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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

FORMAÇÃO DOS MUNDOS

Estudo - textos relacionados - O Evangelho Segundo o Espiritismo cap. III  "Há muitas moradas na casa de Meu Pai".

O Livro dos Espíritos livro 1
CRIAÇÃO
Cap. III
I-                   Formação dos Mundos
O Universo compreende a infinidade dos mundos que vemos e não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço e os fluidos que o preenchem.

37- O Universo foi criado ou existe de toda a eternidade como Deus?
- Ele não pode ter sido feito por si mesmo; e se existisse de toda a eternidade, como Deus, não poderia ser obra de Deus.
A razão nos diz que o Universo não poderia fazer-se por si mesmo, e que, não podendo ser obra do acaso, deve ser obra de Deus.

38- Como criou Deus o Universo?
- Para me servir de uma expressão corrente: por sua Vontade. Nada exprime melhor essa vontade todo-poderosa do que estas belas palavras do Gênese. “Deus disse: Faça-se a luz, e a luz foi feita.”
39- Podemos conhecer o modo de formação dos mundos?
- Tudo o que se pode dizer, e que podeis compreender, é que os mundos se formam pela condensação da matéria espalhada no espaço.
40- Os cometas seriam como agora se pensa um começo de condensação da matéria, mundos em vias de formação?
- Isso está certo; absurdo, porém, é acreditar na sua influência. Quero dizer, a influência que vulgarmente lhe atribuem, porque todos os corpos celestes têm a sua para de influência em certos fenômenos físicos.
41- Um mundo completamente formado pode desaparecer, e a matéria que o compõe espalhar-se de novo no espaço?
- Sim, Deus renova os mundos, como renova os seres vivos.
42- Saberemos a duração da formação dos mundos; da Terra, por exemplo?
- Nada te posso dizer, porque somente o Criador o sabe, e bem louco seria quem pretendesse sabe-lo, ou conhecer o número de séculos dessa formação.


V. PLURALIDADE DOS MUNDOS.
55- Todos os globos que circundam no espaço são habitados?
- Sim, se o homem terreno está bem longe de ser, como acredita o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequeno globo tem o privilégio de ser habitado por seres racionais. Orgulho e vaidade! Crê em que Deus criou o Universo somente para eles.
Deus povoou os mundos de seres vivos, e todos concorrem para o objetivo final da Providência. Acreditar que os seres vivos estejam limitados apenas ao ponto que habitamos no Universo, seria pôr em dúvida a sabedoria de Deus que nada fez de inútil e deve ter destinado esses mundos a um fim mais sério do que o de alegrar os nossos olhos. Nada, aliás, nem na posição, no volume ou na constituição física da Terra, pode razoavelmente levar-nos à suposição de que tenha o privilégio de ser habitado, com exclusão de tantos milhares de mundos semelhantes.
56- A constituição física dos diferentes globos é a mesma?
- Não, eles absolutamente não se assemelham.
57- A constituição física dos mundos não sendo a mesma para todos, os seres que os habitam terão organização diferente?
- Sem dúvida, como entre vós os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar.
58- Os mundos mais distanciados do Sol são privados de luz e calor, de vez que o Sol lhes aparece apenas como uma estrela?
_ Acreditais que não há outras fontes de luz e de calor, além do Sol?
Não tendes em conta à eletricidade, que em certos mundos, desempenha um papel desconhecido para vós e bem mais importante que o que lhe cabe na Terra? Aliás, não dissemos que todos os seres vivam da mesma maneira que vós, com órgãos semelhantes aos vossos.
As condições de existências dos seres nos diferentes mundos devem ser apropriadas ao meio em que têm de viver. Se nunca tivéssemos visto peixes não compreenderíamos como alguns seres pudessem viver na água. O mesmo acontece com outros mundos, que sem dúvida contêm elementos para nós desconhecidos. Não vemos na Terra longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que haveria de impossível para eletricidade ser mais abundante que na Terra, desempenhando um papel geral cujos efeitos podemos compreender? Esses mundos podem conter em si mesmos as fontes de luz e calor necessários aos seus habitantes.
59- Os povos fizeram ideias bastante divergentes sobre a criação, segundo o grau de seus conhecimentos. A razão apoiada na Ciência reconheceu a inverossimilhança de algumas teorias. A que os Espíritos nos oferecem confirma a opinião há muito admitida pelos homens mais esclarecidos.
A objeção que se pode fazer a essa teoria é a de estar em contradição com os textos dos livros sagrados. Mas um exame sério nos leva a reconhecer que essa contradição é mais aparente que real resultante da interpolação dado a passagem que, em geral, só possuíam sentido alegórico.
A questão do primeiro homem, na pessoa de Adão, como único tronco da Humanidade, não é a única sobre a qual as crenças religiosas têm de modificar-se. O movimento da Terra parecia, em determinada época, tão contrário aos textos sagrados que não há formas de perseguição a que essa teoria não tenha dado pretexto. Não obstante, a Terra gira, malgrado os anátemas, e ninguém hoje em dia poderia contestá-lo sem ofender a sua própria razão.
A Bíblia diz igualmente que o mundo foi criado em seis dias, e fixa a época da criação em cerca de quatro mil anos antes da era cristã. Antes disso a Terra não existia; ela foi tirada do nada. O texto é formal. E eis que a Ciência positiva, a Ciência inexorável vem provar o contrário. A formação do globo está gravada em caracteres indeléveis no mundo fóssil, e está provado que os seis dias da criação representam outros tantos períodos, cada um deles, talvez, de muitas centenas de milhares de anos. E não se trata de um sistema, uma doutrina, uma opinião isolada, mas de um fato tão constante como o do movimento da Terra, que a Teologia não pode deixar de admitir prova evidente do erro em que se pode cair, quando se tomam ao pé da letra as expressões de uma linguagem frequentemente figurada. Devemos concluir, então que a Bíblia é um erro? Não, mas que os homens se engaram na sua interpretação.
A Ciência, escavando os arquivos da Terra, descobriu a ordem em que os diferentes seres vivos apareceram na superfície, e essa ordem concorda com a indicação no Gênese, com a diferença de que essa obra, em vez de ter saído miraculosamente das mãos de Deus, em apenas algumas horas, realizou-se, sempre por sua vontade, mas segundo a lei das forças naturais, em alguns milhões de anos. Deus seria, por isso, menos e menos poderoso? Sua obra se tornaria menos sublime, por não ter o prestigio da instantaneidade? Evidentemente, não. É preciso fazer da Divindade uma ideia bem mesquinha para não reconhecer a sua onipotência nas leis eternas que ela estabeleceu para reger os mundos. A Ciência, longe de diminuir a obra divina, vo-la mostra sob um aspecto mais grandioso e mais conforme com as noções que temos do poder e da majestade de Deus, pelo fato mesmo de ter ela se realizado sem derrogar as leis da Natureza.
A Ciência, de acordo neste ponto com Moises, coloca o homem por último na ordem da criação dos seres vivos. Moises, porém coloca o dilúvio universal no ano 1654 da formação do mundo, enquanto a Geologia nos mostra o grande cataclismo como anterior a aparição do homem, tendo em vista que até agora, não se encontra nas camadas primitivas nenhum traço da sua presença, da sua mesma categoria. Mas nada prova que isto seja impossível, várias descobertas já lançaram dúvidas a respeito, podendo acontecer, portanto, que de um momento para o outro se adquira a certeza material da anterioridade da raça humana. E então se reconhecerá que, neste ponto, como em outros o texto bíblico é figurado.
A questão está em saber se o cataclismo geológico é o mesmo de Noé. Ora, a duração necessária à formação das camadas fósseis não dá lugar a confusões, e no momento em que se encontrarem os traços da existência do homem, anteriores às grandes catástrofes, ficará provado que Adão não foi o primeiro homem, ou que a sua criação se perde na noite dos tempos. Contra a evidência não há raciocínios possíveis e será necessário aceitar o fato como se aceitou o do movimento da Terra e o dos seis períodos da Criação.
A existência do homem antes do dilúvio geológico, é não há dúvida, ainda hipotética, mas eis como nos parece menos. Admitindo-se que o homem tenha aparecido pela primeira vez na Terra há quatro mil anos antes de Cristo, se 1650 anos mais tarde toda a raça humana foi destruída, com exceção apenas de uma família, conclui-se que o povoamento da Terra data de Noé, ou seja, de 2350 anos antes da nossa era. Ora, quando os hebreus emigraram para o Egito, no décimo oitavo século encontrou esse país bastante povoado e já bem avançado em civilização. A História prova que, nessa época, a Índia e outros países eram igualmente florescentes, mesmo sem levarmos em conta a cronologia de certos povos, que remonta a uma época ainda mais recuada. Teria sido então necessário que do vigésimo quarto ao décimo oitavo século, quer dizer, num espaço de seiscentos anos, não somente a posteridade de um único homem tivesse podido povoar todas as imensas regiões então conhecidas, supondo-se que as outras não estivessem povoadas, mas também que nesse curto intervalo, a espécie humana tivesse podido elevar-se da ignorância absoluta do estado primitivo ao mais alto grau de desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas as leis antropológicas.
A diversidade das raças humanas vem ainda em apoio dessa opinião. O clima e os hábitos produzem, sem dúvida, modificações das características físicas, mas sabe-se até onde pode chegar à influência dessas causas, e o exame fisiológico prova a existência, entre algumas raças, de diferenças constitucionais mais profundas que as produzidas pelo clima. O cruzamento de raças produz os tipos intermediários, tende a superar os caracteres extremos, mas não cria estes, produzindo apenas as variedades. Ora, para que não tivesse havido cruzamento de raças, era necessário que houvesse raças distintas, e como explicarmos a sua existência, dando-lhes um tronco comum, e, sobretudo tão próximo? Como admitir que alguns séculos, certos descendentes de Noé se tivessem transformado a ponto de produzirem a raça etiópica, por exemplo? Tal metamorfose não é mais admissível que a hipótese de um tronco comum para o lobo e a ovelha, e elefante e o pulgão, a ave e o peixe. Ainda uma vez, nada poderia prevalecer contra a evidência dos fatos.
Tudo se explica, pelo contrário, admitindo-se a existência do homem antes da época que lhe é vulgarmente assinalada; a diversidade das origens; Adão, que viveu há seis mil anos, como tendo povoado uma região ainda inabitada; o dilúvio de Noé com uma catástrofe parcial, que se tornou pelo cataclismo geológico, e tendo-se em conta por fim, a forma alegórica de todos os povos. Eis porque é prudente não se acusar muito ligeiramente de falsas, as doutrinas que podem, cedo ou tarde, como tantas outras, oferecerem um desmentido aos que as combatem. As ideias religiosas, longe de perder se engrandecem, ao marchar com a Ciência, esse o único meio de não apresentarem ao ceticismo um lado vulnerável.


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