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domingo, 14 de fevereiro de 2016

CURSO DE FILOSOFIA ESPÍRITA LIVRO 1 CAP 17

(utilize o site ifevale.org.br)  
O EMPIRISMO - LOCKE, BERKELEY, HUME

 BIBLIOGRAFIA 
A FILOSOFIA CONTEMPORANEA – Huberto Rohden – Edit Alvorada 
OS FILÓSOFOS – Herculano Pires – Edit FEESP 
O MUNDO DE SOFIA – Josteen Gardeer – Ed Cia. das Letras 
OS PENSADORES – Locke – Berkeley  - Hume – Edit.           
 FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA – Gilberto Cotrim – Edit. Saraiva  SITES  http://www.logoshp.hpg.ig.com.br/ceticismo7.htm  http://alissoncastro.sites.uol.com.br/johnlocke.htm  http://alissoncastro.sites.uol.com.br/berkeleyvidaeobra.htm  http://alissoncastro.sites.uol.com.br/humevidaeobra.htm 

REFLEXÃO
TUDO É IMPULSO ELÉTRICO? 
Ninguém percebe o objeto em si mesmo. Essa percepção é uma mensagem telegráfica. Sim, os nossos sentidos, visão, audição, tato, olfato e paladar são transformados em impulsos elétricos que seguem através do nosso sistema nervoso até o cérebro. Um arco-íris, uma melodia, uma torta de morango, um perfume e até uma dor de perna são traduzidos por impulsos. No recolhimento da nossa massa encefálica tudo é escuridão, silencio total, sem gostos e aromas, sem calor ou brisa, sem dimensões, nem comprimento nem largura. Tudo é descarga elétrica entre os neurônios. O sujeito cognoscente e o objeto cognoscido se unem por meio dessa cadeia de informações. Qualquer interceptação desse circuito nos faz perder informação da realidade.  E mesmo esses sinais chegando ao destino sofrem uma interpretação. Perguntamos:  - dois objetos distintos que enviem sinais iguais se tornam para nós o mesmo objeto?

TEMA (Tempo) “Depois que o barco afunda, há sempre alguém que sabe como ele poderia ser salvo” 

1ª PARTE: OBJETIVO DA AULA 
 Os empiristas e o empirismo são o foco desta aula. Ela tem por fim nos trazer familiaridade com esta escola filosófica que muito contribuiu para a filosofia moderna formando uma corrente opositora aos racionalistas capitaneados por Descartes. Importante também são os conceitos aqui tratados de  racionalismo e empirismo.  

2ª PARTE: INTRODUÇÃO 
O Renascimento trouxe a aurora da Ciência e de outros campos do conhecimento da humanidade. Ele deu inicio a uma série de transformações da vida social e intelectual da civilização ocidental. A Ciência passou a ser observada na natureza e reproduzida em laboratório para uma posterior matematização e geometrização. O conhecimento sofreu uma sistematização e uma metodização e levou o homem a questionar entre outras coisas as formas de aquisição de um conhecimento verdadeiro.  Os principais filósofos dos séculos XVII e XVIII estão agora preocupados com as formas de adquirir o conhecimento formulando então as diferentes teorias do conhecimento conhecido como EPISTEMOLOGIA. 

3ª PARTE: RACIONALISMO – EMPIRISMO - CETICISMO 
O Racionalismo teve modernamente em Descartes seu principal expoente, cujo ponto de partida é o sujeito pensante e não o mundo exterior. O sujeito pensante possuiria ideias inatas, ou seja, ideias que teriam nascido com o indivíduo e que dispensariam o objeto exterior para fazê-las existir.  O Racionalismo seria a concepção filosófica que vê na Razão o meio necessário e suficiente para a elaboração do conhecimento. O paradigma a imitar eram as matemáticas, principalmente a Geometria. Partindo de algumas proposições certas em si mesmas, evidentes, axiomáticas, deduz o resto do conhecimento por um processo rigorosamente lógico e esgota todo o campo das figuras que se podem criar no espaço e assim também a Filosofia deveria deduzir o conteúdo essencial do mundo. O Empirismo por sua vez, nega a existência de ideias inatas e enfatiza o objeto pensado. Defende que o processo de conhecimento depende da experiência sensível. Para os empiristas, o conhecimento humano provém de duas fontes básicas: a nossa percepção do mundo externo (a atenção) e o exame interno de nossa atividade mental (a reflexão). O conhecimento começa com a experiência dos sentidos, isto é, com as sensações. Os objetos exteriores excitam os nossos órgãos dos sentidos. As sensações se reúnem e formam uma percepção. As percepções, por sua vez se combinam ou se associam. A associação pode dar-se por três motivos: por semelhança, por proximidade ou contiguidade espacial ou por sucessão temporal. A causa da associação das percepções é a repetição. De tanto se repetirem criamos o hábito de associá-las. Essas associações são as ideias. As ideias, trazidas pelas experiências, isto é, pela sensação, pela percepção e pelo hábito são levadas à memória e, de lá, a razão as apanha para formar os pensamentos. A experiência escreve e grava em nosso espírito as ideias, e a razão tratará de associá-las, combiná-las ou separá-las, formando todos os pensamentos.  O Ceticismo por sua vez é a atitude ou doutrina segundo a qual o homem não pode chegar a qualquer conhecimento indubitável. Estado de quem duvida de tudo. Ceticismo é um nome geral para a atitude filosófica ou cientifica que nega afirmações de certeza. Opõe-se ao dogmatismo, uma atitude de certeza autoritária. Sua base filosófica é que a possibilidade de conhecimento está limitada pelas limitações da própria mente ou pela inacessibilidade do objeto.  

4ª PARTE: OS EMPIRISTAS INGLESES 
O palco inicial do Empirismo moderno foi à Inglaterra. Neste país a burguesia, a partir do século XVII, conquistou não apenas o poder econômico, mas também o poder político e ideológico, impondo o fim do absolutismo monárquico. Essa ascensão da burguesia relaciona-se no plano epistemológico (do conhecimento) ao Empirismo (valorização da experiência concreta, da investigação natural) e no plano sócio-político ao nascimento do Liberalismo (valorização da liberdade pessoal do cidadão e exigência de limites constitucionais ao poder monárquico). Entre os principais representantes do Empirismo Inglês destacam-se: Francis Bacon, Thomas Hobbes, John Locke, George Berkeley e David Hume.  

5ª PARTE: FRANCIS BACON (1561 – 1626) 
 Nascido em Londres, Bacon pertencia a uma família de lordes. É considerado um dos fundadores do método indutivo de investigação científica. Preocupado com a utilização dos conhecimentos científicos na vida prática, Bacon manifestava grande entusiasmo pelas conquistas técnicas que se difundiam em seu tempo assim como a bússola, a pólvora e a imprensa. Também revelava sua aversão ao pensamento meramente abstrato, característico da escolástica medieval.  Segundo Bacon, a Ciência deveria valorizar a pesquisa experimental tendo em vista proporcionar resultados objetivos para o homem. Para isso era necessário que o cientista se libertasse daquilo que ele denominava “ídolos” que bloqueavam a mente humana:
 - OS ÍDOLOS DA TRIBO – analisar bem as opiniões dos líderes da tribo (da sociedade) 
- OS ÍDOLOS DA CAVERNA – sair do nosso pequeno mundo – questionar os nossos valores 
- OS ÍDOLOS DO FORO – analisar as opiniões dos homens doutos – principalmente as opiniões sobre assuntos de outra área que não a de sua especialidade 
- OS ÍDOLOS DO TEATRO – analisar doutrinas e filosofias – seus fundos e interesses  Bacon dizia que aquele que começa uma investigação repleta de certezas, acabará cheio de dúvidas, porem o que começar com dúvidas poderá terminar com algumas certezas. 

6ª PARTE: THOMAS HOBBES (1588 – 1679) 
 Fortemente influenciado por Bacon e Galileu e abandonando as grandes pretensões metafísicas Hobbes procurou investigar as causas e propriedades das coisas. Tudo o que não é corpóreo é excluído da Filosofia como Não-Filosofia. Toda realidade poderia ser explicada a partir de dois elementos: o corpo – aquilo que não depende do nosso pensamento e o movimento – aquilo que pode ser determinado matemática e geometricamente. As principais características do Empirismo hobbesiano são, portanto, o materialismo e o mecanicismo.  Não há espaço na filosofia de Hobbes para o Bem e para o Mal. O que chamamos de Bem é tão somente aquilo para o qual tendemos enquanto o Mal é apenas aquilo do que fugimos. Por exemplo, a conservação da vida é o valor máximo para cada indivíduo. Por isso, em função dessa exigência egoística, cada pessoa decide o que é bom para si. Sua principal obra é Leviatã. A época de Hobbes é típica onde o Individualismo busca espaço diante do coletivo e sua fuga do domínio dos poderosos. 

7ª PARTE:  JOHN LOCKE (1632 – 1704) 
Nasceu em Wrington, Inglaterra. Estudou na Universidade de Oxford: Filosofia, Ciências Naturais e Medicina. Em 1683 refugiou-se na Holanda, aí participando no movimento político que levou ao trono da Inglaterra Guilherme de Orange. De volta à pátria, recusou o cargo de embaixador e dedicou-se inteiramente aos estudos filosóficos, morais e políticos. Passou seus últimos anos de vida no castelo de Oates (Essex).   As suas obras filosóficas mais notáveis são: O Tratado do Governo Civil, O Ensaio sobre o Intelecto Humano, Os Pensamentos sobre a Educação.  John Locke desenvolveu, no “Ensaio sobre o Entendimento Humano”, a concepção de que todo conhecimento se origina da experiência sensível e não existem ideias no intelecto humano produzidas exclusivamente pelo próprio intelecto. Não existiriam as chamadas “ideias inatas” admitidas por Descartes. Quando o homem nasce, sua mente seria como um papel em branco ou uma tábula rasa. Sobre esse papel, os contatos físicos, estabelecidos pelos cinco sentidos, imprimiriam aos poucos os caracteres que, depois de múltiplas experiências do mesmo tipo, formariam as ideias gerais.  Essa teoria supunha, consequentemente, que as coisas exteriores à mente humana possuiriam qualidades objetivas, capazes de provocar o aparecimento das sensações subjetivas da mente humana e as ideias resultantes. Chegava-se, assim, à concepção de que o mundo exterior é constituído por algumas qualidades primárias, à soma das quais os filósofos da natureza deram o nome de matéria, ou substância material. Essa substância material não poderia ser revelada diretamente aos sentidos, resultando seu conhecimento de um processo de inferência puramente intelectual. Em outros termos, a matéria – diferentemente das coisas materiais – não pode ser vista, ouvida, cheirada, etc. Esses processos sensoriais só ocorreriam com as coisas constituídas a partir da matéria. 

8ª PARTE:  GEORGE  BERKELEY (1685 – 1753) 
Nasceu em Kilkenny, Irlanda do Sul, em março de 1685. Aos quinze anos entrou no Trinity College de Dublin. Ali estudou Matemática, Filosofia e autores clássicos. Tornou-se professor do Trinity College e passou a lecionar hebraico, grego e teologia. Nessa época escreveu anotações de observações que receberam o título de Comentários Filosóficos, uma obra já importante, pois delineava seu estilo. Berkeley é dono de um estilo engenhoso, com grandes argumentações e coerência. Suas principais obras: Ensaio por uma nova teoria da visão, Tratado sobre os princípios do conhecimento. Em 1710 tornou-se pastor anglicano, 24 anos depois foi nomeado bispo. Em 1752, vai para Oxford, onde morre no ano seguinte. Berkeley se encontrava insatisfeito com o rumo que a filosofia moderna tomara. Tratava-se de uma visão racionalista e materialista demais.  “Ser é ser percebido”. Dizendo o mesmo de maneira mais concreta, a cor dos objetos não seria mais do que algo visto; o som, algo ouvido; a forma, algo visto ou sentido pelo tato e assim por diante. Essas propriedades (cor, som, forma) não pertenceriam ao objeto, mas à nossa percepção. Todo o mundo corpóreo seria sempre o sensorial, um conjunto de fatos existentes unicamente nos sujeitos que o percebem.  A teoria berkeleiana de que “ser é ser percebido” não significa, contudo, que o mundo se reduz à mente de cada indivíduo, pois Berkeley ajunta um complemento essencial para evitar todo subjetivismo individualista. Trata-se da postulação da existência de uma mente cósmica, superior à mente de cada homem. Essa mente cósmica é Deus, concebido como sujeito onipresente, no qual todas as coisas
seriam percebidas. O mundo é, portanto, concebido por Berkeley como um conjunto de coisas corpóreas existentes na mente divina e tendo nela toda sua razão de ser.  Berkeley tentou salvar o espírito e a religião com suas obras filosóficas. Se alcançou o objetivo almejado, ou apenas substituiu a ideia abstrata de matéria por outra não menos abstrata, a de Deus, é assunto discutível. Não se discute, contudo, que foi um homem piedoso e idealista (no sentido moral da palavra) até os últimos dias de sua vida. 

9ª PARTE: DAVID HUME (1711 – 1776) 
 Nasceu na Escócia, em Edimburgo, em 1711. Ingressa na Universidade de Edimburgo. É recusado ao tentar obter a cátedra de filosofia moral da Universidade de Edimburgo. As obras de Hume são colocadas no Index dos livros proibidos. Em 1763 passa a residir em Paris como secretário da embaixada inglesa. Após seis anos volta a residir em Edimburgo e vem a falecer em 1776.  Principais Obras: Tratado sobre a Natureza Humana, Ensaios morais e Políticos, Três Ensaios sobre Moral e Política e Investigação sobre o Entendimento Humano, Investigação sobre os Princípios da Moral. Em 1754 surge o primeiro volume de sua História da Inglaterra, Quatro Dissertações e finalmente A Vida de David Hume Escrita por Ele Mesmo.  O ponto de partida é classificar tudo aquilo que se conhece em um de dois tipos: Impressões e Ideias. As impressões são os dados fornecidos pelos sentidos, sejam internas – como percepção de um estado de tristeza – sejam externas, como a visão de uma paisagem ou a audição de um ruído. As ideias são representações da memória e da imaginação e resultam de cópias modificadas das impressões.  Em suma, trata-se de um novo passo em relação à teoria de John Locke, segundo o qual a mente é uma tábula rasa, uma folha de papel em branco, em que são impressos caracteres através dos mecanismos da experiência sensível. Cegos ou surdos de nascença não possuem esses caracteres, ou seja, não tem ideias correspondentes às cores ou aos sons, são seres completamente desprovidos dos sentidos. Jamais seriam capazes de qualquer conhecimento. A essa concepção dá-se o nome de Empirismo Psicológico. “A razão é o hábito de associar ideias, seja por semelhança, seja por diferença” é frase famosa de Hume.  A crítica de Hume ao principio de causalidade é famosa. Por exemplo, nossos sentidos nos dizem que uma pedra está quente e que esta mesma pedra recebe luz do sol. Desses dois fatos, deduzimos que a pedra está quente devido aos raios de sol. Hume critica essa dedução. Para Hume, os dois fatos (receber os raios de sol e a pedra estar quente) não estão, obrigatoriamente, relacionados. Não são causa e efeito. Segundo Hume, a relação existente é que um ocorre antes do outro.  As ciências da natureza, para Hume, correspondem a uma necessidade interior humana de colocação de ordem nas coisas, a fim de que a sobrevivência do homem seja garantida. A certeza deve ser substituída pela probabilidade. A expectativa que um evento ocorra é humana, não está na coisa em si. Hume não acreditava em milagres porque nunca havia visto um. Mas também não dizia que eles não existiam. A origem da religião é o sentimento, assim como a da moral. É temperando o lado prático, sentimento, temor e esperança, que criamos a fé e os deuses. Moralmente aceitos, os princípios céticos são os mais úteis e agradáveis para a maioria. As verdades morais não são eternas.   Em algumas passagens Hume fala do Ser supremo, bondoso, justo e severo, senhor da mãe natureza. Apesar de seu ceticismo não era ateu. 

10ª PARTE:  CONCLUSÃO 
 A História mostra o homem num movimento pendular saindo de teses (racionalismo) buscando antíteses (empirismo), e no campo político saindo das amarras dos poderosos (monarquia absoluta) indo à direção ao individuo na sociedade (o Individualismo, os direitos humanos) e no aspecto religioso saindo do controle da Igreja Católica Romana (entendimento e estudos nas mãos dos religiosos) e indo em direção aos estudos teológicos feitos por indivíduos leigos. Alan Krambeck

  11ª PARTE MÁXIMA / LEITURAS E PREPARAÇÃO PARA PRÓXIMA AULA 
Próxima aula:        Livro 1 Capítulo 18 – LEIBNIZ – MONADOLOGIA Leitura:        OS FILÓSOFOS – Herculano Pires – Edit FEESP        O MUNDO DE SOFIA - Josteen Gardeer – Ed Cia. das Letras       OS PENSADORES – Leibniz – Edit Nova Cultural

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