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quinta-feira, 21 de julho de 2016

O Espelho Vivo

"Não julgueis para que não sejais julgados."Mateus 7:1

A visão que o homem tem das pessoas e das circunstâncias ou situações que o cercam é muito restrita.

Muitas vezes o que costuma ver é apenas reflexo daquilo que vai em seu interior. Projeta-se no outro, em situações ou posicionamentos cuja gênese está exatamente dentro de si.

Em geral, as coisas que são desagradáveis na conduta alheia são uma sombra do que se tenta esconder de si mesmo. É comum observar quanto o homem se especializa nas projeções mentais, consciente ou inconscimentemente. Como mecanismo de fuga, utiliza-se do desculpismo e cria uma imagem de tudo aquilo que o incomoda em si mesmo, imputando ao outro os erros ou os incômodos que não teve a coragem de debater.

Essa atitude anômala funciona como um mecanismo de defesa contra as próprias tendências instintivas e os comportamentos que a consciência reprova. O medo de enfrentar-se, a fuga da realidade interior e o sentimento de culpa fazem com que se psrocure no outro aquilo que incomoda em sí próprio.

De maneira geral, esses incômodos que se observam na conduta alheia, as dificuldades encontradas na visão que se tem do outro, são apenas projeções da consciência culpada, que não encontra força e coragem para minar-se. Procurar defeitos nos outros é verdadeiramente uma anomalia da alma, que merece ação imediata, a fim de ser reverem e modificarem os impulsos do ser.

A necessidade do homem contemporâneo é da de conhecer-se mais profundamente. É urgente que refaça a sua visão da vida.

Abatido muitas vezes pelas experîências e pela velocidade das conquistas materiais, o ser tem a necessidade de refazer-se, modificando a sua postura.

A visão dualista da vida, do certo e do errado, da virtude e dos vícios gera em muitos o sentimento de culpa que os impulsiona para longe de si. É preciso retornar para a realidade interna e, numa visão interior, realizar a análise de si mesmo, sem os fantasmas do medo ou da culpa, que produzem as fugas desnecessárias. Nada de punição ou de atitudes pessimistas  de conflitivas. A necessidade é de ampliar a visão da alma para poder observar-se e observar as pessoas, os acontecimentos e as situações da vida sob o ângulo da universalidade.

O único erro que existe é manter-se prisioneiro das velhas concepções terrenas.

O sentimento de valorização da vida ensina o homem a elevar-se acima da mesquinha condição de juiz alheio e liberta-o dos sentimentos que ainda o aprisionam na retaguarda.

O nosso homem, aquele que renasce das cinzas das acanhadas posturas do passado, é um homem de visão mais ampla, cósmica.

A visão integral do ser ante a realidade do universo impede as fugas e os desculpismos, fazendo com que cada um se assuma diante da própria realidade.

Não há certo ou errado no caminho do aperfeiçoamento. Há experiências que merecem ser vividas com dignidade e outras que, perante a necessidade da hora atual, merecem ser adiadas ou excluidas da jornada por desnecessárias.

O homem deve prosseguir a caminhada, a grande viagem da vida, de mãos dadas com os companheiros que jornadeiam consigo. Toda a culpa do mundo, geradora dos conflitos íntimos, não tem existência real.

Quando o Mestre da vida assumiu a condição humana, trouxe a mensagem do amor incondicional, ensinando-nos a valorizar as experiências da jornada terrestre como forma de ascese para a vida mística da espiritualidade interior.

Alex Zarthúr - Robson Pinheiro - Livro Serenidade cap 20

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