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domingo, 14 de fevereiro de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 2 - CAP 4

  A RAZÃO – INSTRUMENTO DO CONHECIMENTO 

BIBLIOGRAFIA 
CONVITE A FILOSOFIA – Marilena Chauí – Edit. Ática  SER PARA CONHECER.......CONHECER PARA SER – Astrid Sayegh – Edit. FEESP  VIVENDO A FILOSOFIA – Gabriel Chalita – Atual Editora 

REFLEXÃO 
É ASSIM PORQUE TEM QUE SER ASSIM?
  A Razão foi endeusada num passado recente e não correspondeu a altura que lhe deram. Descobriu-se falhas e sua abrangência ficou aquém das expectativas.  Apesar de tudo a Razão é a melhor vacina que a Filosofia possui contra uma doença intelectual muito perigosa chamada dogmatismo. O Dogmatismo representa as amarras de uma opinião estabelecida por decreto e ensinada como uma doutrina sem contestação e que entra em nós pela cultura, pela tradição e pelos ensinos daqueles os quais nos mais influenciam, os nossos entes queridos, pais, parentes, amigos e professores . O dogma é tomado como uma verdade que não pode ser contestada e nem questionada pois se um dia o for a resposta vem em riste: “é assim porque tem que ser assim”
  
1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA 
 Explorando de nossa mente tanto sob a óptica físico-quimico-biológica quanto do lado lógico- racional-sentimental-espiritual, esta aula procura investigar e conceituar o termo razão e sua função como instrumento de conhecimento. Busca também o entendimento dessa ferramenta disponibilizada por Deus para auxiliar o homem no discernimento e resolução dos problemas do cotidiano na caminhada evolutiva.  

2ª PARTE: RAZÃO EM SEUS VÁRIOS SENTIDOS – REVIVENDO SÓCRATES 
 Algumas frases frequentemente citadas na Doutrina Espírita envolvem o termo Razão:
 1- Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a Razão em todas as épocas da Humanidade.
2- É preciso fazer passar tudo pelo cadinho da Razão e do bom senso. 
Popularmente a palavra Razão apresenta vários significados: 
– “eu estou com a razão”.... “ele tem razão” para significar certeza – “agora ela esta lúcida, recuperou a razão”.....  para significar lucidez – “qual a razão de fazer isso?”... para significar motivo – “estas foram as razões de ter acontecido aquilo”...  para significar causa  Percebemos que a palavra Razão esta presente em nosso cotidiano querendo traduzir os mais diversos pensamentos. Mas qual a essência desse vocábulo?  Se estivéssemos na presença de Sócrates ele certamente iria questionar o que significa a Razão, qual sua essência, qual seu conceito. É o que vamos buscar. 

3ª PARTE: ORIGEM DO TERMO E DEFINIÇÃO 
 No Ocidente a palavra Razão origina-se de duas fontes: 
1- da palavra latina RATIO que vem do verbo REOR e significa: contar, reunir, medir, juntar, separar, calcular 2- da palavra grega LÓGOS que vem do verbo LEGEIN e significa: contar, reunir, juntar, calcular. 
Resumindo: Razão significa pensar e falar ordenadamente, com medida e proporção, com clareza e de modo compreensível para todos.  A Razão está sempre relacionada com o consciente, com o que está em nossa mente. Ela vincula Intelectualidade (o saber disponível) e a Moral (regras de conduta no meio) às ações que se desenvolvem.  Podemos então definir Razão como sendo: Razão é a atividade intelectual de conhecimento da realidade natural, social, psicológica, histórica, bem como a consciência moral que observa as paixões, orienta a vontade e oferece finalidade ética às ações e ainda é um ideal de clareza, ordenação, rigor e precisão dos pensamentos e das palavras. Dividimos a Razão em duas partes importantes: A Razão Objetiva e a Razão Subjetiva A Razão Objetiva está relacionada com o Objeto do Conhecimento – afirma-se que o objeto do conhecimento, a Realidade é sempre racional em si mesma. A Razão Subjetiva esta relacionada com o Sujeito do Conhecimento e da ação (o Eu). Afirma-se igualmente que o sujeito do conhecimento também é racional. Os filósofos dizem que a Harmonia só é atingida no momento de encontro dessas duas racionalidades. Assim, o Realismo esta relacionado com o objeto, ou seja, a Razão Objetiva, enquanto o Idealismo esta relacionado com a Razão Subjetiva. A Razão é oposta a 4 outras atitudes mentais:
1- a ilusão, 
2- as emoções, sentimentos e paixões, 
3- a crença religiosa e  4- ao êxtase místico
.   
4ª PARTE:  OS PRICÍPIOS RACIONAIS 
 A Filosofia considerou que a Razão opera segundo certos princípios que ela própria estabelece e que estão em concordância com a realidade, ou seja, o conhecimento racional obedece certas regras ou leis fundamentais: 
1- Princípio da Identidade - A é A – um quadrado é um quadrado e não é um circulo ou um triangulo. O que é, é.
2- Princípio da Não-contradição – A é A e não pode ser não A – por exemplo: os cães são mamíferos e não podem ser não mamíferos.
3- Princípio do 3º excluído (quando não há terceira alternativa) – por exemplo: este homem é Sócrates ou não é Sócrates, não há uma terceira possibilidade. 
4- Princípio da Causalidade – tudo o que existe tem uma causa 
O desenvolvimento científico atingindo o mundo microscópico e o mundo macro-cósmico levou ao descobrimento de certas leis que vieram contrariar alguns desses princípios. São eles: o Princípio da Incerteza onde a posição e a velocidade do elétron não podem ser conhecidos simultaneamente, ao se conhecer um não se conhece o outro. A Teoria da Relatividade, no âmbito macroscópico quando afirma que a única constante é a velocidade da luz onde tempo e espaço são variáveis. Tem como conseqüência, as leis da natureza na dependência da posição ocupada pelo observador.  Com estas descobertas o conceito de Razão necessita ser ampliado.  O conceito de razão também sofreu algum abalo com Marx e com Freud que levantam os conceitos de Inconsciente e de Ideologia. Esses aspectos chegam a influenciar de tal forma o consciente que resultam em se admitir até de forma considerada racional a dominação do homem pelos seus semelhantes e a influencia do inconsciente quando trabalhado por exemplo pela propaganda subliminar.
 Todos esses aspectos levaram ao filosofo da atualidade Merleau-Ponty a propor que a Filosofia Contemporânea deve urgentemente partir para um conceito de Razão Alargada. Este conceito exprimiria inclusive os princípios da racionalidade definidos por outras culturas indo contrariamente ao neo-colonialismo e etnocentrismo. Ou seja é contra a visão de que a nossa cultura e a nossa razão é superior a de outros povos. 

5ª PARTE:  A ATIVIDADE RACIONAL E SUAS MODALIDADES  
 A Filosofia distingue duas grandes modalidades da atividade racional realizadas pela Intuição ou Razão Intuitiva e o Raciocínio ou Razão Discursiva. A Intuição (Insight) é a compreensão global e instantânea de uma verdade de um objeto de um fato. De uma só vez a Razão capta todas as relações que constituem a realidade. E ela pode ser: 1- sensível ou empírica quando baseada na experiência - por exemplo: uma flor 2- intelectual - por exemplo: o todo é maior que as partes. Outro exemplo de intuição intelectual é o oferecido pela fenomenologia: quando penso em alguém posso imagina-lo dos mais diferentes modos. Ao contrário da Intuição, o raciocínio é o conhecimento que exige provas, demonstrações e se realiza igualmente através de provas e demonstrações das verdades que estão sendo investigadas. Não é um ato intelectual, mas são vários.  A Razão Discursiva é dividida em: Dedução, Indução e Analogia A Dedução parte do geral para o particular. Por exemplo: um triangulo particular tem 3 lados por que todos os triângulos tem 3 lados. A Dedução é um procedimento pelo qual um fato ou um objeto particular é conhecido por inclusão numa teoria geral. A Indução realiza um caminho inverso da Dedução, ou seja parte do particular procurando uma regra geral A Analogia busca traçar paralelos entre objetos diferentes que se comportam igualmente
 
6ª PARTE:  RAZÃO INATA (INATISMO) OU ADQUIRIDA (EMPIRISMO) 
 De onde vieram os princípios racionais? Nascemos com eles ou nos seriam dados pela educação e pelo costume?  Durante séculos, a Filosofia ofereceu duas respostas a essas perguntas. A primeira ficou conhecida como Inatismo e a segunda como Empirismo.  Platão e Descartes são os representantes máximos do Inatismo.  Francis Bacon, Locke, Berckeley e Hume são os representantes do Empirismo 

7ª PARTE:  A FILOSOFIA KANTIANA E HEGELIANA 
 O impasse criado pelas correntes inatistas e empiristas fez com que Kant buscasse uma alternativa filosófica que saísse dessa situação. Onde estaria o engano dos filósofos? Kant aponta como a causa dessa oposição o fato de o que ela pode conhecer. O primeiro ponto a ser estudado não seria a realidade mas o que é a Razão. Conforme faria Sócrates. Kant afirma que a Razão é uma estrutura inata mas sem conteúdos. Estes conteúdos iriam sendo adicionados aquela estrutura pela via empírica. Segundo ele a Razão é a função reguladora da atividade do sujeito do conhecimento.  Já Hegel diz que a Razão é histórica. Esses conflitos filosóficos são a historia da Razão buscando conhecer-se a si mesmo. Graças a essas contradições, em forma de tese e antítese, chega- se a uma síntese.
  
8ª PARTE:  A RAZÃO NA FILOSOFIA CONTEMPORANEA 
 Husserl não aceita a solução hegeliana e cria a fenomenologia (descreve as estruturas de consciência) que aceita o inatismo com as contribuições de Kant mas cujos conteúdos são produzidos por ela mesma independente da experiência. Segundo ele, o mundo ou a realidade é um conjunto de significações ou de sentidos que são produzidos pela consciência ou pela Razão. A Razão é a doadora de sentido e ela constitui a realidade enquanto sistemas de significações que dependem da estrutura da própria consciência. A Razão é a Razão subjetiva.
 
9ª PARTE:  A RAZÃO LOUCA E A RAZÃO SÁBIA 
 Os tempos modernos surgiram no sec. XVI marcados pelo ideal da racionalidade que culminou no Iluminismo do século XVIII. Superando a concepção medieval, centrada na tradição e na visão religiosa do mundo, a modernidade se torna laica (não-religiosa) e busca na Razão a possibilidade da autonomia do homem. O desenvolvimento técnico e científico é a expressão do racionalismo dos tempos modernos.  A Razão que serve para o desenvolvimento da técnica é a Razão Instrumental, bem diferente da Razão Vital, por meio da qual o homem se torna capaz de compreender criticamente a situação em que vive. O acréscimo de saber e de poder não tem sido acompanhado de sabedoria. O homem contemporâneo sabe o que fazer e como fazer mas perdeu de vista o para que fazer. Ele não reflete suficientemente bem a respeito dos fins de sua ação. Fazemos essa constatação quando nos defrontamos com o desequilíbrio entre riqueza e miséria, o consumo desenfreado, as desordens morais de uma sociedade centrada nos valores de posse. A grande maioria dos homens é despolitizada e preocupada com os problemas do seu cotidiano individual.  O trabalho da Filosofia consiste em recuperar a Razão sábia, a Razão vital como instrumento para resgatar o sentido humano no mundo.
  
10ª PARTE: CONCLUSÃO 
 A Razão é uma ferramenta de vital importância que Deus coloca a disposição do homem para que possa auxilia-lo no discernimento do caminho correto em direção ao Reino. Igualmente nos auxilia na resolução dos problemas do cotidiano pois esta intimamente vinculada a vida consciente.  A Razão está tão presente na Doutrina Espírita que Kardec na introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” faz a seguinte afirmação: “O primeiro controle é, sem contradita, o da razão.......Toda teoria em contradição manifesta com o bom senso, com a lógica rigorosa, e com os dados positivos que possuímos, por mais respeitável que seja o nome que a assine, deve ser rejeitada”.  Mesmo diante das diversas crenças que hoje se apresentam a nós, a Razão pode nos auxiliar no difícil dilema de escolha sobre qual caminho deveremos seguir. 
Alan Krambeck  

11ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA 
Próxima aula:  Livro 2 - Cap. 5  - A  LÓGICA – TESTE DO RACIOCÍNIO 
Leitura: 
CONVITE A FILOSOFIA – Marilena Chauí – Editora Ática

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