Translate

domingo, 14 de fevereiro de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 1 CAP 19

(utilize o site: ifevale.gov.br) 
KANT - O ILUMINISMO   A RAZÃO PURA E A RAZÃO PRÁTICA

BIBLIOGRAFIA
FILOSOFIA CONTEMPORANEA – Huberto Rohden – Edit Alvorada
FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA – Gilberto Cotrim – Edit Saraiva 
NOÇÕES DE HISTORIA DA FILOSOFIA – Manuel P São Marcos – Ed. FEESP SITE  www.mundodosfilosofos.com.br/kant.htm 

REFLEXÃO RAZÃO PURA E RAZÃO PRÁTICA 
A Ciência (oriunda da Razão Pura, do intelecto, do empírico) trata daquilo que é enquanto a Religião (oriunda da Razão Prática, da intuição, do coração, da fé) trata daquilo que deve ser. A Ciência descobre os fatos do mundo externo ao passo que a Religião cria os valores do mundo interno Suponhamos que o homem tenha descoberto todos os segredos da natureza e possua todos os conhecimentos do universo fenomênico, seria esse homem por esse motivo realmente bom e intimamente feliz? Einstein responde que não. Embora não negue que esse conhecimento dos fatos objetivos lhe possa servir de auxílio e degrau para adquirir a verdadeira bondade e felicidade subjetiva. O que faz um homem realmente bom e feliz não são os fatos de que é descobridor, mas os valores de que ele é criador. Não adiantam trilhos bem alinhados sem locomotiva como pouco vale locomotiva sem trilhos. Assim, a Ciência sem Religião é coxa e a Religião sem a Ciência é cega.

 TEMA  (Vida) ... “A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para frente”... (Kierkeggard) 

1ª PARTE: OBJETIVO DA AULA 
 Duas escolas filosóficas, o Empirismo e o Racionalismo se embatem, tal como no passado a escola heraclitiana e parmenídica chegando a uma aparente falta de saída. Esta aula vem mostrar o pensamento kantiano, de como ele consegue sintetizar as duas correntes filosóficas. 

2ª PARTE:  INTRODUÇÃO  O ILUMINISMO   O desenvolvimento do capitalismo nos séculos XVII e XVIII foi acompanhado pela crescente ascensão social da burguesia e sua tomada de consciência como classe social (comerciantes, artesãos, militares). Paralelamente, o racionalismo imperava na Europa, transmitindo a confiança de que a razão era o principal instrumento do homem para enfrentar os desafios da vida e equacionar os problemas que o rodeavam.  O despertar da Revolução Industrial e o sucesso da Ciência em campos como a Química, a Física e a Matemática inspiravam filósofos de todas as partes. Surge, então, um novo mito, a ideia de progresso. Havia a crença de que a Razão, a Ciência e a Tecnologia tinham condições de impulsionar o trem da História à verdade e a melhoria de vida.  Aos poucos foi se desenvolvendo um pensamento que culminaria no movimento cultural do século XVIII denominado Iluminismo, Ilustração, Aufklarung ou Filosofia das Luzes. As ideias básicas do Iluminismo estavam assentadas nos seguintes pontos:
1-) a igualdade jurídica – igualdade de todos perante a lei (igualdade jurídica não importando a desigualdade social ou intelectual)
2-)  a tolerância religiosa e filosófica – no ato comercial não tem importância as convicções religiosas ou filosóficas.
 3-) a liberdade pessoal e social – o comércio se desenvolve numa sociedade livre aos negócios. Combate a escravidão.
4-)  a propriedade privada – o proprietário tem o livre direito de usar e dispor o que lhe pertence   Os principais pensadores iluministas são: Montesquieu (1689 – 1755) – defendeu a separação dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Voltaire  (1694 – 1778)  - críticas ao clero católico e defendendo um soberano esclarecido Diderot (1713 – 1784) e D’Alembert (1717 – 1783) – enciclopedistas – defendiam a independência do estado com relação a Igreja Rousseau (1712 – 1778) – movimento romântico um movimento humanista em oposição ao extremo racionalismo e defesa do estado democrático. Adam Smith (1723 – 1790) – estimulo a livre iniciativa – o mercado se baseando na lei da oferta e da procura diminuindo a intervenção do estado na economia Immanuel Kant (1724 – 1804) – o ser humano dotado de razão e liberdade

 3ª PARTE: KANT  O HOMEM  A VIDA  AS OBRAS   Kant é o maior filósofo do Iluminismo alemão. Ele sintetiza o otimismo iluminista em relação a possibilidade do homem se guiar por sua própria razão sem se deixar enganar pelas crenças, tradições e opiniões alheias. Kant afirma que a filosofia deve responder a quatro questões fundamentais:
1- Que posso saber? Desenvolve a teoria do conhecimento utilizando as duas linhas em oposição: a racionalista e a empirista (obra: Critica a Razão Pura)
2- Como devo agir? Desenvolve a sua metafísica (obra: Crítica a Razão Prática)
3- O que devo esperar? Suas reflexões sobre a estética (obra: Crítica a Faculdade de Julgar)
4- O que é o ser humano? Desenvolve a metafísica com respeito a composição do ser humano em corpo e alma Kant foi um homem metódico, reto e ético. Nasceu em Konigsberg (Prússia) na região norte da Alemanha, em 1724 e desta cidade nunca se afastou. Lecionou durante 40 anos na Universidade de Konigsberg. Filho de família humilde, pai artesão especializado no trabalho com couro (selas) e mãe extremamente pietista luterana. Jamais se interessou por assuntos de amor ou família, talvez por isso não tenha se casado e nem tido filhos. Suas obras estão ligadas àquelas questões básicas as quais se propôs a responder filosoficamente. Cada uma de suas obras busca responder as questões colocadas acima:
1- Crítica da Razão Pura – estudo sobre os limites do conhecimento analisa o empirismo e o racionalismo buscando uma síntese dessa forma de conhecer.
2- Crítica da Razão Prática – é sua obra dedicada a importância do aspecto metafísico ou subjetivo da vida humana.
3- A Fundamentação da Metafísica dos Costumes – trata das questões éticas
 4- A Crítica da Faculdade de Julgar – faz uma análise pormenorizada sobre a capacidade humana de formar juízos.
5- O Que é a Ilustração – é sua síntese do movimento cultural do século XVIII  Kant termina seus dias na mesma cidade em que nasceu em 1804 aos 80 anos.

 4ª PARTE: O IMPASSE FILOSÓFICO: RACIONALISMO X EMPIRISMO   Seria possível reconciliar esses dois temas, a primeira vista diametralmente opostos?   Kant mostrou que sim e sua iniciativa mudou decisivamente o curso da filosofia.  Ele reconhecia a justa reivindicação dos empiristas quanto a experiência ser a origem de todas nossos conhecimentos. No entanto não aceitou a conclusão cética que esta escola filosófica culminou, qual seja, que a verdade absoluta nunca poderia ser alcançada. Ao mesmo tempo, rejeitou a afirmação racionalista de que as verdades factuais sobre o que existe poderiam ser determinadas exclusivamente pelo uso da razão.   Hume para justificar seu ceticismo partiu do seguinte raciocínio: ao observarmos frequentemente pares regulares de eventos, não era necessariamente verdadeiro que o evento X fosse a causa do evento Y somente porque ao aparecer um sempre aparece o outro evento. Dizia que isso é o trabalho de nosso processo mental sobre as impressões recebidas quando observamos eventos regularmente unidos.   Kant reconhecia que Hume tinha provado irrefutavelmente a incoerência do processo causal e na pesquisa dessa incoerência o filósofo alemão buscou auxílio no conhecimento metafísico de cunho lógico e racional e rebate aqueles argumentos dizendo que o empirista se afirma em que a causa de um efeito é derivada da experiência sensível da regularidade de eventos conjuntos e que necessitamos do conceito de causa para obter qualquer experiência objetiva.  Kant argumenta que a receptividade sensória passiva é sucedida por uma atividade intensa da mente. Neste ponto ele faz uso de uma elaborada teoria sobre o conhecimento onde usa termos e conceitos de sua própria criação.  

5ª PARTE: A TEORIA DO CONHECIMENTO E A SOLUÇÃO KANTIANA 
 Kant segue pesquisando o conhecimento, ou seja, no rumo da resposta a sua primeira pergunta o que posso conhecer? Como primeiro passo Kant demonstra que o objeto do nosso conhecimento não é possível de ser conhecido em si, pois o que conhecemos dele são suas aparências, aquilo que recebemos através de nossos sentidos. Kant denomina as coisas em si de objeto transcendental.   Tendo em vista que o objeto transcendental é incognoscível, limitações severas são postas sobre o que pode ser dito a seu respeito. Eis a recepção passiva das intuições sensíveis.  No segundo passo de aquisição do conhecimento nós necessitamos de conceitos puros do entendimento, isto é, princípios, formas não derivados da experiência mas presentes na mente, a priori. Kant denomina entendimento como sendo a faculdade de realizar julgamento através de juízos. Neste sentido, experiências subjetivas podem ser transformadas em conhecimento objetivo. Como exemplo podemos citar nossa indagação ao vermos uma mesa. Para que possamos entendê-la, não basta ver. Temos seguido a isso uma série de relações mentais que serão efetuadas. De que é feita? Para que serve? Como foi feita? Quem fez? Imaginemos nessa sequência de raciocínio quando um indígena se vê diante de um forno de micro-ondas. Não basta ver o forno. Nesse instante é que se estrutura toda sua relação com o objeto.

 6ª PARTE: A RAZÃO PURA  A CIÊNCIA  O CONHECIMENTO EMPÍRICO    Razão Pura é o intelecto analítico que se serve da matéria prima fornecida pelos sentidos para arquitetar o mundo científico, substruturado pelo princípio da causalidade interfenomenal.  A Razão Pura, baseada nos fatos empíricos dos sentidos, fornece ao homem toda noção do mundo externo, fenomenal, concreto, individual, finito, relativo, ou seja, entramos no campo da Ciência. E finalmente, ela opera com fatos quantitativos, tempo e espaço, refletindo onde a Ciência atua. 

7ª PARTE: OS JUÍZOS  ANALÍTICOS E SINTÉTICOS  A PRIORI E A POSTERIORI  Os juízos, por sua vez, são classificados por Kant em dois tipos: os analíticos e os sintéticos. O Juízo Analítico é aquele em que o predicado já está contido no sujeito. Ou seja, basta analisarmos o sujeito. Ou seja, basta analisarmos o sujeito para deduzirmos o predicado. Exemplo: O quadrado tem quatro lados. Analisando o sujeito quadrado, concluímos, necessariamente, o predicado: tem quatro lados. O Juízo Sintético é aquele em que o predicado não está contido no sujeito. Nesses juízos, acrescenta-se ao sujeito algo de novo, que é o predicado. Assim, os juízos sintéticos enriquecem nossas informações e ampliam o conhecimento. Exemplo: Os corpos se movimentam. Por mais que analisemos o conceito corpo (sujeito) não extrairemos a informação representada pelo predicado se movimentam. Analisando o valor de cada juízo, Kant chega à seguinte classificação: Juízo analítico – serve apenas para tornar mais claro, para explicar aquilo que já se conhece do sujeito. Não dependendo da experiência sensorial, o juízo analítico é universal e necessário. Mas, a rigor, é pouco útil, no sentido de que não conduz a conhecimentos novos; Juízo sintético a posteriori – está diretamente ligado a nossa experiência sensorial. Tem uma validade sempre condicionada ao tempo e ao espaço com que se deu a experiência. Não produz, portanto, conhecimentos universais e necessários. Exemplo. Juízo sintético a priori - é o mais importante por dois motivos: a) não estando limitado pela experiência, é universal e necessário; b) seu predicado acrescenta novas informações ao sujeito, possibilitando uma ampliação do conhecimento. Segundo Kant, a matemática e a física são disciplinas científicas por trabalharem com juízos sintéticos a priori. Exemplo. Como se formam os juízos sintéticos a priori? De acordo com Kant, esses juízos se fundamentam nos dados captados pelos sentidos e na organização mental desses dados, seguindo certas categorias apriorísticas do nosso entendimento. O conhecimento, portanto, é o resultado de uma síntese entre o sujeito que conhece e o objeto conhecido. Segundo Kant, é impossível conhecermos as coisas em si mesmas (o ser em si). Só conhecemos as coisas tal como as percebemos (o ser para nós). Essa posição epistemológica de Kant significa uma síntese entre idealismo e realismo, pois, para ele, o conhecimento não é dado nem pelo sujeito nem pelo objeto, mas pela relação que se estabelece entre esses dois pólos. O que podemos conhecer são apenas os fenômenos, ou seja, os objetos tais como eles aparecem para nós, mas não como eles são em si mesmos. 

8ª PARTE: A RAZÃO PRÁTICA  A METAFÍSICA  A INTUIÇÃO  A CAUSALIDADE 
 Kant entende por Razão Prática a faculdade intuitiva de nosso ser, a voz do coração de Pascal, a emoção de Rousseau, o élan vital de Bérgson, a consciência dos moralistas, a fé dos livros sagrados. Sua difícil conceituação está porque a maioria dos humanos ainda não atingiu esse estágio de evolução que apreende o seu objeto não analítica e sucessivamente como a Razão Pura, mas sintética e simultaneamente, como num lampejo súbito ou numa visão instantânea, fora do tempo e do espaço.
 Pela Razão Prática o homem entra em contato com o mundo interior, numenal, abstrato, universal, infinito, absoluto, holístico. Isto é sapiência ou sabedoria no mais alto sentido do termo.  A Razão Prática guia-se pela visão de valores qualitativos, eternos e infinitos, sendo a voz da consciência. Na Crítica da Razão Prática, Kant faz o exame do comportamento moral. Em suas investigações prévias acerca do conhecimento, ele negou a possibilidade de conhecermos realidades que não passam pelo conhecimento sensível. Para Kant, portanto, não é possível dizer nada sobre a alma humana e sobre Deus, pois eles ultrapassam a nossa capacidade de entendimento. Isso colocou um problema em relação à tradição moral, até então alicerçada na existência de Deus. Sendo impossível provar a existência ou não de Deus, Kant fundamentou a moral na autonomia da razão humana, isto é, na ideia de que as normas morais devem surgir da razão humana. Dessa forma ele recusou todas as éticas anteriores, fundamentadas em normas e valores de origens diversas (as éticas heterônomas, ou seja, vindas de fora do sujeito, impostas por outras fontes que não a razão). Kant entende que a razão é uma característica universal dos seres humanos, sendo a característica propriamente humana, que nos distingue dos outros seres da natureza. Assim, para impedir que os indivíduos se deixem levar pelos seus desejos, paixões ou motivos particulares, é a razão que deve indicar quais são os deveres e normas a serem seguidos de uma forma universal. Com isso Kant quer dizer que, ao agirmos, devemos pensar se aquilo que estamos fazendo poderia ser feito também por todas as outras pessoas, sem prejuízo para a humanidade. Essa deve ser uma orientação para nos guiar nos momentos de decisão. Para Kant, também, o fundamental na avaliação de uma conduta moral é a intenção de quem a praticou, independentemente dos efeitos que tal conduta possa vir a provocar. E a melhor intenção é aquela que se volta para o cumprimento do dever, uma vez que, para o filósofo, o dever tem a sua origem em um princípio racional.  Quando uma orientação é elevada à forma de um dever, é porque os homens, no uso de sua razão, entendem que aquela orientação é uma necessidade racional e, por isso mesmo, universal. Agir de acordo com o dever é, em última análise, agir de acordo com os princípios racionais. A formação da vontade conforme a razão é que produz a qualidade moral das ações humanas. Mas não basta, para uma ação ser considerada moralmente boa, que ela esteja de acordo com o dever. É preciso mais do que isso: é necessário que ela seja feita por dever. Ou seja, é necessário não apenas que a ação se conforme ao dever, mas também que o indivíduo reconheça naquele dever o princípio racional que o sustenta como tal. Essa intenção bem determinada em relação à aceitação e ao cumprimento do dever é o que ele designa boa vontade. Para Kant, a boa vontade é o que caracteriza a ação moralmente correta. Para Kant a liberdade é a condição da lei moral. O que equivale a dizer que só pode ser considerada uma ação moral aquela que for realizada de forma livre e autônoma. Sem liberdade, não há ação verdadeiramente moral. Ora, como conciliar essa ação livre com o respeito ao dever? Kant responde a essa questão propondo uma concepção de liberdade que coincide com o atendimento ao dever, pois para ele a liberdade seria uma possibilidade advinda da razão, a qual nos liberta dos caprichos e inclinações próprias dos sentidos. Dessa forma, embora a liberdade humana seja uma questão problemática no âmbito da razão pura (já que não se pode provar a sua existência ou não), Kant a coloca como uma exigência da moralidade. Do mesmo modo, as ideias da existência de Deus e da imortalidade da alma são necessidades morais do homem. A ética kantiana é, portanto, uma ética formalista (ela não fornece os conteúdos morais, apenas o imperativo categórico, que deve servir como orientação na escolha desses conteúdos), baseada em uma antropologia racionalista, ou seja, na concepção de uma natureza humana racional e livre. 

9ª PARTE: CONCLUSÃO 
 Kant apesar de ter trabalhado muito bem a relação entre o empirismo e o racionalismo, criou uma moral toda calcada na razão e no dever. Ele não enfoca o aspecto sentimental e das emoções do homem, enfim, o aspecto amor esta ausente de sua metafísica. Diferentemente, Kardec apresenta como máxima o “amai-vos e instrui-vos”. Alan Krambeck 

10ª PARTE  MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA  Próxima aula:     Livro 1 Capítulo 20 – Hegel – A Dialética – A Fenomenologia do Espírito Leitura:   A FILOSOFIA CONTEMPORANEA – Huberto Rohden – Edit Alvorada   NOÇÕES DE HISTORIA DA FILOSOFIA – Manuel P São Marcos – Ed FEESP

2 comentários:

  1. Adorei essa aula. Continuem. É muito importante para todo aspirante aos conhecimentos espíritas. Obrigada.

    ResponderExcluir
  2. Dil, obrigada pelo comentário! Esse blog assim como os outros, é a nossa alegria em ajudar.
    Fique com Deus.
    Elaine Saes

    ResponderExcluir

Obrigada por sua mensagem. Será publicada após aprovação.

imprimir pdf