quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Ressurreição e Reencarnação

1. DEFININDO OS TERMOS
Ressurreição - do lat. ressurrectione - significa ato ou efeito de ressurgir, ressuscitar; regresso da morte à vida; ato de reaparecer depois de haver morrido. Segundo o Catolicismo e o Protestantismo, retorno à vida num mesmo corpo.

Encarnar - Do lat. incarnare - significa penetrar (o Espírito em um corpo).

Reencarnar (de re + encarnar) significa a volta do Espírito em um novo corpo físico, sem qualquer espécie de ligação com o antigo.

Reencarnação (de re + encarnação) é a doutrina da pluralidade e da unidade das existências corpóreas, isto é, do nascimento ou renascimento de Espíritos tanto na esfera terrena como na de outros planetas.

2. ASPECTOS TEOLÓGICOS DA RESSURREIÇÃO
A Igreja ensina como verdade de fé a realidade da ressurreição corporal para todos os homens e a identidade dos corpos ressuscitados com os corpos que eles tiveram nesta vida. Assim foi definido pelo 4.º concílio de Latrão: "Todos ressurgirão com os próprios corpos que têm agora, para receberem segundo as suas boas ou más obras". Esta fé na ressurreiçãocorporal é um elemento da revelação judaico-cristã. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

Nas escrituras, encontramos referências a duas espécies de ressurreição:
a) Ressurreição temporal. Reanimação de um cadáver, retorno de um morto à vida que antes tinha, retorno necessariamente passageiro, e que voltará a terminar com a morte.

b) Ressurreição propriamente dita ou "escatológica". Ao contrário da anterior – que consistia em voltar de novo à vida temporal – a verdadeira ressurreição a que "vence" realmente a morte, é considerada como uma vida nova, não terrena nem "histórica", mas "eterna"; implica profunda transformação psicossomática sem, no entanto, destruir a identidade da pessoa em questão (o ressuscitado é o mesmo que morreu), nem a sua integridade (é o homem todo, e não só uma parte dele que vive para sempre). (Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura)

3. ELIAS OU JOÃO BATISTA?
"Entretanto Herodes, o Tetrarca, ouvindo falar de tudo o que Jesus fazia, seu espírito estava em suspenso – porque uns diziam que João ressuscitara de entre os mortos, outros que Elias apareceu, e outros que um dos antigos profetas ressuscitara. – Então, Herodes disse: Eu fiz cortar a cabeça de João, mas quem é este de quem ouvi falar tão grandes coisas? E ele tinha vontade de o ver". (Marcos, 6, 14 e 15; Lucas, 9, 7 a 9)

"(Após a transfiguração). Seus discípulos o interrogaram, dizendo: Por que, pois, os escribas dizem que é preciso que Elias venha antes? Mas Jesus lhes respondeu: É verdade que Elias deve vir e restabelecer todas as coisas; mas eu vos declaro que Elias já veio, e não o conheceram; mas o trataram como lhes aprouve. É assim que eles farão sofrer o Filho do Homem. Então seus discípulos compreenderam que era de João Batista que lhes havia falado". (Mateus, 17, 10 a 13; Marcos, 9, 11 a 13)

Esta passagem evangélica revela a confusão, que na época de Jesus, existia entre a ressurreição e a reencarnação. Pergunta-se: como pode um espírito voltar num corpo diferente, se a crença da ressurreição é que a volta deveria ser feita no mesmo corpo?

Allan Kardec, na Revista Espírita de 1863 (página 368), comenta a pergunta formulada por um cura: "Admitindo-se que Elias e João Batista sejam a mesma pessoa, qual o corpo tomará o Espírito Elias no juízo final, anunciado pela Igreja, para se apresentar ante Jesus Cristo: será o primeiro ou o segundo?

Em seus comentários, relembra-nos o tópico Os Saduceus e a Ressurreição, narrado por Mateus, nos seguintes termos:

"Naquele dia aproximaram-se dele alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição, e lhe perguntaram: Mestre, Moisés disse: se alguém morrer, não tendo filhos, seu irmão se casará com a viúva e suscitará descendência ao falecido. Ora, havia entre nós sete irmãos: o primeiro, tendo casado, morreu, e não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão: o mesmo sucedeu com o segundo, com o terceiro, até ao sétimo; depois de todos eles, morreu também a mulher. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa? Porque todos a desposaram. Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem casam nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu. E quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus dos mortos, e, sim, de vivos. (Mateus, 22, 23,32)

E prossegue:

Os anjos não têm corpo carnal, mas um corpo etéreo e fluídico, então os homens não mais ressuscitarão em carne e osso. Se João Batista foi Elias não é senão uma mesma alma, tendo tido duas vestimenta deixadas em duas épocas diferentes na terra; e não se apresentará com uma nem com outra, mas com o envoltório etéreo, próprio ao mundo invisível.

Os corpos são compostos dos quatro elementos básicos: oxigênio, hidrogênio, azoto e carbono. Com a morte, esses elementos se dispersam e entram na composição de outros corpos, tão bem que ao cabo de um certo tempo o corpo inteiro é absorvido.

Como a terra absorve esses elementos químicos, suponha que tenhamos plantado batata ao lado do cemitério; com a sua colheita, tenhamos criado galinhas. Posteriormente, o homem acaba usando a galinha para a sua alimentação. Ao ingerir as galinhas, o homem absorve, indiretamente, todos os elementos químicos daqueles seres humanos que já morreram. No dia do juízo, ele vai recobrar que corpo? O seu?  Ou a soma de todos os outros?

4. RESSURREIÇÃO DE LÁZARO
No Evangelho Segundo João, há uma narrativa sobre um homem que estava doente (Lázaro, e que veio a falecer e foi enterrado). Após 4 dias, Jesus é chamado para realizar um de seus milagres, ou seja, restituir-lhe a vida. Jesus é conduzido ao túmulo do Lázaro. Jesus disse: "Tirai a pedra. Disse-lhe Marta a irmão do morto: Senhor, ele já cheira mal, porque está morto há quatro dias. Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus? Tiraram então a pedra. E Jesus, levantando os olhos disse: Pai, graças te dou que me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa desta multidão que me cerca, para que creiam que tu me enviaste. Tendo assim falado, clamou em alta voz: Lázaro, sai para fora!. Saiu aquele que estivera morto, ligados os pés e as mãos com faixas, e envolto o seu rosto num lenço. Disse Jesus: desatai-o e deixai-o ir". (João 11, 39, 44)

Explicação: Lázaro estava imerso no fenômeno da letargia, ou seja, perda momentânea da sensibilidade e do movimento, por uma causa fisiológica ainda inexplicada. A ciência atesta que um corpo, nessas condições, pode durar até 8 dias. Ora, havia passado apenas 4 dias, de modo que é perfeitamente possível o seu retorno à vida. Sejam quais forem as aparências exteriores, pode dizer-se que todas as vezes que houver volta à vida é que não houve morte na acepção patológica do vocábulo. Quando a morte é completa essas voltas são impossíveis, pois a isto se opõe a lei fisiológica.

5. RESSURREIÇÃO E REENCARNAÇÃO: EXTRAÍDO DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
A confusão entre o conceito de ressurreição e o de reencarnação é porque os judeus tinham noções vagas e incompletas sobre a alma e sua ligação com o corpo. Por isso, a reencarnação fazia parte dos dogmas judaicos sob o nome de ressurreição. Eles acreditavam que um homem que viveu podia reviver, sem se inteirarem com precisão da maneira pela qual o fato podia ocorrer. Eles designavam por ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente chama reencarnação.

A ressurreição segundo a idéia vulgar é rejeitada pela Ciência. Se os despojos do corpo humano permanecessem homogêneos, embora dispersados e reduzidos a pó, ainda se conceberia a sua reunião em determinado tempo; mas as coisas não se passam assim, uma vez que os elementos desses corpos já estão dispersos e consumidos. Não se pode, portanto, racionalmente admitir a ressurreição, senão como figura simbolizando o fenômeno da reencarnação.

O princípio da reencarnação funda-se, a seu turno, sobre a justiça divina e a revelação. Dessa forma, a lei de reencarnação elucida todas as anomalias e faz-nos compreender que Deus deixa sempre uma porta aberta ao arrependimento. E para isso, Deus, na sua infinita bondade, permite-nos encarnar tantas vezes quantas forem necessárias ao nosso aperfeiçoamento espiritual, utilizando-se deste e de outros orbes disseminados no espaço. (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. IV, it. 4.)

CONCLUSÃO: a palavra ressurreição pode ser aplicada a Lázaro, mas não a Elias.
(Org. por Sérgio Biagi Gregório)
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