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domingo, 14 de fevereiro de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 2 – CAP 1


(utilize o site: ifevale.org.br) 
OS SENTIDOS – SENSAÇÃO - PERCEPÇÃO - MEMÓRIA

BIBLIOGRAFIA 
1. CONVITE A FILOSOFIA  - Marilena Chauí - Ed Ática, São Paulo, 2004.
2. SER PARA CONHECER  CONHECER PARA SER  Astrid Sayegh - Ed. FEESP 3. NEUROANATOMIA FUNCIONAL  Angelo Machado - Edit. Atheneu - São Paulo, 1993. 4. COLEÇÃO CONHECER  Abril Cultural / Enciclopédia BARSA - Melhoramentos 

REFLEXÃO 
OS SENTIDOS, A VONTADE E O ESPÍRITO  
Nosso contato com o mundo se assemelha a uma avenida de duas mãos. Trazemos as informações de fora para dentro através dos nossos sentidos e levamos as informações de dentro para fora através do nosso corpo: gesticular, olhar, falar, escrever, pintar, representar, tocar, dançar, enfim usamos todos nossos recursos corporais para isso.  A origem do que vem de fora são os acontecimentos do mundo externo. A origem do que vai de dentro para fora é a nossa vontade.  Vamos fazer um trabalho investigativo em nosso corpo procurando onde se encontra a nossa vontade. Começando pelos pés, pernas, abdômen, braços, pescoço e finalizamos na cabeça. Entendemos que ela esta em nosso cérebro. Vamos adiante. Lá encontramos, células nervosas, neurônios, produtos químicos, disparos elétricos, células e reações químicas. A nossa vontade se encontra em algum desses elementos? Ela seria a reação química? Um disparo elétrico? A reação e o disparo são a origem? Ou será que a Vontade é que fará ocorrer o disparo e a reação? Será que a Vontade está fora do corpo físico? Seria ela oriunda do espírito? 

1ª PARTE: OBJETIVO DESTA AULA  
 Esta aula tem por objetivo nos aprofundarmos nos conceitos de sentidos, sensações, percepção e memória que são as forma como o corpo físico capta as informações do mundo exterior e transfere para o mundo interior. O movimento de dentro para fora também será investigado, ou seja, como após formularmos um pensamento, uma ideia, os externamos

2ª PARTE: INTRODUÇÃO - UM POUCO DE ANATOMIA  
 Todo sistema de informações transita através do sistema nervoso. Suas extremidades são o cérebro de um lado e as células sensitivas, órgãos ou músculos de outro. A informação é captada através dos neurônios aferentes ou sensitivos os quais seguem ao cérebro para serem processados e em seguida retornam ou não aos órgãos de atuação através dos neurônios eferentes ou motores.   Como dizia Descartes, para entendermos um sistema complexo precisamos subdividi-lo. Assim, o sistema nervoso divide-se em duas grandes partes: o sistema nervoso central que compreende o encéfalo e a medula central e o sistema nervoso periférico que compreende a rede de nervos que partem do central em direção as células sensoriais ou músculos.  As informações podem ser captadas do exterior do corpo, em suas circunvizinhanças ou mesmo do interior dele em nossos próprios órgãos.  O sistema nervoso é composto de bilhões de células chamadas neurônios dispostas uma em seguida da outra formando uma espécie de cadeia. Os neurônios são compostos de axônios e dendritos e seu comprimento pode variar desde milésimos de milímetros até centímetros. São extremamente sensíveis e tem a tarefa de transmitir o sinal recebido e conduzi-lo ao seu destino; que pode ser outro neurônio, uma fibra muscular ou uma glândula. Os neurônios alinhados formam uma fibra nervosa e um conjunto destas fibras forma um nervo.  A transmissão dos impulsos nervosos ocorre através de uma cadeia eletroquímica.  Denomina-se Sinapse, ao ponto de junção ou de contato entre os neurônios. Quando um impulso nervoso chega ao ponto extremo de uma célula nervosa, libera uma substancia neurotransmissora (Acetilcolina, Noradrenalina, Dopamina, Serotonina, são os mais comuns) que atinge o receptor do neurônio seguinte da cadeia, dando continuidade ao impulso.  A natureza química da substancia age como continuador ou inibidor do impulso para as células nervosas vizinhas.

3ª PARTE: OS SENTIDOS 
Nossos sentidos são funções cerebrais altamente especializadas e específicas, com áreas distintas no córtex cerebral. As áreas motoras e sensoriais podem ser identificadas e passíveis de verificação experimental. No centro do cérebro estão os controles de nossas percepções. É por onde passam todos os feixes nervosos que dão e recebem impulsos dos órgãos dos sentidos. Nesta região (feixes nervosos que chegam e saem do cérebro) com o restante do corpo.  O Sistema Nervoso Central ainda é dividido em três: o cerebelo (responsável pelo controle das funções motoras: equilíbrio, localização espacial, etc.), o mesencéfalo (responsável pelas funções vitais, controle de atividade cerebral e funções autônomas) e o telencéfalo (responsável pelas funções superiores: sensibilidade, motricidade, pensamento, raciocínio, sonhos).  terminações nervosas sensíveis ao contato com o meio externo: pressão temperatura (tato), som e vibração (audição), sabores (paladar), odores (olfato) e luz (visão). Para cada tipo de sensação possuímos um tipo de terminação nervosa (e um neurônio atrás de cada terminação). Essas terminações nervosas quando estimuladas produzem reações bioquímicas, energia (fosforilação) e descargas elétricas. Para garantir a velocidade da transmissão do estímulo, nossos longos neurônios são dotados de uma camada isolante e altamente condutiva, um estímulo tátil na mão produz quase que imediatamente funcionamento do sistema nervoso depende basicamente de estímulos elétricos desencadeados por reações químicas.  A percepção  um estímulo é uma função mental, não uma reação química cerebral. A relação entre percepção interna e a realidade externa é muito complexa. O que entra se acomoda de forma a se combinar com nossas ideias preconcebidas. Em outras palavras a realidade é filtrada. Se atarmos uma faixa no pulso ela ativa neurônios do tato  por algum tempo ficamos conscientes que há algo em torno do pulso  mas em pouco tempo deixamos de senti-la. O corpo humano tem mais neurônios inibidores do que qualquer outra espécie animal. É  possível que esses “desligadores” sejam parcialmente responsáveis pela superioridade de nossa inteligência e pelo nosso poder de concentração: uma pessoa absorvida numa conversa pode não perceber a chuva lá fora, porque os estímulos dessas fontes estão suprimidos. Para todos os sentidos  e sensações. 

4ª PARTE: CINCO SENTIDOS OU MAIS?  
Quantos sentidos possuímos? Os sentidos do tato, olfato, visão, audição e paladar são amplamente divulgados e conhecidos, porém outros dois sentidos são também reconhecidos ainda que de forma não totalmente abrangente.  perceber e interagir com campos eletromagnéticos. Tubarões e arraias são capazes de perceber, com sensibilidade impressionante, a eletricidade corporal de presas potenciais. Várias espécies de animais migratórios como aves, peixes, tartarugas e baleias possuem uma capacidade de percepção magnética especial: uma bússola biológica capaz de identificar o campo magnético da Terra e migrar para pontos longínquos e com impressionante exatidão.  telepatia, sensação de ser observado, premonição e intuição  pôr muitos ainda considerados como Percepção Extra-Sensorial. Esse sentido, no entanto, é absolutamente natural e presente na maioria das espécies que tenham um desenvolvimento razoável do córtex cerebral além de nós seres humanos.  Muitos estudos com animais domésticos demonstram a capacidade de percepção telepática e dos limites do próprio cérebro, sua interação com campos eletromagnéticos (campos mentais) e o fenômeno da ressonância. 

 5ª PARTE: O MECANISMO SENSORIAL – A PERCEPÇÃO  
 A sensação é o que nos dá as qualidades dos objetos exteriores e os efeitos internos dessas qualidades sobre nós. Nas sensações, vemos, tocamos, sentimos, ouvimos qualidades puras e diretas das coisas: cores, odores, texturas, sons, temperaturas, sentimos também qualidades internas, isto é, que se passam pelo nosso corpo ou em nossa mente pelo nosso contato com as coisas sensíveis: prazer, desprazer, dor, agrado, desagrado.  Sentir é algo ambíguo, pois o sensível é ao mesmo tempo a qualidade que está no objeto externo e o sentimento interno. Por isso costuma-se dizer que a sensação é uma reação corporal imediata a um estímulo externo sem que seja possível distinguir no ato da sensação o estímulo exterior e o sentimento interior.     Ninguém diz que sente o quente, vê o azul ou que engole o amargo. Diz-se que a água esta quente, que o céu é azul e o alimento esta amargo.  Alem disso, quando percebemos o óleo, não percebemos apenas a sua temperatura, mas também a sua cor, sua viscosidade e seu odor, isto é, vários atributos. Em outras palavras, mesmo que façamos referencia a apenas uma qualidade juntamente com essa sensação temos outras.  A esse conjunto simultâneo de sensações denominamos percepção. Nossa capacidade de conscientizar é mais lenta do que um impulso dos sentidos e envolve reflexão sobre as diversas percepções.
  
6ª PARTE: O QUE É A PERCEPÇÃO  
A percepção pode ser melhor entendida da seguinte maneira: 
É o conhecimento sensorial de formas ou de um conjunto de formas dotadas de sentido. 
É uma vivência corporal onde as condições e a situação de nosso corpo são tão importantes quanto às condições do objeto percebido. 
É sempre dotada de significado e faz sentido em nossa história.
O próprio mundo está organizado em formas e estruturas complexas dotadas de sentido  e só percepção da relação entre essas formas e coisas é que nos permite compreende-lo. Um rio só faz sentido se podemos perceber suas margens e a água que corre através dele, caso contrário, se  
A percepção é uma relação do sujeito com o mundo exterior e não só a relação de um sujeito psico-fisiológico com um conjunto de estímulos externos. Um dá sentido ao outro, um não existe sem o outro. 
O mundo percebido é qualitativo, significativo, estruturado e estamos nele como sujeitos ativos  damos sentido e significado a ele. 
O mundo percebido é intercorporal. É uma comunicação que se estabelece entre nosso corpo e os corpos das coisas e dos outros sujeitos. 
 Por depender de tantas inter-campo perceptivo apenas percepção. A percepção envolve atribuição de valor às coisas: boas, más, fáceis, difíceis, belas, feias, úteis e inúteis, embora nem sempre nos demos conta disto. 
A percepção envolve toda nossa personalidade, história pessoal, afetividade, desejos e paixões: é a forma como estamos no mundo. Percebemos o mundo qualitativamente e definimos nossa forma de nos relacionarmos com ele. 
 A percepção envolve valores sociais, ou seja, objetos e atividades percebidas como de muito valor numa sociedade podem ser insignificantes ou repugnantes em outras. 
A percepção oferece acesso à interação com o mundo nos orientando para as ações cotidianas e expressões artísticas: que modificam a percepção do mundo. 
Há um mundo percebido: uma realidade relativa baseada em valores que trazem significado para nós, essa realidade pode ser expressa através das artes, do instrumental, da realidade material e cultural de uma sociedade. 
A percepção está sujeita a uma forma especial de erro: a ilusão. Na percepção nunca podemos visualizar todas as suas faces: é preciso observá-las de várias maneiras, de vários lados. No pensamento, quando compreendemos um cubo, o compreendemos por inteiro, com suas seis faces. Todas estão presentes simultaneamente.  
A ilusão ocorre quando, por exemplo, percebendo uma faceta apenas, um aspecto isolado, e consideramos que já o conhecemos totalmente.    Daí a incidirmos no erro da ilusão, não é difícil.
  
 7ª PARTE: A PERCEPÇÃO E AS ESCOLAS FILOSÓFICAS 
As escolas filosóficas têm o seguinte entendimento sobre a percepção A Visão empirista da percepção e sensação entende que a percepção depende das coisas exteriores, são causadas por estímulos externos que agem sobre nossos sentidos e nosso sistema nervoso, chegando até níveis mentais na forma de sensação (odor, cor) ou de uma associação de sensações numa percepção (cheiro da flor, cor da flor). Cada sensação é independente e cabe ã percepção organiza-la e unificá-la numa síntese. A Visão Intelectualista entende que a sensação e a percepção dependem do sujeito do conhecimento e a coisa exterior é apenas a ocasião para que tenhamos a sensação ou a percepção. Nesse caso, o sujeito é ativo e a coisa externa é passiva, ou seja, sentir e perceber depende de o sujeito dar organização e significado a percepção  é um ato intelectual, realizado com base no conhecimento do sujeito. A Visão Fenomenológica (gestalt) avançou sobre as duas visões anteriores e mostrou que não há diferença entre percepção e sensação, pois nunca temos sensações parciais, separadas de cada qualidade. Sentimos e percebemos formas, isto é, totalidades estruturadas dotadas de sentido ou de significação. A sentir e perceber um cavalo é identificá-lo como um todo de uma só vez. Sentimos e percebemos formas, isto é, totalidades estruturadas dotadas de sentido ou significação. Como na percebemos uma totalidade repleta de sentido, mesmo que estejamos enganados. Ilusão!

8ª PARTE:  A MEMÓRIA  
 Façamos um exercício com nossa memória: vamos trazer fatos, situações, lembranças do nosso passado. Infância, pré-adolescencia, adolescência, fatos marcantes, musicas, filmes, pessoas, pais, irmãos, parentes, amigos, vivencia com eles.  Após esse exercício podemos dizer que a memória é uma evocação do passado. É a capacidade humana para reter e guardar o tempo que se foi, salvando-o da perda total.  A memória é também o reservatório daquilo que aprendemos nos nossos lares de nossos pais, nos bancos escolares com nossos professores, nos livros, nas experiências cotidianas, aquilo que vimos e sentimos em nosso passado.  Para alguns filósofos a memória é a garantia de nossa própria identidade. Só podemos falar no   A memória é o que nos faz diferenciar o passado do presente.  A introspecção é o viver ou reviver as percepções do passado. O objeto é interior ao sujeito do conhecimento!  As coisas passadas, lembradas são o passado do próprio sujeito bem como o passado relatado ou registrado por imagens e narrativas escritas ou orais.  É preciso mencionar também sua dimensão coletiva e social, ou seja, aquela gravada através das edificações, monumentos, objetos, documentos e relatos da história de uma sociedade.  A memória é, pois, inseparável do sentimento de tempo ou da percepção / experiência do tempo como algo que escoa, que flui, que passa.  Os antigos desenvolveram uma arte chamada eloqüência ou retórica destinada a persuadir e a criar emoções nos ouvintes por meio do uso belo e eficaz da linguagem onde a memória tinha um papel extremamente importante. Atualmente os políticos a utilizam intensivamente. As vezes tentam fazer que percebamos o seu "cubo" mostrando apenas uma de suas faces.  A memória na sociedade atual é polemica, valorizada e desvalorizada ao mesmo tempo. O velho deve ser descartado e o novo é valorizado. Isso tem função comercial e de ganho financeiro por parte da minoria detentora de poder. Esses poderosos utilizam o mecanismo do esquecimento que produzem nas massas para poder manuseá-la melhor. Faz-se apologia ao novo e desvaloriza-se o velho. Inclui-se ai o próprio ser humano. É marketing para poder vender o que é novo, desvalorizando o que é conservado.  A tecnologia moderna com suas maquinetas de consumo facilita o armazenamento do passado Diminuímos esforço. Quando precisamos é só ir até elas e buscarmos. Tornamo-nos dependentes dos instrumentos.  Podemos classificar a memória em seis tipos diferentes:
1. a memória perceptiva  é aquela que nos permite reconhecer as coisas, pessoas, lugares
2. a memória - hábito - é aquela que adquirimos pela repetibilidade de gestos e palavras, é a repetição contínua de alguma coisa atuando sobre nossa sensibilidade.
3. a memória significação  é aquela de importância significativa de caráter afetivo ou repulsivo como também aquela do conhecimento.
4. a memória tradição  é aquela que está em nós e nos outros formando as tradições no seio da sociedade e mantida por mitos, história e documentos.
5. a memória - biológica  é a gravada no código genético  são os hábitos da espécie.
6. a memória artificial - é aquela de utilização pelas máquinas, a memória gravada em um disco ou num chip por meios tecnológicos. Como espíritas, a estas memórias podemos acrescentar a memória contida em nosso corpo perispiritual onde se encontram os aprendizados psíquicos de vivencias anteriores às quais se ajuntarão os aprendizados desta existência. Aprendizados que serão firmados por meio de fatos e não de personagens.
 
9ª PARTE – CONCLUSÃO 
 O entendimento do mecanismo de assimilação do conhecimento pelo ser humano é fundamental para nós nos compreendermos.  Esse entendimento diferencia o homem dos demais seres vivos. Entre o estimulo da natureza e a sua reação existe um momento de maturação onde o ser inteligente reflete e pondera antes de reagir. Isto não ocorre nos animais. Esse momento de indeterminação é que com auxilio da memória vai permitir que a vontade e o livre-arbítrio se manifestem após o uso da razão, pois nos animais esta reação é instantânea, instintiva. A consciência e a mudança positiva são frutos da reflexão. 
Alan Krambeck 

10ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA 
Próxima aula:  Aula 27  -  CONCIENTE  INCONSCIENTE - SUPERCONCIENTE 
Leitura:  
CONVITE A FILOSOFIA  Marilena Chauí  

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