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domingo, 21 de fevereiro de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 2 ­ CAP 6


 ­O CONHECIMENTO ­ A TEORIA DO CONHECIMENTO

BIBLIOGRAFIA
CONVITE Á FILOSOFIA – Marilena Chauí – Edit Ática
FILOSOFANDO – Introdução a Filosofia – M Lucia A Aranha – Edit Moderna

REFLEXÃO
É NECESSÁRIO CONHECIMENTO PARA VIVER NO REINO DE DEUS?
 Uma senhora de idade bem avançada tida no bairro como extremamente virtuosa não medindo esforços no bem ao próximo. Tida inclusive como temente a Deus, cumpria rigorosamente todos os preceitos religiosos. Numa ocasião, ao varrer o seu jardim, se deparou com uma crisálida em vias de se transformar em borboleta tentando sair do seu casulo. Enternecida com aquela situação se pôs a ajudar a larva sair do seu habitáculo. Conseguiu. Esta, porém liberta, caiu ao chão e não demorou a ser atacada pelas formigas. Passadas algumas horas, a bondosa senhora percebeu que aquela foi consumida pelas formigas. Entristecida se recolheu a sua casa. No dia seguinte, ao receber a visita do seu filho que era biólogo, descreveu a tragédia. - Mamãe, disse ele, o esforço que a larva fazia lhe era vital, pois reforçava seus membros alados só assim poderia deixar o casulo e sair voando imediatamente sem perigo algum.

1ª PARTE: OBJETIVO DA AULA
         O objetivo desta aula é saber de que forma o homem conhece a realidade, o seu mundo exterior. Procura conhecer os processos utilizados para se chegar ao conhecimento.

2ª PARTE: INTRODUÇÃO
A Filosofia sempre se preocupou com o processo do conhecimento pelo homem. O que é possível conhecer? É possível que o sujeito do conhecimento conheça toda a realidade e a verdade? Quando esse estudo passou a ser sistematizado e metódico surgiu a Epistemologia, ramo da Filosofia que trata especificamente do assunto conhecimento. José Herculano Pires, filósofo espírita utiliza com certa frequência o termo Gnosiologia provinda de gnosis que assim como episteme tem o significado de conhecer, conhecimento.

3ª PARTE: O CONHECIMENTO E OS PRIMEIROS FILÓSOFOS
Os primeiros filósofos já tinham a preocupação com o conhecimento, mas não indagavam se podemos ou não conhecer ou como ele se processa. Assim os pré-socráticos, Heráclito de Éfeso, Parmênides de Eléia e Demócrito de Abdera, cada um dentro de sua filosofia se preocupavam em entender a Natureza, o Cosmos, em conhecê-lo por isso essa fase é também conhecida como Período Cosmológico. Com Sócrates e com os sofistas a questão do conhecimento já se torna central.
Diante da pluralidade e dos antagonismos das filosofias anteriores, os sofistas concluíram que não podemos conhecer o Ser, pois se o pudéssemos pensaríamos todos da mesma maneira uma vez que a verdade é universal. Por isso eles passaram a ensinar a arte do persuadir, ou seja, a Retórica. Em contrapartida, Sócrates afirma que a Verdade pode ser conhecida desde que compreendamos que precisamos afastar as ilusões e as meras opiniões. Dizia ele que possuímos uma alma racional com ideias inatas e o conhecimento é alcançado pelo despertar dessas ideias.

O conhecer de Sócrates utilizava dois processos:
a Ironia (reconhecer que não se conhece tanto quanto se imagina) e a
Maiêutica (o parto das ideias).

Platão apresenta 4 formas ou graus do conhecimento:
1- A Crença – é a confiança no processo sensorial
2- A Opinião – é a nossa aceitação do que nos ensinaram sobre as coisas
 3- O Raciocínio – é o treinamento do desenvolvimento correto de nosso pensamento
4- A Intuição Intelectual – é o conhecimento perfeito das coisas através de conceitos e raciocínios

Platão substitui o processo do conhecimento que Sócrates usava, a Ironia e a Maiêutica pela Dialética (exposição de teses contrárias).

Aristóteles já estabelece um numero maior de formas de conhecimento:
 a Sensação, a Percepção, a Imaginação, a Memória, a Linguagem, o Raciocínio e a Intuição.

Ele, porém, separa estas seis formas num grau crescente do conhecimento da verdade. A última, a Intuição que é um ato de pensamento puro cuja base é o conhecimento dos princípios universais e das primeiras causas do Ser.

4ª PARTE: OS FILÓSOFOS MODERNOS E O NASCIMENTO DA TEORIA DO CONHECIMENTO
A Filosofia Moderna se deparou com um fato novo que foi o surgimento e o desenvolvimento do Cristianismo. Este introduz algo entre nosso intelecto e a Verdade. O Cristianismo com forte influencia judaica parte da separação entre o Homem e Deus causada pelo Pecado Original. Dessa maneira se afirmava que o erro e a ilusão passaram a fazer parte da natureza humana. Em consequência disso a Filosofia enfrentou problemas novos:
1-) como seres decaídos podemos conhecer a Verdade?
2-) como o finito ( humano ) pode conhecer a Verdade (infinita e divina)?

Eis porque durante toda a Idade Média a Fé se tornou central para a Filosofia. E assim, não pode haver contradições entre as Verdades de Fé e as Verdades de Razão. Se houver alguma contradição as Verdades de Razão devem ser abandonadas em proveito das Verdades de Fé uma vez que a Razão humana esta sujeita ao erro e ao falso.

Os filósofos modernos recusaram essa posição dos filósofos cristãos onde a Filosofia ficaria subordinada à Verdade Cristã. Após as contradições descobertas por Copérnico e Galileu a respeito do geocentrismo e da redondeza da Terra os filósofos modernos desconfiaram ainda mais das Verdades Cristãs. A primeira tarefa destes filósofos foi recusar o poder de autoridades sobre a Razão, sejam elas autoridades da Igreja, da tradição, das escolas ou de livros sagrados ou não. Iniciam assim separando Razão e Fé. O problema do conhecimento se torna crucial e a Filosofia precisa começar pelo exame da capacidade humana de conhecer. Logo, para os modernos, o objeto do conhecimento passa ser o Sujeito do Conhecimento. Esse trabalho começa com Francis Bacon e René Descartes Bacon elaborou uma teoria conhecida por “Crítica dos Ídolos” que visa quebrar as opiniões cristalizadas e preconceitos que impedem o conhecimento da Verdade. A demolição dos Ídolos é, portanto uma reforma do intelecto, do conhecimento e da sociedade. Descartes, como já vimos se afasta de todo aprendizado anterior e lança o Método da Dúvida, ou seja, fazer passar todos os conhecimentos adquiridos até então pelo crivo da Razão. Ele localiza a origem do erro nas chamadas atitudes infantis ou preconceitos infantis e são eles:
a prevenção e a precipitação.
A Prevenção é a facilidade com que nosso espírito se deixa levar pelas opiniões e ideias alheias.
Precipitação seria a rapidez com que nos emitimos Juízos.
Instituíram, esses filósofos, a Teoria do Método. John Locke é o iniciador da Teoria do Conhecimento. Essas teorias trazem como objeto o próprio sujeito do conhecimento. Locke vai buscar em Aristóteles os graus ou as formas do conhecimento e inicia sobre eles um estudo mais aprofundado.

5ª PARTE:  A PERCEPÇÃO E A TEORIA DO CONHECIMENTO
Do ponto de vista da Teoria do Conhecimento, há três concepções principais sobre o papel da percepção:
 1-) Nas teorias empiristas, a percepção é a única fonte de conhecimento. Existem 2 tipos de percepção segundo eles:
as impressões (sensações, emoções e paixões) e as
 ideias (imagem das impressões no pensamento).
2-) Nas teorias racionalistas, a percepção é considerada não muito confiável para o conhecimento porque depende das condições particulares de quem percebe e está propensa a ilusões. Vemos o Sol menor que a Terra, um bastão mergulhado na água parece quebrado.
3-) Na teoria fenomenológica do conhecimento, a percepção é considerada originária e parte principal do conhecimento humano. Nunca podemos perceber de uma só vez o objeto. Ele terá de ser percebido de vários pontos, de vários ângulos, de várias maneiras, pois nunca percebemos o todo numa única visada. Logo a percepção, não é o flash de alguma coisa ou de um ser, mas um complexo de visadas sobre o objeto.

6ª PARTE:  A MEMÓRIA E A TEORIA DO CONHECIMENTO
Do ponto de vista da Teoria do Conhecimento, a memória tem as seguintes funções:
1-) retenção de uma imagem ou de uma situação vivenciada
2-) reconhecimento instantâneo de uma imagem ou vivência do presente numa imagem ou situação já vivenciada no passado.
 3-) recordação de uma imagem ou situação vivenciada no passado
 4-) capacidade de evocar o passado a partir do tempo presente

Na linha do tempo, a memória criou o passado e graças a ela temos condição de lembrarmos e recordarmos o passado. É a memória que confere sentido ao passado como diferente do presente. O esquecimento é a perda de nossa relação com o passado. Vários são os tipos de esquecimento: a Amnésia (a perda total ou parcial da memória), a
Afasia (esquecimento de palavras) e a
Apraxia (esquecimento de gestos e ações). Enfim, o conhecimento fica retido na memória sob a forma de aprendizado.

7ª PARTE:  A IMAGINAÇÃO E A TEORIA DO CONHECIMENTO
Para o Conhecimento, a Imaginação tem duas faces opostas. A primeira vem em auxílio funcionando como criadora, aquela que busca soluções de problemas desafiadores. É a face positiva da Imaginação. Essa Imaginação pode vir a ser a capacidade para encontrar um pensamento novo e no abandono de velhas teorias e proposição de novas. É o chamado Imaginário Utópico ou o Imaginário Criativo. A outra face é aquela de perigo ao conhecimento verdadeiro. É o imaginário que nos leva as ilusões. É o chamado Imaginário Reprodutivo. Em conclusão, o Imaginário Reprodutivo ou Ilusório é o que opera no sentido de se afastar da realidade, de desviar do verdadeiro, enquanto a Imaginação Criadora e a Utópica vêm operar o novo, o da mudança graças ao conhecimento crítico do presente.

8ª PARTE: CONCLUSÃO
Durante muito tempo a Humanidade buscou conhecer a Realidade, a Verdade, o Metafísico. O seu foco esteve sempre voltado para o Objeto do Conhecimento. O entendimento do objeto sempre esteve no foco dessa busca. E assim se permitiu o questionamento dos mitos e das falsas crenças. Esteve sempre a procura da distinção entre o Falso e o Verdadeiro. Procurou explicações das situações naturais, o porque as coisas são como são. O foco voltou-se para o Homem (fase antropológica) em seguida o foco foi para Deus (fase teológica) iniciando assim o Metafísico. A Filosofia ao chegar à Idade Moderna (século XVI) volta o seu foco para o Sujeito do Conhecimento passando assim do Conhecimento em si para uma Teoria do Conhecimento. Em outras palavras, quais as formas que o Sujeito do Conhecimento adquire o Conhecimento e se é possível o Sujeito conhecer toda Realidade e toda a Verdade.

Alan Krambeck
9ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA
Próxima aula:
Livro 2 - Cap.7 – Leis Universais Divinas ou Naturais – Leis dos Homens
Leitura:
O Livro dos Espíritos – Parte III – As Leis Morais O Grande Enigma – Leon Denis – As Leis Universais

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