiões ao pregar a fé em Deus, embutem nela toda a ritualística, a dogmática e o
caminho por ela criado apresentando grande parte das vezes os escritos sagrados sob sua óptica de
interpretação.

6ª PARTE: A RAZÃO NO AUXÍLIO DA FÉ
Fé e Razão pertencem à essência da natureza humana afirma Herculano Pires em A Introdução a Filosofia Espírita. São, pois atributos potenciais do espírito que se atualiza e se desenvolve no decurso da vida.
A fé trabalha com os propósitos que estão além do entendimento do homem procurando auxilialo nos pontos onde a razão tem dificuldade de atingir. Entretanto, muitas vezes a fé é posta a atuar no espaço onde a razão já mantém domínio. Neste instante ocorrem conflitos gritantes a ponto delas se posicionarem contraria uma a outra. Não se observa a complementação recíproca. Em vez de serem tratadas como aliadas, complementares, o homem as coloca em confronto.
“A Razão sem a Fé é coxa e a Fé sem a Razão é cega” já dizia Einstein.
Ter fé em algo que se opõe a lógica e a razão provoca insegurança. Contrariamente, quando cremos em algo que esta condizente com elas, faz que a fé se fortaleça e se solidifique.

7ª PARTE: A FÉ SOB A ÓPTICA ESPÍRITA – A FÉ RACIOCINADA
O homem inicia sua caminhada apresentando primeiramente o sentimento da fé em manifestações naturais da intima e espontânea religiosidade enquanto a razão dentro do mesmo processo se desenvolve tocada pela necessidade de solucionar os problemas. Assim, fé e razão caminham lado a lado. Esses atributos caminham buscando a interação: a razão iluminada pelos lampejos da fé e esta por sua vez esclarecida pela validez intuitiva da razão.
Kardec em sua crítica da fé nos diz: “não basta crer. Para crer é necessário, sobretudo,
compreender. A fé raciocinada que se apóia nos fatos e na lógica não deixa nenhuma obscuridade: crêse
porque se tem a certeza e só se está certo quando se compreende.”.
A Doutrina Espírita não se coaduna com dogmas criados e impostos. O que podem e devem
existir são princípios de razão e não postulados de fé. A estrutura que compõem a doutrina deve ser
dinâmica e aberta sendo um sistema livre e transparente que induz a reflexão, nada impondo quando
surge uma análise descompromissada.
Podemos concluir que “a razão é o leme que dirige o navegante cauteloso e a fé é a luz que lhe
ilumina a bússola marcando o rumo.”. A Fé como sendo irmã gêmea da Razão e jamais sua opositora.
A fé se torna inabalável ao erguer-se sobre princípios lógicos e, portanto universais. A fé que
tem por base a razão leva o indivíduo a transformar-se pela própria certeza e pela força da imanência
divina e não pela força de outrem. A fé revela-se não apenas como crença no Ser transcendente, Deus,
mas na própria consciência de sua imanência. Se todos os homens tivessem persuadidos da força que trazem dentro de si seriam capazes de realizar o que hoje chamamos prodígios.
Não basta confiança em Deus, mas a confiança da presença de Deus em nós.

8ª PARTE: A FÉ COMO FONTE DE AÇÕES FRATERNAS
O homem diante do seu semelhante apresenta as mais diferentes posturas: de hostilidade, de maldade, de indiferença, de ajuda solidária, de amizade, de cuidados e de amor. As religiões de um modo geral facultam e proporcionam o estreitamento de relações humanas. Estimulam a aproximação entre os seres humanos.
Os grandes líderes religiosos sempre se colocaram no sentido da harmonização entre os homens. Eles exaltam valores que se desprendam do ego e das coisas materiais, pois, entendem que somente a espiritualização é capaz de levar o homem a felicidade.
Para promover a valorização das coisas espirituais, as religiões devem apresentar uma forte adesão a sua doutrina.
A religião, porem, pode muito facilmente se desviar para o campo do sectarismo, da acepção de pessoas e culminar com o fanatismo. São estas as ocasiões que requer um trabalho consciente dos representantes de cada grupamento religioso.
Assim, as ações fraternas estão fortemente vinculadas à forma de crer dos homens e quanto mais ele estiver engajado a sua fé religiosa e quanto mais esta elevar o sentido de aproximação do homem com seu semelhante mais ele estará agindo de forma fraterna.
A ação fraterna tem forte componente sentimental e emocional cujo campo de atuação estáintimamente, relacionada com a fé religiosa, pois é esta que mexe com o coração humano.

9ª PARTE: CONCLUSÃO
A fé é uma forte aliada das ações fraternas desde que a doutrina religiosa que esta por detrás tenha evidente cunho de aproximação dos homens. Muitos se riem quando se fala da importância de uma religião no seio da sociedade, mas não podemos ignorar a força que pode desempenhar para o equilíbrio, a harmonia, a alegria e a felicidade de um povo.
Alan Krambeck

10ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA
Próxima aula:
Livro 3 Cap.19 - Solidariedade X Fraternidade
Leitura:
Livro dos Espíritos – Allan Kardec - Edit FEB

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