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sábado, 2 de abril de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 2 ­ CAP 9

METAFÍSICA – ONTOLOGIA – ONTOLOGIA ESPÍRITA

BIBLIOGRAFIA
CONVITE À FILOSOFIA – Marilena Chauí- Edit. Ática – páginas 180 a 213
FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA – Manuel Garcia Morente – Edit Mestre Jou
INTRODUÇÃO À FILOSOFIA ESPÍRITA – J. Herculano Pires – Edit. Paidéia
O LIVRO DOS ESPÍRITOS – Allan Kardec – Edit. Petit

REFLEXÃO
O FÍSICO E O METAFÍSICO
Não são poucos os homens que tem segurança somente no que os sentidos lhes transmitem. A força do raciocínio abstrato só é reconhecido por poucos. Este exige ousadia, audácia e busca no entendimento do desconhecido. Enfim requer esforço mental. O pouco que os sentidos são atingidos pelo imponderável quase sempre é tratado com ilusão, fraude ou como sendo produto do inconsciente. Isto tudo sem contar com as ideias de antemão concebidas. Por que esses homens não se propõem a investigar seriamente?

1ª PARTE: OBJETIVO DA AULA
Esta aula tem por objetivo entender os conceitos de metafísica e ontologia, bem como conhecer sua origem e seu desenvolvimento. Uma das partes mais importantes da Filosofia, pois investiga o ser na sua essência. Essa investigação se faz inclusive no estudo da sua origem e destino.

2ª PARTE: INTRODUÇÃO
As células de nosso corpo morrem e surgem novas de tempos em tempos. Aquelas com as quais nascemos já não existem mais e a grande maioria delas são bem recentes. No fundo nosso corpo se modifica com o passar do tempo. Da mesma forma temos nossa historia gravada em nossa memória.

Temos nossos familiares, parentes, amigos, vizinhos e mesmo desafetos, enfim, uma teia de relações. Imaginemos que de uma hora para outra percamos a nossa memória definitivamente, irrecuperavelmente. Finalmente, quem somos nos? Quem sou eu? Sou o meu corpo? Qual corpo, o de hoje ou o de ontem, ou o que será amanhã? Minha identidade é minha historia? Seriam as minhas relações? Um outro exemplo, as águas do rio Amazonas fluem da nascente a foz. Elas mudam de lugar e o rio se mantém sempre o mesmo. O que é o rio Amazonas? Quem é ele? Como o identificamos? Um típico questionamento metafísico seria: o homem com 50 anos é o mesmo de quando ele tinha 5 anos? Um rio quando cheio é o mesmo rio quando esta com seu curso quase seco? Perguntas como essas é que constituem o campo da Metafísica.

3ª PARTE: O QUE É METAFÍSICA – PERÍODOS E SUAS CARACTERÍSTICAS
A Metafísica é a investigação filosófica que gira em torno da pergunta “o que é?” É a pesquisa dos pensamentos abstratos. É a disciplina filosófica que trata de entidades situadas além das coisas físicas, isto é, do invisível. Trata igualmente da origem, essência e finalidade do homem e do homem dentro do mundo. A pergunta clássica da metafísica é: “o que é tal coisa?” Essa pergunta porem tem dois sentidos: o “é” no sentido de “existir” e “é” no sentido de “qual é a essência daquela coisa”

Assim a Existência e a Essência são os principais temas da Metafísica. Ela investiga os fundamentos, os princípios e as causas de todas as coisas e o ser intimo de todas as coisas indagando assim por que existem e por que são o que são. Adiantamos, sem no momento entrar em maiores detalhes que podemos classificar os filósofos em essencialistas e existencialistas conforme se ocupem da essência ou da existência. A história da metafísica foi marcada enormemente pelo filosofo David Hume pelo fato dele não reconhecer esse campo da filosofia.
Assim a historia da metafísica pode ser dividida em três períodos:
- O primeiro período que vai de Platão e Aristóteles até Hume
- O segundo período que vai de Kant (contemporâneo e polemizador de Hume) até Husserl
- O terceiro período no século XX (a partir dos anos 20) que seria a metafísica ou ontologia contemporânea David Hume é então o grande divisor de águas no que se refere à Metafísica. Ele afirma influenciando fortemente a Filosofia que os conceitos metafísicos não correspondem a nenhuma realidade externa existente em si mesma e independente de nós, mas são meros nomes gerais para as coisas, nomes que nos vem pelo hábito mental ou psíquico de associar ideias as sensações, as percepções e as impressões dos sentidos quando são constantes, frequentes e regulares.

4ª PARTE: O NASCIMENTO DA METAFÍSICA
O termo METAFÍSICA foi usada pela primeira vez por Andrônico de Rodes por volta de 50 AC. Ele recolheu e classificou as obras de Aristóteles que ficaram por muito tempo dispersas e perdidas.

Aristóteles em vez de metafísica usava a denominação Filosofia Primeira. Andrônico, porém ao classificar as obras aristotélicas colocou a Filosofia Primeira depois da Physis que era o estudo das substancias componentes do mundo físico, por isso – Metafísica. De qualquer forma, nada impediu que esse “depois” puramente espacial fosse considerado “além” no sentido de tratarem de assuntos que transcendem a Física, que estão além dela por ultrapassar o conhecimento do mundo sensível. A Filosofia Primeira não é a primeira na ordem do conhecer já que partimos do conhecimento sensível, mas a que busca as causas mais universais (e, portanto mais distantes dos sentidos) e que são fundamentais na ordem real. A Metafísica fornece conceitos ligados ao objeto, tais como: identidade, oposição, diferença, gênero, espécie, tudo, parte, perfeição, unidade, necessidade, realidade. É nesse sentido que a Metafísica consiste em examinar o Ser e suas propriedades.

5ª PARTE: A METAFÍSICA DE ARISTÓTELES E OS CONCEITOS METAFÍSICOS
Para Aristóteles, a observação da realidade leva-nos a constatação da existência de inúmeros seres individuais, concretos, mutáveis que são captados pelos nossos sentidos. Partindo dessa realidade sensorial, empírica deve-se atingir a sua essência através de um processo de conhecimento que caminharia do individual e específico para o universal e genérico. O objeto de estudo das ciências a partir de então não pode ser o individual mas sim a compreensão do universal. Assim como exemplo, o conceito de escola não seria de uma construção específica, mas de uma essência com todos os atributos e características de uma escola. A Filosofia Primeira, portanto seria o estudo ou o conhecimento da essência das coisas ou seja, do ser real e verdadeiro das coisas, daquilo que elas são em si mesmas apesar das aparências que possam ter e das mudanças que possam sofrer. Aristóteles trás uma nova interpretação para as mudanças do ser objeto de estudo de Heráclito Introduz o conceito de potencia e ato. Ele também propõem em sua metafísica os quatro tipos de causas fundamentais quando investiga o processo da causalidade: causa material, causa formal, causa eficiente e causa final.

6ª PARTE: A METAFÍSICA CRISTàE A CLÁSSICA – A CRISE DA METAFÍSICA
O Cristianismo trazia no seu bojo a evangelização dos povos gentios. Tinha objetivo de converter não-cristãos e tornar-se uma religião universal. A conversão dos intelectuais gregos e romanos leva ao surgimento de uma Metafísica Cristã. Essa metafísica foi uma mescla com o neoplatonismo, estoicismo e gnosticismo. Embora a Metafísica Cristã seja uma reelaboração da metafísica grega, muitas ideias gregas não podiam ser aceitas pelo cristianismo. Assim:
1- GREGOS – mundo era eterno, sem começo e nem fim. CRISTÃOS – mundo foi criado e terminará com Juízo Final.
2- GREGOS – a divindade é uma força cósmica, racional e impessoal. CRISTÃOS – Deus é pessoal, trino e uno.
3- GREGOS – o conhecimento é uma atividade do intelecto. CRISTÃOS – a razão humana é imperfeita e incapaz de sozinha alcançar a verdade. Após a decadência do mundo grego e a decadência do império romano mais e mais se firma a Metafísica Cristã. Ao chegar ao século XIII e depois com a Escolástica surgem as Verdades da Razão e as Verdades da Fé. E esta passa a subjugar aquela nas ocasiões de confronto. A partir dos séculos XVI e XVII o pensamento ocidental começa a sofrer uma mudança considerável que irá manifestar-se na Metafísica. Os intelectuais começam a rejeitar a autoridade religiosa da Igreja e as verdades de Fé são desvinculadas das verdades de Razão promovendo assim a incompatibilidade entre elas acarretando uma separação de sorte que a Religião e a Filosofia passam a seguir seus próprios caminhos. A intolerância do poder religioso se manifesta através da Inquisição e do Santo Ofício criado pela Igreja Católica tentando dessa forma subjugar o levante da Razão através das novas ciências e da Filosofia, surgindo os racionalistas, os empiristas, os heliocentristas, o panteísmo de Espinosa reelaborando assim toda a Metafísica classificada agora como sendo Metafísica Clássica.

7ª PARTE: A ONTOLOGIA
Foi somente no séc XVII que surgiu o termo ONTOLOGIA.  Foi criado pelo filósofo alemão Jacobus Thomasius que considerou a palavra mais correta para designar os estudos da Metafísica ou da filosofia das causas primeiras. Ontologia significa: o estudo ou o conhecimento do Ser, dos Entes ou das coisas como são em si mesmas reais e verdadeiras. A Metafísica é aquilo que é condição e fundamento de tudo o que existe e de tudo o que puder ser conhecido. Assim o Ser significa o Espírito e o Ente seria o Corpo. Já a Existência é a Vida e a Essência a Alma. Foi depois do século XIX que o termo Ontologia vem prevalecendo ao uso do termo Metafísica, pois, enquanto aquele visa à busca da essência do objeto do conhecimento, a Metafísica esta inconscientemente vinculada à ideia do divino, da causa primeira.

8ª PARTE: O CIENTIFICISMO E O NOVO ENFOQUE DA METAFÍSICA
O desenvolvimento das ciências, da matéria no século XIX como sendo o auge do Empirismo culminou com a filosofia de Comte, o Positivismo. O Cientificismo é a crença infundada de que a ciência pode e deve conhecer tudo. A ideologia da Ciência é a crença no progresso e na evolução dos conhecimentos científicos que um dia explicarão totalmente a realidade. Outra crença era de que a Ciência viria substituir inteiramente a Filosofia na teoria do conhecimento, liquidando de uma vez por todas as ilusões filosóficas contidas na Metafísica. Este é o ponto culminante da posição iniciada com David Hume. É o cepticismo total. É o auge do Materialismo. No final do século XIX e no século XX o termo Metafísica vem aos poucos dando lugar a Ontologia. É a filosofia novamente sob o jugo agora do Cientifismo o que antes era da Teologia.

9ª PARTE:  A FILOSOFIA ESPÍRITA É A LEGÍTIMA HERDEIRA DA METAFÍSICA?
A Filosofia Espírita vem fazer estudos profundos dos seres incorpóreos, das causas primeiras, das substancias componentes do Universo, enfim, da Metafísica. Ela propõe e prega uma visão mais racional e abrangente que as metafísicas cristã e clássica. Na Filosofia Espírita o mistério do Ser se aclara através da revelação e da cogitação. A revelação pode ser humana ou divina. No caso, é divina, pois reservamos para o campo humano a expressão clássica da técnica filosófica: a cogitação ou investigação filosófica. Os Espíritos revelaram a existência do Ser pela comunicação mediúnica (e a provaram pela fenomenologia mediúnica), mas os homens confirmaram essa existência pela cogitação, pela pesquisa mental do problema. Kardec não repetiu Descartes – cogito ergo sum – mas ampliou o conceito da presença de Deus no homem. Podemos interpretar assim a posição de Kardec: sinto Deus em mim, logo existo. Na Filosofia Espírita o conceito de Ser abrange todas as categorias daquilo que é, concordando, portanto, com o pensamento filosófico antigo e moderno.

A definição de Ser supremo, por exemplo, encontramos na primeira questão do Livro dos Espíritos e cuja resposta é: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”. Os seres têm essência e essa essência se desenvolve através da evolução: é o princípio inteligente. Essa essência se reveste de formas diversas no processo evolutivo. No ser humano, essa realidade se apresenta no complexo Espírito, Períspirito e Matéria. Toda essa complexidade, entretanto, é simplesmente a expressão pluralista de um monismo fundamental. A essência é que tudo domina. Ela é a realidade última. Mas só através da existência conseguiremos atingi-la. Temos de penetrar as capas existenciais do Ser para encontrá-lo na sua realidade essencial. O ser humano está no ápice da escala espírita existencial. Acima dele, os que superaram o domínio da matéria. A essência do espírito é indestrutível, individualizada e infinita atualizando constantemente as potencialidades do princípio inteligente. É uma criação de Deus para fins angélicos segundo nosso atual entendimento. O Livro dos Espíritos, a partir da questão 100, nos oferece um esquema ontológico da evolução do homem.

10ª PARTE: ONTOLOGIA E ESPIRITISMO
Sendo a ontologia a parte da Filosofia que trata do ser enquanto ser, ou seja, do ser concebido na sua totalidade e na sua universalidade, a ela caberia o papel especial de estudar o que permanece por detrás dos fenômenos. Explicá-los, enquanto os fenômenos, propriamente ditos, caberiam as ciência particulares. Essência e existência são os elementos básicos do ser. À pergunta: que é o ser, temos uma infinidade de respostas, dependendo, é claro, do ponto de vista considerado. Se materialista, a essência estaria na matéria; se idealista, no espírito; se religioso dogmático, em Deus. Essa aparente contradição de pontos de vista é aclarada pelo Espiritismo, que faz a síntese de todas as correntes filosóficas. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, fornece um conceito de Deus, mas a prova de sua existência não se dá Nele mesmo, mas nos efeitos que Dele provém. O homem provem de Deus, é por Ele creado, mas, esse processo é ainda por nós, desconhecido. Sabemos apenas que fomos creados simples, sem saber e sem experiência, mas determinados a adquirir todos os conhecimentos e toda moralidade numa escala infinita. Entendemos também que nossa constituição como ser vivente é tríplice: Espírito, Períspirito e Corpo Vital. Essa é a diferença que o Espiritismo nos proporciona com relação às demais filosofias existentes. Em outras palavras temos um acesso mais profundo da essência O Espiritismo é uma doutrina com recursos extraordinários para desvendarmos os mistérios que se ocultam atrás do ser.

11ª PARTE: CONCLUSÃO
Essa preocupação metafísica de entender o ser em sua essência bem como suas origens e destino nasceu na antiguidade e vem até nossos dias. Cada religião tem sua versão assim como a ciência. A proposta espírita sobre o ser é uma das mais plausíveis visto que a existência do espírito e sua imortalidade, comprovada pelas manifestações mediúnicas nos asseguram a continuidade da existência num outro plano. Porém quanto a origem e o destino fica mesmo a doutrina nas conjecturas filosóficas e suportada pelas revelações. Alan Krambeck

12ª PARTE: MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA
Próxima aula:
Livro 2 – Capítulo 10 – A Fé – A Lei da Adoração
Leitura: 
O Livro dos Espíritos – questões 649 a 673

Um comentário:

  1. maravilhoso post!! Lendo e refletindo me deu muita vontade de reler o Livro dos Espíritos! parabéns por compartilhar, bjs

    http://virtudesaqui.blogspot.com.br/

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