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domingo, 28 de agosto de 2016

A FELICIDADE NÃO É DESTE MUNDO – François – Nicolas – Madelaine . Cardeal Morlot, Paris 1863




O Evangelho Segundo o Espiritismo - Bem-Aventurados os Aflitos cap. V

Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! Exclama geralmente o homem, em todas as posições sociais. Isto prova meus caros filhos que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo”. Com efeito, nem a fortuna, nem o poder, nem mesmo a juventude em flor, são condições essenciais da felicidade. Digo mais: nem mesmo a reunião destas três condições, tão cobiçadas, pois que ouvimos constantemente no seio das classes privilegiadas, pessoas de todas as idades lamentarem amargamente a sua condição de existência.

Diante disso, é inconcebível que as classes trabalhadoras invejem com tanta cobiça a posição dos favorecidos da fortuna. Neste mundo, seja que for cada qual tem a sua parte de trabalho e de miséria, seu quinhão de sofrimento e desengano. Pelo que é fácil chegar-se à conclusão de que a Terra é um lugar de provas e de expiações.

Assim, pois, os que pregam que a Terra é a única morada do homem, e que somente nela, e numa única existência, lhe é permitido alcançar o mais elevado grau de felicidade que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam aqueles que os ouvem. Basta lembrar que está demonstrado, por uma experiência multissecular, que este globo só excepcionalmente reúne as condições necessárias à felicidade completa do indivíduo.

Num sentido geral, pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia, a cuja perseguição se lançam as gerações, sucessivamente, sem jamais alcançarem. Porque, se o homem sábio é uma raridade neste mundo, o homem realmente feliz não se encontra com maior facilidade.

Aquilo em que consiste a felicidade terrena é de tal maneira efêmera, para quem não se guiar pela sabedoria, que por um ano, um mês, uma semana de completa satisfação, todo o resto da existência passa numa sequencia de amarguras e decepções. E notais meus caros filhos, que estou falando dos felizes da Terra, desses que são invejados pela massa populares.

Consequentemente, se a morada terrena se destina a provas e expiações, é forçoso admitir que existem além-moradas mais favorecidas, em que o Espírito do homem, ainda prisioneiro de um corpo material, desfruta em sua plenitude as alegrias inerentes à vida humana. Foi por isso que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para que os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão um dia gravitar, quando estiverdes suficientemente purificados e aperfeiçoados.

Não obstante, não se deduza das minhas palavras que a Terra esteja sempre destinada a servir de penitenciária. Não, por certo! Porque, do progresso realizado podeis facilmente deduzir o que será o progresso futuro, e das melhoras sociais já conquistadas, as novas e mais fecundas melhorar que virão. Essa é a tarefa imensa que deve ser realizada pela nova doutrina que os Espíritos vos revelam.

Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime, e que cada um dentre vós despoje energicamente do homem velho. Entregai-vos inteiramente à divulgação desse Espiritismo, que já deu início à vossa própria regeneração. É um dever fazer vossos irmãos participarem dos raios dessa luz sagrada. Ã obra, portanto, meus caros filhos! Que nesta reunião solene, todos os vossos corações se voltem para esse alvo grandioso, de preparar para as futuras gerações um mundo em que a felicidade não seja mais uma palavra sã.
François – Nicolas – Madelaine. Cardeal Morlot, Paris 1863.


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