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domingo, 14 de fevereiro de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 1 – CAP 11

 
(utilize o site ifevale.org.br) 
O NEOPLATONISMO – ALEXANDRIA FILOSOFIA GRECO-ROMANA

BIBLIOGRAFIA 
O PENSAMENTO FILOSÓFICO DA ANTIGUIDADE - Huberto Rodhen – Edit. Alvorada 
OS FILÓSOFOS - Herculano Pires - Edições FEESP

REFLEXÃO
O CASTIGO DO PECADO PODE SER UMA PENA ETERNA?  Orígenes nega que um ser possa querer para todo o sempre ser pecador. Como todo o pecado, cedo ou tarde envolve infelicidade, ele não pode ser objeto de vontade permanente de nenhum ser consciente. Portanto todo ser é dominado pelo desejo de felicidade. Orígenes compreendeu que Deus revela sua maior sapiência em criar seres livres permitindo até que Dele se afastem. Porem, ao se afastar Dele o ser percebe que se afasta da felicidade. O retorno se faz naturalmente. A isso chamamos Teotropismo. Com o entendimento desse desejo humano a divindade iria manter algum ser de sua criação em estado infernal perpétuo?  TEMA (Presente) “A inveja, a raiva e os insultos, quando não aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo”. 

 1ª PARTE - OBJETIVO DESTA AULA 
 Esta aula tem por objetivo nos situar sob o aspecto histórico-filosófico no período de 150 aC a 300 dC, época de ascensão, apogeu e decadência do império romano. Destacamos neste período a importância de Alexandria como centro de irradiação de cultura e conhecimento.

 2ª PARTE - INTRODUÇÃO                
O platonismo obtém um novo fôlego a partir do ultimo século anterior a Cristo. O berço desse respiro é o foco de interseção entre o oriente e o ocidente: Alexandria. Metrópole cultural do inicio da era cristã. Cidade fundada por Alexandre Magno e vivencia da cultura helênica fora da Hélade. Centro cultural-intelectual-religioso de arrojada síntese filosófico-religiosa. É neste clima que nasce o misticismo racional numa roupagem chamada Neo-Platonismo.  A morte de Alexandre o Grande aos 33 anos em 323 aC deixa seu grande império a três dos seus generais. Um destes, Ptolomeu se torna o representante macedônico do Egito, dando assim origem a dinastia dos faraós ptolomaicos (homens e mulheres, estas denominadas Cleópatras) indo até 30 aC com Ptolomeu XII e Cleópatra VII. A partir de então o Egito passa a ser dominado pelos cesares romanos, posteriormente no séc V irá fazer parte do Império Bizantino e logo em seguida passa ao controle dos persas e árabe-muçulmanos no séc VII dC.  O apogeu dessa cidade se dá com Ptolomeu III. Estes três primeiros faraós são empreendedores de grandes construções

 3ª PARTE – ALEXANDRIA – A METRÓPOLE - A BIBLIOTECA - O MUSEU                
A Biblioteca de Alexandria se distinguiu por ser um centro universal aberto ao saber e a pesquisa sem fronteiras. Foram trazidos livros de Atenas por Ptolomeu I. Nos reinados dos primeiros três faraós da dinastia ptolomaica foram construídos:
1- a Biblioteca que no seu auge contou com mais de 700 mil papiros
2- um Museu contendo jardins com uma grande variedade de espécies de plantas e zoológico com animais de todo o mundo,
3- salas de aulas formando a Escola com destaque na matemática
4- o Observatório astronômico onde Cláudio Ptolomeu cria o famoso sistema geocêntrico.              Essas atividades se estenderam até aproximadamente 500 dC quando começa sua decadência em função das perseguições cristãs. Em seguida com os muçulmanos desviando a capital para o Cairo.            
O acervo da Biblioteca chegou àquele elevado numero porque o faraó incentivava a cópia de livros provindos de toda parte do mundo civilizado. A fabricação do papiro e a atividade intensa de copistas e tradutores tornam a cidade econômica e culturalmente adiantada.            
Nesse período de 800 anos a cidade transpira cultura e intelectualidade. Ao lado de tudo isso era um centro religioso cristão e judaico de grande importância.             
A destruição da Biblioteca é controversa, pois muitos têm participação em destruições parciais visto que ela não era concentrada num único local. Inicialmente com os cesares romanos, depois os cristãos ao enfrentar o perigo místico neoplatônico e finalmente os muçulmanos. 

 4ª PARTE - O N E O P L A T O N I S M O    O Neoplatonismo foi uma corrente de pensamento iniciada no século III que se baseava nos ensinamentos de Platão e dos platônicos, mas interpretando-os de formas bastante diversificadas. Apesar de muitos neoplatônicos não o admitirem, o neoplatonismo era muito diferente da doutrina platônica. O prefixo neo, inclusive, só foi adicionado pelos estudiosos modernos para distinguir entre os dois, mas na época eles se autodenominavam platônicos. O neoplatonismo começou com o filósofo Plotino, apesar de ele afirmar que recebeu seus ensinamentos de Ammônio Saccas. Os neoplatônicos não acreditavam no mal e negavam que este pudesse ter uma real existência no mundo. Isto era mais uma visão otimista do que dizer que tudo era, em última estância, bom. Era dizer apenas que algumas coisas eram menos perfeitas que outras. O que outros chamavam de mal, os neoplatônicos chamavam de imperfeição, de "ausência do bem". Os Neoplatônicos acreditavam que a perfeição humana e a felicidade poderiam ser obtidas neste mundo e que alguém não precisaria esperar uma pós-vida (como na doutrina cristã). Perfeição e felicidade (uma só coisa) poderiam ser adquiridas pela devoção à contemplação filosófica. Entre os neoplatônicos posteriores estão incluídos Porfírio, Proclo, Jâmblico e Hipátia de Alexandria. Agostinho de Hipona foi neoplatônico antes de sua conversão ao catolicismo e algumas de suas obras mais otimistas foram escritas durante este período. O neoplatonismo foi freqüentemente usado como um fundamento filosófico do paganismo clássico, e como um meio de defender o paganismo do cristianismo. Mas muitos cristãos também foram influenciados pelo neoplatonismo. Em versões cristãs do neoplatonismo, o Uno é identificado como Deus. Alguns estudiosos mostraram que o neoplatonismo também foi influenciado pela teologia cristã. 

5ª PARTE - AMONIO SACCAS (175 - 242)  E ORÍGENES (185 – 253) 
Amônio Saccas foi um grande filósofo grego em Alexandria, considerado por muitos como o fundador da escola neoplatônica. De origem simples, ele ganhava a vida como carregador; seu apelido era "Carregador de Sacos" em grego (Sakkas, ou sakkoforos). Depois de muito estudo e meditação, Ammonius abriu uma escola de filosofia em Alexandria. Seus principais discípulos foram Herennius, Orígenes, Cassius Longinus e Plotino. Ele nunca escreveu nada, e manteve secretas suas opiniões, sua filosofia pode ser compreendida basicamente nos escritos de Plotino. Hierócles escreveu no século V dC que a principal doutrina de Saccas era o ecletismo, derivado de um estudo crítico de Platão e Aristóteles. Seus admiradores consideravam-no como o grande reconciliador das divergências entre as duas escolas.  Orígenes, discípulo de Saccas, procura demonstrar que Platão é o precursor do Cristianismo atingindo a essência do evangelho de Jesus, os teólogos da igreja se limitavam a dar forma à religião do nazareno. Orígenes, o maior erudito da igreja antiga, nasceu em 185 dC em Alexandria e desde cedo teve contato com a doutrina do Cristo através de seu pai Leonídio que foi martirizado em testemunho a sua fé. Para sobreviver, Orígenes dedicou-se logo cedo a lecionar. Mente curiosa e aberta, inclinou-se a filosofia platônica e estóica. Foi brilhante aluno de Clemente. Em 203 assumiu a direção da escola de Panteno no lugar de Clemente. Estudou as Escrituras Sagradas (VT). Escreveu as Hexaplas, ou seja, o VT escrito em seis línguas: grego, hebraico, hebraico antigo, egípcio e outras. Criou a doutrina da Preexistência da Alma. Essa doutrina teve muitos seguidores, dentro e fora da Igreja e foi definitivamente banida dos meios eclesiásticos no Concílio de Constantinopla II em 553 dC. Escreveu "Sobre Princípios" e "Contra Celso". A doutrina por ele criada despertou animosidade com o
influente bispo Demétrio de Alexandria, culminando com a fuga de Orígenes para Cesareia da Palestina. Lá, como cristão, foi perseguido, torturado e morto em 253 dC.
  
6ª PARTE - P L O T I N O (205 – 270) 
Plotinus Plotino (205 - 270), natural de Licopólis, Egito, foi discípulo de Amônio Saccas por 11 anos e mestre de Porfírio, que nos legou seus ensinamentos em seis livros de nove capítulos cada, chamados de As Enéadas (enneadi). Dizia Santo Agostinho: Em Plotino, Platão reviveu. Acompanhou uma expedição à Pérsia, liderada pelo imperador Galieno, onde tomou contato com a filosofia persa e indiana. Regressa à Alexandria, e aos 40 anos, estabeleceu-se em Roma. Desenvolveu as doutrinas aprendidas de Ammônio numa escola de filosofia junto a seleto grupo de alunos. Pretendia fundar uma cidade chamada Platonópolis, baseada nos ensinamentos da República de Platão, mais não consegue devido ao Imperador (seu discípulo), temer complicações políticas. Em Plotino misturam-se fé e razão (mística e filosofia), metade de sua alma está na filosofia grega, e metade nas religiões orientais, desta fonte surge um conceito entre o filosófico e o religioso. Ele baseava sua filosofia na Trindade Universal e no Circulo da Justiça.
 TRINDADE UNIVERSAL            
A Trindade Universal é constituída de 3 hipóstases (substancias).                 
1- UNO – seria o Supremo Bem se caracterizando pela imutabilidade.                
2-INTELECTO (Nous)  É o mundo inteligível de Platão, onde está a realidade eterna, a  ordem perpétua  e imutável das coisas e dos seres que para Plotino  era múltiplo / variável.                
3- ALMA (do mundo) Intermediária, dotada de movimento, ativa, projeta o sensível. É a alma da terra, que da poder de reprodução ás plantas, e faz até as pedras crescerem (quando ligadas a terra), lembra a teoria da mônada. Seria a vida em si.                                                       
A alma está em tudo, mesmo mergulhada na matéria não deixa o mundo inteligível, uma parte sua continua ali. A alma dos seres cai, não pelo pecado, mas pelo desejo de reproduzir o Uno na matéria, para voltar ao Uno devem aspirar ao Uno, e assim destruir o desejo e as paixões que as ligam á condição humana.            
Á Matéria é uma produção do Uno, apesar de ser uma queda para a Alma guarda em si algo da natureza do Uno, por isto o mundo sensível também é belo, pois é racional, não tão belo quanto o inteligível, mais na medida do possível, o é.
O CÍRCULO DA JUSTIÇA            
Ao se libertar do sensível pela morte do corpo, a alma devia naturalmente subir as hipóstases superiores. Entretanto, se viveu exclusivamente voltada para o mundo sensível, entregue ás sensações da matéria, então continuará atraída por esta, e a ela voltará. Entram nesse ponto na filosofia de Plotino as ideias da reencarnação e da metempsicose. A alma pecadora ou criminosa está sujeita ao círculo férreo da justiça. Se matar, voltará para ser assassinada. Se se entregou ao vício voltará para esgotar o seu desejo. Sofrerá tantas reencarnações quantas forem determinadas pelos seus impulsos, até que se corrija para escapar ao círculo vicioso.           
 Plotino oferecia aos homens, a esperança numa vida pura e perfeita, uma perspectiva de salvação, além de uma ética religiosa que implicava no esforço pela melhoria do individuo. Natureza demasiado intelectual para a época, talvez tenha lhe faltado à simplicidade do evangelho Cristão.                          
  7ª PARTE - P O R F Í R I O (232 – 304) 
Porfírio nasceu em Tiro ou em Banataea, na Síria e foi um dos mais importantes discípulos de Plotino, responsável por organizar e publicar 54 tratados do mestre na obra As Enéadas, composta por seis livros. Escreveu ainda uma biografia de Plotino (A Vida de Plotino) e comentários a obras de Platão e Aristóteles. Seu livro Introductio in Praedicamenta foi traduzida para o latim por Boécio e transformou- se num texto padrão nas escolas e universidades medievais, possibilitando desenvolvimentos na filosofia, teologia e lógica durante a Idade Média.
Em 262, foi a Roma, atraído pela reputação de Plotino, e durante seis anos devotou-se ao estudo do neoplatonismo. Com a saúde debilitada pelo trabalho excessivo, foi viver na Sicília por cinco anos. De volta à capital italiana, passou a lecionar e a organizar os trabalhos de Plotino (na época, já falecido), de modo a torná-los compreensíveis ao público.            
Assim como muitos filósofos do Império Romano, Porfírio foi violento opositor do Cristianismo e defensor do Paganismo. Chegou a escrever uma obra de nome Contra os Cristãos, dividida em 15
livros, dos quais só restam fragmentos. Nela acusa a nova religião de bárbara em suas origens, em seus ritos, e em seus cultos, uma ameaça á civilização.

8ª PARTE - FILON DE ALEXANDRIA (25 aC – 50 dC) / HIPÁTIA (370 – 415) 
Filon foi um filósofo judeu-helenista (25 aC – 50dC) que viveu durante o período do helenismo. Tentou uma interpretação do antigo testamento à luz da filosofia grega e da alegoria. Foi autor de numerosas obras filosóficas e históricas, onde expôs a sua visão platônica do judaísmo, nela acentua que "Platão é um Moisés que fala grego". Tenta harmonizar a revelação e a razão, a Bíblia e Platão. Hipátia de Alexandria - nascida em 370 dC foi uma filósofa neoplatônica residente em Alexandria, no Egito, filha de Theon. Foi reconhecida como a principal mente da escola filosófica neoplatônica de Alexandria. Sua eloqüência, beleza e dotes intelectuais atraiam uma grande quantidade de alunos. Foi convidada a tomar lugar na cadeira que Plotino ocupava na Biblioteca de Alexandria. Hipátia simbolizou o aprendizado e a ciência, que os primitivos cristãos identificavam com o paganismo. Por este motivo foi cruelmente assassinada em 415 por uma turba de cristãos fanáticos, formados por monges e seguidores do bispo Cirilo. 
9ª PARTE - A AGONIA DO NEOPLATONISMO 
Jamblico sucede Porfírio fundando a escola siriaca, distorce ainda mais a linha de pensamento, dando forte cunho filosófico á crença dos deuses greco-romanos, derivando para o Pitagorismo e estigmatizando de vez o Neoplatonismo diante do Cristianismo. Nessa época o Neoplatonismo era combatido (pelo politeísmo) e cortejado (pela base cultural) pelo Cristianismo, que buscava construir o seu arcabouço cultural. Com a derrota do Politeísmo os Neoplatonistas refugiam-se em Atenas, onde lutam pela manutenção de sua linha filosófica, mesmo continuando apegados as diretrizes de Platão, insistem em um Misticismo anti-racional, com origens órficas, e assim acaba entrando em agonia.             
Uma parte de Platão vai para o Politeísmo e outra para o Cristianismo, o  movimento neoplatônico irradiado de Alexandria e de Roma principalmente, sucumbe ao cristianismo. Triunfante tomando feição cada vez mais aristotélica até culminar com Tomas de Aquino no séc XIII. O último suspiro dado pelo platonismo / neoplatonismo foi o fechamento da Academia em Atenas por Justiniano em 529 dC.
 
10ª PARTE - A FILOSOFIA GRECO-ROMANA 
 O período filosófico greco-romano se estende do séc. II aC ao séc. V dC enquanto sobreviveu i império romano e não apresentou muita riqueza de pensamento como os anteriores.  A marca importante dessa época é a forte penetração da ideologia cristã por ocasião da decadência do império romano. A educação, o direito e a política eram o centro das especulações desse período.  Os pensadores são: Cícero (106 a 43 aC), Sêneca (1 a 65 dC) e Marco Aurélio (121 a 180).  Cícero era partidário do ecletismo e foi um dos maiores oradores romanos na área do direito e da política. Sêneca defendia um estado de igualdade entre os homens, o que mostra uma moral humanitária. Para ele, a vida era uma espécie de preparação para a morte em que a alma se libertava do corpo. Já Marco Aurélio conheceu cedo a filosofia estóica, como imperador romano mostrava seu lado de corajoso guerreiro e de bom administrador.

 11ª PARTE - CONCLUSÃO 
 Este período da filosofia mostrou um lado místico acentuado. Dentro de um platonismo fortemente influenciado pelas culturas orientais em Alexandria existindo grande liberdade de pensamento e expressão. As correntes filosóficas e religiosas interagem se influenciando mutuamente.  É nesse turbilhão de conhecimentos que nascem e florescem as diferentes doutrinas que a igreja cristã vai polemizar e começar a se estruturar doutrinalmente. Alan Krambeck 

12ª PARTE – MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA 
PRÓXIMA AULA: Livro 1 – Capítulo 12 – SANTO AGOSTINHO E A PATRISTICA Leitura:   O PENSAMENTO FILOSÓFICO DA ANTIGUIDADE – Huberto Rodhen  OS FILÓSOFOS – J Herculano Pires – Ed FEESP

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