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sábado, 11 de fevereiro de 2017

CONSIDERANDO O ARREPENDIMENTO


Por mais anestesiados se encontrem os centros do discernimento  intelectual, dia chega em que ele se instala.

Passe o tempo sob a aflição do tóxico que perturba a faculdade da razão, momento surge em que se reajustam os núcleos da atividade do pensamento e ele brota.

Apesar da intensidade clamorosa dos fatores perturbantes que destroem os sentimentos superiores da vida, ao impacto dos projéteis da ira alucinada, do ódio avassalador, do ciúme desequilibrante ou do amor próprio enlouquecido, levando a criatura a atitudes infelizes, chega a oportunidade em que aparecem os pródromos da sua presença.

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O arrependimento sempre se manifesta na consciência em débito para com a vida.

A princípio, ei-lo como lembrança da falta cometida de que já se não supunha existir qualquer sinal; posteriormente, a recordação do momento infeliz que se estabelece; mais tarde, a ideia rediviva dominante e por fim a obsessão do remorso, avassaladora.

Insidioso e maleável, o arrependimento é câncer que se apropria do homem que se deixou colher em falta, pela vindita ou pelo desforço.

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Há pessoas que dizem: “Arrependo-me de me não ter vingado.”

Algumas exclamam: “Arrependo-me de não ter expulso o inimigo à minha porta.”

Outros proferem: “Arrependo-me do bem que fiz.”

Algumas contraditam: “Amarguro-me, sim, porque fui eu quem o ajudou e arrependo-me da hora inditosa em que nutri a víbora que hoje me picou...

Em verdade devemos arrepender-nos das más ações que cometemos, louvando sem cessar os momentos briosos do auxílio que dispensamos e agradecendo a Deus a oportunidade em que poderíamos ter ferido mas não o fizemos, o ensejo de vingança, sem havermos descido a rampa da desgraça, a ocasião de negarmos o bem, tendo distendido a escudela da generosidade,

O arrependimento que enseja reabilitação do gravame é convite da consciência ao refazimento da obra mal sucedida. Se, todavia, a vítima transitou e a perdeste de vista, o acúleo do arrependimento se converte em cravo que se fixa no cerne do espírito, qual presença da dor que infligiste, até que se te depurem os fatores negativos que causaste.

Não te permitas, portanto, trair, enganar, acusar, ferir, mesmo que tenhas razão. Se a tens, obviamente não se faz necessário descartar-te de quem te prejudica, porquanto estás melhor do que ele. Se não a tens, não te compete a tarefa do desforço, desde que o teu padecimento é o corretivo para as tuas imperfeições.

Em qualquer circunstância, poupa-te desde hoje ao impositivo  escravízante que te surpreenderá amanhã.

Arrependimento sadio das faltas cometidas é compromisso assumido com as tarefas a executar.

Arrependimento perturbador que ultraja a consciência torna-se problema que se afigura de difícil solução.

Caso não te disponhas a tudo recomeçar sob o beneplácito da
Misericórdia Divina que nos colocou no mundo para amar e amar, servir e servir porque é da Lei que “somente pelo amor os homens serão salvos”, padecerás do arrependimento perturbador, que nada edifica.

Leis Morais – Joana de Ângelis

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