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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Estudo: A Gêneses de Allan Kardec Cap. III O Bem e o Mal

Bibliografia:
A Gênese
O Livro dos Espíritos, livro 1cap.IV e livro 3o , cap I
Leis Morais da Vida  cap. 50 -"O Bem Sempre". - Joanna de Ângelis - Divaldo Pereira Franco.
Emmanuel, cap. XXI - Emmanuel - F.C.X.
Vida e Sexo, cap. 24 - Emmanuel - F.C.X.
Fonte Viva, lição 36, "Afirmação esclarecedora" - lição, 116 "Ir e ensinar" - Emmanuel - F.C.X.
Caminho, Verdade e Vida, lição 60, "Prática do bem" Emmanuel - F.C.X.
As Leis Morais, cap. 7 e 8 Rodolfo Calligaris.
• Origem do bem e do mal
• O instinto e a inteligência

• Destruição dos seres vivos uns pelos outros

Origem do bem e do mal - 1a. parte (itens 1 a 6) 
C O N C L U S Ã O
Sendo Deus o princípio de todas as coisas e todo sabedoria, bondade e justiça, tudo o que dele procede há de ter estes mesmos atributos. Logo, o mal não pode ter nele a sua origem. Entretanto, o mal existe e tem uma causa. Não podendo o homem penetrar nos desígnios do Criador, desconhece o por quê da sua ocorrência. O que lhe parece um mal, sob a ótica material com que aprecia as coisas, Deus permite que aconteça por ser necessário ao seu progresso. Deus concedeu ao homem tudo o necessário para que se evitasse o mal e, de tempos em tempos, envia-lhe seus emissários para esclarecê-lo.
 

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO
a) Segundo Kardec, por que o mal não pode provir de Deus?
R - Deus é o princípio de todas as coisas e tem como atributos a sabedoria, a bondade e a justiça, em seu grau infinito. Tudo o que dele procede contém esses atributos, porquanto o que é infinitamente sábio, justo e bom nada pode produzir que seja ininteligente, mau e injusto, conforme explica Kardec. Sendo assim, o mal não pode ter nele a sua origem.
 

b) Pode o mal provir de um ser especial?
Se o mal tivesse sua origem num ser especial, dedicado exclusivamente a ele, qualquer que seja o nome que se lhe dêem as religiões, este ser seria igual a Deus e, por conseguinte, tão poderoso quanto este ou lhe seria inferior. Se fosse igual à Divindade, teríamos duas potências rivais a dirigir o Universo, em luta incessante, uma pelo bem, outra pelo mal. Cada uma procuraria desfazer a obra da outra, o que seria incompatível com a harmonia que se revela no Universo. Se inferior a Deus, a ele estaria subordinado e somente poderia ser sua criatura. Teríamos, então, que Deus houvera criado o espírito do mal, o que implicaria em negação do atributo de bondade infinita.
 

c) Não provindo o mal de Deus nem de qualquer outro ser com semelhantes poderes, de onde provém?
R - Kardec classificou em duas categorias os males que atingem a Humanidade: aqueles que provêm de sua vontade e os que o homem não pode evitar. Estes últimos, são aqueles que provêm das leis e forças da Natureza, como os flagelos destruidores, inevitáveis e que atingem por vezes extensas áreas e um grande número de homens. Os primeiros, mais numerosos, são os que o homem cria pelos seus atos e pensamentos, os que provêm de seus vícios, como o orgulho, o egoísmo e a ambição. Enfim, dos excessos que pratica. Nestes vícios está a causa das guerras e das calamidades que estas acarretam, das injustiças, da opressão do fraco pelo forte e da maior parte das enfermidades.

d) Por que Deus permite a existência do mal?
R - Com sua inteligência ainda restrita, o homem não pode penetrar nos desígnios do Criador, apreciando as coisas unicamente do ponto de vista do momento e de sua personalidade. Por esta razão, não compreende a ordem da Natureza, deixando de perceber que aquilo que muitas vezes se lhe afigura um mal é um meio que lhe fará progredir em conhecimento. É o que ocorre com relação aos flagelos naturais, que Deus permite aconteçam para que o homem se desenvolva em conhecimento, com o objetivo de atenuar os seus efeitos. Quanto mais se adianta o homem, tanto menos desastrosos se tornam os flagelos, neutralizando as consequências ou mesmo evitando a sua ocorrência. É assim que, pouco a pouco, a necessidade faz o homem criar as ciências por meio das quais melhora as condições de habitabilidade do globo e aumenta o seu próprio bem-estar.

Quanto aos males gerados pelo mau uso do livre-arbítrio pelo homem, Deus permite que aconteçam não só em respeito a esse livre-arbítrio como, também, porque, sendo o Planeta de provas e de expiações, essas situações, infelizmente, ainda são necessárias ao aprimoramento dos espíritos que compõem a sua humanidade. Os males a que se acha o homem exposto na Terra servem como "um estimulante para o exercício da sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitá-los. Se ele nada houvesse de temer, nenhuma necessidade o induziria a procurar o melhor; o espírito se lhe entorpeceria na inatividade; nada inventaria, nem descobriria. A dor é o aguilhão que o impede para a  frente, na senda do progresso", completa Kardec.

e) O que faz Deus para evitar a ocorrência do mal?
 
R - Deus promulgou leis sábias e soberanas, que objetivam unicamente o bem. Nelas o homem encontra o necessário para evitar a ocorrência do mal. Dotou o homem das faculdades que lhe são necessárias ao seu cumprimento e escreveu na sua consciência essas leis. Além disso, de tempos em tempos, manda à Terra seus enviados, Espíritos Superiores, que encarnam com a missão de trazerem esclarecimentos e lembrar os homens de sua Lei, visando moralizá-los e melhorá-los. Se conformasse com as leis divinas, o homem se pouparia a todos os males e viveria ditoso na Terra. Se assim não acontece, é pelo uso equivocado do seu livre-arbítrio, o que o faz sofrer as consequências do seu proceder. 

Origem do bem e do mal - 2a. parte (itens 7 a 10) 
C O N C L U S Ã O
A origem do bem é Deus; a do mal é o homem. O bem se origina das leis divinas, todas perfeitas e com os preceitos necessários para o homem viver. O seu cumprimento gera o bem. O mal tem a sua origem nos vícios e paixões humanas,
 cujas raízes se encontram no instinto de conservação, fortemente presente nos animais e nos seres primitivos, mas que vai se enfraquecendo à medida que a inteligência se desenvolve e domina a matéria. O mal é, pois, temporário e relativo. Sua responsabilidade é proporcional ao grau de adiantamento do homem. Deus pôs o remédio ao lado do mal, fazendo com que do próprio mal saia o remédio para a sua cura. O excesso do mal moral, quando se torna intolerável, impõe ao homem a necessidade de melhorar-se. É essa necessidade que o constrange a procurar o bem, usando de seu livre-arbítrio, como maneira de melhorar as condições materiais de sua existência. 

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO
 

a) Como pode o homem evitar a ocorrência do mal?
R - O mal deve ser combatido com o bom uso do livre-arbítrio de que o homem é dotado e com o cumprimento das leis divinas. Deus estabeleceu as leis que regem a Natureza e que são suficientes para o homem viver em consonância com o bem. Se as desrespeita, o homem o faz voluntariamente, utilizando-se do seu livre-arbítrio e, com isso, pratica o mal. Daí provêm a maioria das doenças e até a morte, frutos da imprevidência do homem.

b) Por que Deus não criou o homem perfeito e com tendência apenas para o bem?
R - Do mesmo modo que cabe ao homem a responsabilidade pelo mal que pratica, quis Deus que ele ficasse sujeito à lei do progresso e que o progresso resulte do seu trabalho, para melhor saber valorizá-lo. Da mesma maneira que lhe cabe a responsabilidade pelo mal que por sua vontade pratique, pertence ao homem o mérito pelos frutos que resulte da prática do bem. Por isso Deus o dotou de livre-arbítrio, para que possa optar entre o bem e o mal, sendo o único responsável pela consequência de seus atos. Se o houvesse criado perfeito, nenhum mérito teria o homem para gozar os benefícios desta perfeição.

c) Como podemos relacionar o bem e o mal com o grau de adiantamento da humanidade?
R - O bem e o mal guardam relação com o grau de adiantamento da humanidade. Nas primeiras encarnações na fase hominal, o espírito é mais dependente dos valores materiais, cujas necessidades para a sua sobrevivência lhe cumpre satisfazer. A vida moral ainda se inicia e o espírito vive unicamente em função da matéria. No entanto, à medida que se adianta, seu senso moral aumenta e suas necessidades vão se modificando. De início, são semimorais e semimateriais, até se tornarem exclusivamente morais, quando atingir a perfeição possível. Exerce, a partir daí, domínio sobre a matéria, dela não sendo mais dependente. E assim, o que outrora era um bem, face à sua dependência da matéria, torna-se um mal, por não mais ser uma necessidade, atrasando o processo de espiritualização do ser. O bem e o mal são, portanto, relativos à responsabilidade do espírito, que, por sua vez, é proporcional ao seu grau de adiantamento. Como exemplifica Kardec, muita coisa, que é qualidade na criança, torna-se defeito no adulto.

O Instinto e a Inteligência - 1a. parte (itens 11 a 14)
C O N C L U S Ã O
O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles. Nos atos instintivos não há reflexão, nem combinação, nem premeditação. A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É incontestavelmente um atributo exclusivo da alma. O instinto é guia seguro, que nunca se engana; a inteligência, pelo simples fato de ser livre, está, por vezes, sujeita a errar.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO
 

a) O que é o instinto e qual as suas principais características?
R - Kardec define o instinto como a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles. Sua principal característica é não haver nele reflexão, combinação nem premeditação. Funciona numa espécie de automatismo, como nas plantas, que procuram o ar, voltam-se para a luz e dirige suas raízes para a água e para a terra nutriente, movimentos necessários à sua subsistência. Ou nos animais, que buscam os climas que lhes são propícios, constroem seus abrigos, leitos e armadilhas para apanharem presas que lhes servem de alimento. No homem, no começo da vida, o instinto domina as suas ações, como na criança que procura o seio materno para se alimentar. À medida que se desenvolve e se torna adulto, o instinto ainda é responsável por alguns de seus atos, como os movimentos espontâneos para evitar um perigo ou para manter o equilíbrio do corpo.

b) O que é a inteligência e quais as diferenças principais em relação ao instinto?
R - Ao contrário do instinto, Kardec explica que a inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É uma manifestação que provém exclusivamente do espírito, através de um ato voluntário, refletido, premeditado, livre. Todo ato inteligente denota reflexão, combinação, deliberação e resulta do exercício do livre-arbítrio. O ato instintivo é seguro e não se engana, por ser mecânico provocado por alguma circunstância; o que provém da inteligência, por ser livre e deliberado, está sujeito a equívoco.
 

c) Pode-se considerar que o instinto procede da matéria?
R - O ato instintivo não procede da matéria, pois, embora falte-lhe o caráter de ato inteligente, revela uma causa inteligente, capaz de identificar as circunstâncias que o determinam. Se procedesse da matéria, teríamos que admitir que a matéria seria inteligente, apta a prever situações determinantes do ato instintivo. Aliás, seria até mais inteligente que o próprio espírito, pois o instinto não se engana, ao passo que a inteligência pode optar por uma atitude equivocada.

d) Como Kardec analisa o sistema segundo o qual o instinto se desenvolve e dá lugar à inteligência?
R - Kardec refuta essa teoria explicando que, se a inteligência tivesse origem no instinto, ou seja, o instinto fosse um princípio que se desenvolvesse e se transformasse em inteligência, não existiria nos seres inteligentes. Ao demais, não se explicaria o fato de, em certos casos, ser mesmo superior à inteligência, pois, como vimos, é infalível, ao passo que a inteligência pode errar.
 

e) Quanto à origem do instinto, qual a hipótese que Kardec considera compatível com o ensinamento espírita?
R - Nos itens 12, 13 e 14 do presente capítulo, Allan Kardec faz uma análise das diversas hipóteses que tentam explicar a origem do instinto:
I - o instinto procederia da matéria - admitindo-se essa hipótese, teria que se admitir que a matéria é inteligente, mais, até, que o espírito, pois, enquanto a inteligência, que deste provém, pode se enganar, o instinto não se engana, o que seria equivocado;
II - o instinto seria uma inteligência rudimentar - como explicar-se-ia, então, que, em certos casos, seja superior à própria inteligência. Se fosse uma inteligência rudimentar, não poderia ser a ela superior, em nenhuma hipótese e desapareceria ao se transformar em inteligência;
III - o instinto é atributo de um princípio espiritual de natureza especial - sendo os animais dotados praticamente apenas de instinto, não teriam como evoluir, o que contrariaria a bondade de Deus.
IV - o instinto e a inteligência procederiam de um único princípio - o homem inteligente, após ter o instinto transformado em inteligência, ao agir guiado unicamente pelo instinto, teria sua inteligência de volta ao estado de instinto. Retomando a razão, o instinto se tornaria novamente inteligência e assim acontecendo alternadamente. Isto também seria inadmissível, até porque determinados atos se manifestam através do instinto e da inteligência ao mesmo tempo, como o ato de caminhar rápida ou vagarosamente, conforme a necessidade. O movimento das pernas é instintivo; o ritmo da caminhada é pensado.
V - o instinto seria produto de uma inteligência estranha - esta é a hipótese considerada por Kardec mais aceitável e coerente com os novos ensinamentos trazidos pelo Espiritismo, que trouxe o conhecimento de que muitos Espíritos desencarnados têm por missão velar pelos encarnados, dos quais se constituem protetores e guias. Sendo o instinto seguro, tendo uma causa inteligente e induzindo o homem a atos que visam a sua conservação, proviria de uma ação impregnada de bondade, que supriria a imperfeição da inteligência. De acordo com esta hipótese, o instinto não seria atributo nem da alma nem da matéria. Seria efeito de uma inteligência estranha, supletiva, provinda dos protetores invisíveis, que supririam a imperfeição da inteligência, provocando os atos inconscientes necessários à conservação do ser.

O Instinto e a Inteligência - 2a. parte (itens 15 a 19)
Quanto às suas origens, a da inteligência, sabemos que vem do próprio ser espiritual, fruto do pensamento contínuo e do livre-arbítrio com que Deus lhe dotou e dos quais se utiliza para desenvolvê-la gradativamente. Já com relação ao instinto, o homem ainda não possui os elementos de observação que permitam uma conclusão a respeito, limitando-se a formular hipóteses. Até lá, temos que continuar estudando as diferentes hipóteses sempre sob a ótica da razão e esperar que a verdade venha à luz. 


QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO 

a) Por que a inteligência protetora invisível que guia o instinto não pode provir de uma individualidade encarnada ou desencarnada?
 
R - No estudo sobre as hipóteses que tentam explicar a natureza do instinto, Allan Kardec, no item 15, aborda a teoria segundo a qual o instinto seria fruto de uma influência vinda do mundo espiritual, dos espíritos protetores que zelam pelos encarnados durante a vida na Terra. Considera o Codificador que essa hipótese, embora perfeitamente aceitável à luz dos ensinamentos acerca da vida espiritual trazidos pelo Espiritismo, enfrenta algumas dificuldades. Como temos visto, o instinto tem como uma de suas características ser sempre seguro, sábio e igual para todos, não falhando nunca. Este fato leva à conclusão de que é oriundo de uma unidade de pensamento, pois só ela poderia produzir um conjunto harmonioso e idêntico desde todos os tempos, com regularidade e precisão o tempo todo, o que implica numa causa geral uniforme e constante. Sendo os espíritos protetores unidades autônomas, com aptidões individuais próprias, inexistiria, no caso, uma unidade de causa, o que levaria a tantas variedades de instintos quantos fossem essas individualidades. 

b) Segundo Kardec, qual seria a origem desta inteligência?
R - Não podendo, portanto, o instinto provir de entidades individuais, pois lhes falta as qualidades necessárias à produção de tal resultado uniforme nem da matéria, pois esta pode se apresentar de diferentes formas, Kardec explica que temos de procurar no mais alto a sua origem, ou seja, no próprio Criador. Formula, então, a hipótese de o instinto provir do próprio Deus, através da ação da Providência, que, segundo o Codificador, agiria por meio dos fluidos divinos de que todos os seres estão impregnados. Este fluido, infinitamente inteligente, presidiria todos os movimentos instintivos que se efetuam para o bem de cada indivíduo. Quanto menor a capacidade do indivíduo de agir por si mesmo, através de sua inteligência, com maior intensidade se manifesta essa solicitude, daí porque se mostra mais fortemente nos seres inferiores, dotados de germens de inteligência, mas que ainda não possuem o pensamento contínuo nem livre- -arbítrio pleno.

Cumpre destacar, contudo, como o faz Kardec no item 17, que todas essas teorias que procuram explicar a origem do instinto são hipotéticas, pois o homem ainda não possui os elementos de observação que permitam uma conclusão a respeito. Até lá, temos que continuar estudando as diferentes hipóteses, sempre sob a ótica da razão e esperar que a verdade venha à luz. "A solução que mais se aproxima da verdade será decerto a que melhor condiga com os atributos de Deus, isto é, com a bondade suprema e a suprema justiça", conclui o Codificador.
 

c) Qual a diferença entre a ação do instinto e a dos espíritos protetores?
R - A ação dos espíritos protetores, ao contrário do instinto, é individual e tem qualidades próprias, que variam de acordo com a evolução alcançada por esses espíritos. A influência sugerida pelos espíritos protetores vem de fora do ser, tem a sua origem numa outra individualidade e pode ou não ser acolhida. Depende, portanto, do uso do livre-arbítrio e da inteligência e pode ter um resultado positivo ou não. A ação impulsionada pelo instinto não passa pela inteligência, opera-se maquinalmente e seu resultado é sempre benéfico.

d) Qual a diferença entre instinto e paixão?
R - O instinto é guia sempre seguro, que vai sendo dominado pela ação da inteligência, à medida que o espírito evolui. A paixão nasce principalmente das necessidades da vida material e não produzem, ao contrário do instinto, efeitos uniformes nem seguros, variando conforme a natureza dos indivíduos. O resultado de uma ação guiada pelo instinto é sempre bom; pela paixão, nem sempre, podendo trazer consequências negativas para o espírito. O instinto tem sua influência diminuída por si mesmo, à medida que o ser espiritual desenvolve a inteligência; as paixões somente pelo esforço da vontade podem domar-se.

Destruição dos seres vivos uns pelos outros (itens 20 a 24)

C O N C L U S Ã O
A destruição recíproca dos seres vivos é, dentre as leis da Natureza, uma das que, à primeira vista, menos parecem conciliar-se com a bondade de Deus. Para quem apenas vê a matéria e restringe à vida presente a sua visão, há nisso uma imperfeição na obra divina. Todavia, a verdadeira vida, tanto do animal como do homem, não está no invólucro corporal, do mesmo modo que não está no vestuário.
 

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO
 

a) Segundo Kardec, de que ponto de vista devemos observar a lei de destruição?
 
R - A destruição dos seres vivos é lei da Natureza, que somente pode ser compreendida se examinada sob o ponto de vista espiritual. Somente a matéria é destruída, pois o princípio espiritual é imortal e não se desgasta. A destruição recíproca dos seres vivos - que, ensinam os Espíritos, na verdade, trata-se de transformação - contribui para o desenvolvimento da humanidade ao possibilitar o seu renascimento, levando-os à renovação e melhoria. Em outras palavras, é um mecanismo de evolução, pois leva o espírito, ao praticá-la, a lutar pelo seu desenvolvimento e exercitar suas faculdades. No embate pela sobrevivência, buscando uns destruir a outros, o princípio inteligente se elabora para a vida, servindo a busca pelos meios de ataque e de defesa como estímulo para o desenvolvimento da inteligência. 

b) Por que Deus permite que suas criaturas se destruam mutuamente?
R - No estágio evolutivo em que se encontra a humanidade terrena, seu corpo físico precisa de matérias orgânicas que somente são encontradas nos seres vivos e que contêm os elementos nutritivos necessários à sua conservação. Por esta razão, Deus permite que o homem, como ser que se encontra no estado mais evoluído que conhecemos do principio inteligente, exerça o direito de destruição sobre os seres dos reinos inferiores (vegetais e animais). Esta permissão, no entanto, tem como limite o necessário para prover ao seu sustento. O que exceder dessa necessidade é uma violação da Lei e aproxima o homem dos brutos.
 
Através da destruição, Deus ensina aos homens a não valorizarem em excesso o corpo material, suscitando-lhe a ideia da vida espiritual. Se tudo na obra de Deus é sabedoria, devemos aceitar que, se não compreendemos determinado aspecto da Criação, é devido à nossa falta de adiantamento. Sendo Deus infinitamente justo e sábio, procuremos, em tudo, a sua justiça e a sua sabedoria, curvando-nos diante do que ultrapasse o nosso entendimento.

c) Terá o homem para sempre a necessidade de destruir os seres inferiores da criação?
R - Nos primeiros passos do princípio inteligente, após ingressar no reino hominal, domina, ainda, o instinto animal, em luta pela satisfação das necessidades materiais. Mais tarde, adiantando-se na evolução, o homem luta não mais para se alimentar, mas para satisfazer à sua ambição, ao seu orgulho e ao desejo de dominar. Até essa fase ainda existe a necessidade de destruir. À medida que o senso moral vai dominando o espírito, porém, desenvolve-se nele a sensibilidade, diminuindo a necessidade de destruir até desaparecer. Só a custa de muita luta é que o homem atingirá essa condição, despojando-se dos últimos vestígios do reino animal que ainda traz consigo. Nessa ocasião, seu perispírito estará menos grosseiro e plasmará corpos igualmente menos densos, mais sutis, que não mais necessitarão de se alimentar com a matéria orgânica dos reinos inferiores.

Fonte:www.cvdee.org.br

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